Projeto de referendo revogatório venezuelano de 2016

A linha azul representa o percentual que favorece a revogação do mandato do presidente Maduro. A linha vermelha representa o percentual que não deseja a revogação do mandato do presidente Maduro. Pontos não preenchidos representam resultados individuais das pesquisas. A maioria das pesquisas foi descontinuada devido à suspensão do movimento pelo referendo.

Um processo para realizar um referendo revogatório para votar a revogação do mandato de Maduro foi iniciado em 2 de maio de 2016. Nessa data, líderes da oposição na Venezuela entregaram uma petição ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) que deu início a um processo em várias etapas.[1] O governo venezuelano afirmou que, se assinaturas suficientes fossem coletadas, uma votação de revogação seria realizada não antes de 2017.[2] Em 21 de outubro de 2016, o CNE suspendeu o referendo dias antes das coletas preliminares de assinaturas.[3]

Petição inicial

Em 2 de maio de 2016, líderes da oposição na Venezuela entregaram uma petição solicitando a realização de um referendo revogatório. Em 21 de junho de 2016, a BBC noticiou que assinaturas para um referendo para revogar Maduro estavam sendo registradas pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), com o processo em andamento por vários dias. A petição exigia que 1% do eleitorado a endossasse antes que a próxima etapa de votação pudesse ser realizada.[1] Segundo líderes da oposição, em julho, durante uma coleta preliminar de assinaturas para o referendo, o CNE "rejeitou mais de meio milhão de assinaturas por motivos que variaram de caligrafia ilegível a impressões digitais manchadas".[4]

No início de julho de 2016, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama instou a Venezuela a permitir o referendo revogatório.[5] Em 5 de julho de 2016, o serviço de inteligência venezuelano deteve cinco ativistas da oposição envolvidos com o referendo, e outros dois ativistas do mesmo partido, Vontade Popular, também foram presos.[5]

De acordo com um artigo de 27 de julho de 2016 no The Guardian, "a oposição da Venezuela exigiu que as autoridades avançassem com um referendo para forçar Nicolás Maduro a deixar o cargo, em meio a reclamações de que o governo está se recusando a agilizar o processo." Dias antes, protestos haviam ocorrido na sede do CNE após o órgão não cumprir o prazo para anunciar se a petição recente havia coletado assinaturas válidas suficientes. O governo, em resposta, argumentou que os manifestantes faziam parte de um complô para derrubar Maduro. Na época, uma pesquisa do Venebarómetro constatou que "88% dos eleitores 'prováveis' em um referendo escolheriam destituir Maduro".[6]

Segunda fase

Em 1º de agosto de 2016, o CNE anunciou que assinaturas suficientes haviam sido validadas para que o processo de revogação continuasse. Não foi definida pelo CNE uma data para a segunda fase, que exige a coleta de assinaturas de 20% do eleitorado. Enquanto os líderes da oposição pressionavam para que o referendo fosse realizado antes do final de 2016, permitindo novas eleições presidenciais, o governo assegurou que a votação não ocorreria até 2017, garantindo que o vice-presidente em exercício assumisse o poder. A Reuters informou que o governo havia aberto 9.000 processos alegando fraude na coleta de assinaturas.[2]

Em 9 de agosto de 2016, o CNE apresentou um cronograma para o referendo que tornava improvável sua realização antes do final de 2016, em parte devido a um novo período de verificação de assinaturas de 90 dias.[4][7] O CNE estimou que a segunda etapa da petição provavelmente ocorreria em outubro de 2016,[7] resultando em uma votação provavelmente em fevereiro de 2017.[4] Líderes da oposição planejavam uma grande marcha de protesto em resposta,[7] acusando o CNE de favorecer o Partido Socialista ao impor a demora.[4] Segundo a Reuters, em 9 de agosto, "líderes do Partido Socialista rejeitaram o esforço de revogação como fraudulento e observaram que o conselho eleitoral encontrou quase 10.000 assinaturas correspondentes a pessoas falecidas".[4]

Na manhã de 21 de setembro de 2016, o Conselho Nacional Eleitoral definiu novas regras para a campanha de revogação que a Associated Press descreveu como "desfavoráveis à oposição".[8] Entre outras regras, os oficiais anunciaram que as assinaturas deveriam ser coletadas de 20% dos eleitores venezuelanos em três dias, especificamente de 26 a 28 de outubro. Além disso, exigiram que fossem coletadas assinaturas de 20% do eleitorado em cada estado, embora "líderes da oposição digam que deveriam coletar apenas de 20% dos eleitores em nível nacional". A oposição, que havia solicitado 20.000 máquinas de votação, recebeu autorização para utilizar 5.400.[8] Em 21 de setembro de 2016, o Conselho Nacional Eleitoral anunciou que o referendo revogatório não seria realizado antes de 10 de janeiro, o que descartaria novas eleições e faria com que o vice-presidente assumisse o cargo de Maduro até o final do mandato em 2019. O CNE afirmou que a votação "poderia ser realizada no meio do primeiro trimestre de 2017".[9]

Suspensão

Quando isso acontece não há democracia. O que a Venezuela tem é ditadura...

Jose Vicente Haro, especialista em direito venezuelano[10]

Em 21 de outubro de 2016, o CNE suspendeu o referendo apenas dias antes das coletas preliminares de assinaturas.[3] O CNE culpou uma suposta fraude eleitoral como motivo para o cancelamento do referendo.[3]

Reação

Líderes da oposição responderam convocando protestos contra as ações do CNE.[3] No dia seguinte ao anúncio do governo, vários milhares de venezuelanos marcharam por Caracas protestando contra a suspensão.[11] Os manifestantes foram liderados por Lilian Tintori e Patricia Gutiérrez, esposas de políticos da oposição presos.[11]

Especialistas descreveram a suspensão como "inconstitucional". O jurista venezuelano Jose Vicente Haro declarou que a medida do governo bolivariano não respeita a constituição, enquanto o Washington Office on Latin America chamou a suspensão de "um retrocesso para a democracia".[carece de fontes?]

Após a suspensão do movimento pela revogação, uma pesquisa do Venebarómetro constatou que 61,4% consideravam que Maduro havia se tornado um ditador,[12] enquanto em uma pesquisa feita pela Keller e Associados 63% dos entrevistados afirmaram que Maduro era um ditador.[13]

Reações internacionais

A Reuters informou em 4 de agosto de 2016 que o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, declarou que "incentivamos a Venezuela a realizar o referendo não de forma adiada para o próximo ano, mas como um sinal de respeito à constituição do país e às necessidades do povo".[14] Em 11 de agosto de 2016, 15 países da Organização dos Estados Americanos divulgaram uma declaração conjunta pedindo que o referendo fosse realizado "sem demora", para "contribuir para a rápida e eficaz resolução das dificuldades políticas, econômicas e sociais atuais no país".[15]

Referências

  1. a b «Venezuela starts validating recall referendum signatures». BBC. 21 de junho de 2016. Consultado em 8 de agosto de 2016 
  2. a b Cawthorne, Andrew (1 de agosto de 2016). «Venezuela election board okays opposition recall push first phase». Reuters. Consultado em 8 de agosto de 2016 
  3. a b c d «Venezuela Suspends Recall Campaign Against President Maduro». Fox News. 20 de outubro de 2016. Consultado em 21 de outubro de 2016 
  4. a b c d e Ellsworth, Brian (9 de agosto de 2016). «Venezuela timeline for Maduro recall makes 2016 vote unlikely». Reuters. Consultado em 9 de agosto de 2016 
  5. a b Kurmanaev, Anatoly (6 de julho de 2016). «Venezuela Detains Activists Calling for Maduro's Ouster». The Wall Street Journal. Consultado em 8 de agosto de 2016 
  6. Sibylla Brodzinsky (27 de julho de 2016). «Venezuela government stalling recall vote to keep power, opposition claims». The Guardian 
  7. a b c Crooks, Nathan (9 de agosto de 2016). «Effort to Oust Maduro Derailed as Venezuela Recall Hindered». Bloomberg. Consultado em 9 de agosto de 2016 
  8. a b «Venezuela to Gather Signatures for Recall in Late October». The New York Times - The Associated Press. 21 de setembro de 2016. Consultado em 21 de setembro de 2016 
  9. «Venezuela electoral authority rules out Maduro 2016 recall vote». Digital Journal. 21 de setembro de 2016. Consultado em 21 de setembro de 2016 
  10. Mogollon, Mery; Kraul, Chris (21 de outubro de 2016). «Anger grows as Venezuela blocks effort to recall president». The Los Angeles Times. Consultado em 23 de outubro de 2016 
  11. a b Buitrago, Daisy; Oré, Diego (22 de outubro de 2016). «Maduro opponents march after Venezuela referendum sunk». Reuters. Consultado em 23 de outubro de 2016 
  12. «El diálogo le pasó factura a la oposición y recuperó al chavismo». El Estímulo. 12 de dezembro de 2016. Consultado em 29 de junho de 2023 
  13. «ESTUDIO | El legado de Chávez se diluye y sube la impopularidad de Maduro». El Estímulo (em espanhol). 9 de dezembro de 2016. Consultado em 29 de junho de 2023 
  14. Bronstein, Hugh (4 de agosto de 2016). «U.S. urges patience in Argentina, wants Venezuela recall vote this year». Reuters. Consultado em 8 de agosto de 2016 
  15. «OAS members urge recall vote on Venezuela's President Maduro». Reuters - Deutsche Welle. 12 de agosto de 2016. Consultado em 16 de agosto de 2016