Ataque à Assembleia Nacional da Venezuela em 2017
| Ataque à Assembleia Nacional da Venezuela em 2017 | |
|---|---|
| Protestos na Venezuela em 2017 e Crise constitucional venezuelana de 2017 | |
![]() Local do ataque, o Palacio Federal Legislativo | |
| Local | Caracas, Venezuela |
| Coordenadas | 🌍 |
| Data | 5 de julho de 2017 (VST) |
| Tipo de ataque | Invasão e agressão física a parlamentares |
| Alvo(s) | Assembleia Nacional da Venezuela |
| Arma(s) | |
| Mortes | 0 |
| Feridos | 12[1] |
| Responsável(is) | Guarda Nacional Bolivariana, colectivos e civis pró-governo[1] |
| Situação | Confronto controlado após horas de agressões; retirada dos grupos pró-governo |
| Consequência | Ao menos 12 parlamentares e funcionários feridos; edifício legislativo danificado |
| Motivo | Intimidação da oposição e demonstração de força do governo Maduro |
Em 5 de julho de 2017, coletivos e apoiadores do presidente Nicolás Maduro invadiram o Palácio Federal Legislativo no Dia da Independência da Venezuela, agredindo vários membros da Assembleia Nacional liderada pela oposição.[2] Pelo menos 12 legisladores da oposição e seus assessores ficaram feridos em consequência do ataque.[1]
Série de eventos
Cerimônia
O dia começou com a Assembleia Nacional tentando comemorar a Declaração de Independência da Venezuela.[2] Por volta das 8h20 da manhã VST, o vice-presidente Tareck El Aissami, o ministro do Interior Néstor Reverol e o ministro da Defesa Vladimir Padrino López chegaram inesperadamente ao Palácio Federal Legislativo com apoiadores do governo vestidos de vermelho, interrompendo os eventos do dia.[3] El Aissami fez um discurso conclamando os apoiadores a marcharem até o Palácio Federal Legislativo e "forjarem a independência nas ruas".[4]
| “ | Estamos nas instalações de um poder do Estado que foi sequestrado pela mesma oligarquia que traiu Bolívar e sua causa... Convido o povo... a vir... ao hemiciclo e assumir uma proclamação para conduzir o futuro do país | ” |
Após falar por mais de quinze minutos e conclamar os apoiadores a marcharem até o palácio, El Aissami deixou o local com sua comitiva.[3]
Ataque
Às 9h18 VST, a calma havia retornado à Assembleia Nacional, já que os parlamentares haviam recuado para dentro do Palácio Federal Legislativo.[2][5] O presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges, falou meia hora depois, pedindo às Forças Armadas Nacionais da Venezuela que protegessem a vontade do povo venezuelano e não a de um partido político.[6]
Apoiadores do governo começaram a se reunir nas entradas do Palácio Federal Legislativo por volta das 10h40 VST[7] e às 11h45 VST, guardas nacionais posicionados no palácio legislativo permitiram que a multidão entrasse nas dependências da Assembleia Nacional.[1][2]
Centenas de pessoas pertencentes a coletivos e grupos pró-governo então invadiram a Assembleia Nacional armados com canos, armas de fogo e fogos de artifício, passando a disparar armas e lançar gás lacrimogêneo por toda a área.[1][2] Às 13h30 VST, os coletivos estavam dentro do palácio legislativo agredindo pessoas sem qualquer intervenção da Guarda Nacional.[8] Alguns parlamentares tentaram inutilmente se defender dos grupos governistas com extintores de incêndio,[1] sendo espancados com objetos, inclusive enquanto estavam caídos indefesos no chão.[2] Após horas de confronto e muitos opositores feridos, a Guarda Nacional finalmente retirou os grupos pró-governo do local.[1]
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Coletivos atacando parlamentares
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Americo De Grazia em uma maca -
O deputado Armando Armas ensanguentado após o ataque
Após o ataque, as paredes e pisos do Palácio Federal Legislativo ficaram manchados de sangue dos parlamentares da oposição.[9] No entanto, apoiadores do governo permaneceram do lado de fora por horas, agredindo legisladores que saíam, enquanto a Guarda Nacional demonstrava indiferença.[10] Às 19h10, as autoridades começaram a escoltar parlamentares até seus veículos e, em vinte minutos, 90% já havia sido evacuado, embora jornalistas e fotógrafos tenham precisado escapar por conta própria sob uma chuva de garrafas, fogos e pedras.[11] Como resultado do ataque, pelo menos 12 opositores e seus assessores foram feridos.[1]
Consequências
Escassez de suprimentos médicos
Após o ataque, os feridos não puderam receber tratamento devido à escassez de suprimentos médicos no país e porque o governo bolivariano proibia a Assembleia Nacional de ter seguro de saúde adequado. Muitos pediram doações de gazes, bandagens, antibióticos, antissépticos, soluções intravenosas e analgésicos.[12]
Reação
Doméstica
O presidente Nicolás Maduro condenou o ataque, descrevendo-o como um "evento estranho" e pediu uma investigação,[13] enquanto o presidente da Assembleia Nacional Julio Borges classificou as declarações de Maduro como "hipócritas", dizendo que "foram seus grupos armados que nos agrediram".[14]
Reação internacional
Governos
Os governos do México[15] e do Panamá[16] condenaram o ataque à Assembleia Nacional.
Colômbia – O governo colombiano, por meio de sua chancelaria, emitiu nota de repúdio aos atos de violência na Assembleia Nacional e pediu que o governo venezuelano garantisse a segurança dos membros dos poderes públicos e respeitasse sua autonomia.
Peru – O presidente Pedro Pablo Kuczynski escreveu no Twitter: "Meu absoluto repúdio e condenação aos atos inaceitáveis de violência ocorridos na Assembleia Nacional da Venezuela."
México – O governo mexicano também condenou os eventos por meio de comunicado expressando sua “mais enérgica condenação aos graves acontecimentos ocorridos hoje na Assembleia Nacional da Venezuela, onde grupos organizados invadiram violentamente, ferindo legisladores e causando destruição".
Panamá – A vice-presidente Isabel Saint Malo condenou "enfaticamente e energicamente a violência surgida na Assembleia Nacional da República Bolivariana da Venezuela".
Reino Unido – O embaixador britânico John Saville escreveu no Twitter: “Condeno um ataque grotesco contra a Assembleia Nacional da Venezuela e seus deputados. Para alcançar a paz, é preciso agir democraticamente e sem violência."
Alemanha – O ministro das Relações Exteriores Sigmar Gabriel rejeitou o ataque e pediu que os responsáveis fossem punidos.
Espanha – O governo espanhol emitiu nota de repúdio e pediu que as autoridades venezuelanas garantam a segurança e independência do Poder Legislativo. Mariano Rajoy escreveu: "Minha firme condenação ao violento assalto ao Parlamento da Venezuela. Espanha está com a paz, a liberdade e os direitos do povo venezuelano."
Estados Unidos – O Departamento de Estado condenou "o ataque contra membros da Assembleia Nacional por apoiadores armados do governo Maduro" chamando-o de "um ataque aos princípios democráticos".
Canadá – A ministra das Relações Exteriores Chrystia Freeland também condenou o ataque e pediu respeito aos direitos democráticos.
Chile – O ministro das Relações Exteriores Heraldo Muñoz expressou a condenação do governo chileno aos atos.
Guatemala – O governo guatemalteco lamentou e condenou os "atos de violência".- União Europeia – O presidente do Parlamento Europeu Antonio Tajani escreveu: "Condeno o brutal assalto à Assembleia Nacional da Venezuela, símbolo da democracia."
França – O Ministério de Relações Exteriores francês condenou os ataques e afirmou: "Não há Estado de direito sem respeito às instituições, nem democracia sem um parlamento soberano."
Organizações supranacionais
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos[17] e a Organização das Nações Unidas também condenaram o ataque.[18]
Mercosul – Os países do MERCOSUL (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) afirmaram que os "atos de violência" na Assembleia Nacional "constituem subjugação do Executivo sobre outro Poder do Estado" e pediram o fim da retórica de polarização.
OEA – O secretário-geral Luis Almagro pediu reunião entre o governo venezuelano e a OEA para buscar solução para a crise.
Ver também
Referências
- ↑ a b c d e f g h «Colectivos chavistas atacan Asamblea Nacional de Venezuela; al menos 12 heridos». El Nuevo Herald (em espanhol). 5 de julho de 2017. Consultado em 8 de julho de 2017
- ↑ a b c d e f «Colectivos irrumpieron y atacaron a diputados en la Asamblea Nacional». El Nacional (em espanhol). 5 de julho de 2017. Consultado em 7 de julho de 2017
- ↑ a b «El Gobierno le arrebata a la AN la apertura del Acta de la Independencia #5Jul». La Patilla (em espanhol). 5 de julho de 2017. Consultado em 7 de julho de 2017
- ↑ a b «El Aissami desde la AN: Estamos en las instalaciones de un Poder que ha sido secuestrado por la "oligarquía"». La Patilla (em espanhol). 5 de julho de 2017. Consultado em 7 de julho de 2017
- ↑ «Luis Florido: Vuelve la calma al Palacio Federal Legislativo #5Jul (Video)». La Patilla (em espanhol). 5 de julho de 2017. Consultado em 8 de julho de 2017
- ↑ «Julio Borges: Venezuela clama por la liberación de la conciencia dentro de la FANB (Video)». La Patilla (em espanhol). 5 de julho de 2017. Consultado em 8 de julho de 2017
- ↑ «Oficialistas pretenden dejar encerrados a diputados dentro de la AN (Video)». La Patilla (em espanhol). 5 de julho de 2017. Consultado em 8 de julho de 2017
- ↑ «AN denuncia que Guardia Nacional no intenta resolver situación de secuestro en el Palacio Legislativo #5Jul». La Patilla (em espanhol). 5 de julho de 2017. Consultado em 8 de julho de 2017
- ↑ «Así quedaron las paredes del Palacio Legislativo tras asalto violento de oficialistas (Fotos)». La Patilla (em espanhol). 5 de julho de 2017. Consultado em 8 de julho de 2017
- ↑ «Paramilitares y oficialistas agreden a trabajadores que intentaban salir de la AN». La Patilla (em espanhol). 5 de julho de 2017. Consultado em 8 de julho de 2017
- ↑ «Golpes, robos y amenazas con armas: La odisea que vivieron los secuestrados de la AN (Fotos)». La Patilla. 5 de julho de 2017. Consultado em 8 de julho de 2017
- ↑ «Trabajadores de la AN heridos el 5 de julio requieren medicamentos y otras donaciones». La Patilla (em espanhol). 10 de julho de 2017. Consultado em 10 de julho de 2017
- ↑ «Como "hechos extraños" califica Maduro el asalto al Palacio Legislativo (Video)». La Patilla. 5 de julho de 2017. Consultado em 8 de julho de 2017
- ↑ «Julio Borges: Gobierno rechaza con total hipocresía los actos violentos en la AN». La Patilla (em espanhol). 5 de julho de 2017. Consultado em 8 de julho de 2017
- ↑ «México condena la violencia ocurrida en la Asamblea Nacional (+Comunicado)». La Patilla (em espanhol). 5 de julho de 2017. Consultado em 8 de julho de 2017
- ↑ «Panamá condena violencia en la Asamblea Nacional de Venezuela (Comunicado)». La Patilla. 5 de julho de 2017. Consultado em 8 de julho de 2017
- ↑ «CIDH condena graves hechos de violencia en la Asamblea Nacional de Venezuela». La Patilla (em espanhol). 10 de julho de 2017. Consultado em 10 de julho de 2017
- ↑ «ONU condena asalto al Parlamento venezolano y pide investigación imparcial». La Patilla. 6 de julho de 2017. Consultado em 8 de julho de 2017
