Mãe de Todas as Marchas
| Mãe de Todas as Marchas | |||
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| Parte de Protestos na Venezuela em 2017 | |||
![]() ![]() Manifestantes a caminho da defensoria exigindo eleições imediatas e a libertação de prisioneiros políticos. A imagem superior mostra vista para o leste na Autoestrada Francisco Fajardo, a inferior mostra vista para o oeste. | |||
| Período | 19 de abril de 2017 | ||
| Local | Venezuela | ||
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A Mãe de Todas as Marchas (em castelhano: La madre de todas las marchas), também conhecida como Mãe de Todos os Protestos, foi um dia de protestos realizado em 19 de abril de 2017 na Venezuela contra o governo chavista do presidente Nicolás Maduro.[5] Os protestos começaram após o Supremo Tribunal de Justiça dissolver a Assembleia Nacional e assumir seus poderes legislativos em 29 de março de 2017 no que foi chamado de autogolpe.[8] A dissolução da Assembleia Nacional foi revertida pouco depois, em 1 de abril de 2017.[9]
Os manifestantes da oposição inicialmente marcharam pacificamente até serem bloqueados pelas autoridades venezuelanas, com saques e confrontos ocorrendo após a repressão.[5] Ao final do dia, três venezuelanos foram mortos — dois manifestantes e um membro da Guarda Nacional — e mais de 500 foram presos.[7][5]
Contexto
Após a morte do presidente Hugo Chávez, a Venezuela enfrentou uma grave crise socioeconômica durante a presidência de seu sucessor, Nicolás Maduro, como resultado das políticas de Chávez e da continuação delas por Maduro.[10][11][12][13] Os protestos na Venezuela começaram em fevereiro de 2014 quando centenas de milhares de venezuelanos protestaram contra os altos índices de violência criminal, inflação e escassez crônica de bens básicos devido às políticas criadas pelo Governo da Venezuela[14][15][16][17][18] Protestos ocorreram ao longo dos anos seguintes, com intensidade variando de acordo com as crises e a percepção de risco de repressão pelas autoridades.[19][20][21][22]
A concentração de protestos diminuiu nos primeiros meses de 2017 até que ocorreu a Crise constitucional venezuelana de 2017, quando o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela tentou assumir a Assembleia Nacional, removendo sua imunidade parlamentar. Apesar de a decisão ter sido revertida dias depois, as manifestações cresceram "no movimento mais combativo desde a onda de agitação de 2014".[23][24][25][26] Protestos após a crise continuaram por quatro semanas antes da "Mãe de Todas as Marchas", com 5 manifestantes mortos nas semanas anteriores.[27]
Protestos

O dia começou com manifestantes se reunindo em todo o país por volta das 10h30, com Caracas tendo 26 rotas diferentes para a marcha principal, com destino ao gabinete do Defensor do Povo Tarek William Saab para protestar.[28] Conforme a marcha avançava por Caracas, a Guarda Nacional começou a bloquear rotas e disparar gás lacrimogêneo contra os manifestantes às 11h50, que se recusaram a recuar apesar do uso da força.[28]
Por volta das 12h30, manifestações de opositores e governistas enchiam as avenidas de Caracas.[28] Pouco depois das 12h45, manifestantes na Autoestrada Francisco Fajardo, perto de Bello Monte, começaram a fugir após suportarem mais de uma hora de gás lacrimogêneo, muitos pulando no Rio Guaire, usado para esgoto, para escapar do gás.[29][30] Por volta das 14h10, um adolescente de 17 anos foi morto com um tiro na cabeça durante um protesto.[28] Às 16h35, paramilitares pró-governo chamados coletivos atiraram e mataram Paola Ramírez, uma jovem de 23 anos que protestava.[28]

Mais tarde, à noite, um membro da Guarda Nacional foi morto ao sul de Caracas — o primeiro agente do governo morto nos protestos de 2017 — elevando o total de mortos do ano para ao menos 8 pessoas.[31] Por volta das 21h00, o Fórum Penal informou que 521 venezuelanos foram presos ao longo do dia, elevando o número de detidos desde o início do ano para mais de 1.000.[32]
Consequências

Após os protestos, o presidente Maduro retuitou uma postagem de um jornalista pró-governo zombando dos manifestantes da oposição que precisaram pular no Rio Guaire, cheio de esgoto, para escapar do gás lacrimogêneo.[33] Em mensagens no Twitter entre uma usuária e a ministra do PSUV e ex-chefe do Distrito Capital, Jacqueline Faría, a usuária perguntou para onde foi o suposto investimento de 1,4 bilhão de dólares no Rio Guaire, ao que Faría respondeu: "Foram investidos completinhos, mas pergunte ao seu povo que tomou um banho gostoso!".[34]
No dia seguinte, 20 de abril, os venezuelanos voltaram às ruas para novos protestos pacíficos, com dezenas de milhares participando. À noite, no entanto, começaram distúrbios que avançaram até a madrugada de 21 de abril, com saques em bairros populares e confrontos com as autoridades. O The New York Times relatou que a "amargura dos pobres contra o governo" culminou na violência. As ruas de Caracas ficaram em chamas e o gás lacrimogêneo encheu o ar, obrigando um hospital maternidade a evacuar para evitar intoxicações. Ao fim da noite, pelo menos 12 pessoas foram mortas.[35]
Em 21 de abril, durante o funeral de Paola Ramírez, seus pais foram levados pelo CICPC e interrogados após declararem que ela ligou para eles minutos antes de morrer, dizendo que estava sendo perseguida por coletivos. O testemunho dos pais contradisse a versão do ministro do Interior Néstor Reverol, que afirmou que um membro de partido opositor a matou.[36]
"Mulher da Tanqueta"

Imagens de uma idosa bloqueando um veículo blindado VN-4 foram comparadas às imagens do Homem do Tanque durante os Protestos na Praça da Paz Celestial em 1989 e tornaram-se símbolo do protesto. A mulher viu os veículos sendo liberados por uma barreira da Guarda Nacional e se colocou à frente de um deles. Apesar de os guardas lançarem bombas de gás lacrimogêneo perto dela e empurrarem-na com o veículo, ela permaneceu no lugar. Foi posteriormente presa,[37][38] libertada pouco depois e continuou protestando nos dias seguintes.
Reações
Internacionais
Organismos supranacionais
União Europeia – Condenou a violência e pediu "a todos os venezuelanos que se unam para reduzir a escalada da situação e encontrem soluções democráticas dentro do marco da constituição".[39]
Governos
Colômbia – O presidente Juan Manuel Santos afirmou nas redes sociais que "avisei Chávez há 6 anos que a Revolução Bolivariana fracassou" e expressou "séria preocupação" com os planos de Maduro de expandir a Milícia Nacional.[40]
Alemanha – O Ministério das Relações Exteriores lamentou as três mortes, condenou a violência e exigiu que Maduro liberte os presos políticos, reconheça a Assembleia Nacional e estabeleça um calendário eleitoral, afirmando que essas medidas "criarão condições para retomar o diálogo nacional".[41]
Peru – O presidente Pedro Pablo Kuczynski declarou: "Não queremos interferir na situação de outro país irmão, mas não deve haver presos políticos nem mortes nas manifestações... ajudaremos se precisarem. Estamos todos aqui com vocês".[42]
Referências
- ↑ LUGO-GALICIA, HERNÁN; NUÑEZA, AYATOLA (20 de abril de 2017). «El país grito: "Maduro, no te queremos"». El Nacional (em espanhol). Consultado em 20 de abril de 2017
- ↑ «El corresponsal de SEMANA en Caracas relata cómo la madre de todas las marchas que convocó la oposición venezolana, terminó como se esperaba con represión con violencia. Análisis del duro panorama en el vecino país.». Semana. 20 de abril de 2017. Consultado em 21 de abril de 2017. Arquivado do original em 16 de abril de 2019
- ↑ «Noticias de América - Día de violencia en las marchas a favor y en contra de Maduro». Radio France Internationale (em espanhol). 20 de abril de 2017. Consultado em 21 de abril de 2017
- ↑ Casey, Nicholas; Patricia Torres (19 de abril de 2017). «At Least 3 Die in Venezuela Protests Against Nicolás Maduro». The New York Times. Consultado em 20 de abril de 2017
- ↑ a b c d Taylor, Alan (20 de abril de 2017). «In Venezuela, the 'Mother of all Marches'». The Atlantic. Consultado em 21 de abril de 2017
- ↑ a b «MP confirma muerte de tres personas y 62 heridos en protestas de este #19Abr». La Patilla (em espanhol). 20 de abril de 2017. Consultado em 21 de abril de 2017
- ↑ a b «Foro Penal reporta más de 1000 arrestos tras protestas desde el 4-A | En la Agenda | 2001.com.ve». Diario 2001. 19 de abril de 2017. Consultado em 20 de abril de 2017
- ↑ * «Caracas: Bloodshed at 'mother of all marches'». www.aljazeera.com. Consultado em 21 de abril de 2017
- Taylor, Alan. «In Venezuela, the 'Mother of all Marches'». The Atlantic (em inglês). Consultado em 21 de abril de 2017
- López, Virginia (20 de abril de 2017). «Deaths and injuries reported amid 'mother of all marches' in Venezuela». the Guardian. Consultado em 21 de abril de 2017
- «'Mother of all marches' turns violent in Venezuela». NBC News (em inglês). Consultado em 21 de abril de 2017
- Schipani, Andres (19 de abril de 2017). «Venezuelans take to the streets in 'mother of all marches'». Financial Times (em inglês). Consultado em 21 de abril de 2017
- ↑ Dreier, Hannah; Sanchez, Fabiola (1 de abril de 2017). «Venezuela high court reverses move to strip congress' power». USA Today (em inglês). Consultado em 1 de abril de 2017
- ↑ Kevin Voigt (6 de março de 2013). «Chavez leaves Venezuelan economy more equal, less stable». CNN. Consultado em 6 de março de 2013
- ↑ Corrales, Javier (7 de março de 2013). «The House That Chavez Built». Foreign Policy. Consultado em 6 de fevereiro de 2015
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- ↑ Lopez, Linette (11 de abril de 2014). «Why The United States Has Done Nothing About Venezuela». Business Insider. Consultado em 12 de abril de 2014
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- ↑ «Venezuela's Maduro says 2013 annual inflation was 56.2 pct». Reuters. 30 de dezembro de 2013. Consultado em 19 de janeiro de 2014
- ↑ «Venezuela Inflation Hits 16-Year High as Shortages Rise». Bloomberg. 7 de novembro de 2013. Consultado em 16 de fevereiro de 2014
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- ↑ Martín, Karina (1 de setembro de 2016). «Despite Government Obstacles, Over a Million Venezuelans March on Caracas». PanAm Post. Consultado em 2 de setembro de 2016
- ↑ «Thousands March Against Socialist President in Venezuela». International New York Times. 24 de janeiro de 2015. Consultado em 8 de agosto de 2015
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- ↑ «Venezuela crisis: Three killed at anti-government protests». BBC News. 20 de abril de 2017. Consultado em 20 de abril de 2017
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- ↑ «¡Tremendo presidente!… Nicolás aplaudió que la GNB echara al contaminado Guaire a manifestantes». La Patilla (em espanhol). 20 de abril de 2017. Consultado em 21 de abril de 2017
- ↑ «Jacqueline Faría: Recursos para el Guaire "se invirtieron completicos, si no pregunta a tu gente que se bañó sabroso"». Aporrea.org (em espanhol). 28 de abril de 2017. Consultado em 28 de abril de 2017
- ↑ Casey, Nicholas; Torres, Patricia (21 de abril de 2017). «At Least 12 Die as Rioting Breaks Out in Venezuela». The New York Times. Consultado em 21 de abril de 2017
- ↑ «Cicpc se llevó a padres de Paola Ramírez durante su velorio». El Nacional (em espanhol). 21 de abril de 2017. Consultado em 22 de abril de 2017
- ↑ «Lo que se sabe de la mujer que paró una tanqueta y se convirtió en la imagen de las protestas contra el gobierno de Venezuela». BBC Mundo. 20 de abril de 2017. Consultado em 21 de abril de 2017
- ↑ «Foto de mujer que desafía una tanqueta en Venezuela da la vuelta al mundo». CNN Español. 20 de abril de 2017. Consultado em 21 de abril de 2017
- ↑ «La Unión Europea condena actos de violencia en Venezuela y pide hallar soluciones constitucionales». La Patilla (em espanhol). 20 de abril de 2017. Consultado em 21 de abril de 2017
- ↑ «Santos dice que hace seis años le advirtió a Chávez que la revolución bolivariana fracasó». La Patilla (em espanhol). 20 de abril de 2017. Consultado em 21 de abril de 2017
- ↑ «Alemania exige a gobierno venezolano garantizar derecho de manifestación y evitar violencia». La Patilla (em espanhol). 20 de abril de 2017. Consultado em 21 de abril de 2017
- ↑ «Kuczynski critica a Venezuela por presos políticos y muertes en protestas». La Patilla (em espanhol). 21 de abril de 2017. Consultado em 22 de abril de 2017

