Efeito porta giratória

Alfredo Romero, advogado e ativista venezuelano que cunhou o termo

O efeito porta giratória é um termo usado para descrever a situação em que, enquanto presos políticos são libertados, novas prisões ocorrem ao mesmo tempo ou dentro de alguns dias, de modo que o número de presos políticos permanece constante. O termo foi cunhado pelo ativista venezuelano Alfredo Romero, diretor da ONG Foro Penal.[1][2]

Terminologia

O termo foi cunhado pelo ativista venezuelano Alfredo Romero, diretor da ONG Foro Penal, em sua pesquisa como convidado do Carr Center na Harvard Kennedy School da Universidade Harvard.[3]

Aplicação

Venezuela

Gráfico ilustrando o efeito porta giratória na Venezuela, mostrando detenções e libertações no país entre 2014 e 2019.
  Prisões
  Libertações

O efeito porta giratória foi denunciado em várias ocasiões na Venezuela. Alfredo Romero afirmou que, no decorrer de 2016, o número de pessoas presas superou o número de libertadas.[4] Em 2017, presos políticos que estavam encarcerados havia um, dois ou até três anos foram libertados e novas pessoas foram presas em seguida. Por exemplo, o produtor audiovisual Héctor Pedroza Carrizo foi detido sem mandado por agentes do Comando Antiextorsão e Sequestro (CONAS) da Guarda Nacional da Venezuela em sua casa.[5]

Em 2018, a Assembleia Nacional Constituinte anunciou a libertação de 79 pessoas, mas apenas 40 dos casos eram de presos políticos de uma lista composta então por 237 civis e 79 militares. Os libertados tinham de se apresentar periodicamente à Constituinte, e não aos tribunais, algo irregular.[6]

Romero detalhou novamente o fenômeno em uma publicação do Wilson Center em julho de 2020, "O Relógio da Repressão", observando a correlação entre as libertações e as novas prisões logo em seguida.[7]

Cuba

O mecanismo foi implementado em Cuba desde 2003. Nesse ano ocorreu a Primavera Negra de Cuba, que consistiu no sequestro, espancamento e encarceramento de 75 dissidentes. Após longos anos de negociações e campanhas internacionais em favor deles, todos foram libertados. Foi-lhes oferecido sair da ilha, o que foi aceito por alguns e outros optaram por ficar; estes sofreram sequestros expressos e desaparecimentos forçados por alguns dias ou horas, sendo acusados de pequenos crimes comuns e constantemente vigiados primeiro por agentes de segurança e depois por apoiadores do partido comunista.[8]

Myanmar

Em 2016, o termo foi usado pela Burma Campaign UK para se referir à situação dos presos políticos em Mianmar.[9]

Nicarágua

ONGs na Nicarágua denunciaram que o regime de Daniel Ortega implementa o mecanismo de "porta giratória" com os presos políticos do governo.[10][11]

Ver também

Referências

  1. «Alfredo Romero denuncia "efecto puerta giratoria" para presos políticos». Venezuela al Día. 13 de janeiro de 2017. Consultado em 11 de agosto de 2019 
  2. Himiob Santomé, Gonzalo (9 de outubro de 2016). «101 y contando, por Gonzalo Himiob Santomé». Runrun.es. Consultado em 11 de agosto de 2019 
  3. «REPORT ON STATE REPRESSION IN VENEZUELA» (PDF). Foro Penal. 2017. Consultado em 11 de agosto de 2019 
  4. Granados, Lewin (2 de janeiro de 2017). «Foro Penal: 2016, año del "efecto puerta giratoria" para los presos políticos». Analítica. Consultado em 11 de agosto de 2019 
  5. Rojas, Vanesa (28 de dezembro de 2017). «"Efecto puerta giratoria" califican liberaciones de presos políticos». Agencia Carabobeña de Noticias. Consultado em 11 de agosto de 2019 
  6. Singer, Florantonia (6 de junho de 2018). «La puerta giratoria de los presos políticos en Venezuela». El País. Consultado em 11 de agosto de 2019 
  7. «The Repression Clock: A Strategy Behind Autocratic Regimes (No. 40)». Wilson Center. Julho de 2020. Consultado em 10 de janeiro de 2024 
  8. «La Puerta Giratoria: el perverso método de asedio cubano que Ortega aplica a los reos políticos en Nicaragua» 
  9. «Revolving door of political prisoners keeps spinning». Burma Campaign UK (em inglês). 23 de janeiro de 2016. Consultado em 8 de maio de 2021 
  10. Organizaciones de derechos humanos de Nicaragua denuncian que el gobierno de Daniel Ortega implementa el mecanismo de "puerta giratoria", el cual consiste en liberar y encarcelar a los denominados reos políticos. Donaldo Hernández con el informe completo. (em espanhol), 10 de março de 2021, consultado em 27 de dezembro de 2022 
  11. Alejandro G. Motta (14 de fevereiro de 2023). «Puerta giratoria en Nicaragua». España. La Razón 

Leituras adicionais