Incêndio em Valência de 2018

Tragédia de Carabobo
Valencia, Venezuela, local do incêndio
Nome nativo Tragedia de Carabobo
Nome em portuguêsTragédia de Carabobo
Data28 de março de 2018 (2018-03-28)
LocalCelas da delegacia de polícia de Carabobo
LocalizaçãoValencia, Carabobo, Venezuela
Coordenadas10° 11' 21.2" N 68° 0' 7.98" O
Também conhecido comoMotim de Valencia
TipoIncêndio
TemaMotim carcerário
CausaColchões incendiados durante tentativa de fuga
ParticipantesCerca de 200 presos (capacidade para ~60)
ResultadoMorte de dezenas de detentos e duas visitantes
Baixas78+ mortos
AfetadosPresos, visitantes e familiares
Mortes68 confirmadas pelo Ministério Público
Lesões não-fataisdezenas
EnterroVala comum com três metros de profundidade
InquéritoQuatro promotores designados para investigar

Em 28 de março de 2018, ocorreu um incêndio durante um motim em prisão nas celas da sede da polícia estadual de Carabobo em Valência, Venezuela. O incêndio matou pelo menos 68 pessoas[1] e feriu dezenas de outras pessoas.[2] O incêndio é um dos incidentes mais letais já ocorridos em uma prisão venezuelana desde o Incêndio na prisão de Sabaneta em 1994, no qual mais de 100 presos morreram.[3]

Quatro promotores foram designados para investigar as circunstâncias que antecederam as mortes das vítimas.[4] O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu uma investigação e reparações para as famílias das vítimas do incêndio.[3]

Contexto

Violência e superlotação são problemas no sistema prisional da Venezuela. O Observatório Venezuelano de Prisões (em inglês: Venezuelan Observatory of Prisons) estima que 6.663 prisioneiros morreram entre 1999 e 2015, com uma superlotação média acima de 200%.[5]

Mais de 60 prisioneiros morreram no Motim na prisão de Uribana em 2013. A organização Human Rights Watch afirma que, devido ao treinamento precário e ao número insuficiente de guardas, além da corrupção e da deterioração da infraestrutura, gangues armadas assumiram o controle da população carcerária.[5]

Incêndio

O incêndio começou na cadeia anexa à delegacia de polícia em Valência, uma cidade localizada cerca de 160 km (100 mi) a oeste da capital da Venezuela, Caracas.[6] A cadeia foi construída para abrigar apenas 60 prisioneiros, mas, quando o incêndio começou, abrigava cerca de 200.[2]

O incêndio teria começado quando, durante um motim, prisioneiros incendiaram seus colchões em uma tentativa de fuga.[3] Relatos posteriores afirmaram que o incêndio começou durante uma festa organizada pelos presos.[7] Tiros também teriam sido ouvidos durante o motim que precedeu o incêndio.[5] No entanto, as circunstâncias que cercam o incêndio ainda não foram oficialmente confirmadas, e autoridades locais inicialmente apenas confirmaram que algumas pessoas haviam morrido no incêndio.[3][5]

Mais tarde, no mesmo dia, Tarek William Saab, principal promotor da Venezuela, declarou que o número de mortos foi de 68, incluindo duas mulheres, provavelmente visitantes; e afirmou que seria iniciada uma investigação para “esclarecer” o incidente.[8]

Consequências

No mesmo dia do incêndio, familiares dos presos mortos se reuniram na delegacia onde o incêndio ocorreu, mas foram dispersados pela polícia usando gás lacrimogêneo.[3] O gás foi usado após os manifestantes tentarem invadir a delegacia e o centro de detenção em questão, a sede da polícia estadual de Carabobo, e um policial foi ferido por uma pedra.[9]

O governador de Carabobo, Rafael Lacava, declarou sua "consternação" pelos acontecimentos, e o órgão de direitos humanos das Nações Unidas pediu uma investigação.[9][8] Em uma declaração, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos também pediu reparações para as famílias das vítimas.[10]

Opositores do presidente Nicolás Maduro usaram o incêndio como evidência de que a sociedade venezuelana se deteriorou sob sua liderança. O líder da oposição Henrique Capriles tuitou: "Quantas vezes mais vamos ver as mesmas cenas dantescas com os prisioneiros do país?"[11][12]

Muitos dos presos mortos foram enterrados lado a lado, em três camadas, em uma vala comum separada por blocos de concreto e marcada por cruzes.[13]

Referências

  1. Hernández, Juan Carlos (29 de março de 2018). «Angry families demand facts on deadly Venezuela jail riot». The Washington Post. Arquivado do original em 29 de março de 2018 
  2. a b Herrero, Ana Vanessa (29 de março de 2018). «After Dozens Die in a Jail Fire, Venezuela Tear-Gasses Their Relatives». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331. Consultado em 29 de março de 2018 
  3. a b c d e «Venezuelan police cells fire kills 68». BBC News (em inglês). 29 de março de 2018. Consultado em 29 de março de 2018 
  4. Herrero, Ana Vanessa (28 de março de 2018). «Venezuela Jail Fire Killed at Least 68, Attorney General Says». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331. Consultado em 29 de março de 2018 
  5. a b c d Beaumont, Peter (29 de março de 2018). «Fire in cells of Venezuelan police station kills 78». The Guardian (em inglês). Consultado em 29 de março de 2018 
  6. Onyanga-Omara, Jane (29 de março de 2018). «At least 68 dead in Venezuela police station fire as angry relatives demand answers». USA TODAY (em inglês). Consultado em 29 de março de 2018 
  7. Herrero, Ana Vanessa (30 de março de 2018). «Anguished Mourners Beg for Answers After Jail Fire in Venezuela». The New York Times 
  8. a b Krygier, Rachelle; Faiola, Anthony (29 de março de 2018). «Families demand answers after blaze kills at least 68 in overcrowded Venezuelan jail». Consultado em 30 de março de 2018 – via www.washingtonpost.com 
  9. a b «Venezuela jailbreak attempt sparks blaze, 68 dead». Free Malaysia Today (em inglês). 29 de março de 2018. Consultado em 29 de março de 2018 
  10. «U.N. calls on Venezuela to investigate deadly prison fire». Reuters. 29 de março de 2018. Consultado em 30 de março de 2018 
  11. Henrique Capriles (29 de março de 2018). «Henrique Capriles R. on Twitter» (em espanhol). Consultado em 3 de abril de 2018 – via Twitter 
  12. Aleem, Zeshaan (29 de março de 2018). «68 died in a Venezuelan prison riot. Police tear-gassed their families for asking questions.». Vox. Consultado em 30 de março de 2018 
  13. Scott Smith (30 de março de 2018). «Venezuelan jail dead buried in mass tomb as questions linger». Washington Post. Arquivado do original em 31 de março de 2018