Neomar Lander

Neomar Alejandro Lander Armas (17 de outubro de 1999 – 7 de junho de 2017) foi um barman venezuelano e manifestante morto durante os Protestos na Venezuela em 2017.

Biografia

Neomar Lander concluiu o ensino médio e não havia conseguido ingressar na universidade porque seus pais não tinham recursos e ele precisava trabalhar. Em maio de 2017, Neomar concluiu um curso na Associação Venezuelana de Barmen para se tornar barman profissional. No mesmo mês, uma fotografia da agência Agence France-Presse viralizou mostrando Neomar atirando uma pedra durante os protestos na Venezuela em 2017 com o pé direito engessado.[1]

No final de maio, suas palavras em um vídeo viralizaram: "A luta de poucos vale o futuro de muitos".[2]

Morte

Neomar morreu em 7 de junho de 2017 durante uma manifestação na Avenida Francisco de Miranda, no município de Chacao, Caracas, devido a um impacto no peito. Ele foi transferido para a clínica El Ávila, onde deu entrada sem sinais vitais.[3] O ministro do Interior Néstor Reverol afirmou que Neomar morreu ao tentar ativar um morteiro caseiro, mas vídeos gravados de sua morte indicam que Lander caiu após ser atingido por uma bomba de gás lacrimogêneo disparada por agentes da Polícia Nacional Bolivariana. Na noite de sua morte, um homem se passando pelo pai de Neomar e marido de Zugeimar Armas declarou na emissora estatal venezuelana que Lander era pago para ir às marchas. No dia seguinte, Zugeimar desmentiu as declarações, mostrando quem era o verdadeiro pai de Neomar, que não era o homem que apareceu no "NotiPatria", e que os manifestantes iam às marchas por livre vontade, já que "80% dos venezuelanos eram contra o governo".[4]

Em 13 de julho, foi convocada uma marcha noturna em homenagem aos mortos durante os protestos, incluindo Lander, marchando até os locais onde os manifestantes morreram. O inspetor dissidente do CICPC Óscar Alberto Pérez fez uma aparição surpresa na marcha, antes de sair e desaparecer.[5]

O assassinato de Neomar Lander foi documentado em um relatório de um painel de especialistas independentes da Organização dos Estados Americanos, considerando que poderia constituir um crime contra a humanidade cometido na Venezuela junto com outras mortes durante os protestos.[3]

Legado

Durante os Protestos na Nicarágua em 2018, o rosto de Neomar foi pintado com stencil em vários muros de Manágua junto com sua frase mais conhecida: "A luta de poucos vale o futuro de muitos".[1]

A prefeitura do Município de Chacao batizou a ligação subterrânea entre a Avenida Francisco de Miranda e a Avenida Libertador, a oeste da cidade, como Túnel Neomar Lander em sua homenagem, exatamente no local onde ele morreu.[6][7][8]

Ver também

Referências

  1. a b «10 cosas que no sabías sobre Neomar Lander». La Prensa. 27 de maio de 2018. Consultado em 14 de outubro de 2018 
  2. Souquett Gil, Mariana (8 de junho de 2017). «La lucha de Neomar Lander». Analítica. Consultado em 24 de janeiro de 2019 
  3. a b Organización de Estados Americanos, ed. (2018). «TORTURA COMO CRIMEN DE LESA HUMANIDAD». INFORME DE LA SECRETARÍA GENERAL DE LA ORGANIZACIÓN DE LOS ESTADOS AMERICANOS Y DEL PANEL DE EXPERTOS INTERNACIONALES INDEPENDIENTES SOBRE LA POSIBLE OMISIÓN DE CRÍMENES DE LESA HUMANIDAD EN VENEZUELA (PDF). Washington D.C.: [s.n.] Consultado em 24 de junho de 2018 
  4. Lysaura (8 de junho de 2017). «Madre de Neomar Lander desmiente show de "NotiPatria" sobre su hijo (+Video)». El Cooperante. Consultado em 14 de outubro de 2018 
  5. EFE (14 de julho de 2017). «Una marcha nocturna recorre los lugares de Caracas donde murieron manifestantes». elDiario.es (em espanhol). Consultado em 22 de setembro de 2021 
  6. «Iniciaran procesos para rebautizar el túnel donde cayó muerto Neomar Lander». Runrunes. 16 de junho de 2017. Consultado em 15 de dezembro de 2023 
  7. «El túnel de la muerte: "Neomar Lander Libertador"». Impacto Venezuela (em espanhol). 7 de junho de 2021. Consultado em 19 de setembro de 2021 
  8. «Rebautizan con el nombre "Neomar Lander Libertador" túnel donde cayó el adolescente». El Cooperante. 16 de junho de 2017. Consultado em 15 de dezembro de 2023