Soneto 135
| Soneto 135 |
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Whoever hath her wish, thou hast thy “Will,” |
| –William Shakespeare |
O Soneto 135 é um dos 154 Sonetos de Shakespeare.
Estrutura
O Soneto 135 é um soneto inglês característico, composto de 3 quartetos e um dístico, com esquema rímico do soneto inglês, também chamado soneto shakespeareano.
Análise
Este soneto, que faz dueto com o Soneto 136 e com ele relacionado, apresenta uma súplica do poeta para que possa voltar à cama da amante, a Dama Negra.[1] É um soneto mais aberto na sexualidade do que a maioria dos outros, onde o poeta implora por sexo à Dama Negra.[2]
O poeta, aí, faz um trocadilho e um jogo de palavras com "Will", onde ele se esconde com um codinome ou utiliza os verdadeiros significados. Este soneto e o seguinte (Soneto 136) marcam as mudanças em potenciais conotações obscenas de uma palavra, "will" (vontade). Comentaristas identificaram alguns significados relevantes (nem todos obscenos). Qualquer leitor dos dois sonetos (este e o seguinte) logo percebe que os significados ocultos são de maior importância do que o significado superficial. De fato, o significado óbvio de "will" como "desejo, intenção" é frequentemente suprimido por completo, e uma leitura direta do poema, ignorando ou ignorando todos os trocadilhos obscenos, tende a produzir um absurdo.[3]
Traduções
Tradução de Thereza Christina da Motta
A tradutora fez uma tradução mais próxima da literal, sem se ater a ritmo, métrica ou rima.
Todos têm seu desejo, tu tens o teu,
E Desejo de dar, e Desejo à mancheia;
Mais do que devo, eu ainda a perturbo,
Acrescendo sempre mais ao teu desejo.
Senão, quem deseja de modo largo e prazeroso,
Sem esconder o meu desejo no teu?
O desejo em outros parecerá gracioso,
E em mim não pode ser aceito?
O mar, os rios recolhem as águas da chuva,
E, abundantes, somam-se às suas reservas;
E tu, rica em Desejo, aumenta o teu Desejo
Com o meu para fazer crescer ainda mais o teu.
Não matemos os amantes injustos e pouco gentis;
Pensa apenas em mim e, em mim, neste Desejo teu.[4]
Tradução de Pedro Debreix
O tradutor manteve-se fiel ao esquema original do soneto, fazendo-o em decassílabos, ora heróicos, ora em pentâmetro iâmbico, mantendo também o esquema rímico.
Todos temos desejos, tu "desejas"
De sobra, e tens "desejo" em demasia
E mais desejo dar minh'alma almeja
Ao te ampliar além do que se amplia.
Tu, que tens o desejo muito largo,
Não quer que o meu desejo adentre o teu?
Sempre foi teu desejo muito vago
Aos outros, e não pode ser ao meu?
O mar é todo d'água e, mesmo assim,
Aceita, pela chuva, ser preenchido.
Da mesma forma, o teu "desejo" em mim
Será maior "desejo" ao "meu" se unido.
Não ponhas fim, portanto, aos que cortejam
Pois todos, num só gesto, te "desejam".[5]
Tradução de Milton Lins
Na tradução deste soneto, o tradutor fugiu do decassílabo, fazendo-a toda em verso dodecassílabo alexandrino[nota 1] permanecendo, no entanto, o esquema rímico original.
Em quem te cortejar, verás sempre o teu Will,
Um Will para enxotar, um Will para cortar;
Mais do que essencial para irritar um vil,
Ao teu rico querer um mais acrescentar.
Não vais com teu legado, ampliado e espaçoso,
Nem uma vez somente honrar o meu desejo?
Por que parecerá aos outros gracioso,
E em todo o meu querer nenhum brilho entrevejo?
O mar e toda a água as chuvas vão beber,
Aumentam sobremodo o seu manancial:
E tu, rica em legado, aumentas teu poder,
Um bem, de mim largado, ensancha o teu bornal.
Não deixe um homem mau (nem o autor mais vil)
Pensar somente em um, e eu penso em mim, WILL.[6]
Tradução de José Arantes Junior
Este tradutor seguiu o esquema rímico do autor no soneto: ABAB CDCD EFEF GG, como um soneto inglês. Mas não o seguiu no ritmo nem na métrica, preferindo dar-lhe um aspecto plástico, com 36 caracteres em cada verso, que lhe mostram a forma, quando utilizada uma fonte monoespaçada.
Pessoas têm desejo e tu tens vontade,
E, com este afã, tens um algo a mais,
E é tanto que até causa perplexidade
Pela soma dos teus encantos naturais;
Tu, cuja vontade é imensa e espaçosa,
Não tem tanto para, à mimha, ocultar,
A linha dos outros pode ser graciosa
Mas não tem virtude para se iluminar;
O mar recebe a chuva em sua dimensão
E a abundância representa o seu teor,
És rica em vontade e, por associação,
A minha vontade ressalta o teu valor;
Não deixes que o erro mate a afeição,
Todos em um e eu em tua determinação.[7][8]
Notas
- ↑ Os versos alexandrinos utilizados pelo tradutor não são todos em hexâmetro iâmbico, mas compostos algumas vezes com anapestos.
Referências
- ↑ «Shakespeare's Sonnets» (em inglês). Consultado em 24 de maio de 2025
- ↑ «Shakespeare's Sonnets: The Fair Youth and The Dark Lady». Poemanalisis (em inglês). Consultado em 24 de maio de 2025
- ↑ «Shakespeare's Sonnets» (em inglês). Consultado em 25 de maio de 2025
- ↑ «Soneto 135». Consultado em 24 de maio de 2025
- ↑ Pedro Debreix (15 de junho de 2024). «Tradução do Soneto 135 de William Shakespeare, por Pedro Debreix». Consultado em 24 de maio de 2025
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 24 de maio de 2025
- ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.