Soneto 127
| Soneto 127 |
|---|
In the old age black was not counted fair, |
| –William Shakespeare |
Soneto 127 é um dos 154 sonetos de Shakespeare, o primeiro do grupo de sonetos para a Dama Negra (Dark Lady).
Estrutura
Como a maioria dos sonetos escritos por William Shakespeare, o Soneto 127 é um soneto inglês, no seu formato e no seu esquema rímico (ABAB CDCD EFEF GG), e, como a maioria deles, foi feito no ritmo de pentâmetro iâmbico.
Análise
Neste soneto o poeta defende seu amor por uma amante que não atende aos padrões convencionais de beleza da época, afirmando que seus olhos e cabelos escuros (e, talvez, pele escura) são o novo padrão. Em sua tese, vai contra a versão da beleza — cabelos loiros e pele clara — então aceita, chamando-a de falsa ou facilmente falsificada.[1][2]>
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
A tradutora faz uma tradução próxima à tradução literal, não levando em conta as regras específicas do soneto (ritmo, rima, métrica), mantendo-o em forma do que antigamente se chamava Quatorzain.
Em tempos remotos, o negro não era belo,
Ou se fosse, assim não seria chamado;
Mas agora surge o herdeiro da negra beleza,
E o belo está imprecado de bastardia;
Desde que as mãos detêm o poder sobre a natureza,
Embelezando a feiura com o falso rosto da arte,
A doce beleza não tem nome, nem jardim sagrado,
Vive profanada, ou caiu em desgraça.
Os olhos de minha senhora são escuros como o corvo,
Tão belos são seus olhos, e sua tristeza tão comovente,
Que, mesmo sem ser bonita, ainda é bela,
Difamando a criação com falsa estima.
Eles se entristecem com a própria aflição,
Ao ouvirem não haver beleza como a dela.[3]
Tradução de Milton Lins
O tradutor apresenta o soneto em decassílabos, em sua maioria no ritmo de pentâmetro iâmbico, mas variando para o verso heroico, com raros versos no ritmo de martelo ou Gaita galega.
Outrora a negra cor era um regresso,
Quando não fosse, imitaria o feio;
Mas hoje a negra bela é um sucesso,
Bastarda em desafio, um belo enleio:
Se tem poder a mão na natureza,
E pedindo emprestado um falso rosto,
Nem suas férias, nem doce beleza
Possui - é profanada em seu desgosto.
Negros olhos de corvo - a minha amante -
Com lances de olhadela, vê de cima
Aos que, não tendo berço nem semblante,
Tentam a criação com falsa estima.
E lamentam-se assim, tornando triste
O que cada voa diz: que o belo existe.[4]
Tradução de José Arantes Junior
Este tradutor seguiu o esquema rímico do autor no soneto: ABAB CDCD EFEF GG, como um soneto inglês. Mas não o seguiu no ritmo nem na métrica, preferindo dar-lhe um aspecto plástico, com 36 caracteres em cada verso, que lhe mostram a forma, quando utilizada uma fonte monoespaçada. Acrescentou-lhe, ainda, um título.
O feio e o belo
O tom negro não era belo antigamente
Ou, se era, não tinha nome de beleza,
Mas agora a beleza escura é evidente
E o elo bastardo infama esta certeza;
Cada mão atua pelo poder da natureza
Alindando o feio com face emprestada,
Beleza não está no bossque da realeza
E é atacada se não estiver profanada;
Até os olhos de corvo da minha amada
São tão queridos, mas lamentam o dom,
Sem nascer belos têm beleza revelada
E insultam a criação com o falso tom;
Mas ao vê-lo sentidos, sinto em mim
Que o belo teria que ser mesmo assim.[5]
Tradução de Paulo Camelo
O poeta procura seguir o original em forma, métrica, ritmo e esquema rímico, ou seja, um soneto inglês com esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, versos decassílabos em ritmo de pentâmetro iâmbico, apresentando-o, ainda, com ritmo holístico.
Outrora o negro era um padrão não belo
ou, belo fosse, assim não se chamava.
Agora mostra-se um herdar singelo,
embora falem mal, e assim se agrava
a forma de vestir-se a natureza,
embelezando o imundo e falso rosto.
O belo não tem nome, ou realeza;
ele é profano, vil, não galga posto.
Os olhos da senhora, negros, são
iguais a um corvo, a se vestir de luto,
e escondem, na beleza, uma ilusão
da criação, um falso irresoluto.
Aflitos sentem-se, em lamento pobre,
e essa beleza o verbo então descobre.[6]
Referências
- ↑ «Shakespeare's Sonnets - Sonnet 127». The Folger Shakespeare. Consultado em 1 de junho de 2025
- ↑ «Sobre o que é o Soneto 127 de Shakespeare?». Consultado em 1 de junho de 2025
- ↑ «Soneto 127». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 1 de junho de 2025
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.
- ↑ «Soneto 127 de William Shakespeare». Consultado em 1 de junho de 2025