Soneto 104
| Soneto 104 |
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To me, fair friend, you never can be old, |
| –William Shakespeare |
Soneto 104 é um soneto da série de 154 sonetos de Shakespeare. Ele faz parte da série maior dos sonetos, até o 128.
Análise
Como os demais sonetos de William Shakespeare, este foi todo construído no ritmo de pentâmetro iâmbico, no formato de soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, e rima em ABAB CDCD EFEF GG.
Sinopse
Este soneto é considerado por muitos como um dos chamados sonetos "de namoro". Se pudéssemos determinar a data em que o (a) jovem e o poeta se conheceram, poderíamos talvez determinar quando este soneto foi escrito, em vista do período de três anos insistentemente citado. Mas o período de três anos pode ser apenas hipotético, um intervalo de tempo convencional para o amor se desenvolver e frutificar.[2]
Traduções
Tradução de Milton Lins
O tradutor, como em outras traduções suas, apresentou o soneto em dodecassílabo, mantendo o verso alexandrino. O esquema rímico seguiu o do autor, como um soneto inglês: ABAB CDCD EFEF GG.
Meu amigo, você não fica velho, pois
Quando eu o conheci (ou quando o vi primeiro),
A beleza era igual. Mas três frios depois,
Chegaram três verões de trâmite altaneiro;
Três sóis de primavera, outonos transmutgantes,
Durante as estações o vendo ou o revendo,
Três perfumes de abril, três junhos escaldantes,
Você sempre fagueiro, e o tempo enverdecendo.
Quanto a sua beleza, um ponteiro indiscreto
Cobria-lhe o perfil imoto e impercebido,
E o seu matiz assim me parecendo quieto,
Movia... O meu olhar havia-se iludido.
Vivemos do futuro, escutem meu dizer:
Na beleza o verão morre antes de nascer.[3]
Tradução de José Arantes Junior
Como nos outros sonetos traduzidos nessa obra, o tradutor não seguiu o poeta no ritmo nem na métrica, apresentando-o com um aspecto plástico, com 36 caracteres em cada verso, que lhe mostram a forma, quando utilizada uma fonte monoespaçada. No mais, seguiu o esquema rímico do autor no soneto: ABAB CDCD EFEF GG, e lhe acrescentou um título.
‘’’O velho - jovem’’’
Caro amigo, jamais serás envelhecido,
Quando nós cruzamos as nossas visões,
Eu vi em ti três invernos reprimidos
Que sacudiram valores de três verões;
Três primaveras desviaram as nuanças
Para os três outonos mais amarelados,
Três aromas de abril tiveram mudança
Para junho, já três vezes ensolarado;
Ainda tens dom, como mão orientadora,
Como um compasso ainda não percebido,
Com a cor que me parece sustentadora
E com gestos que parecem indefinidos;
Antes de ti, escuta, idade impetuosa,
A beleza do verão ainda era pavorosa.[4]
Tradução de Thereza Christina Motta
Como nas suas outras traduções, ela procurou fazer uma tradução mais literal, mantendo os 14 versos do original, mas sem se ater a ritmo, métrica ou rima.
Para mim, bela amiga, jamais serás velha,
Pois assim como eras da primeira vez,
Ainda me pareces bela. O frio de três invernos
Ceifou das florestas o calor de três verões,
Três belas primaveras amareleceram no outono,
Eu vi, com o passar das estações,
Três perfumes de abril arderam em três quentes junhos,
Desde que te vi tão jovem ainda a preservar a juventude.
Ah, embora a beleza, mão avara,
Roube de sua imagem, e não perceba seu gesto;
Então tua doce cor, que para mim ainda é fresca,
Alterou-se, e meus olhos podem se enganar.
Por medo de que, ouve bem, envelheças intacta:
Desde que nasceste, morreu o verão da beleza.[5]
Tradução de Paulo Camelo
O ritmo de pentâmetro iâmbico usado pelo poeta inglês foi mantido na tradução, acrescentando-lhe o ritmo holístico. O esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, característico do soneto inglês, também foi utilizado. A frequência de monossílabos e dissílabos existente no idioma inglês foi um fator dificultante nessa tradução.
Não envelhecerás, ó bela amiga,
eu sei, me viste na primeira vez,
ali eu vi tua beleza antiga
em invernos e verões, que eu lembro, três,
três belas primaveras transformando
em três outonos, belas estações,
perfumes de abril, junhos queimando,
eu vi na vez primeira, em tempos bons.
Contudo, qual do tempo o marcador,
esvai-se essa beleza, essa figura,
e esse tom doce ainda em seu verdor
em movimento aos olhos se afigura.
Em medo disso, ó idade não criada,
essa beleza já não era nada.
[6]
Referências
- ↑ «To me, fair friend, you never can be old (Sonnet 104)» (em inglês). Consultado em 31 de outubro de 2025
- ↑ «Sonnet CIV». Shakespeare’s Sonnets (em inglês). Consultado em 31 de outubro de 2025
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.
- ↑ «Soneto 104». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 31 de outubro de 2025
- ↑ Paulo Camelo. «Soneto 104 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 31 de outubro de 2025