Soneto 131
| Soneto 131 |
|---|
Thou art as tyrannous, so as thou art, |
| –William Shakespeare |
Soneto 131 é um dos 154 Sonetos de Shakespeare, pertencente ao grupo de sonetos à Dama Negra (Dark Lady).
Estrutura
Esta composição poética estruturalmente é um Soneto inglês, ou shakespeareano, composto por 14 versos distribuídos em 3 quartetos e um dístico.[nota 1] É a estrutura utilizada por William Shakespeare em seus 154 sonetos,[nota 2] com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico[nota 3]. Seu esquema rímico é ABAB CDCD EFEF GG.
Sinopse
O Soneto 131 é um poema sobre como a beleza da Dama Negra comove o poeta. Ele sabe que ela é de uma beleza não convencional, mas isso não o incomoda.[3]O poeta discorda daqueles que dizem que sua amada não é bonita o suficiente para fazer um amante sofrer. Ele assim não considera, achando feio apenas o comportamento dela.[2]> Apenas, no dístico final, ele confessa: para ele apenas os atos dela são negros, no sentido de profundamente malévolos. Apesar de ter consciência de seu caráter moral questionável, o poeta permanece apaixonado por ela.[4]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Motta
A tradutora não se ateve à estrutura do soneto quanto a métrica, ritmo ou rimas, propondo-se a traduzir o texto tão próximo quanto possível do original, apresentando-o em monóstrofe.
És tão tirana quanto todas aquelas,
Cuja beleza orgulhosa as torna tão cruéis;
Pois bem sabes, para meu pobre coração,
És a joia mais cara e mais preciosa.
Embora digam, ao ver-te,
Que teu rosto não faça o amor suspirar.
Não ouso dizer que estejam errados,
Embora jure apenas para mim;
E, para ter certeza de não ser falso, eu juro
Mil suspiros, mas pensando em tua face;
Todos sabem que, se trocasses de rosto,
Eu continuaria a julgar-te bela.
Em nada és negra, exceto em teus atos,
Por isso penso proceder esta calúnia.[5]
Tradução de Paulo Camelo
O tradutor procurou seguir o autor original, no formato (soneto inglês), com versos decassílabos em pentâmetro iâmbico e rimas ABAB CDCD EFEF GG, acrescentando-lhe o ritmo holístico, característico dos seus sonetos.
Tu és tirana, eu sei que assim tu és,
igual àqueles que, com tal beleza,
espelham-se, orgulhosos e cruéis,
qual bela jóia no meu peito acesa.
Alguns, de boa fé, ao contemplar
teu rosto, não lhe veem grande amor,
dizem que erram, sem ousar falar,
mas eu não digo assim, se assim o for.
E, para te negar que é falsidade,
em pensamento eu juro, em tua face,
eu vejo o negro em ti, que és só beldade,
assim eu testemunho o nosso enlace.
Eu sei que só és negra nas ações
e essa calúnia vem nos seus senões.[6]
Tradução de Milton Lins
O tradutor optou por apresentar o soneto com versos dodecassílabos, alexandrinos, em hexâmetro iâmbico. O esquema rímico manteve-se ABAB CDCD EFEF GG, como um soneto inglês.
Tu és uma tirana, e assim como tu és,
Como o que por ser belo adora sert cruel:
Saibas que no meu peito aqui sob os teus pés
Tu és o mais formoso e precioso anel.
Prara falar bem franco, um dia, quando olhares
Teu rosto, não terás poder para gemer
De amor, e sobre o erro eu ouso ter penares,
Se bem eu jure a mim em vão reconhecer,
E para garantir que não estou errado,
Eu juro suspirar pensando em tua face,
Em teu pescoço eu posso assegurar, fundado:
Não vi negrou igual por mais que eu imaginasse.
Em nada tu és negra, a não ser nas ações,
Têm procedência, pois, as tais difamações.[7]
Tradução de José Arantes Júnior
Acrescentando-lhe um título e sem se ater ao ritmo usado pelo poeta, o tradutor usou a forma plástica visual, que é mormente percebida quando se usa fonte monoespaçada datilográfica, não proporcional, em que os versos apresentam o mesmo tamanho, mantendo cada verso com 36 caracteres, sem ritmo firmado. Manteve, contudo, o esquema de rimas ABAB CDCD EFEF GG.
O certo e o falso
Teu pensamento é como o de um tirano
Cujas orgulhosas belezas o fazem mau,
Sabes que ao meu fiel coração humano
A tua virtude é jóia de elevado grau;
Por seu crédito dirão que não se via
Teor facial para fazer o amor sentir
Que erraram, não tenho essa valentia,
Embora à mim mesmo o pudesse admitir;
E certo de que não é falso eu contei
Mil suspiros só de imaginar tua face,
Entre umas e outras emoções ponderei
A tua cor é a mais bela deste enlace;
Tua cor não salva nada em tuas ações
Assim, eu digo que são só difamações.[8]
Notas
- ↑ Por ter estrutura de estrofes diferente do soneto italiano, ou petrarquiano, foi inicialmente denominada quatorzain, antes de ser considerado também um soneto, mas sempre denominado soneto inglês.
- ↑ Duas composições suas não são estruturalmente consideradas sonetos. O Soneto 99 apresenta 15 versos, distribuídos em 1 quinteto, 2 quartetos e um dístico, enquanto o Soneto 126 compõe-se de apenas 12 versos, apresentados em 6 dísticos.
- ↑ O Soneto 145 foi composto em versos octossílabos, em tetrâmetro iâmbico.
Referências
- ↑ «Shakespeare-s Sonnets» (em inglês). Consultado em 28 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Shakespeare's Sonnets». Sonnet 131 (em inglês). Consultado em 28 de janeiro de 2026
- ↑ «Sonnet 131» (em inglês). Consultado em 28 de janeiro de 2026
- ↑ «Summary and Analysis Sonnet 131» (em inglês). Consultado em 28 de janeiro de 2026
- ↑ «Soneto 131». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 28 de janeiro de 2026
- ↑ «Soneto 131 de William Shakespeare». Consultado em 28 de janeiro de 2026
- ↑ Shakespeare, William. Sonetos de William Shakespeare/tradutor: Milton Lins. Recife: Ed. do Tradutor, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ José Arantes Júnior. «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 28 de janeiro de 2026