Soneto 152

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Soneto 152

In loving thee thou know'st I am forsworn,
But thou art twice forsworn, to me love swearing;
In act thy bed-vow broke, and new faith torn,
In vowing new hate after new love bearing:
But why of two oaths' breach do I accuse thee,
When I break twenty? I am perjured most;
For all my vows are oaths but to misuse thee,
And all my honest faith in thee is lost:
For I have sworn deep oaths of thy deep kindness,
Oaths of thy love, thy truth, thy constancy;
And, to enlighten thee, gave eyes to blindness,
Or made them swear against the thing they see;
For I have sworn thee fair; more perjured eye,
To swear against the truth so foul a lie!
[1]

–William Shakespeare

Soneto 152 é um soneto da série de 154 sonetos de Shakespeare. Ele finda a série de sonetos chamada “The Dark Lady” e se continua com os dois últimos sonetos, os sonetos 153 e 154, que fazem um só tema.

Análise

Como os demais sonetos de William Shakespeare, este foi todo construído no ritmo de pentâmetro iâmbico, no formato de soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, e rima em ABAB CDCD EFEF GG

Sinopse

O Soneto 152 revela a extensão da obsessão do eu lírico pela Dama Negra. Ele define claramente tudo o que mudou em si mesmo e tudo o que está disposto a fazer para fazê-la feliz. Fica evidente que ele está completamente preso nesse relacionamento unilateral e que não há saída fácil.[2]

O poeta volta suas acusações contra a inconstância e a quebra de juramento da mulher contra si mesmo, acusando-se de cegueira deliberada e perjúrio.[3]

Traduções

Como nas suas outras traduções, ela procurou fazer uma tradução mais literal, mantendo os 14 versos do original, mas sem se ater a ritmo, métrica ou rima.

Ao amar-te sabes que sou falso;
Mas mentes em dobro ao dizer que me amas;
Quebraste os votos nupciais e tua nova crença,
Ao jurar novo ódio após um novo amor.
Mas por que de duas quebras de juras te acuso,
Quando quebro vinte? Sou mais perjuro,
Por fazer juras para enganar-te,
E toda fé sincera perco em ti;
Pois jurei mil vezes tua brandura,
Jurei teu amor, tua verdade, tua constância,
E, para iluminar-te, fiz os cegos verem,
Ou fiz jurarem contra o que viam.
Pois jurei seres bela – olhos mais perjuros –
Jurando uma inverdade tão grande quanto a mentira.[4]

Tradução de Ivo Barroso

O tradutor apresentou o soneto na forma de soneto inglês, em monostrofe, esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG e versos decassílabos, variando o ritmo em toda a obra.

Em te amando bem sabes fui perjuro,
Mas foste-o em dobro por jurar-me amor;
Quebraste o voto de teu leito puro
E novo ódio votaste ao novo ardor.
Por que acusar-te a quebra de dois votos,
Se quebro vinte? Mais perjuro sou;
Fiz dos abusos juramentos rotos,
Da honesta fé em ti nada restou.
Jurei que eras gentil a vida inteira,
Jurei por teu amor, leal, constante;
Clareando-te, dei olhos à cegueira:
Fi-los jurar contra o que era patente.
Jurei que eras honesta: falsa mira;
Jurar contra a verdade tal mentira.[5]

Tradução de Milton Lins

O tradutor apresentou o soneto em dodecassílabo, no ritmo aceito pelo verso alexandrino, variando de hexâmetro iâmbico a ritmo misto, com anapestos e iambos em sua construção. O esquema rímico seguiu o do autor, como um soneto inglês: ABAB CDCD EFEF GG.

 Amando-te, confesso, eu sou um renegado,
Deste dupla promessa, o teu amor jurando.
Quebraste ao pé do leito um novo amor rasgado,
Jurando um ódio novo e novo amor me dando.

Por que de falsa jura um tempo te acusei,
Quando vinte quebrei? E fiz mais um perjúrio;
Meus votos juras são, mas nunca te abusei,
E toda minha fá em ti é ato espúrio.

Pois eu fundo jurei à tua alma altaneira:
Tua verdade – amor e persistência;
Para te esclarecer dei olhos à cegueira,
Melhor, os fiz jurar contrário à aparência.

E mais eu perjurei: jurando eu te induzira,
Jurei contra a verdade, ó fétida mentira.[6]

Tradução de Paulo Camelo

O tradutor manteve o pentâmetro iâmbico em toda a feitura do soneto, mantendo-se também no ritmo holístico. O esquema rímico usado foi o mesmo do poeta: ABAB CDCD EFEF GG.

Tu sabes bem, no amor sou infiel
mas duas vezes és, jurando amor;
quebraste o voto, a fé, rasgaste o véu
ao misturares ódio, amor e dor.

Mas, se te acuso de não manter jura,
eu quebro vinte delas, sou pior;
todos os votos quebro na procura,
e toda a fé se esvai num mal maior.

Profundos juramentos fiz a ti,
por teu amor, bondade verdadeira,
eu jurei contra e nela eu me perdi,
te iluminei com olhos na cegueira.

E, mais eu juro bem, mais eu perjuro;
ao jurar contra o amor, me torno impuro.[7]

Tradução de José Arantes Júnior

Mantendo-se coerente em todas as suas traduções de Shakespeare, o tradutor seguiu o formato de soneto inglês e seu esquema rímico, mas optou por uma apresentação plástica, com 36 caracteres por verso, que lhe dá um visual próprio, quando escrito com fonte monoespaçada, sem se ater a ritmo ou métrica.

 Sabes que sou até perjuro ao te amar
Mas és duplamente perjura neste amor,
Viste o teu voto conjugal se quebrar
Com um novo voto muito comprometedor;
Por que te acuso nos dois juramentos
Se eu quebro vinte? Sou mais perjuro,
Abusei dos votos em meu envolvimento
E minha fé em ti tem um tom inseguro;
Eu jurei pela tua profunda qualidade,
Por amor, pela verdade, pela firmeza,
E eu iluminei o olhar de obscuridade
Fazendo-os jurar contra as impurezas;
E se assim jurei a verdade se expira,
E se juro sem verdade crio a mentira.[8]

Referências

  1. «In loving thee thou know'st I am forsworn (Sonnet 152)» (em inglês). Consultado em 7 de novembro de 2025 
  2. «Sonnet 152 by William Shakespeare» (em inglês). Consultado em 7 de novembro de 2025 
  3. «Sonnet 152». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 7 de novembro de 2025 
  4. «Soneto 152». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 7 de novembro de 2025 
  5. Ivo Barroso. «50 Sonetos William Shakespeare» (PDF). Estrada dos Livros. Consultado em 7 de novembro de 2025 
  6. SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
  7. Paulo Camelo. «Soneto 152 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 7 de novembro de 2025 
  8. José Arantes Júnior. «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 7 de novembro de 2025