Soneto 61
| Soneto 61 |
|---|
Is it thy will thy image should keep open |
| –William Shakespeare |
Soneto 61 pertence à série de 154 sonetos de Shakespeare. Faz parte da série de 126 sonetos chamados “The Fair Youth”, que ele dedicou a um jovem cuja identidade não foi revelada.
Análise
Como os demais sonetos de William Shakespeare, este foi todo construído no ritmo de pentâmetro iâmbico, no formato de soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, e rima em ABAB CDCD EFEF GG.
Sinopse
O principal tema deste soneto parece ser "Por que me torturas assim?", e, em grande parte, o poema precisa ser lido de trás para frente.[2]
Nos primeiros versos do 'Soneto 61', o poeta, atormentado pelo ciúme, começa fazendo uma pergunta retórica, uma técnica comum vista em alguns de seus sonetos. Ele usa perguntas para introduzir um novo tópico para reflexão, usadas para enfatizar algo cuja resposta ele já conhece.[3]
O poeta primeiro se pergunta se a amada o está mantendo acordado de propósito, enviando imagens oníricas para espioná-lo, mas depois admite que é sua própria devoção e ciúme que não o deixam dormir.[1]
O poeta afirma que seu amor é muito maior que o do jovem, e é ele, e não o amor do jovem por ele, que o mantém acordado. E ele permanece acordado como um vigia, protetor, segundo ele, mas o último verso deixa bem claro que não é o amor puro e desinteressado que o mantém acordado, mas o fogo consumidor do ciúme.[2]
Traduções
Tradução de José Arantes Junior
O tradutor seguiu o esquema rímico do autor no soneto: ABAB CDCD EFEF GG, como um soneto inglês. Mas não o seguiu no ritmo nem na métrica, preferindo dar-lhe um aspecto plástico, com 36 caracteres em cada verso, que lhe mostram a forma, quando utilizada uma fonte monoespaçada, como o fez em todos os seus sonetos traduzidos. E, como os outros, deu-lhe um título.
O ciúme e o amor
[4][5]
Tua imagem ainda quer manter abertos
Os meus olhos, nesta noite cansativa?
Há desejo de quebrar o sono discreto
Enquanto sombras zombam da tentativa?
Projeta a tua imaginação na amplidão
Tão distante do lar para me observar,
Para ver feiúra e ócio em minha ação
Alvo e nexo que um ciúme pode forjar,
Oh, não, o teu amor não é tão grande
É meu amor que traz os olhos abertos,
E na pausa deste amor que se expande
Torna-se só um guardião de teu afeto,
Vigio enquanto acordas mais distante
Perto de outras pessoas circundantes.
Tradução de Milton Lins
O tradutor apresentou o soneto em versos decassílabos, perseguindo o pentâmetro iâmbico em quase todos os versos. O esquema rímico segue o do autor, como um soneto inglês: ABAB CDCD EFEF GG.
Desejas ter imagem sempre aberta
Dentro em meus olhos na cansada noite?
E que o meu sono deva estar alerta,
E as sombras como tu me dando açoite?
Envias a tua alma que se enfronha
Lá de tão longe para que eu levante
E encontre aqui em mim ócio e vergonha,
A tendência e o fim do teu desplante?
Ó, não, teu grande amor não é enorme;
É meu amor que traz um olho esperte;
Meu derradeiro amor, sempre uniforme,
Como um vigia, o vê por ti, por certo.
Eu te vejo acordado em toda parte,
Longe de mim com outros, eu à parte.[6]
Tradução de Paulo Camelo
O tradutor procurou seguir o ritmo de pentâmetro iâmbico usado pelo poeta inglês, acrescentando-lhe um ritmo holístico e mantendo também o esquema rímico ali utillizado.
Será que tu manténs, por teu desejo,
o peso nos meus olhos, sem que eu durma?
E, quando o sono vem, quando eu me vejo,
as sombras se mantêm, fazendo turma?
O estranho jeito de bisbilhotar
longe de casa a fim de descobrir
os meus deslizes longe do meu lar
será ciúme,é jeito de se agir?
Mas não! Embora grande, ainda é manso
o teu amor; eu vivo, então, desperto.
O verdadeiro amor vence o descanso
e, para ti, eu sempre estou por perto.
E, enquanto acordas longe, eu te vigio;
o meu olhar não ficará vazio.[7]
Tradução de Thereza Christina Motta
A tradutora procurou fazer uma tradução mais literal, sem se ater a ritmo, métrica ou rima.
É teu desejo que tua imagem mantenha abertas
Minhas pesadas pálpebras nesta fatigada noite?
Desejas que meu sono se quebre,
Enquanto as sombras zombam ao me ver?
É teu espírito que envias até a mim
Tão longe de casa, para me bisbilhotar,
Para desvendar meus erros e ociosas horas,
Mantendo vivo e aceso o teu ciúme?
Ah, não! Teu amor, mesmo imenso, não é tão grande;
É meu amor que deixa meus olhos despertos,
Meu amor verdadeiro que corrói meu descanso,
Para manter-me em vigília por tua causa.
A ti vigio, enquanto ao longe despertas,
Tão distante de mim, e de outros, tão perto.[8]
Referências
- ↑ a b «Shakespeare's Sonnets». Sonnet 61. Folger Shakespeare Library (em inglês). Consultado em 13 de novembro de 2025
- ↑ a b «Shakespeare's sonnets». Sonnet 61 (em inglês). Consultado em 13 de novembro de 2025
- ↑ «Sonnet 61 by William Shakespeare» (em inglês). Consultado em 13 de novembro de 2025
- ↑ Shakespeare, William. Sonetos completos de William Shakespeare, tradução, introdução e notas: José Arantes Junior. São Paulo:Real Academia de Letras, 2007
- ↑ José Arantes Junior. «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 13 de novembro de 2025
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ Paulo Camelo. «Soneto 61 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 13 de novembro de 2025
- ↑ «Soneto 61». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 13 de novembro de 2025