Soneto 4
| Soneto 4 |
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Unthrifty loveliness, why dost thou spend |
| –William Shakespeare |
Soneto 4 é um dos 154 sonetos de William Shakespeare.
Sinopse
O soneto 4 pertence à sequência Fair Youth. É um dos dezessete que abordam temas de ter filhos, imortalidade e beleza.
O Fair Youth é o ouvinte pretendido e o assunto da vasta maioria dos sonetos de Shakespeare. Sua identidade nunca foi confirmada, nem a natureza do relacionamento pessoal de Shakespeare com essa pessoa.[1]
O poeta novamente descreve o belo jovem como um personagem bastante egoísta neste poema, sugerindo que a natureza lhe emprestou essa beleza que ele deve transmitir.[2]
A obsessão que o poeta apresenta com o belo jovem procriando é prevalente nos primeiros sonetos. Neste soneto 4 o poeta também se preocupa com o legado do belo jovem e procura convencê-lo de manter a descendência de sua beleza.[3]
Análise
Como os demais sonetos, este foi construído em pentâmetro iâmbico, usando o esquema estrófico do soneto inglês (3 quartetos e um dístico, com rimas alternadas nos quartetos e única rima no dístico).[1]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
A tradutora não se prendeu ao fazer poético do autor, sem esquema estrófico ou rímico, fazendo uma tradução livre.
Doçura pródiga, por que gastas
Contigo mesma o legado de tua beleza?
A herança da natureza nada dá, porém cede,
E, sendo franca, empresta a quem for livre;
Depois, bela e tola, por que abusas
Da abundância que te é dada a ofertar?
Usurária sem proveito, por que usas
Um valor tão grande e, mesmo assim, não vives?
Lidando apenas contigo mesma,
Tu, a ti mesma, teu doce ser enganas;
Então, como, quando a natureza te chama para que vás,
Que espólios aceitáveis deixarás?
Tua beleza intocada contigo deve ser enterrada,
Pois, ao ser usada, tornar-te-á sua executada.
Tradução de Milton Lins
O tradutor procurou manter o esquema estrófico e rímico do autor, fazendo-o em decassílabos, perseguindo o pentâmetro iâmbico original.
Estróina encantador, como é que gastas
De ti mesmo o legado da beleza?
Vigor da natureza, só desgastas,
E aos livres ela empresta, com franqueza.
Belo avarento, então, por que o abuso,
O teu desprendimento em conceder?
Agiota sem razão, para que o uso
De somas e mais somas sem viver?
Nas tuas transações, a cada passo,
A ti primeiro tentas enganar,
Como será no dia do trespasso,
Que auditoria poderás deixar?
Terá tua beleza um fim atroz,
Será herdada pelo teu algoz.[4]
Tradução de José Arantes Júnior
Como nos demais sonetos vertidos por este tradutor, foram mantidos os esquemas estrófico e rímico originais, porém o ritmo não foi mantido, pois o tradutor se ateve à forma plástica, fazendo todos os versos com 36 caracteres. Deu-lhe, de acréscimo, um título.
A execução do executor
[5]
Graça malfadada, por que gastas além
Do real legado de tua beleza pessoal?
A natureza não doa, mas ajuda alguém
Que queira criar a liberdade natural,
Vaidoso avarento, por que abusas até
Do benefício que te é dado para doar?
Usurário, por que exploras com má fé
A vil soma das somas sem se importar?
Só contigo mesmo fizeste vivo acordo
A ti mesmo deves essa dócil decepção,
Se a natureza encerra esse ato gordo
Que contas ainda aceitáveis restarão?
Sem uso do bem esse belo viu a morte,
E costumava ser um executor da sorte.
Referências
- ↑ a b «William Shakespeare - Sonnet 4». Poemanalysis (em inglês). Consultado em 10 de fevereiro de 2024
- ↑ Charles Rennó Capote (8 de outubro de 2021). «Soneto 4 - William Shakespeare». Consultado em 10 de fevereiro de 2025
- ↑ «Shakespeare Sonnet 4 - Analysis» (em inglês). Consultado em 10 de fevereiro de 2025
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.