Soneto 97
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How like a winter hath my absence been |
| –William Shakespeare |
Soneto 97 é um soneto da série de 154 sonetos de Shakespeare. Com os sonetos seguintes, Soneto 98 e Soneto 99, em que o poeta descreve as sensações na separação da pessoa amada.
Análise
Como os demais sonetos de William Shakespeare, este foi todo construído no ritmo de pentâmetro iâmbico, no formato de soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, e rima em ABAB CDCD EFEF GG
Sinopse
No soneto 97 temos uma engenhosa simbiose entre o calor erótico que a presença da amada pode trazer ou o frio que a sua ausência provoca, e os efeitos do ciclo das estações na natureza.[2]
Neste primeiro de três sonetos sobre um período de separação da pessoa amada, o poeta recorda a época como um inverno sombrio, embora a estação real tenha sido quente e repleta da abundância da natureza.[1]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Motta
A tradutora, como nas suas outras traduções, procurou fazer uma tradução mais literal, mantendo os 14 versos do original, mas sem se ater a ritmo, métrica ou rima.
Como o inverno, tornou-se minha ausência
De ti, o prazer com que passou o ano!
Que frio senti, que dias negros eu vi!
A estiagem de dezembro espalhou-se por toda a parte!
E longe .cava, então, o verão,
O próximo outono, crescendo com toda a força,
Suportando o luxurioso peso do início,
Como úteros viúvos após a morte de seus senhores;
Embora esse farto assunto me pareça
A esperança de órfãos, e de frutos sem ascendência,
Pois o verão e seus prazeres servem a eles,
E, embora distante, os mesmos pássaros emudeçam;
Ou, se cantam, emitem um trinado tão mortiço,
Que as folhas empalidecem, por temerem o inverno.[3]
Tradução de Milton Lins
O tradutor apresentou o soneto em decassílabos, variando ora em pentâmetro iâmbico ora em ritmo de martelo, com anapestos e iambos em sua construção. O esquema rímico seguiu o do autor, como um soneto inglês: ABAB CDCD EFEF GG.
Como foi neste inverno a minha ausência
De ti, com que prazer o mês sumiu!
Quanto frio senti, quanta inclemência!
Que nudez de dezembro se espargiu!
Entretanto, era tempo de verão,
Um outono chuvoso e ampliado,
Mantendo o fardo livre do serão,
Tal a mulher que tenha enviuvado.
Mas tão rica saída me parece
Esperança bastarda, ou dos sem pai,
O prazer do verão desaparece,
Sem ti o rouxinol cantar não vai;
Se gorjear, será sem canto terno,
As folhas sem verdor, temendo o inverno.[4]
Tradução de Paulo Camelo
O tradutor manteve o pentâmetro iâmbico em toda a feitura do soneto, mantendo-se também no ritmo holístico. O esquema rímico usado foi o mesmo do poeta: ABAB CDCD EFEF GG.
A minha ausência, igual ao frio inverno,
a ti passou fugaz durante um ano!
O frio que senti, sombrio inferno,
igual foi em dezembro, um mês insano.
Entanto, o tempo todo era um verão,
talvez outono, fértil na colheira,
o fardo carregando a sensação
de primavera órfã, vã, desfeita.
Essa abundante prole pareceu
uns frutos órfãos, falhos de esperança,
em busca do verão que não foi teu;
a tua ausência foi destemperança.
As aves calam ou, se cantam, têm
o canto fraco, o inverno que inda vem.[5]
Tradução de José Arantes Júnior
Mantendo-se coerente em todas as suas traduções de Shakespeare, o tradutor seguiu o formato de soneto inglês e seu esquema rímico, ABAB CDCD EFEF GG, mas optou por uma apresentação plástica, com 36 caracteres por verso, que lhe dá um visual próprio, quando escrito com fonte monoespaçada, sem se ater a ritmo ou métrica. Acrescentou-lhe um título.
A sombria satisfação
Como inverno a carência tem existido
Na movimentação deste ano passageiro,
Que neblina e que frio tenho sentido
Na neve do velho dezembro costumeiro;
E o tempo ainda modificou para verão
E até para o outono pleno de higidez,
Estações com um dom de alta produção
Como ventres após a despótica viuvez;
Esta abundância é deveras expressiva,
Vem dos órfãos como frutas bastardas,
Formando um verão com natureza ativa
Mas com ave muda enquanto te aguarda;
Ou cantam com tão sombria satisfação
Que o inverno já está em aproximação..[6][7]
Referências
- ↑ a b «Shakespeare's Sonnets». Sonnet 97 (em inglês). Consultado em 17 de novembro de 2025
- ↑ «Um frio de Inverno no calor do Verão — soneto 97 de Shakespeare e Pessoa pelo caminho». Víciio da Poesia. Consultado em 17 de novembro de 2025
- ↑ «Soneto 97». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 17 de novembro de 2025
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ Paulo Camelo. «Soneto 97 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 7 de novembro de 2025
- ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007, pág. 227.
- ↑ José Arantes Júnior. «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 7 de novembro de 2025