Soneto 60
| Soneto 60 |
|---|
Like as the waves make towards the pebbled shore, |
| –William Shakespeare |
O Soneto 60 foi escrito por William Shakespeare e faz parte dos seus 154 sonetos.
Análise
Como os outros sonetos do autor, o ritmo utillizado é o pentâmetro iâmbico, com o esquema rímico utilizado pelos sonetos ingleses: ABAB CDCD EFEF GG.[1][2]
Sinopse
Este soneto, como os primeiros 126, faz parte do grupo de sonetos Fair Youth, escritos para seu jovem interlocutor não revelado.[3]
Nele, vemos que a esperança do poeta está ancorada na imortalidade da poesia, que não seria apenas uma forma literária, antes seria também um local onde é guardado tudo o que nos é estimado.[4]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
A tradutora utilizou uma versão livre, sem se ater a ritmo ou rima, comuns em um soneto.
Como as ondas se arremessam contra as pedras,
Aproximam-se os minutos de seu fim;
Cada um ocupando o mesmo espaço,
Num incansável e destemido movimento.
Do nascimento, após vir à luz,
Engatinhamos até a maturidade, e somos coroados,
Vencendo estranhos eclipses perante sua glória,
E o Tempo, dado, que hoje nos lega seu presente.
Os dias firmam seu passo na juventude,
E cavam suas sendas sobre a fronte da beleza;
Alimentam-se da raridade da verdade da natureza,
Mas nada impede o firme corte de sua foice.
Porém, às vezes, espero que meu verso prevaleça,
Elevando teu valor, apesar de seu cruel desmando.[5]
Tradução de Milton Lins
O tradutor manteve-se em decassílabo heroico ou sáfico, mas não perseguiu o ritmo de pentâmetro iâmbico do soneto original, permanecendo fiel ao esquema rímico.
Tal como as ondas lavam o areal,
Nossos minutos marcham para o fim;
Cada mudança tem um ganho igual,
Um trabalho penoso enfrenta assim.
O recém-nato, após a luz, labuta,
Quer ser maduro, e assume o seu poder,
Tortos caminhos contra a ardente luta,
E o Tempo que lhe faz sobreviver.
O Tempo fura e flora a juventude,
Procura os paralelos da beleza;
Alimenta a verdade e dá virtude,
E nada restará à ceifa presa.
Para no tempo entrar, meus versos hão
De louvar-te o valor, sem dar-lhe a mão.[6]
Tradução de José Arantes Júnior
Sem se ater ao ritmo usado pelo autor, o tradutor o apresentou em uma forma plástica visual,[nota 1] usando36 caracteres por verso, sem ritmo firmado, mas mantendo o esquema rímico. Como nos outros sonetos por ele traduzidos, acrescentou um título.
O tempo versus os versos
[7]
Como ondas que fazem orla cristalina
Os nossos minutos acabam rapidamente,
Trocando de lugar de maneira genuína
E a ação faz a luta seguir em frente,
A infância, já no foco de iluminação,
Vai à maturidade almejando plenitude,
Lutando contra eclipses de adaptação
E o tempo, que doou, muda de atitude,
O tempo arrebata a flor da juventude
E cava paralelas na beleza da fronte,
Como, da vida, a verdade e a virtude
E nada mais lhe resiste no horizonte,
Mas penso que meus versos resistirão
Mesmo em detrimento de sua dura ação.
Notas
- ↑ A forma plástica visual é mormente percebida quando se usa fonte monoespaçada datilográfica, não proporcional, quando os versos apresentam o mesmo tamanho.
Referências
- ↑ CAMPOS, Geir - Pequeno Dicionário de Arte Poética- Rio de Janeiro:Edições de Ouro, 1960. pág.187
- ↑ Alexandre Tambelli (1 de outubro de 2013). «O soneto inglês ou Shakespeareano». Recanto das Letras. Consultado em 14 de fevereiro de 2025
- ↑ «Sonnet 60» (em inglês). Consultado em 14 de fevereiro de 2025
- ↑ Rebeca Pereira (19 de julho de 2022). «Poesia e imortalidade nos sonetos de William Shakespeare». Querido Clássico. Consultado em 14 de fevereiro de 2025
- ↑ Thereza Christina Rocque da Motta (tradutora), SHAKESPEARE, William. 154 Sonetos. Em Comemoração Aos 400 Anos Da 1ª Edição 1609-2009. Editora Ibis Libris, 1ª edição, 2009. ISBN 8578230264
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução: José Arantes Júnior. São Paulo: Ed. do tradutor, 2007
Outras referências
- Alden, Raymond. The Sonnets of Shakespeare, with Variorum Reading and Commentary. Boston: Houghton-Mifflin, 1916.
- Baldwin, T. W. On the Literary Genetics of Shakspeare's Sonnets. Urbana: University of Illinois Press, 1950.
- Booth, Stephen. Shakespeare's Sonnets. New Haven: Yale University Press, 1977.
- Dowden, Edward. Shakespeare's Sonnets. London, 1881.
- Hubler, Edwin. The Sense of Shakespeare's Sonnets. Princeton: Princeton University Press, 1952.
- Schoenfeldt, Michael (2007). The Sonnets: The Cambridge Companion to Shakespeare’s Poetry. Patrick Cheney, Cambridge University Press, Cambridge.
- Tyler, Thomas (1989). Shakespeare’s Sonnets. London D. Nutt.
- Vendler, Helen (1997). The Art of Shakespeare's Sonnets. Cambridge: Harvard University Press.
- Engle, Lars (2007). William Empson and the Sonnets: A Companion to Shakespeare's Sonnets. Blackwell Limited, Malden.
- Evans, G. Blakemore, Anthony Hecht, (1996). Shakespeare's Sonnets. Cambridge University Press, Cambridge.
- Hammond, Paul (2002). Figuring Sex Between Men from Shakespeare to Rochester. Clarendon, New York.
- Hubler, Edwin (1952). The Sense of Shakespeare's Sonnets. Princeton University Press, Princeton.
- Kerrigan, John (1987). Shakespeare's Sonnets. Penguin, New York.
- Knights, L. C. (1967). Shakespeare's Sonnets: Elizabethan Poetry. Paul Alpers. Oxford University Press, Oxford.
- Lopez, Jeremy (2005). Sonnet 35. Greenwood Companion to Shakespeare. pp. 1136–1140.
- Matz, Robert (2008). The World of Shakespeare's Sonnets: An Introduction. Jefferson, N.C., McFarland & Co..
- Schoenfeldt, Michael (2007). The Sonnets: The Cambridge Companion to Shakespeare’s Poetry. Patrick Cheney, Cambridge University Press, Cambridge.
- Tyler, Thomas (1989). Shakespeare’s Sonnets. London D. Nutt.
- Vendler, Helen (1997). The Art of Shakespeare's Sonnets. Cambridge: Harvard University Press.