Soneto 19
| Soneto 19 |
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Devouring Time, blunt thou the lion's paws, |
| –William Shakespeare |
Soneto 19 é um dos 154 sonetos de William Shakespeare.
Como nos sonetos 1 a 126, apresenta o Conde de Southampton como alvo principal, diferentemente dos seguintes, do 127 ao 154 onde musa preferida é the dark lady (a Dama Morena).[1]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
Tempo voraz, corta as garras do leão,
E faze a terra devorar sua doce prole;
Arranca os dentes afiados da feroz mandíbula do tigre,
E queima a eterna fênix em seu sangue;
Alegra e entristece as estações enquanto corres,
E ao vasto mundo e todos os seus gozos passageiros,
Faze aquilo que quiseres, Tempo fugaz;
Mas proíbo-te um crime ainda mais hediondo:
Ah, não marques com tuas horas a bela fronte do meu amor,
Nem traces ali as linhas com tua arcaica pena;
Permite que ele siga teu curso, imaculado,
Levado pela beleza que a todos sustém.
Embora sejas mau, velho Tempo, e apesar de teus erros,
Meu amor permanecerá jovem em meus versos.[2][3]
Tradução de Milton Lins
Tempo voraz, amputa as garras do leão,
E a terra faz comer a própria descendência;
Tira os dentes do tigre, anula a sua ação,
A fênix torna em cinza, apaga a sua essência;
Faz clima ledo ou mau enquanto tu deslizas,
E qualquer coisa mais que os pés possam querer
Para o entorno do mundo e suas doces brisas;
Mas um hediondo crime eu paço não fazer:
Das horas não dispor para o meu bem rugar,
Nem nele desenhar com plumas do começo;
Permite em teu setor a sua tez poupar,
Como um belo padrão aos homens de sucesso.
Velho tempo, provoca o que tens de mais rude
- Em meu verso meu bem manter a juventude.[1]
Tradução de Ivo Barroso
Tempo voraz, ao leão cegas as garras
E à terra fazes devorar seus genes;
Ao tigre as presas hórridas desgarras
E ardes no próprio sangue a eterna fênix.
Pelo caminho vão teus pés ligeiros
Alegres, tristes estações deixando;
Impões-te ao mundo e aos gozos passageiros,
Mas proíbo-te um crime mais nefando:
De meu amor não vinques o semblante
Nem nele imprimas o teu traço duro.
Oh! permite que intacto siga avante
Como padrão do belo no futuro.
Ou antes, velho Tempo, sê perverso:
Pois jovem sempre há-de o manter meu verso.[4]
Referências
- ↑ a b SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ Thereza Christina Rocque da Motta (tradutora), SHAKESPEARE, William. 154 Sonetos. Em Comemoração Aos 400 Anos Da 1ª Edição 1609-2009. Editora Ibis Libris, 1ª edição, 2009. ISBN 8578230264
- ↑ Fábio Rocha (3 de maio de 2018). «William Shakespeare - Soneto 19». A magia da poesia. Consultado em 27 de dezembro de 2024
- ↑ «Tempo voraz, ao leão cegas as garras, de William Shakespeare, por Ivo Barroso». Jornal GGN. Consultado em 27 de dezembro de 2024
Bibliografia
- Alden, Raymond. The Sonnets of Shakespeare, with Variorum Reading and Commentary. Boston: Houghton-Mifflin, 1916.
- Baldwin, T. W. On the Literary Genetics of Shakspeare's Sonnets. Urbana: University of Illinois Press, 1950.
- Booth, Stephen. Shakespeare's Sonnets. New Haven: Yale University Press, 1977.
- Dowden, Edward. Shakespeare's Sonnets. London, 1881.
- Hubler, Edwin. The Sense of Shakespeare's Sonnets. Princeton: Princeton University Press, 1952.
- Schoenfeldt, Michael (2007). The Sonnets: The Cambridge Companion to Shakespeare’s Poetry. Patrick Cheney, Cambridge University Press, Cambridge.
- Tyler, Thomas (1989). Shakespeare’s Sonnets. London D. Nutt.
- Vendler, Helen (1997). The Art of Shakespeare's Sonnets. Cambridge: Harvard University Press.
Ligações externas
- (em inglês) Análise do soneto