Soneto 102

Soneto 102

My love is strengthened, though more weak in seeming;
I love not less, though less the show appear;
That love is merchandized, whose rich esteeming,
The owner's tongue doth publish every where.
Our love was new, and then but in the spring,
When I was wont to greet it with my lays;
As Philomel in summer's front doth sing,
And stops his pipe in growth of riper days:
Not that the summer is less pleasant now
Than when her mournful hymns did hush the night,
But that wild music burthens every bough,
And sweets grown common lose their dear delight.
Therefore like her, I sometime hold my tongue:
Because I would not dull you with my song.[1]

–William Shakespeare

Soneto 102 é um soneto da série de 154 sonetos de Shakespeare. Ele faz parte de uma série menor, com os sonetos 100, 101 e 103, nos quais o poeta fala sobre seu silêncio.[1]

Análise

Como os demais sonetos de William Shakespeare, este foi todo construído no ritmo de pentâmetro iâmbico, no formato de soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, e rima em ABAB CDCD EFEF GG.

Sinopse

Neste poema de desculpas por seu silêncio, o poeta explica, argumentando que não é um sinal de amor diminuído, mas de seu desejo, em um mundo onde os prazeres se tornaram comuns, de evitar cansar a pessoa amada com poemas de louvor, que o próprio rosto do amado é tão superior a quaisquer palavras de elogio, que o silêncio é o melhor caminho.[2]

Se nos Sonetos 100 e 101, o poeta culpa sua Musa por não inspirá-lo, no Soneto 102 ele está ansioso para não se tornar tedioso.[3] Ele argumenta que proclamar constantemente o amor por alguém desvaloriza a genuinidade da emoção. Seu tom é cauteloso, pois detecta uma mudança em seus sentimentos.[4]

Traduções

A tradutora procurou fazer uma tradução mais literal, mantendo os 14 versos do original, mas sem se ater a ritmo, métrica ou rima.

 Meu amor se fortalece, embora não pareça mais forte;
Não amo menos, embora não demonstre tanto;
O amor anunciado, cuja rica estima
A língua de seu dono difunde por toda a parte.
Nosso amor era jovem, então, na primavera,
Quando queria saudá-lo com meus amavios;
Como o rouxinol que canta assim que o verão principia,
E interrompe seu trinado à espera de dias mais maduros:
Não que o verão seja menos agradável agora
Do que seus tristes hinos que a noite silenciam,
Mas a louca música pesa em seus ramos,
E as doçuras perdem seu delicioso gosto.
Assim, como ela, por vezes também me calo,
Para não enfastiar-te com o meu canto.[5]

Tradução de Milton Lins

O tradutor apresentou o soneto em dodecassílabo, quase todo em hexâmetro iâmbico, e, quando assim não apresentou (versos 5 e 12), perseguiu o verso alexandrino. O esquema rímico segue o do autor, como um soneto inglês: ABAB CDCD EFEF GG.

 O meu amor é forte e fraco, na aparência;
Não é menor porque menor ele pareça;
É mercantilizado, em sua rica essência
A língua do seu dono imprime o que aconteça.

Nosso amor que foi novo, em tempo bom mudava,
Quando eu me conformava em receber valias,
Tal como Filomela, em seu verão, cantava,
Emudecendo a flauta em prol de belos dias;

Não é porque o verão agora seja falho,
Bem mais que hinos ferais na noite se envolveram,
A música ferina oprime cada galho,
Quando os brotos crescendo o seu prazer perderam.

Por isso, igual a ela, às vezes perco a fala,
Para não te maçar, a minha voz se cala.[6]

Tradução de José Arantes Junior

Como nos outros sonetos traduzidos nessa obra, o tradutor deu título a este soneto. No mais, seguiu o esquema rímico do autor no soneto: ABAB CDCD EFEF GG[nota 1], como um soneto inglês. Mas, como o fez em todos os seus sonetos traduzidos, não o seguiu no ritmo nem na métrica, apresentando-o com um aspecto plástico, com 36 caracteres em cada verso, que lhe mostram a forma, quando utilizada uma fonte monoespaçada.

 O forte e o fraco

Meu amor é forte embora pareça fraco
Eu não amo menos embora assim pareça,
O amor é a rica mercadoria dos magos
Para que a própria língua o enalteça;

Nosso romance era jovem na primavera
Quando eu o saudei com novas canções,
Como as flautas que Philomela venera
E as para nos dias de transformações;

Não que o verão se torne menos agora
Do que quando ela cantou na quietude,
O canto tremeu os ramos e foi embora
Como as doçuras que trazem plenitude;

Às vezes também inibo a minha emoção,
Para não te enfadar com minha canção.[7][8]

Tradução de Paulo Camelo

O tradutor procurou seguir o ritmo de pentâmetro iâmbico usado pelo poeta inglês, acrescentando-lhe o ritmo holístico e mantendo o esquema rímico ali utilizado, característico do soneto inglês.

 O meu amor é forte, embora pouco
ele pareça, fraco, que eu não amo;
ele é vendido assim, parece louco,
entanto o mostro ao mundo, e assim proclamo.

E, se era novo, amor de primavera,
eu costumava expô-lo na canção,
qual Filomela faz em sua espera
e a flauta cala, e canta no verão.

Não que o verão se mostre diferente
aos hinos tristes no calar da noite.
A música selvagem, num repente,
é doce encanto, é um querido açoite.

E, como a noite, eu calo, porque não
desejo usar a força da canção.[9]

Notas

  1. Nos versos 1 e 3 o tradutor optou por uma rima tonante, apenas.

Referências

  1. a b «Sonnet 102 by William Shakespeare» (em inglês). Consultado em 26 de outubro de 2025 
  2. «Shakespeare's Sonnets». Sonnet 102. Folger Shakespeare Library. Consultado em 26 de outubro de 2025 
  3. «Sonnet 102». Consultado em 26 de outubro de 2025 
  4. «Shakespeare's Sonnets». Summary and Analysis Sonnet 102 (em inglês). Consultado em 26 de outubro de 2025 
  5. «Soneto 102». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 26 de outubro de 2025 
  6. SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
  7. Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.
  8. José Arantes Júnior. «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 26 de outubro de 2025 
  9. Paulo Camelo – Poesia é sentimento. O resto é momento. «Soneto 102 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 26 de outubro de 2025