Soneto 8
| Soneto 8 |
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Music to hear, why hear'st thou music sadly? |
| –William Shakespeare |
Soneto 8 é um dos 154 sonetos de William Shakespeare.
É considerado um dos sonetos, entre os 126 primeiros dedicados a Fair Youth, que se refere a procriação.[1]
Traduções
Na tradução de Thereza Christina Roque da Motta
Doce música, por que a ouves tão triste?
Doçuras não se atacam; a alegria se rejubila;
Por que amas aquilo que não recebes efusivo,
Ou com prazer aceitas teu incômodo?
Se a harmonia de afinados sons
Bem ajustados ofendem o teu ouvido,
Docemente te repreendem, tu que confundes
As partes do que deverias suportar.
Vê como uma corda à outra unida,
São tangidas, de cada vez, mutuamente;
Assemelhando-se a pai e filho, e à feliz mãe,
Que, em uníssono, entoam um doce som;
Cujo canto inaudível, sendo muitos, soa como um,
Assim cantando para ti: "De nada valerá a tua solidão".[2]
Na tradução de Milton Lins
Música para ouvir, por que a ouves tão triste?
Doces com doces, vão; alegre e alegre, avante!
Manter amor por quem sem alegria insiste?
E ainda receber com gosto outro maçante?
Se a verdade acordar com sons de uma harmonia,
Com laços de união, vai te ferir o ouvido,
Conseguir censurar-te o quanto a confundia
No celibato assim por ti sempre mantido.
Nota como um cordão, com outro que condiz,
Se postam, um a um, em mútua ordenação,
Parecem pai com filho e mãe, num lar feliz,
E assim, todos em um, prazer e entonação:
Cuja muda canção com uma só parece,
Entoa assim: "solteiro, a vez desaparece".[3]
Na tradução de Ana Luísa Amaral
Por que te é triste a música, ó música de ouvir?
O doce é ameno ao doce, alegre é a alegria.
Porque amas, pois, aquilo que não te rejubila
E, em vez, sentes prazer no que não te dá júbilo?
Se a perfeita união dos sons em harmonia
Ligados, como em núpcias, te ofendem o ouvido,
É porque eles censuram, doces, teu desacordo
Ao teimares em tocar a sós a melodia.
Nota como uma corda à outra se une, doce,
As duas se tangendo, em mútua simetria,
Como o pai e o filho e a feliz mãe, um só,
Todos só num, entoando, em perfeição de som,
Um canto sem palavras, que, sendo vário, é um,
E assim te canta a ti: “Tu sozinho és nenhum”.[4]
Adaptações
Igor Stravinsky musicou este soneto em seu Three Songs from William Shakespeare.
Referências
- ↑ «Soneto 8». es.Wikipedia. Consultado em 24 de dezembro de 2024
- ↑ Thereza Christina Rocque da Motta (tradutora), SHAKESPEARE, William. 154 Sonetos. Em Comemoração Aos 400 Anos Da 1ª Edição 1609-2009. Editora Ibis Libris, 1ª edição, 2009. ISBN 8578230264
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ Ana Luiza Amaral. «Jogos Florais». Consultado em 24 de dezembro de 2024
Bibliografia
- Alden, Raymond. The Sonnets of Shakespeare, with Variorum Reading and Commentary. Boston: Houghton-Mifflin, 1916.
- Baldwin, T. W. On the Literary Genetics of Shakspeare's Sonnets. Urbana: University of Illinois Press, 1950.
- Booth, Stephen. Shakespeare's Sonnets. New Haven: Yale University Press, 1977.
- Dowden, Edward. Shakespeare's Sonnets. London, 1881.
- Hubler, Edwin. The Sense of Shakespeare's Sonnets. Princeton: Princeton University Press, 1952.
Ligações externas
- (em inglês) Análise do soneto