Soneto 109
| Soneto 109 |
|---|
O, never say that I was false of heart, |
| –William Shakespeare |
Soneto 109 é um soneto da série de 154 sonetos de Shakespeare. Ele faz parte da série maior dos sonetos, até o 126, conhecida como “The Fair Youth” (O Belo Jovem). Encontra-se próximo ao final dessa longa série. O gênero da pessoa a quem o soneto é dirigido é irrelevante para a compreensão do significado e da qualidade da composição. Sua identidade, contudo, permanece desconhecida até hoje, embora algumas possibilidades tenham sido especuladas. [3]
Análise
Como os demais sonetos de William Shakespeare, este foi todo construído no ritmo de pentâmetro iâmbico, no formato de soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, e rima em ABAB CDCD EFEF GG
Sinopse
No Soneto 109, o eu lírico assegura ao Belo Jovem que, embora os dois estejam separados, seus sentimentos jamais diminuíram. Ele permanece tão apaixonado como sempre e, como um viajante que sempre retorna para casa, nada no mundo pode afastá-lo do rapaz.[3]
O poeta, que muitos presumem ser o narrador dos poemas, dirige-se ao jovem ao longo da série, começando por repreendê-lo por não ter um filho, por desperdiçar sua beleza em coisas indignas dele, mas sempre terminando por retornar ao amor inabalável entre os dois.[4]
O poeta defende suas infidelidades, argumentando que seu retorno apaga a mácula de sua partida. [2]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Motta
Como nas suas outras traduções, ela procurou fazer uma tradução mais literal, mantendo os 14 versos do original, mas sem se ater a ritmo, métrica ou rima.
Ó, nunca digas que foi falso meu coração,
Embora a ausência assim me fizesse parecer!
Tão leve me desprendo do meu corpo,
Quanto da minha alma, que jaz em teu peito:
Eis o meu lar de amor: se tenho errado,
Como quem viaja, novamente retorno;
Ainda a tempo, mas sem retomá-lo –
Para dar sustento ao meu engano.
Nunca acredites, mesmo que em minha natureza reinem
Todas as fraquezas que assediam qualquer um,
Cuja honra seria grosseiramente manchada,
Desperdiçando tudo que tens de bom;
A nada neste imenso universo me dedico,
Exceto a ti, minha rosa; e, nele, és tudo para mim.[5]
Tradução de José Arantes Júnior
O tradutor, embora mantivesse o formato de soneto inglês e o esquema rímico seguido pelo autor, não o seguiu no quesito métrica e ritmo, preferindo, como o fez com as suas outras traduções do poeta, criar um formato plástico, com todos os versos contendo exatamente 36 caracteres, o que lhe dá um formato retilíneo em suas margens, quando escrito com fonte monoespaçada. Também lhe acrescentou um título.
‘’’O tudo diante do nada’’’
Nunca digas que sou falso de coração
Embora a ausência possa mudar o teor
Tão logo quanto minha auto separação
Distancie o meu espírito do teu amor;
É meu um lar de amor e de esperanças
Se andei errado retornarei novamente,
Sem deixar que o tempo traga mudança
E com água para as manchas presentes;
Nunca creias, embora em meu governar
Todas as fraquezas do sangue vigente
Poderiam implacavelmente se permutar
Pela soma de teus valores existentes;
Clamo por nada, neste vasto universo,
Salvo a ti, que és tudo em meu verso.[6]
Tradução de Milton Lins
O tradutor apresentou o soneto em versos decassílabos, alexandrinos, em ritmo misto, predominantemente hexâmetro iâmbico. O esquema rímico seguiu o do autor, como um soneto inglês: ABAB CDCD EFEF GG.
Não afirmes jamais que tenho um pendor falso,
Em minha ausência está o fogo que alimenta!
Como é fácil partir e andar no meu encalço,
Seguindo minha mente, onde em teu peito assenta:
Que é meu lugar de amor: se em fila se alinhar,
Como ele que viajou, de novo eu talvez sinta,
Manter-me em tempo bom, sem ter o que mudar, -
Para eu mesmo limpar com água a minha tinta.
Não acredites nunca, em minha natureza
Reina a fragilidade, o sangue assediando,
Que se pode tingir com máxima largueza
Para facilitar em mim todo o teu mando.
Não chamo para nada a imensidão do mundo.
Exceto tu, pois és o meu todo profundo.[7]
Referências
- ↑ «Sonnet 109: O! never say that I was false of heart». Poetry Foundation (em inglês). Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ a b «Shakespeare's sonnets». Sonnet 109. Folger Shakespeare Library (em inglês). Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ a b {{Citar web|url=https://genius.com/William-shakespeare-sonnet-109-annotated%7Cidioma=en%7Ctítulo=Sonnet 109|obra=Genius verified|acessodata=9/11/2025}
- ↑ «Sonnet 109 by William Shakespeare» (em inglês). Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ «Soneto 109». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ José Arantes Júnior. «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5