Soneto 5
| Soneto 5 |
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Those hours, that with gentle work did frame (continua no Soneto 6) |
| –William Shakespeare |
Soneto 5 é um dos 154 sonetos de William Shakespeare. O soneto continua no Soneto 6.
Análise
O soneto repete a ênfase sobre o envelhecimento humano, quando comparado com o progresso das estações. O dístico final sobre "flores destiladas" (distilled flowers) refere-se à extração do perfume das pétalas, em que o "show" visível das flores desaparece, mas a sua "essência" continua. A referência é, provavelmente, a "semente" da Juventude - sua capacidade de prolongar a sua "essência", produzindo as crianças, mas também é um exemplo da peça de Shakespeare sobre a questão do que é transitório e que eterna no mundo material.
Traduções
- Na tradução de Thereza Christina Rocque da Motta,
As horas que suavemente emolduraram
O olhar amoroso onde repousam os olhos
Serão eles o seu próprio tirano,
E com a injustiça que justamente se excede;
Pois o Tempo incansável arrasta o verão
Ao terrível inverno, e ali o detém,
Congelando a seiva, banindo as folhas verdes,
Ocultando a beleza, desolada, sob a neve.
Então, os fluidos do estio não restaram
Retidos nas paredes de vidro,
O belo rosto de sua beleza roubada,
Sem deixar resquícios nem lembranças do que fora;
Mas as flores destilaram, sobreviveram ao inverno,
Ressurgindo, renovadas, com o frescor de sua seiva.[1]
- Na tradução de Milton Lins,
Na hora da criação, um só carinho,
O encanto de fitar o que o olho vede,
Divertindo o tirano no seu ninho,
E o insatisfeito que também o excede.
O trabalho sem fim foi desde o estio
Ao terrível inverno, e se desfez;
Os mais fortes se vão, sofrendo frio,
Há beleza enevada e há nudez.
Não existe mais sol, destila a empresa.
Preso à bebida, à frigidez da taça,
Despojado do efeito e da beleza,
Nem ele nem lembrança do que passa.
As flores destilando, o inverno avive,
Perdido, no entanto, o sumo vive.[2]
Bibliografia
- Alden, Raymond. The Sonnets of Shakespeare, with Variorum Reading and Commentary. Boston: Houghton-Mifflin, 1916.
- Baldwin, T. W. On the Literary Genetics of Shakspeare's Sonnets. Urbana: University of Illinois Press, 1950.
- Booth, Stephen. Shakespeare's Sonnets. New Haven: Yale University Press, 1977.
- Dowden, Edward. Shakespeare's Sonnets. London, 1881.
- Hubler, Edwin. The Sense of Shakespeare's Sonnets. Princeton: Princeton University Press, 1952.
Ligações externas
- (em inglês) Análise do soneto
Referências
- ↑ Thereza Christina Rocque da Motta (tradutora), SHAKESPEARE, William. 154 Sonetos. Em Comemoração Aos 400 Anos Da 1ª Edição 1609-2009. Ibis Libris, 1ª edição, 2009. ISBN 8578230264
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5