Soneto 108

Soneto 108

What’s in the brain that ink may character
Which hath not figured to thee my true spirit?
What’s new to speak, what now to register,
That may express my love or thy dear merit?
Nothing, sweet boy; but yet, like prayers divine,
I must each day say o’er the very same,
Counting no old thing old, thou mine, I thine,
Even as when first I hallowed thy fair name.
So that eternal love in love’s fresh case
Weighs not the dust and injury of age,
Nor gives to necessary wrinkles place,
But makes antiquity for aye his page,
Finding the first conceit of love there bred,
Where time and outward form would show it dead.[1]

–William Shakespeare

Soneto 108 é um soneto da série de 154 sonetos de Shakespeare. Ele faz parte da série maior dos sonetos, até o 126, conhecida como “The Fair Youth” (O Belo Jovem), em que o poeta revela seu amor por um jovem, cuja identidade é desconhecida, apesar de muito especulada.[2]

Análise

Como os demais sonetos de William Shakespeare, este foi todo construído no ritmo de pentâmetro iâmbico, no formato de soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, e rima em ABAB CDCD EFEF GG

Sinopse

O poeta explica que suas repetidas palavras de amor e louvor são como uma oração diária; embora antigas, são sempre novas. O verdadeiro amor também é sempre novo, mesmo que o amante e o amado envelheçam.[1]

Ao expressar seu amor ao amigo, o poeta já havia usado todas as ideias que o pensamento poderia conceber e todas as expressões que a linguagem poderia fornecer. Mas, apesar da constante repetição, o poeta não deve cessar seus versos. O amor é eterno, não conhecendo mudança no objeto amado.[3]

Traduções

Como nas suas outras traduções, ela procurou fazer uma tradução mais literal, mantendo os 14 versos do original, mas sem se ater a ritmo, métrica ou rima.

O que há na mente que a pena possa descrever
Que ainda não revelou a ti o meu verdadeiro espírito?
O que há de novo a ser dito, o que há agora a registrar,
Que possa expressar o meu amor ou os teus belos méritos?
Nada, meu caro rapaz; porém, como as preces divinas,
Devo, a cada dia, repetir as mesmas palavras,
Sem contar o que passou, tu comigo, eu contigo,
Mesmo quando primeiro pronunciei o teu nome.
Então, o eterno amor dentro do terno peito
Não pesa nem o pó, nem a injúria do tempo,
Nem dá lugar às rugas necessárias,
Mas faz da antiguidade a sua condutora,
Encontrando a primeira vaidade do amor ali nascido,
Onde o tempo e as belas formas o mostrassem morto. [4]

Tradução de Paulo Camelo

A tradução mantém a forma usada pelo autor, de soneto inglês, com rimas ABAB CDCD EFEF GG, versos decassílabos em pentâmetro iâmbico, acrescentando o ritmo holístico.

O que no cérebro há que mostre em cor
e a ti não se revele o verdadeiro
espírito, o que há de novo a se propor
que o meu amor não mostre por inteiro?

Ainda assim, doçura, em minha prece
eu devo repetir dia após dia
o sentimento que jamais fenece
e que eu santifiquei, qual poesia.

Assim, o amor eterno, em sua essência,
em nada pesa, como fosse pó,
nem dá lugar a rugas, decadência,
e, antigo, faz-se, para sempre, só.

E na primeira concepção do amor
o tempo mata a forma exterior.[5]

Tradução de José Arantes Júnior

O tradutor, embora mantivesse o formato de soneto inglês e o esquema rímico seguido pelo autor, não o seguiu no quesito métrica e ritmo, preferindo, como o fez com as suas outras traduções do poeta, criar um formato plástico, com todos os versos contendo exatamente 36 caracteres, o que lhe dá um formato retilíneo em suas margens, quando escrito com fonte monoespaçada. Também lhe acrescentou um título.

Amor eterno e amor recente

O que no meu cérebro tinge o meu ser
Que não é verídico para meu espírito,
Qual novo registro e qual novo dizer
Pode expressar meu sentimento lírico?

Nenhum, rapaz, porém ainda como reza
Repito as mesmas verdades a cada dia,
Tirando do antigo o que o novo preza
Como ao ouvir o teu nome em sintonia;

O amor eterno vive como amor recente
Sem o peso do pó ou do dano da idade,
Sem necessidade das rugas renitentes
E tomando, como pajem, a antigüidade;

Como a primeira idéia de amor criada,
Onde as feições não estavam formadas.[6]

Tradução de Milton Lins

O tradutor apresentou o soneto em versos dodecassílabos, alexandrinos, em ritmo misto, predominantemente hexâmetro iâmbico. O esquema rímico seguiu o do autor, como um soneto inglês: ABAB CDCD EFEF GG.

O que na mente pode a tinta impressionar,
Que não tenha marcado em ti o meu alento?
Que é novo no dizer, e para registrar,
Que expressa meu amor ou teu merecimento?

É nada, meu rapaz; se em uma pre3ce arder,
Eu quero cada dia (um som que me consome)
Contar velho pregão – nós dois em um só ser –
Mesmo quando abençoo o teu prendado nome.

É que este eterno amor, de amor o mais recente,
Não sopesa a poeira e os débitos da idade,
À denotada ação da ruga se apresente,
Em pagem transformando a sua antiguidade;

Achando um só conceito, um amor do mesmo porte,
Num tempo já passado, e assim o leve à morte.[7]

Referências

  1. a b {{Citar web|url=https://www.folger.edu/explore/shakespeares-works/shakespeares-sonnets/read/108/%7Ctítulo=Sonnet 108|idioma=en|acessodata=8/11/2025
  2. «Sonnet 108». Genius Opem Mic (em inglês). Consultado em 8 de novembro de 2025 
  3. «Shakespeare's Sonnets» (em inglês). Consultado em 8 de novembro de 2025 
  4. «Soneto 108». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 4 de novembro de 2025 
  5. Paulo Camelo. «Soneto 108 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 8 de novembro de 2025 
  6. José Arantes Júnior. «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 8 de novembro de 2025 
  7. SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5