Soneto 106

Soneto 106

When in the chronicle of wasted time
I see descriptions of the fairest wights,
And beauty making beautiful old rhyme,
In praise of ladies dead and lovely knights,
Then, in the blazon of sweet beauty's best,
Of hand, of foot, of lip, of eye, of brow,
I see their antique pen would have expressed
Even such a beauty as you master now.
So all their praises are but prophecies
Of this our time, all you prefiguring,
And, for they looked but with divining eyes,
They had not skill enough your worth to sing:
For we, which now behold these present days,
Have eyes to wonder, but lack tongues to praise.[1][2]

–William Shakespeare

Soneto 106 é um soneto da série de 154 sonetos de Shakespeare. Ele faz parte da série maior dos sonetos, até o 126, conhecida como “The Fair Youth” (O Belo Jovem), em que o poeta revela seu amor por um jovem.

Análise

Como os demais sonetos de William Shakespeare, este foi todo construído no ritmo de pentâmetro iâmbico, no formato de soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, e rima em ABAB CDCD EFEF GG

Sinopse

Soneto 106 apresenta a ideia principal da beleza de um jovem em um contexto e tempo anônimos. A comparação da beleza do jovem com a representação da mesma beleza na arte do passado ou em crônicas estabelece o tema central do poema. .[3]

Nele, o eu lírico considera seu amado jovem no contexto de toda a história da poesia amorosa. Ele afirma que todos os poemas de amor escritos no passado foram em vão. Nenhuma das amantes e musas descritas anteriormente se compara ao belo jovem, um paradigma de beleza. O eu lírico alude a um estilo poético no qual o admirador elogia a amada evocando seus atributos mais belos, a fim de demonstrar a incapacidade da linguagem de capturar verdadeiramente a essência da beleza. À medida que o poema se aproxima do fim, ele amplia seu argumento, afirmando que os poemas de amor do passado eram meras previsões do belo jovem, tentativas de descrevê-lo antes de sua chegada. Nos versos finais, lamenta a futilidade da linguagem em tentar eternizar a bela juventude.[4]

Traduções

Como nas suas outras traduções, ela procurou fazer uma tradução mais literal, mantendo os 14 versos do original, mas sem se ater a ritmo, métrica ou rima.

Quando na passagem do tempo perdido
Vejo descritos os belos ramos,
E a beleza emprestar seus dons à velha rima,
Ao elogiar as damas mortas e os belos cavaleiros,
Então, no brasão da melhor doçura da beleza,
Da mão, dos pés, dos lábios, dos olhos, da fronte,
Vejo que sua antiga pluma teria expressado
Mesmo tal beleza como teu senhor agora.
Então, todos os elogios não são senão profecias
Deste nosso tempo, tudo que pressagias,
E, mesmo vendo com olhos de adivinho,
Não tinham talento suficiente para cantar os teus dons;
Pois nós, que hoje aqui estamos, e vemos,
Temos olhos para sonhar, mas não línguas para louvar.[5]

Tradução de Ivo Barroso

O tradutor apresentou o soneto na forma de soneto inglês, em monostrofe, esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG e versos decassílabos, mas não manteve o ritmo de pentâmetro iâmbico em toda a obra.

Quando vejo nas crônicas antigas
A descrição dos seres mais perfeitos,
E o belo a embelezar velhas cantigas
Em honra à dama e aos paladins eleitos,
No blasonar da formosura rara
Que em mãos, pés, lábios, olhos, face aflora,
Sinto que a musa antiga decantara
Mesmo a beleza que deténs agora.
Não passa tal louvor de profecia
Do nosso tempo, e já te prefigura;
Mas como só na mente é que te via,
Não pôde o teu valor cantar à altura.
E hoje, que temos olhos para ver,
Verbo nos falta para enaltecer.[6]

Tradução de Milton Lins

O tradutor apresentou o soneto em decassílabo, sem se ater, no entanto, ao pentâmetro iâmbico. O esquema rímico seguiu o do autor, como um soneto inglês: ABAB CDCD EFEF GG.

 Quando pesquiso o tempo já passado
Tenho a visão dos seres mais fagueiros,
O belo acervo do que foi rimado,
Damas mortas louvando, e cavalheiros,

E nos brasões das grandes formosuras,
Do pé, da mão, do lábio, do semblante,
Vejo na antiga pluma as estruturas,
Mesmo com tal primor, seguindo avante.

Seus louvores então são novas metas
Do nosso tempo para figurar;
E enxergam com olhares de profetas,
Não têm juízo e voz para cantar.

Nós que miramos com olhar acerbo
Temos os olhos, mas nos falta o verbo.[7]

Tradução de Paulo Camelo

Como nos outros sonetos em sua tradução, este é apresentado, como no original, na forma de soneto inglês, rimas ABAB CDCD EFEF GG, com versos em pentâmetro iâmbico, destacando o ritmo holístico.

Se no perdido tempo há descrições
de belas damas, a mostrar beleza,
antigas rimas a criar canções
a damas mortas, jovens na grandeza,

em seu louvor cantadas, destacando
as mãos, os pés, os lábios, olhos, testa,
a antiga pena apenas se expressando,
essa beleza eu vejo, e isso me resta.

Os seus louvores, pura profecia,
o nosso tempo mostram, uma a uma,
adivinhando o que o olhar não via,
habilidade nula, voz nenhuma.

E agora, que nos vemos no presente,
o verbo falha apenas, tão somente.[8]

Referências

  1. «Sonnet 106» (em inglês). Consultado em 4 de novembro de 2025 
  2. «Sonnet 106» (em inglês). Consultado em 4 de novembro de 2025 
  3. «Sonnet 106: When in the Chronicle of Wasted Time». Literary Devices (em inglês). Consultado em 4 de novembro de 2025 
  4. «Sonnet 106». Owl Eyes (em inglês). Consultado em 4 de novembro de 2025 
  5. «Soneto 106». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 4 de novembro de 2025 
  6. Ivo Barroso. «50 Sonetos William Shakespeare» (PDF). Estrada dos Livros. Consultado em 4 de novembro de 2025 
  7. SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
  8. Paulo Camelo. «Soneto 106 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 4 de novembro de 2025