Soneto 112
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Your love and pity doth the impression fill |
| –William Shakespeare |
Soneto 112 é um dos 154 Sonetos de Shakespeare, pertencente à série “Fair Youth”, que corresponde aos 126 primeiros sonetos. É uma continuação do Soneto 111.
Análise
Como os demais sonetos de William Shakespeare, este tem o formato de soneto inglês[nota 1] foi todo construído no ritmo de pentâmetro iâmbico, e rimas em ABAB CDCD EFEF GG
Sinopse
Este soneto remete a alguns sonetos anteriores. Como ocorre com os sonetos 105, 106 e 108, apresenta uma certa irreverência religiosa matizada de humor, que poderia ser interpretada como blasfêmia. O primeiro verso é uma continuação direta do Soneto 111: a piedade do amigo apaga a marca. O verso 5 remete ao final do Soneto 109. O conjunto evoca a submissão mórbida do Soneto 57.[3]
O Soneto retoma o tema da vergonha do poeta, referindo-se a um “escândalo vulgar” que o marcou, sugerindo que o amor de seu amigo cura a marca horrenda. Ignorando as fofocas maliciosas do mundo, o poeta insiste que apenas a opinião de seu amigo importa.[4]
O pedido de compaixão que o poeta fizera ao amigo teria sido atendido. Então, ele afirma que não se importa com o que os outros possam pensar ou dizer a seu respeito.[1]
Shakespeare deixa claro que desafia as normas sociais. Alguns sonetos vêm de sua mente, outros vêm de seu coração. Este soneto veio de sua alma.[5]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Motta
Como nas suas outras traduções, ela procurou fazer uma tradução mais literal, mantendo os 14 versos do original, mas sem se ater a ritmo, métrica ou rima.
Teu amor e o pesar dão-me a impressão
Estampando o escândalo vulgar em meu cenho;
Que me importa quem me queira bem ou mal,
Senão tu, sobre meu bom ou mau alento?
Tu és todo o meu mundo, e devo esforçar-me
Para saber as más e boas opiniões que tens sobre mim;
Não há ninguém para mim, nem eu para mais ninguém,
Que meu duro sentido mude para o bem ou para o mal.
Num abismo assim profundo lanço tudo que me importa
Que os outros digam que meu senso viperino
Pela crítica e o elogio sejam impedidos.
Veja como dispenso com minha negligência:
Vives tão firme em meu propósito,
Que todos além de mim já feneceram.[6]
Tradução de Milton Lins
O tradutor apresentou o soneto em versos dodecassílabos alexandrinos, em ritmo misto, predominantemente hexâmetro iâmbico. O esquema rímico seguiu o do autor, como um soneto inglês: ABAB CDCD EFEF GG.
Seu amor e piedade acatam a impressão
De que há vulgar tumulto aqui na minha fronte.
Com cuidado devido, esteja enfermo ou são,
Você cobre de verde a má e a boa fonte?
Você é o meu tudo, e deve esforço ativo
Para ver meu pudor, ou elogio falado.
Não mais só para mim, nem para ninguém vivo,
Que tenho um duro senso a mais, certo ou errado.
Em tão profundo abismo eu jogo meus cuidados
De muitas vozes, que meu senso de serpente
Critica na lisonja, e que já estão curados.
E marca com descaso ingente, e segue em frente; -
Você age tão forte, em meus sonhos absorto,
Que todo mundo em torno a mim parece morto.[7]
Tradução de Paulo Camelo
Procurando espelhar-se na obra original e mantendo a forma de soneto inglês (3 quartetos e um dístico), em versos decassílabos em pentâmetro iâmbico, fez um diferencial, acrescentando-lhe o ritmo holístico.
O teu amor piedoso me impressiona
e eu acho escandaloso o que apresento.
Eu não me importo se me inspeciona,
entanto eu cubro o mal nesse momento.
És o meu mundo inteiro e eu quero mais
mostrar meus males com louvor igual;
não vejo mais ninguém que me dê paz,
meu senso é rigoroso, esse é meu mal.
Em tão profundo abismo eu perco a calma
ao ouvir vozes que me fazem mal,
pois o bajulador revolve a alma,
e vê que eu não sei bem se sou normal.
Estás tão fortemente a mim ligada,
e o mundo me parece quase nada.[8]
Notas
- ↑ As exceções são o Soneto 99, que apresenta 15 versos, e o Soneto 126, que apresenta 12 versos, em 6 dísticos.
Referências
- ↑ a b «Sonnet 112». Shakespeare On Line (em inglês). Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ «Sonnet 112». No Sweet Shakespeare (em inglês). Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ «Soneto CXII (112)». William Shakespeare, Los Poemas (em espanhol). Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ «The 10 Most Mysterious Shakespeare Sonnets» (em inglês). Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ «Soneto 112» (em espanhol). Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ «Soneto 112». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 29 de dezembro de 2025
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ «Soneto 112 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 29 de dezembro de 2025