Soneto 134

Soneto 134

So now I have confessed that he is thine,
And I my self am mortgaged to thy will,
Myself I’ll forfeit, so that other mine
Thou wilt restore to be my comfort still:
But thou wilt not, nor he will not be free,
For thou art covetous, and he is kind;
He learned but surety-like to write for me,
Under that bond that him as fast doth bind.
The statute of thy beauty thou wilt take,
Thou usurer, that put’st forth all to use,
And sue a friend came debtor for my sake;
So him I lose through my unkind abuse.
Him have I lost; thou hast both him and me:
He pays the whole, and yet am I not free.[1][2]

–William Shakespeare

Soneto 134 é um dos 154 sonetos de William Shakespeare, fazendo parte da sequência da Dark Lady. Ele segue o Soneto 133, fazendo-lhe par.

Estrutura

Como os demais sonetos de William Shakespeare,[nota 1] este tem a forma de soneto inglês[3] e foi construído em decassílabos com ritmo de pentâmetro iâmbico, esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG.

Sinopse

Este soneto é uma continuação do anterior e reflete sobre a situação em que o poeta e seu amigo se encontram devido ao envolvimento com a amante misteriosa, que, ao que parece, os enfeitiçou. Ele se sacrifica para libertar o jovem, mas ele não o liberta. O jovem paga toda a dívida para libertar o poeta, mas ainda assim não está livre.[4] O poeta continua a racionalizar a traição do jovem, usando aqui a linguagem da dívida e da perda.[2]

Traduções

Uma tradução próxima à literal, sem se ater a ritmo, métrica ou rima, com a estrutura de uma monóstrofe em forma de quatorzain.

Assim, agora confesso que ele é teu,
E estou empenhado à tua vontade,
Mentirei, para que, por outro lado,
Me devolvas o direito de me consolares.
Mas não o farás, nem ele não será livre,
Por seres ávida e, ele, gentil.
Aprendeu, com certeza, a subjugar-se
Àquilo a que apressadamente se submete.
Tomarás as regras de tua beleza,
A usurária que tudo desperdiça,
E aciona o amigo que se endividou por mim;
Perco-o graças ao meu grosseiro abuso.
A ele, perdi; e tu perdeste a ele e a mim;
Ele paga tudo, mas não me livro, mesmo assim.[5]

Tradução de Milton Lins

Mantendo o formato de soneto inglês e esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, apresentou a tradução em versos decassílabos, porém não manteve o ritmo de pentâmetro iâmbico, limitando-se a apresentar verso heroico.

Então, confesso agora, ele é só teu.
Uma hipoteca sou do teu legado:
Sou a pena a cumprir, sou outro EU.
Tu queres dar conforto ao confortado:

Nem tu, nem ele, assim, vão livres ser,
Por seres cobiçosa, ele é bondoso;
Ele aprendeu, contudo, a me escrever,
Sob a crença de que ligar é honroso.

Tua beleza irá aonde fores,
O impulso do agiota alonga o uso,
Processa amigo, e deve os meus favores;
Perco-o assim devido ao meu abuso.

Eu o perdi; teu charme aos dois pegou;
Ele acoberta e eu... nem livre estou.[6]

Tradução de José Arantes Júnior

O tradutor deteve-se no formato original de soneto inglês, com mesmo esquema rímico do autor. Porém fez os versos com exatos 36 caracteres, sem cuidado rítmico, mostrando uma visão plástica, se utilizada fonte monoespaçada. Como nos poemas dessa sua obra, acrescentou um título.

 A prisão e a liberdade

Eu confesso que ele é teu plenamente
E que estou empenhado em tua vontade,
Serei omisso e meu outro eu presente
Te resgatará para a minha comodidade;

Não falharás, nem ele não será livre,
Por tua dextreza e ele tem qualidade,
Aprendeu mas gosta do modo como vive
Sob o laço que prende com tenacidade,

A virtude de tua beleza irá definhar
Puseste os valores para serem usados,
Há processo pelos débitos a se somar
E perdi absurdamente por ter abusado;

Tens a ele e a mim com flexibilidade,
Ele pagou tudo e estou sem liberdade.
[7][8]

Tradução de Paulo Camelo

Mantendo o formato original de soneto inglês, o Verso decassílabo em ritmo de pentâmetro iâmbico, acrescentando-lhe ritmo holístico e mantendo o esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, o tradutor assim apresentou:

Meu coração, confesso, agora é teu,
hipotecado estou a teu desejo,
e, eu desistindo, o outro será meu,
pra meu conforto, e restaurado o vejo.

Oh, tu não queres, não se livrará,
pois tu não és, mas vejo ele bondoso,
ele aprendeu. Na certa escreverá
pra mim, e a mim se prende, generoso.

Esta beleza sei que tomarás,
pois colocaste o estatuto em uso,
e o meu amigo em débito verás,
pois o perdi nesse cruel abuso.

Ele eu perdi, mas sei que tu nos tens,
pois ele paga, e eu perdi meus bens.[9]

Notas

  1. Os poemas denominados Soneto 99 e Soneto 126 fogem do formato de soneto, tendo o Soneto 99 apresentado 15 versos (1 quinteto, dois quartetos e um dístico) enquanto o Soneto 126 apresenta apenas 12 versos, distribuídos em 6 dígitos.

Referências

  1. «Sonnet 134: So now I have confessed that he is thine». Poetry Foundation (em inglês). Consultado em 2 de fevereiro de 2026 
  2. a b «Shakespeare's Sonnets». Sonnet 134. Folger Shakespeare Library (em inglês). Consultado em 2 de fevereiro de 2026 
  3. Campos, Geir. Pequeno dicionário de arte poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
  4. «Sonnet CXXXIV». Shakespeare's Sonnets (em inglês). Consultado em 2 de fevereiro de 2026 
  5. «Soneto 134». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 2 de fevereiro de 2026 
  6. SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
  7. José Arantes Júnior. «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 2 de fevereiro de 2026 
  8. SHAKESPEARE, William. Sonetos completos de William Shakespeare - tradução, introdução e notas José Arantes Júnior. São Paulo:Ed. do autor, 2007
  9. «Soneto 134 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 2 de fevereiro de 2026