Soneto 22
| Soneto 22 |
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My glass shall not persuade me I am old, |
| –William Shakespeare |
Soneto 22 foi escrito por William Shakespeare e faz parte dos seus 154 sonetos. Como outros sonetos, do 1 ao 126, o destinatário deste é um jovem do sexo masculino; pela primeira vez o eu-lírico afirma que eles desfrutam de um relacionamento saudável e positivo. A última linha, no entanto, demonstra as dúvidas do narrador, que se tornam proeminentes nas sequências, nos outros sonetos que seguem esse.
Traduções
Na tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
Meu espelho não me dirá que envelheço,
Enquanto tenhas a mesma idade e juventude;
Mas quando em ti vejo a essência do tempo,
Sinto que a morte expiará meus dias.
Pois, toda a beleza que viceja em ti
É apenas um prolongamento do meu coração
Que vive em teu peito, como o teu em mim:
Como, então, eu seria mais velho do que és?
Ah, então, meu amor, sê cuidadosa
Como eu, não por mim, mas por tua vontade;
Carregando teu coração, que guardarei comigo,
Como a ama que protege seu bebê querido.
Não penses em teu coração quando o meu fenecer;
Tu me deste o teu para nunca mais o devolver.[1]
Na tradução de Ana Luísa Amaral
Não me irá convencer que sou velho o meu espelho
Se a juventude e tu têm a mesma idade.
Mas se em ti olho os sulcos que o Tempo vai deixando,
Prevejo como à morte me pode ser resgate.
Pois a beleza toda que te cobre é somente
Decoroso ornamento para o meu coração
Que vive no teu peito, como o teu no meu.
Como podes então ser mais jovem do que eu?
Por isso, meu amor, tem-te em muito cuidado
Como eu tão-somente por ti me cuidarei,
Meu, o teu coração, tido em cautela tal
Como a ama acautela a criança dos males.
Esquece o teu coração quando morrer o meu;
Tu, eterno, mo deste; nunca mais será teu.[2]
Na tradução de Milton Lins
Meu espelho não convence e diz que sou idoso,
A juventude em ti mantém analogias;
Mas quando o tempo vejo a ti tornar rugoso,
Vejo que a morte então deve expiar meus dias.
A beleza, que cobre inteiro o corpo teu,
É a roupa que aqueceu meu pobre coração,
Que vive no teu peito, igual ao teu no meu;
Como mais velho ser do que tua feição?
Por isso, amor, contigo é seres cuidadoso,
Como, nunca por mim, mas por ti, eu vou ser,
Vendo o teu coração bater harmonioso,
Tal qual uma babá, seu 'filho' proteger.
Quando eu morrer, supões meu coração matar:
Se bem me deste o teu, de volta não o vou dar.[3]
Referências
- ↑ Thereza Christina Rocque da Motta (tradutora), SHAKESPEARE, William. 154 Sonetos. Em Comemoração Aos 400 Anos Da 1ª Edição 1609-2009. Editora Ibis Libris, 1ª edição, 2009. ISBN 8578230264
- ↑ «Ana Luísa Amaral a leste do Paraíso». Consultado em 24 de dezembro de 2024
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
Bibliografia
- Alden, Raymond. The Sonnets of Shakespeare, with Variorum Reading and Commentary. Boston: Houghton-Mifflin, 1916.
- Baldwin, T. W. On the Literary Genetics of Shakspeare's Sonnets. Urbana: University of Illinois Press, 1950.
- Booth, Stephen. Shakespeare's Sonnets. New Haven: Yale University Press, 1977.
- Dowden, Edward. Shakespeare's Sonnets. London, 1881.
- Hubler, Edwin. The Sense of Shakespeare's Sonnets. Princeton: Princeton University Press, 1952.
- Schoenfeldt, Michael (2007). The Sonnets: The Cambridge Companion to Shakespeare’s Poetry. Patrick Cheney, Cambridge University Press, Cambridge.
- Tyler, Thomas (1989). Shakespeare’s Sonnets. London D. Nutt.
- Vendler, Helen (1997). The Art of Shakespeare's Sonnets. Cambridge: Harvard University Press.
Ligações externas
- (em inglês) Análise do soneto