Soneto 110
| Soneto 110 |
|---|
Alas, ’tis true, I have gone here and there |
| –William Shakespeare |
Soneto 110 é um dos 154 Sonetos de Shakespeare, pertencente à série “Fair Youth”, que corresponde aos 126 primeiros sonetos.
Análise
Como os demais sonetos de William Shakespeare, este foi todo construído no ritmo de pentâmetro iâmbico, no formato de soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, e rima em ABAB CDCD EFEF GG
Sinopse
O poeta confessa ter sido infiel à amada, mas afirma que sua infidelidade o revitalizou e fez com que a amada lhe parecesse ainda mais divina.[1]
O poeta confessa seus desvios do caminho do amor verdadeiro, mas afirma que retorna revigorado e com um renovado senso da divindade e da maravilha de seu antigo amor pela jovem. Nada mudou; pelo contrário, seu amor aumentou, e ele espera e confia que será acolhido pela amada.[3]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Motta
Como nas suas outras traduções, ela procurou fazer uma tradução mais literal, mantendo os 14 versos do original, mas sem se ater a ritmo, métrica ou rima.
Ah, é bem verdade, fui a toda parte
E .z de mim um tolo perante todos,
Gorei os pensamentos, vendi barato o mais caro,
Renovei velhas ofensas às minhas afeições.
Certo é que encarei a verdade
De soslaio e a estranhei; mas, por tudo que foi dito,
Esses erros deram novo alento ao meu coração,
E as piores tentativas provaram que és meu amor.
Agora tudo está feito, tenha o que não tiver fim;
Meu apetite nunca mais eu moerei
Para obter novas provas, para testar um velho amigo,
Um deus do amor a quem sirvo.
Então, receba a mim, dando-me o melhor dos céus,
Mesmo para o teu mais puro e adorado coração.[4]
Tradução de José Arantes Júnior
O tradutor, embora mantivesse o formato de soneto inglês e o esquema rímico seguido pelo autor, não o seguiu no quesito métrica e ritmo, preferindo, como o fez com as suas outras traduções do poeta, criar um formato plástico, com todos os versos contendo exatamente 36 caracteres, o que lhe dá um formato retilíneo em suas margens, quando escrito com fonte monoespaçada. Também lhe acrescentou um título.
O malbaratar versus o sublimar
Ai, é verdade, eu andei aqui e acolá,
Fazendo de mim mesmo um extravagante,
Vendendo barato o que de bem caro há
E tornando novos dons em intrigantes;
Mais verídico do que vi como verdade
Vi a vida de viés, mas estes desvios
Deram à minha sensação nova mocidade
E, males, me fizeram vencer desafios;
Tudo termina menos o que não tem fim,
Nunca mais irei aguçar o meu apetite
Com novas provas de concepções ruins
E, no deus do amor, terei meu limite;
Dê-me hoje as boas vindas ao paraíso
E ponha em teu peito puro este aviso.[5][6]
Tradução de Paulo Camelo
A tradução procurou espelhar-se na obra original, mantendo a forma de soneto inglês (3 quartetos e um dístico, em versos decassílabos e pentâmetro iâmbico, acrescentando-lhe o ritmo holístico.
É bem verdade, eu por aí andei,
me transformei em tralhas para o mundo,
o que era precioso atropelei,
revendo ofensas, num furor profundo.
É bem verdade, eu mesmo me encarei,
com estranheza, eu sei, e, além de tudo,
ao próprio coração eu renovei,
provei que és meu amor, que eu sou sortudo.
Agora tu terás o amor sem fim,
não mais saciarei meu apetite
e, pra provar o que te digo, enfim,
me prendo a Eros, talvez Afrodite.
E o paraíso dás-me, o amor perfeito,
o amor mais puro, o amoroso peito.[7]
Tradução de Milton Lins
O tradutor apresentou o soneto em versos dodecassílabos alexandrinos (excetuando o verso 6, fora do ritno), em ritmo misto, predominantemente hexâmetro iâmbico. O esquema rímico seguiu o do autor, como um soneto inglês: ABAB CDCD EFEF GG.
É verdade, ai de mim! Pisei gato e sapato,
Mudei-me do estampado em cores variegadas,
Feri meu pensamento em caro e em barato,
Ofensas velhas fiz ser novas e afetadas.
Porém, crê no que digo, olhei para a verdade
Oblíqua e estranhamente; com todo o meu ardor,
Essas inclinações mudaram minha idade,
Piores decisões te provam meu amor.
Agora, tudo feito, agarra o que restou:
Não mais conseguirei fartar meu apetite,
Tentar um velho amigo, em nova prova, vou,
Um Deus do amor, por quem fugi do meu limite.
Torna o meu céu melhor, me acena com respeito,
Portando o teu tão puro e tão prendado peito.[8]
Referências
- ↑ a b «Shakespeare's Sonnets». Sonnet 110. Folger Shakespeare Library (em inglês). Consultado em 11 de novembro de 2025
- ↑ «Sonnet 110: Alas, 'tis true I have gone here and there» (em inglês). Consultado em 11 de novembro de 2025
- ↑ «Sonnet CX». Shakespeare-s Sonnets (em inglês). Consultado em 11 de novembro de 2025
- ↑ «Soneto 110». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ José Arantes Júnior. «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). Consultado em 8 de novembro de 2025
- ↑ Shakespeare, William . Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução, introdução e notas, José Arantes Júnior. São Paulo: Real Academia de Letras, 2010.
- ↑ Paulo Camelo. «Soneto 110 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 11 de novembro de 2025
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5