Soneto 103
| Soneto 103 |
|---|
Alack, what poverty my muse brings forth, |
| –William Shakespeare |
Soneto 103 é um soneto da série de 154 sonetos de Shakespeare. Ele encerra uma série menor, da qual fazem parte os sonetos 100, 101 e 102, nos quais o poeta fala sobre seu silêncio.
Análise
Como os demais sonetos de William Shakespeare, este foi todo construído no ritmo de pentâmetro iâmbico, no formato de soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, e rima em ABAB CDCD EFEF GG.
Sinopse
O soneto pertence à série de poemas "A Bela Juventude", na qual o narrador do poeta , geralmente considerado o próprio Shakespeare, descreve e fala com um jovem. Este jovem é conhecido como "A Bela Juventude" e nunca foi identificado além dos detalhes fornecidos por Shakespeare.[2]
O soneto explora a frustração do poeta de que seus versos não fazem justiça à amada, que é ainda mais bela do que a descrição do poeta poderia oferecer. O poeta lamenta que a poesia não consegue capturar a verdadeira beleza da pessoa amada, pois ele se sente envergonhado, pois suas palavras são inadequadas comparadas à perfeição que o amante pode ver em seu próprio reflexo.
Nele foi estabelecido o pensamento de que o elogio poético e o embelezamento não podem adicionar nada à verdade e beleza perfeitas. Eles devem ser considerados como prejudiciais. O pensamento aqui apresentado é essencialmente o mesmo. E os versos finais fornecem uma desculpa para o silêncio anterior do poeta.[3]
Traduções
Tradução de Milton Lins
O tradutor apresentou o soneto em dodecassílabo, quase todo em hexâmetro iâmbico, excetuando os versos 1 e 7, quando assim não apresentou, mas mantendo o verso alexandrino. O esquema rímico segue o do autor, como um soneto inglês: ABAB CDCD EFEF GG.
Ai de mim! Que pobreza a minha Musa traz,
Que tenho meios tais para mostrar o orgulho
e o argumento nus, maior façanha faz
Do que quando mantém o meu louvor no entulho.
Ó, não me culpe assim, não mais posso escrever!
Olhe no seu espelho e estude o seu semblante,
Que ultrapassa ademais o meu jeito de ser,
A fim de me alinhar de forma degradante.
Não fosse pecador, devia remendar,
A imagem denegrir do que antes era bom?
Porque, de modo algum, meus versos vou mudar,
Somente exaltarei a sua graça e dom.
E mais, e muito mais do que meu verso diga,
O seu espelho mostra a sua face amiga.[4]
Tradução de Paulo Camelo
O ritmo de pentâmetro iâmbico usado pelo poeta inglês foi mantido na tradução, acrescentando-lhe o ritmo holístico. O esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, característico do soneto inglês, também foi utilizado.
Ah, que pobreza, falta de argumento
esse falar que orgulho quer mostrar,
se, quando falo, é de valor isento
e o argumento, nu, faz realçar!
Mas não me culpe se eu não escrever.
Olhe no espelho e veja ali um rosto
a superar minha invenção, um ser
que anula o que escrevi tão de mau gosto.
Então, sou pecador por me esforçar
mas estragar os versos do poema?
Eles não dizem nada em seu falar
mas têm seus dons e graças como tema.
E muito mais nos versos posso ver
que seu reflexo num espelho ter.[5]
Tradução de José Arantes Junior
Como nos outros sonetos traduzidos nessa obra, o tradutor não seguiu o poeta no ritmo nem na métrica, apresentando-o com um aspecto plástico, com 36 caracteres em cada verso, que lhe mostram a forma, quando utilizada uma fonte monoespaçada. No mais, seguiu o esquema rímico do autor no soneto: ABAB CDCD EFEF GG, e lhe acrescentou um título.
O espelho e o reflexo
Que pena, que pobreza se fez visível,
Mesmo tendo chance de mostrar reação,
De expor um argumento mais plausível
Do que este meu louvor em comparação;
Não me culpes se não escrevo na ação,
Olha num espelho e veja quem aparece,
Que já supera a minha pobre invenção
Que me faz enfadonho e me empalidece;
Não seria um pecado desejar melhorar
Denegrindo um assunto antes perfeito?
Pois os meus versos só fazem abordar
As graças e as dádivas pelo respeito;
E mais do que o meu verso pode dizer,
Quando olhá-lo terminarás por te ver.[6][7]
Tradução de Thereza Christina Motta
Como nas suas outras traduções, ela procurou fazer uma tradução mais literal, mantendo os 14 versos do original, mas sem se ater a ritmo, métrica ou rima.
Ah! Que pobreza traz a minha Musa,
Que de tal modo demonstra seu orgulho,
Mesmo o ínfimo argumento vale mais,
Do que ouvir meus elogios a seu favor.
Ah, não me culpes se eu não mais escrever!
Olha no espelho, e lá verás um rosto
Que em muito supera minha torpe invenção,
Borrando minhas feições, e lançando-me em desgraça.
Não era pecado, então, ao tentar emendar,
Arruinar o ser que antes era são?
Porque meus versos não tendem a mais nada
Do que a bendizer tuas graças e teus dons;
E mais, muito mais, do que em meus versos cabe,
Teu espelho te diz ao te mirares nele.[8]
Referências
- ↑ «Shakespeare's Sonnets». Sonnet 103 (em inglês). Consultado em 27 de outubro de 2025
- ↑ «Sonnet 103 by William Shakespeare» (em inglês). Consultado em 27 de outubro de 2025
- ↑ «Shakespeare's Sonnets» (em inglês). Consultado em 27 de outubro de 2025
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ Paulo Camelo. «Soneto 103 de William Shakespeare». Recanto das Letras. Consultado em 27 de outubro de 2025
- ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.
- ↑ José Arantes Junior. «Sonetos completos de William Shakespeare» (PDF). 103. O ESPELHO E O REFLEXO. Consultado em 27 de outubro de 2025
- ↑ «Soneto 102». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 27 de outubro de 2025