Soneto 137
| Soneto 137 |
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Thou blind fool, Love, what dost thou to mine eyes, |
| –William Shakespeare |
Soneto 137 é um dos 154 Sonetos de Shakespeare. Ele é a continuação da dupla de sonetos "Will" (Soneto 135 e Soneto 136), que tratam da sexualidade do poeta e de sua atração pela Dama Negra. é um soneto que fala sobre a diferença entre o que os olhos veem e o que o coração/mente sabe que é certo.[1]
Estrutura
Como a grande maioria dos sonetos construídos por William Shakespeare, ele se apresenta como um soneto inglês, onde o esquema rímico apresenta uma divisão em 3 quartetos e um dístico. É todo construído em versos decassílabos, em ritmo de pentâmetro iâmbico.
Análise
O poeta aborda o Amor pela Dama Negra, culpando essa força personificada, considerando-o a raiz de todos os seus problemas. Ele acredita que isso permitiu que ele se deixasse levar pelas emoções. A princípio, ele a achou bonita e, agora que sabe que ela é moralmente corrupta, ainda gosta dela. Ele se preocupa com isso e passa algum tempo refletindo sobre o que isso significa para sua capacidade de julgar outras situações.[1]
A ideia dos olhos e do coração do poeta distorcendo o que percebem, neste soneto os olhos são os principais perpetradores, levando o coração atrás de si. Assim, o poeta é dominado pelo "tolo cego, Amor", que é Cupido; ele próprio se torna cego em sua incapacidade de ver a verdade.[2]
Traduções
Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta
A tradutora opta por fazer uma tradução mais literal do soneto, sem se deter nos detalhes técnicos de métrica, ritmo e rima.
Tu, cego e tolo Amor, que fazes aos meus olhos,
Que não veem o que está diante deles?
Eles conhecem a beleza, e sabem onde ela jaz,
Embora o bem nos custe tão caro.
Se os olhos, corrompidos pela parcialidade,
Ancorassem na baía onde todos trafegam,
Por que da falsidade de teus olhos forjaste ganchos,
Para prender a eles o que julga o meu coração?
Por que deve meu coração prever este ardil,
Sabendo ser o lugar-comum deste grande mundo?
Ou meus olhos, ao verem, digam, não é verdade,
Para emprestá-la a uma face tão vil?
No que era certo, erraram meus olhos e meu coração,
E agora a esta falsa praga se entregam.[3]
Tradução de Milton Lins
Como ocorrido nos Sonetos 135 e 136, neste soneto o tradutor apresentou um soneto em versos dodecassílabos alexandrinos. O esquema rímico, no entanto, segue o esquema do soneto inglês, de três quartetos e um dístico.
És tola e cega, Amor, no que me pões à vista,
Como miram e veem os que de fato veem?
Só o belo os olhos veem, descobre-o onde exista,
Se ele for o melhor, pior vais ver que tem.
Se há olhos de paixão, corruptos, simulados,
Fundeados na baía, os homens a cavalo,
Por que de falso olhar são teus anzóis forjados,
Onde houver julgamento e meu peito ligá-lo?
Por que meu coração pensou que alguns lugares
Mantêm a certidão de pertencer ao mundo?
Meus olhos, vendo o mal, reputa-os vulgares
Para pôr a verdade em rosto tão imundo?
Para a verdade ver, erraram meus sentidos,
À falsa praga assim são eles transferidos.[4]
Tradução de José Arantes Junior
Este tradutor seguiu o esquema rímico do autor no soneto como um soneto inglês. Mas não o seguiu no ritmo nem na métrica, preferindo dar-lhe um aspecto plástico, com 36 caracteres em cada verso, que lhe mostram a forma, quando utilizada uma fonte monoespaçada. Como ocorre com os outros por ele traduzidos, foi-lhe posto um título.
A vastidão e a limitação
O que teu amor cego dá à minha visão
Se os olhos veem mas não estão vendo?
Conhecem o belo assim como a relação,
E com o melhor e pior vai aparecendo;
Se os olhos erram pela visão parcial
Ou param na baia onde todos passeiam,
Por que o erro dos olhos é tão igual
E os erros da emoção nos desnorteiam?
Por que o coração sente os canteiros,
Sente a vastidão das terras do mundo?
Se para o meu olhar não é verdadeiro
Conseguir clareza num lugar profundo?
Coração e olhos perderam a coerência
E para o falso pediram transferência.[5]
Tradução de Paulo Camelo
O tradutor optou por seguir o esquema original de soneto inglês, com seu esquema rímico e o ritmo em pentâmetro iâmbico, como na maioria dos sonetos de William Shakespeare, acrescentando-lhe o ritmo holístico para lhe dar mais fluidez.
Ó tolo e cego amor, eu já estou cego
e não contemplo mais o que me apraz,
pois toda a vã beleza - eu sei, não nego -
a mim se mostra feia, e assim se faz.
Se os olhos, corrompidos, parciais,
não veem mais por onde os homens vão,
por que na falsidade mostram mais
do que me julga o pobre coração?
Por que meu coração trama diverso
ao que conhece nesse imenso mundo?
Eu já não vejo, em meu olhar disperso,
a justa face desse amor profundo?
E, se das coisas certas foge a mente,
a falsa praga é o que ela vê, somente.[6]
Referências
- ↑ a b «Sonnet 137 by William Shakespeare» (em inglês). Consultado em 27 de maio de 2025
- ↑ «Shakespeare's Sonnets Summary and Analysis of Sonnet 137» (em inglês). Consultado em 28 de maio de 2025
- ↑ «Soneto 137». Consultado em 27 de maio de 2025
- ↑ SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
- ↑ Shakespeare, William - Sonetos completos de William Shakespeare. Tradução de José Arantes Júnior. - São Paulo: Ed. do Autor, 2007.
- ↑ «Soneto 137 de William Shakespeare». Consultado em 27 de maio de 2025