Soneto 105

Soneto 105

Let not my love be called idolatry,
Nor my belovèd as an idol show,
Since all alike my songs and praises be
To one, of one, still such, and ever so.
Kind is my love today, tomorrow kind,
Still constant in a wondrous excellence;
Therefore my verse, to constancy confined,
One thing expressing, leaves out difference.
“Fair, kind, and true” is all my argument,
“Fair, kind, and true,” varying to other words;
And in this change is my invention spent,
Three themes in one, which wondrous scope affords.
 “Fair,” “kind,” and “true” have often lived alone,
 Which three till now never kept seat in one. [1]

–William Shakespeare

Soneto 105 é um soneto da série de 154 sonetos de Shakespeare. Ele faz parte da série maior dos sonetos, até o 128.

Análise

Como os demais sonetos de William Shakespeare, este foi todo construído no ritmo de pentâmetro iâmbico, no formato de soneto inglês, com 3 quartetos e um dístico, e rima em ABAB CDCD EFEF GG.

Sinopse

Argumentando que sua poesia não é idólatra no sentido de "politeísta", o poeta afirma que celebra apenas uma única pessoa, a amada, como eternamente "bela, bondosa e verdadeira". Contudo, ao localizar essa trindade de características em um único ser, o poeta flerta com a idolatria no sentido de adorar sua amada.[1]

Traduções

Tradução de Emmanuel Santiago

O tradutor manteve a forma de soneto inglês, com seu esquema rímico ABAB CDCD EFEF GG, em formato monostrófico, mas usou o recurso do verso dodecassílabo, embora nem sempre em verso alexandrino, ou em hexâmetro iâmbico.

Não se diga, do amor que tenho, idolatria,
Nem o amado qual ídolo se represente;
Minhas preces, canções, nada disso haveria,
Porém, não fosse ele, ele sempre, ele somente.
Gentil este amor hoje, gentil no futuro,
Imutável na sua excelência sublime,
E meu verso, que tão permanente afiguro,
Uma só coisa diz, todo o resto suprime.
Belo, bom, verdadeiro, eis aqui meu resumo,
Belo, bom, verdadeiro, em palavras sortidas;
Revezando esses três, meu engenho consumo,
Três conceitos em um, de extensões desmedidas.
…….. Belo, bom, verdadeiro, os três eram distantes,
…….. Sem poderem se unir num ser único antes.[2]

Tradução de Diego Rafael

O tradutor manteve, como o poeta, o ritmo de pentâmetro iâmbico em quase todo o soneto, só se afastando no verso 14. Foi apresentado em monostrofe no estilo inglês e rimas ABAB CDCD EFEF GG.

 Não chame o meu amor de Idolatria
Nem de Ídolo realce a quem eu amo,
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo.
É hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável, em grande excelência;
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença.
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo;
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento;
E em tal mudança está tudo o que primo,
Em um, três temas, de amplo movimento.
‘Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora.[3]

Tradução de Milton Lins

O tradutor, como em outras traduções suas, apresentou o soneto em dodecassílabo, quase todo em hexâmetro iâmbico, excetuando-se os versos 4 e 11, mantendo o verso alexandrino. O esquema rímico seguiu o do autor, como um soneto inglês: ABAB CDCD EFEF GG.

Não deixo o meu amor chamar-se idolatria,
Pois que no meu amado um ídolo se sente,
De modo similar, canções e harmonia
Para algum, e com um, e ainda mais, e em frente.

Bondoso cada dia, amor bom amanhã,
Constante, ainda tem maravilhosa crença;
Meu verso tem também um mais constante afã,
Mas algo de expressivo afasta a diferença.

Bom, terno e verdadeiro, um único argumento,
Bom terno e verdadeiro em temas numerosos,
E na sua mudança empenho o meu invento,
São três temas em um – de alcances assombrosos.

Bom, terno e verdadeiro, andou sempre sozinho,
Agora que são três não encontrou caminho.[4]

Como nas suas outras traduções, ela procurou fazer uma tradução mais literal, mantendo os 14 versos do original, mas sem se ater a ritmo, métrica ou rima.

 Não deixes meu amor ser chamado idolatria,
Nem minha amada, de meu ídolo,
Pois todos os meus cantos e versos são apenas
Para ela, sempre sobre ela, e muito mais ainda.
Amável é meu amor, hoje e amanhã,
Sempre constante em maravilhoso espanto;
Portanto, meu verso, preso à constância,
Ao dizer uma coisa, entrevê outra.
Bela, gentil e verdadeira, é tudo o que digo,
Bela, gentil e verdadeira, dito com tantas palavras;
E, nesta alternância, uso a minha mente,
Três em um, que suporta a soberba visão.
Bela, gentil e verdadeira sempre viveram sozinhos,
Pois, juntos, até hoje, jamais existiram em alguém.[5]

Referências

  1. a b «Shakespeare's Sonnets». Sonnet 105 (em inglês). Consultado em 2 de novembro de 2025 
  2. «Cinco sonetos de William Shakespeare traduzidos por Emmanuel Santiago». Consultado em 2 de novembro de 2025 
  3. «A poesia de William Shakespeare». Consultado em 2 de novembro de 2025 
  4. SHAKESPEARE, William - Sonetos de William Shakespeare / tradutor: Milton Lins. Recife: FacForm, 2005. ISBN 978-85-98896-04-5
  5. «Soneto 105». Shakespeare Brasileiro. Consultado em 31 de outubro de 2025