Tetrâmetro iâmbico

Tetrâmetro iâmbico, em um poema é o ritmo composto por 4 iambos em um verso, numa métrica de octossílabo, ou seja, verso com 8 sílabas poéticas.

Os versos octossílabos, já considerados de arte maior,[1] são menos utilizados que os decassílabos e os dodecassílabos, também de arte maior, e bem menos do que as redondilhas, em 7 sílabas, versos de arte menor.[1]

O poeta Glauco Mattoso, a esse respeito, afirmou:

"O parâmetro ideal do octo seria um tetrâmetro jâmbico (NR 2,2,2,2). Na impossibilidade de manter tal padrão, tente-se permanecer no parâmetro do dímetro peônico (NR 4,4)."[2]

Exemplos

Em inglês

Entre os 154 Sonetos de Shakespeare, onde foi usado preferencialmente o pentâmetro iâmbico, o Soneto 145 () fugiu à regra, sendo composto em tetrâmetro iâmbico.

Those lips that Love's own hand did make,
Breathed forth the sound that said 'I hate',
To me that languished for her sake:
But when she saw my woeful state,
Straight in her heart did mercy come,
Chiding that tongue that ever sweet
Was used in giving gentle doom;
And taught it thus anew to greet;
'I hate' she altered with an end,
That followed it as gentle day,
Doth follow night, who like a fiend
From heaven to hell is flown away.
'I hate', from hate away she threw,
And saved my life, saying 'not you'.[3]

Em português

É exemplo de tetrâmetro iâmbico o poema Divagações,[4][5] de Paulo Camelo, construído em ritmo de tetrâmetro iâmbico. A Navegar,[6][7], do mesmo autor, também em octossílabos, apresenta ritmo de dímetro peônico.[2]

Ver também

Referências

  1. a b CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética - Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960.
  2. a b Glauco Mattoso. «7.5 - Versos de oito sílabas» (PDF). O sexo do verso - Machismo e feminismo na regra da poesia. Consultado em 27 de março de 2025 , item 7.5.1
  3. «Sonnet 145» (em inglês). Consultado em 16 de fevereiro de 2025 
  4. «Divagações». Consultado em 16 de fevereiro de 2025 
  5. CAMELO, Paulo (1995). Eu Amante Louco. Recife: Indústrias Gráficas Barreto Ltda. p. 53-54 
  6. «A navegar». Consultado em 16 de fevereiro de 2025 
  7. CAMELO, Paulo (1995). Eu Amante Louco. Recife: Indústrias Gráficas Barreto Ltda. p. 52