Série 9050 da CP

A Série 9050, originalmente denominada de Série ME 50, foi um tipo de automotora, que esteve ao serviço da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.

Descrição e história
Esta série correspondia a cinco automotoras a gasolina, operadas pela Companhia do Vale do Vouga e pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[1] Foram todas construídas aproveitando as estruturas de camiões das marcas Chevrolet e Panhard,[1] adquiridos alguns anos antes, e que tinham sido retirados da circulação rodoviária por terem dimensões superiores às fixadas pelo Código da Estrada.[2] Ostentaram pelo menos dois esquemas de cores, um em vermelho e branco, e outro mais tardio, em tons azuis.[1] A ME 53 possui um motor Chevrolet do tipo D.C.M.118.216, de 6 cilindros e 90 cavalos de potência,[1] e a ME 51 contava com um motor Panhard-Levassor de 4 cilindros e 23 cavalos.[2] Esta última possuía dez lugares de primeira classe, e vinte de terceira classe, dos quais quinze são sentados e cinco de pé.[1] Além destes, também dispôe de cinco lugares na cabina.[1]
Sobreviveram apenas duas unidades, as ME 51 e 53, ambas preservadas no Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga.[1]
Segundo a Gazeta dos Caminhos de Ferro, a conversão do veículo rodoviário na primeira automotora incluiu o estreitamento do chassis e no comprimento dos semi-eixos, e a substituição das rodas motoras por outras com aros em aço, e das frontais por um bogie de pequenas dimensões, construído de raiz.[2] Os travões consistiam em oito cepos de ferro, quatro nas rodas do bogie e outras quatro nas motoras, dispostos num sistema de grade, semelhante aos utilizados nos outros veículos ferroviários, sendo «comandados dupla e indeferentemente por alavanca directa ou por sem-fim accionados manualmente pelo motorista».[2] Manteve-se o motor, as transmissões, embraiagem, cardã, diferencial e a caixa de velocidades, embora tenha sido suprimida a primeira velocidade, por ser considerada desnecessária.[2] As madeiras no interior foram todas de origem nacional, tendo sido usada madeira de lamigueiro, eucalipto e nogueira, além de uma placa de cortiça.[2]
As automotoras desta série foram construídas entre 1940 e 1947 nas oficinas de Sernada do Vouga, sendo então conhecidas como auto-rails.[1] Foram introduzidas como forma de desenvolver o transporte de passageiros na rede ferroviária do Vouga.[3] A ME 51 fez uma viagem experimental de Espinho a Viseu, com paragem em Vouzela para almoço, tendo o percurso no sentido contrário terminado em Estação Ferroviária de Aveiro.[2] O tipo de automotora correspondente aos novos veículos da Linha do Vouga foi aprovado pelo governo através de um diploma publicado no Diário do Governo n.º 61, Série II, de 15 de Março.[4]
Os seus serviços originais, de acordo com a Companhia do Vouga, sido comboios tri-semanais entre Viseu e Espinho, permitindo reduzir consideravelmente o tempo de percurso em relação às composições tradicionais, de 5 para menos de 3 horas e meia.[2] Tiveram um grande sucesso, tendo sido bem aceites pelos passageiros, sendo então consideradas bastante rápidas e cómodas.[3] Deixaram de circular na década de 1980.[3]
Ficha técnica

Informações diversas
Serviços: Regional
Ano de Entrada ao Serviço: 1941 - 1947
Bitola de Via: 1000 mm
Número de cabinas de condução: 1
Comando em unidades múltiplas: A Série não permite a formação de unidades múltiplas
Comprimento: 8,72 metros
Altura: 2,88 metros
Largura: 2,30 metros
Número de unidades construídas: 5
Lotação (passageiros): 10 lugares de 1.ª classe + 20 de 3.ª classe (15 sentados e 5 de pé) + 5 lugares na cabina
Motor de tracção
Fabricante: Chevrolet e Panhard
Velocidade Máxima: 89 km/h
Tipo e número de motores: 1 motor Chevrolet D.C.M. 118 216
Potência (rodas): 90 Cv
Transmissão
Tipo: Cardan de 4 velocidades + marcha à ré
Lista de material
| : | qt. | estado |
|---|---|---|
☒︎ | 2 | musealizadas, estáticas |
⛛︎ | 3 | abatidas |
| 5 | (total) | |
| № | : | a | observações |
|---|---|---|---|
| 9051 | ☒︎ |
Preservada no Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga, não apta a circular.[carece de fontes] | |
| 9052 | ⛛︎ |
Abatida ao serviço.[carece de fontes] | |
| 9053 | ☒︎ |
Preservada no Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga, não apta a circular.[carece de fontes] | |
| 9054 | ⛛︎ |
Abatida ao serviço.[carece de fontes] | |
| 9055 | ⛛︎ |
Abatida ao serviço.[carece de fontes] |
Referências
- ↑ a b c d e f g h «Automotora: ME 51 / 6019051». Museu Nacional Ferroviário. Consultado em 12 de Dezembro de 2025
- ↑ a b c d e f g h «Circulou pela primeira vez em Portugal o «auto-rail», que deu excelentes resultados» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 52 (1271). Lisboa. 1 de Dezembro de 1940. p. 785-788. Consultado em 13 de Dezembro de 2025 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa
- ↑ a b c NUNES, Rui; FERREIRA, Leandro; LAVRADOR, Filipe (23 de Outubro de 2008). «Automotoras». Transportes XXI. Consultado em 12 de Dezembro de 2025
- ↑ «Parte Oficial». Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 53 (1280). Lisboa. 16 de Abril de 1941. p. 223. Consultado em 14 de Dezembro de 2025 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa
Ver também
Ligações externas
Material motor ferroviário em Portugal | |||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Tipologia ↓ | diesel / gasolina / gasogénio | vapor: carvão / óleo |
elétrica: IP: 25 kV / 50 kHz ou (*) 1500 V; outras redes q.v. |
← Tracção | |||||||||
| Estado → | em serviço | fora de serviço (ou uso ocasional) | em serviço | previsto | Bitola ↓ | ||||||||
| Rede IP (Notas: A itálico, séries com uso partilhado entre a C.P. e outras empresas, simult. ou não; a itálico sublinhado, séries usadas exclusivamente por outra empresa.) | |||||||||||||
| automotoras | “592” | remodelados | M1 0050 0100 0500 0750 0600 0650 | 1001 Z1 | 2000 2050 2080 ABm1-18→ |
remodelados | 2300 2400 3400 3500 4000 | 2700 | 1668 mm (ibérica) | ||||
| VIP⎱ 0350⎰ 0450← |
←0300 ←0400 |
2100⎫ 2150⎬ 2200⎭ ⎰*3100→ ⎱*3200→ |
→2240 →3150* →3250* | ||||||||||
| 9630 | 9500← |
←9700─╮ 9400←╯ |
ME1 ME21 9050 9100 9300 9600 | (Vale do Lima) | (não existe atualmente tração elétrica na rede ferroviária métrica da IP) | 1000 mm (métrica) | |||||||
| locomotivas | 9000 9020 Lydya |
|
|||||||||||
| 1200 1400 1500 1520 1900 1930 6000 | 1300 1320 1550 1800 1960 |
|
2500 2550 3300* | 2600 2620 4700 5600 | 1668 mm (ibérica) | ||||||||
| locotratoras | 1150 | 1000 1020 1050 1100 | 005 | ||||||||||
| Redes locais (excl. sistemas de frota fixa específica, como funiculares e teleféricos) | |||||||||||||
| bondes |
|
STCP200 STCP270 STCP280 | 1435 mm (padrão) | ||||||||||
| automotoras | ML7 ML79 | ML90 ML95 ML97 ML99 | ML20 ML24 | ||||||||||
| LRVs, articulados | MP000 MP100 MP200 C000 | ||||||||||||
| CCFL501 CCFL601 | 900 mm | ||||||||||||
| bondes | TUB1 |
|
CCFL001 CCFL003 CCFL005 CCFL541 CCFL701 CCFL737 | ||||||||||
| (PdV-VdC) | (CCFTNA) (CFPLER) | SMTUC01 SMTUC03 SMTUC16 | (CSA) | 1000 mm (métrica) | |||||||||
| locomotivas | CSA 23074 | (Pomarão) | |||||||||||
| (Transpraia) (P.d’El-Rei) | (Mira) (CFPL) | 600 mm | |||||||||||
| (JAPH) N0(JAPPD) | 2140 mm | ||||||||||||
| Estado → | em serviço | fora de serviço | em serviço | previsto | Bitola ↑ | ||||||||
| Tipologia ↑ | diesel / gasolina / gasogénio | vapor: carvão / óleo |
elétrica | ← Tracção | |||||||||
| Ver também: Linhas • Serviços • Empresas • Multimédia • Acidentes | |||||||||||||