Financiamento climático nos Países Baixos
| Parte da série sobre |
| Financiamento climático |
|---|
![]() |
O financiamento climático nos Países Baixos representa uma complexa interação entre a necessidade existencial, a ambição política e a realidade econômica. A geografia única do país, com aproximadamente 60% de sua superfície vulnerável a inundações e 26% situada abaixo do nível do mar, transforma a ação climática, especialmente a adaptação, em uma questão de sobrevivência nacional.[1]
Essa vulnerabilidade histórica moldou uma cultura de planejamento e investimento de longo prazo em resiliência, que hoje serve de alicerce para uma das agendas de financiamento climático mais robustas do mundo. Os objetivos neerlandeses são ambiciosos, alinhados com a Lei do Clima Europeia, e visam a neutralidade climática até 2050, com metas intermediárias de uma redução de 55% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2030 em relação aos níveis de 1990 e um setor elétrico livre de dióxido de carbono (CO2) até 2035.[2]
Contudo, essa ambição colide com desafios significativos, como a alta intensidade de emissões em setores vitais como a agricultura e a indústria, a contínua dependência de combustíveis fósseis importados para sua economia aberta e os crescentes gargalos na infraestrutura energética, que lutam para acompanhar a rápida expansão das energias renováveis.[2] Para enfrentar essa tensão, os Países Baixos desenvolveram uma estratégia de financiamento multifacetada que combina fundos públicos substanciais, como o Fundo Delta para adaptação e o Fundo de Clima e Transição para a mitigação, com um setor privado altamente mobilizado.[3]
O mercado de capitais neerlandês é líder europeu na emissão de títulos verdes e seus gigantescos fundos de pensão estão cada vez mais direcionando capital para soluções climáticas.[4] Adicionalmente, o país mantém um forte compromisso com a cooperação internacional, exportando sua expertise em gestão hídrica e financiando projetos em nações em desenvolvimento.[5] Um elemento distintivo do cenário neerlandês é o papel influente do litígio climático, com casos como o da Fundação Urgenda, que estabeleceu precedentes legais forçando o governo a intensificar suas ações e a alinhar suas políticas de financiamento com suas responsabilidades climáticas.[6]
Contexto neerlandês
Contexto climático e vulnerabilidades
Projeções do Instituto Real Meteorológico dos Países Baixos (KNMI) alertam para uma elevação potencial entre 54 e 121 centímetros até 2100 no pior cenário de emissões, uma perspectiva alarmante para uma nação onde 60% da área terrestre é vulnerável a inundações e 26% já se encontra abaixo do nível do mar.[1] Simultaneamente, espera-se que episódios de chuvas torrenciais se tornem mais frequentes, aumentando o risco de inundações fluviais. Esses fenômenos não afetam apenas a população e a infraestrutura, mas também os ecossistemas. O aumento de 1 °C na temperatura média no último século já está provocando a migração de espécies, a disrupção de cadeias alimentares e a ameaça de extinção para a fauna e flora locais, o que provavelmente resultará em uma perda líquida de biodiversidade.[10]


Os impactos econômicos decorrentes dessas vulnerabilidades são igualmente severos. Historicamente, os Países Baixos estão entre os países da União Europeia com a maior proporção de perdas econômicas seguradas, o que indica não apenas uma alta exposição a riscos, mas também uma elevada conscientização e preparação do setor financeiro.14 Setores-chave da economia enfrentam futuros incertos. A agricultura, um pilar da exportação neerlandesa, está exposta a danos por excesso de chuvas, secas prolongadas e o surgimento de novas pragas, embora uma estação de crescimento mais longa possa oferecer alguns benefícios limitados. O setor de turismo pode se beneficiar de verões mais quentes e longos, mas enfrenta a deterioração da qualidade da água para recreação e a quase extinção do turismo de inverno.[11]
A infraestrutura crítica do país também está em risco. A navegação interior, vital para o comércio, pode ser restringida por níveis de água baixos nos rios, a produção de eletricidade pode ser comprometida por problemas de resfriamento em usinas, e a subsidência do solo, especialmente em áreas de turfa, ameaça a estabilidade de estradas e edifícios.[11] A combinação de elevação do nível do mar e subsidência do solo agrava a intrusão salina, que contamina fontes de água doce e prejudica a agricultura. Essa interconexão de riscos demonstra que as ameaças climáticas não são isoladas, mas sim um risco composto que exige uma resposta de financiamento sistêmica e integrada. Para gerenciar essa realidade, o governo já planeja melhorias em cerca de 1.500 quilômetros de diques e em mais de 400 estruturas de engenharia até 2050, um esforço monumental para manter o padrão de segurança que limita a probabilidade de mortalidade por inundação a, no máximo, 1 em 100 mil por ano.[1]
Marcos legais e institucionais
A arquitetura de governança que sustenta o financiamento e a política climática nos Países Baixos é robusta e multifacetada, caracterizada por uma interação dinâmica entre legislação vinculativa, acordos setoriais e instituições especializadas que garantem um ciclo contínuo de planejamento, implementação, monitoramento e fiscalização. A espinha dorsal legislativa é composta por três atos principais. A Lei do Clima (Klimaatwet), adotada em 2019 e significativamente atualizada em 2023 para se alinhar com a Lei do Clima Europeia, estabelece as metas juridicamente vinculativas que guiam toda a ação climática nacional.[2] Essas metas incluem uma redução de 55% nas emissões de GEE até 2030 em relação a 1990, a neutralidade climática até 2050 e a transição para um setor de eletricidade totalmente livre de CO2 até 2035.[2] Para traduzir essas metas em ações concretas, o Acordo Climático Nacional (Klimaatakkoord) de 2019 formalizou um pacto entre o governo, a indústria e a sociedade civil.6 Originalmente visando uma redução de 49%, o acordo foi fortalecido para alinhar-se com a meta de 55% e detalha as medidas a serem tomadas em cinco setores-chave: eletricidade, indústria, ambiente construído, mobilidade e agricultura.[12] Um de seus instrumentos mais notáveis foi a introdução de um imposto nacional sobre o carbono para a indústria, complementar ao sistema europeu.[12] Por fim, a Lei Delta (Delta Act) fornece a base legal para o monumental Programa Delta, estabelecendo o Fundo Delta como o veículo de financiamento dedicado para medidas de proteção contra inundações e gestão de água doce.[3]
Essa estrutura legal é operacionalizada através de vários instrumentos de planejamento e relatório. A Lei do Clima exige a elaboração de um Plano Climático (Klimaatplan) decenal, atualizado a cada cinco anos, que delineia as políticas e medidas específicas.3 O mais recente, o Plano Climático 2025-2035, foi apresentado em março de 2025.19 Anualmente, o governo deve apresentar ao parlamento um Memorando Climático (Klimaatnota), que presta contas do progresso em relação às metas.3 Esses planos nacionais são alinhados com os Planos Nacionais de Energia e Clima (NECPs), que são submetidos à União Europeia.[2]
A governança é exercida por um conjunto de órgãos e instituições especializadas. O Ministério de Assuntos Econômicos e Política Climática (EZK) detém a responsabilidade geral pela política climática e pela coordenação das medidas.20 No entanto, a sua ação é constantemente avaliada pela Agência de Avaliação Ambiental dos Países Baixos (PBL - Planbureau voor de Leefomgeving), um instituto de pesquisa autônomo que atua como um avaliador científico independente.[13] A PBL é responsável por publicar o relatório anual Perspectivas de Clima e Energia (KEV), que projeta o progresso do país em direção às suas metas e pode publicamente constranger o governo se houver desvios.[14] No campo da adaptação, o Comissário do Programa Delta supervisiona a implementação das políticas de água, garantindo a colaboração entre todos os níveis de governo e o setor privado.[1] O Tribunal de Contas dos Países Baixos (Algemene Rekenkamer) audita a eficácia e a eficiência dos gastos públicos, incluindo os fundos climáticos.[15] Essa arquitetura cria um sistema de freios e contrapesos, onde o poder executivo é fiscalizado por avaliadores científicos, auditores financeiros e, como visto no caso Urgenda, pelo poder judiciário, garantindo um ciclo de responsabilidade e pressão contínua pela ação climática.[6]
Fluxos de financiamento
Público
No centro do financiamento para adaptação está o Fundo Delta (Deltafonds), o principal instrumento financeiro do Programa Delta.5 Com um orçamento médio anual de 1,25 bilhão de euros até 2032, este fundo financia projetos de infraestrutura em larga escala, como o reforço de diques, a construção de barreiras contra tempestades e a gestão de recursos de água doce.[3] Embora robusto, projeções indicam que o fundo pode enfrentar um déficit, com necessidades estimadas de 30,8 bilhões de euros até 2050 contra uma disponibilidade projetada de 27,4 bilhões de europs, destacando a escala contínua do desafio da adaptação.[16] Para a mitigação, o governo estabeleceu um Fundo de Clima e Transição de 35 bilhões de euros para um período de 10 anos, a partir de 2023, para apoiar um pacote adicional de medidas climáticas.[12] Além disso, para lidar com a controversa questão do nitrogênio, foi criado um Fundo de Nitrogênio de 24 bilhões de euros para promover a agricultura sustentável e financiar a reestruturação do setor.[17]
Os programas de subsídio são cruciais para estimular o investimento privado. O principal deles é o SDE++ (Stimulering Duurzame Energieproductie en Klimaattransitie), um esquema de feed-in premium que compensa os produtores pela diferença entre o custo de geração de energia limpa (eólica, solar, geotérmica) e outras tecnologias de redução de CO2, e o preço de mercado da energia.[18] Este programa, com orçamentos anuais de bilhões de euros, tem sido fundamental para a expansão das energias renováveis.[19] Para projetos de menor escala, o subsídio ISDE (Investeringssubsidie duurzame energie en energiebesparing) oferece apoio financeiro a empresas e residências para a instalação de bombas de calor, painéis solares e outras medidas de eficiência energética, com um orçamento de 550 milhões de euros para 2025.31 Setores emergentes também recebem apoio direcionado, como o esquema OWE para hidrogênio verde, que teve um orçamento de quase 1 bilhão de euros em 2023.[20]
No lado dos incentivos fiscais, o instrumento mais significativo é o Imposto Nacional sobre o Carbono Industrial. Introduzido em 2021, ele aplica uma taxa sobre as emissões de CO2 da indústria que excedem um limiar decrescente, complementando o Sistema de Comércio de Emissões da UE (EU ETS).[2] A taxa começou em 30 euros por tonelada de CO2 em 2021 e está programada para aumentar para 125 euros por tonelada em 2030, criando um forte incentivo para a descarbonização industrial.[12] Outros esquemas fiscais, como o MIA e Vamil e o Energy Investment Allowance (EIA), oferecem deduções de investimento para empresas que adotam tecnologias ambientalmente amigáveis e eficientes em termos energéticos.[21] Finalmente, os Países Baixos também alavancam o financiamento da UE, com seu Plano Nacional de Recuperação e Resiliência (NRRP) alocando 54,9% de seus 5,44 bilhões de euros para a ação climática, superando a meta de 37% da UE.[2]
Privado
Um dos exemplos mais claros da liderança do setor privado é o mercado de títulos verdes. Os Países Baixos são líderes na área do euro, com 6,0% de sua dívida total sendo classificada como verde no final de 2023.[4] O mercado total de títulos verdes no país atingiu a impressionante marca de 122,9 bilhões de euros em julho de 2023, dobrando de tamanho em apenas três anos.[4] O próprio Estado holandês desempenhou um papel catalisador, tornando-se o primeiro soberano com rating AAA a emitir um título verde em 2019.[22] Essa emissão soberana não apenas levantou capital para projetos de energia renovável e adaptação, mas também criou um benchmark de mercado, fornecendo liquidez e confiança para que emissores corporativos seguissem o exemplo. Em 2024, o volume de títulos verdes soberanos em circulação já era de quase 25 bilhões de euros.[23]
Os fundos de pensão e investidores institucionais são os gigantes do financiamento privado. Gerenciando ativos que valem o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) do país, seu poder de investimento é imenso.[24] O ABP, um dos maiores fundos de pensão do mundo com €500 bilhões em ativos, exemplifica essa força ao anunciar um plano para investir 10 bilhões de euros em soluções climáticas e 1 bilhão de euros em biodiversidade.[25] Esse movimento é parte de uma tendência mais ampla: cerca de 50 das maiores instituições financeiras do país, incluindo bancos, seguradoras e fundos de pensão, assinaram um compromisso climático para alinhar seus portfólios com o Acordo de Paris e relatar seu impacto.[26] Essa auto-regulação é reforçada pela supervisão do De Nederlandsche Bank (DNB), o banco central, que monitora ativamente a pegada de carbono dos investimentos do setor.[27]
O investimento baseado em critérios Ambientais, Sociais e de Governança (ESG) tornou-se padrão. Praticamente todos os fundos de pensão holandeses incorporam fatores ESG em suas políticas de investimento, com uma urgência particular na questão climática.39 No entanto, a pressão para ir além das políticas voluntárias está aumentando. O caso de litígio climático movido pela Milieudefensie (Amigos da Terra Holanda) contra o ING, o maior banco do país, é um marco.[28] A ação judicial, iniciada formalmente em março de 2025, alega que o financiamento contínuo do banco a indústrias de combustíveis fósseis viola seu "dever de cuidado" sob a lei holandesa, buscando forçar o banco a alinhar suas atividades com a meta de 1,5 °C.[29] Este caso ilustra como o risco legal e reputacional está se tornando um motor tão poderoso quanto o retorno financeiro nas decisões de investimento. Para preencher as lacunas onde o mercado tradicional ainda hesita, a Invest-NL, agência nacional de financiamento e desenvolvimento, atua como um investidor de impacto, usando capital público para alavancar fundos privados para projetos inovadores e de alto risco, essenciais para a transição. Em 2023, a Invest-NL comprometeu 288 milhões de euros, que ajudaram a mobilizar um total de 2,7 bilhões de euros em capital privado, demonstrando a simbiose eficaz entre os setores público e privado.[30]
Internacional
Em termos de compromissos financeiros, o país se comprometeu a contribuir com sua "quota-parte justa" para o objetivo global de financiamento climático, estimada em 1,25 bilhão de euros por ano a partir de 2020. Este objetivo foi rapidamente alcançado, com o país mobilizando 581 milhões de euros em financiamento público e 752 milhões de euros em financiamento privado já em 2019.[31] Em 2023, os Países Baixos comprometeram 2,6 bilhões de dólares de sua Ajuda Oficial ao Desenvolvimento (ODA) para projetos com objetivos climáticos, posicionando-se como o sexto maior doador do Comitê de Ajuda ao Desenvolvimento (DAC) da OCDE em termos absolutos.[5] Notavelmente, 57% de toda a sua ODA bilateral apoia a ação climática.[32] Além do apoio bilateral, o país é um contribuinte ativo para fundos multilaterais, com um compromisso recente de 152 milhões de dólares para o Fundo Verde para o Clima (GCF) para o período de 2024-2027.[5]
A estratégia de financiamento internacional neerlandesa é claramente focada na adaptação e no apoio aos países de baixa renda, os mais vulneráveis aos impactos climáticos.9 Em 2019, 69% do financiamento climático público foi destinado à adaptação e 60% foi direcionado para países de baixa renda, um reflexo direto das prioridades políticas do país. Os setores de gestão da água e agricultura recebem atenção especial, áreas onde os Países Baixos possuem conhecimento e tecnologia de ponta.[31]
Um mecanismo central para essa cooperação é o Dutch Fund for Climate and Development (DFCD). Com um capital inicial de 160 milhões de euros do Ministério das Relações Exteriores, o fundo visa alavancar o investimento do setor privado em projetos de adaptação e mitigação em países em desenvolvimento.47 O DFCD é gerenciado por um consórcio inovador liderado pelo banco de desenvolvimento FMO, em parceria com a Climate Fund Managers (CFM), o World Wide Fund for Nature Netherlands (WWF-NL) e a SNV Netherlands Development Organisation. O fundo concentra-se em temas de alto impacto, como sistemas hídricos resilientes, agricultura climaticamente inteligente e restauração de ecossistemas.[33]
No entanto, essa abordagem revela uma tensão inerente. Avaliações independentes, como a realizada pelo IOB (Policy and Operations Evaluation Department), apontam que, enquanto o financiamento público (ODA) é bem-sucedido em focar na adaptação e nos países mais pobres, o financiamento privado que ele mobiliza tende a fluir para projetos de mitigação (como energia renovável) em países de renda média, onde os retornos financeiros são mais claros e os riscos são menores.[31] Isso cria um desafio estratégico para o governo: como maximizar o volume total de financiamento climático mobilizado sem diluir o foco nos mais vulneráveis, que necessitam urgentemente de apoio para adaptação. A diplomacia climática ativa, através da participação em grupos como o Champions Group on Adaptation Finance e a co-presidência da Coalizão de Ministros das Finanças para a Ação Climática (CMFCA), é uma ferramenta que os Países Baixos utilizam para navegar nessas complexidades e promover sua agenda no cenário internacional.[5]
Principais setores beneficiados


O financiamento climático, tanto público quanto privado, está sendo canalizado para setores estratégicos da economia neerlandesa, catalisando uma transformação profunda que vai além da simples substituição de tecnologias. A alocação desses recursos reflete as metas do Acordo Climático Nacional e aborda as vulnerabilidades específicas do país. O setor de energia renovável e transição energética é, sem dúvida, o maior beneficiário. Com a meta de que 70% da eletricidade seja de fontes renováveis até 2030, os investimentos são massivos.[12]
A energia eólica offshore é o carro-chefe, com uma ambição de expandir a capacidade instalada de 3 GW em 2022 para 21 GW até 2032, e um objetivo de longo prazo de 70 GW até 2050.[2] A energia solar também viu um crescimento exponencial, posicionando os Países Baixos como o país com a maior capacidade solar fotovoltaica per capita da Europa.[18] O financiamento também está impulsionando a nascente economia do hidrogênio verde, com um programa nacional lançado em 2022 que visa 8 GW de capacidade de eletrólise até 2032.[2] No entanto, o sucesso avassalador na geração de energia renovável criou um desafio consequente: a sobrecarga da rede elétrica. Isso tornou a infraestrutura de rede um novo e crucial setor beneficiado, com planos de investimento de 8 bilhões de euros anuais para aliviar os gargalos e permitir a eletrificação contínua da economia.[2]
A adaptação às mudanças climáticas e a resiliência constituem outro pilar central de investimento, uma necessidade ditada pela geografia. O Programa Delta, financiado pelo Fundo Delta, é o principal veículo para esses investimentos, direcionando bilhões para a manutenção e modernização da vasta rede de diques, barreiras contra tempestades, e sistemas de gestão de água doce do país.[3]
A mobilidade sustentável é outro foco importante. Com o objetivo de alcançar um tráfego com zero emissões até 2050, o financiamento tem sido direcionado para incentivar a adoção de veículos elétricos, visando 1,5 milhão de unidades nas estradas até 2030.6 Além dos veículos de passageiros, a estratégia inclui a criação de zonas de logística de emissão zero em dezenas de grandes cidades até 2025.[34]
O ambiente construído está passando por uma transformação radical, com a meta de desvincular 7 milhões de residências e 1 milhão de outros edifícios do gás natural até 2050.[12] Subsídios como o ISDE e o SVOH (Subsidy for Sustainability and Maintenance of Rental Homes) apoiam financeiramente proprietários e locadores na transição para bombas de calor e na melhoria do isolamento térmico, criando um vasto mercado para a renovação de edifícios.[21] Finalmente, o setor de agricultura e segurança alimentar, embora uma fonte de controvérsia, também é um beneficiário de financiamento direcionado. Com a tarefa de reduzir suas emissões em 6 megatoneladas até 2030, o setor recebe fundos para inovação, práticas agrícolas sustentáveis e para gerenciar a complexa crise do nitrogênio.[17]
Impactos e resultados
Em termos de redução de emissões, os dados mostram um sucesso notável. Em 2023, as emissões totais de GEE do país caíram 6,8% em relação a 2022, uma redução impulsionada principalmente pelo menor uso de carvão e gás natural na geração de eletricidade.[35] O total de emissões em 2023 foi de 146,4 megatoneladas (Mton) de equivalente de CO2, o que representa uma redução de 35,6% em relação ao ano base de 1990.[35] Esse resultado significa que os Países Baixos cumpriram com folga a meta estabelecida pela decisão judicial do caso Urgenda, que exigia uma redução mínima de 25% até 2020.[6] Entre 2005 e 2023, a redução líquida de emissões do país foi de 32,3%, um desempenho superior à média da União Europeia de 30,5% no mesmo período.[36]
O crescimento das energias renováveis é igualmente impressionante. A participação de fontes renováveis no consumo total de energia atingiu 17% em 2023 e subiu para 19,8% em 2024.[35] Um marco significativo foi alcançado em 2024, quando metade de toda a eletricidade consumida no país veio de fontes renováveis, um testemunho do sucesso dos investimentos em energia eólica e solar.[37]
No entanto, a avaliação da eficácia do financiamento revela desafios complexos. O sucesso passado, em parte impulsionado por fatores como a substituição do carvão por gás e os altos preços da energia que reduziram o consumo, mascara a dificuldade crescente de descarbonizar setores mais recalcitrantes como a agricultura e a indústria pesada.[35] A Agência de Avaliação Ambiental (PBL) projeta que, com as políticas atuais, a meta de redução de 55% para 2030 é "extremamente improvável" de ser alcançada.[38]
Avaliações de programas específicos, como a do Dutch Fund for Climate and Development (DFCD), mostram que, embora os projetos sejam relevantes, é cedo para medir resultados concretos em termos de redução de GEE, e a coerência entre os parceiros do programa precisa ser melhorada.[39] Da mesma forma, a avaliação do financiamento para o desenvolvimento pelo IOB apontou para desafios na transparência dos dados e no cumprimento de metas sociais, como a igualdade de gênero.[31] Além disso, a eficácia do financiamento é cada vez mais limitada por fatores não financeiros. A incerteza política tem um efeito inibidor sobre o investimento privado, independentemente dos subsídios disponíveis, e os gargalos na infraestrutura de rede, uma consequência direta do rápido sucesso das renováveis, agora representam um obstáculo significativo para a eletrificação futura.[2]
Críticas e controvérsias
Apesar de sua reputação como líder climático, a abordagem dos Países Baixos ao financiamento e à política climática não está isenta de críticas e controvérsias profundas. Esses debates refletem as tensões inerentes entre ambição, viabilidade econômica, justiça social e estabilidade política. A crítica mais contundente e recorrente vem da Agência de Avaliação Ambiental (PBL), que consistentemente alerta para a lacuna entre as metas e as projeções. Em seu relatório de 2024 (KEV 2024), a PBL afirmou que é "extremamente improvável" que os Países Baixos atinjam sua meta legalmente vinculativa de redução de 55% das emissões até 2030 com as políticas atuais.[38]
.png)
A controvérsia mais explosiva e politicamente paralisante tem sido a crise do nitrogênio. As emissões de nitrogênio, provenientes em grande parte da agricultura intensiva, não apenas contribuem para os GEE (como óxido nitroso e metano), mas também danificam ecossistemas sensíveis. Em 2019, o mais alto tribunal administrativo neerlandês determinou que a política de nitrogênio do governo violava as leis de proteção da natureza da UE, levando a uma paralisação na emissão de licenças para projetos de construção, infraestrutura e expansão agrícola.A crise desencadeou protestos massivos de agricultores e expôs um conflito fundamental entre os objetivos ambientais e os interesses de um dos setores de exportação mais poderosos do país.[17]
O litígio climático emergiu como uma ferramenta poderosa para a sociedade civil, transformando o judiciário em um guardião climático de último recurso. O caso da Fundação Urgenda foi um divisor de águas global quando, em 2019, a Suprema Corte ordenou que o Estado holandês intensificasse suas metas de redução de emissões com base em seu "dever de cuidado" para proteger os direitos humanos de seus cidadãos.[6] Seguindo esse precedente, a organização Milieudefensie (Amigos da Terra Holanda) está agora processando o banco ING, argumentando que seu financiamento contínuo de combustíveis fósseis também viola esse dever de cuidado e exigindo que o banco reduza pela metade suas emissões financiadas até 2030.[29]
A instabilidade política e a ascensão de partidos de direita céticos em relação ao clima adicionam uma camada de incerteza.28 O acordo de coalizão do governo formado em 2024, por exemplo, sinalizou um enfraquecimento de várias medidas climáticas, como a eliminação de subsídios para veículos elétricos e a flexibilização das regras para o setor agrícola, tornando o cumprimento das metas de 2030 ainda mais desafiador.[40] Essa incerteza política tem um efeito inibidor direto sobre o investimento privado de longo prazo.[41] Por fim, questões de justiça e distribuição de custos também geram críticas. O esquema de subsídio SDE+, por exemplo, foi criticado por ser financiado por uma sobretaxa na conta de energia (ODE) que impactava desproporcionalmente as famílias de baixa renda.[19] Da mesma forma, o Fundo Monetário Internacional (FMI) observou que os choques nos preços da energia em 2022 impuseram um fardo particularmente pesado sobre as famílias holandesas devido à sua alta dependência do gás natural para aquecimento.[42]
Perspectivas futuras
O Plano Climático 2025-2035, apresentado em março de 2025, servirá como o roteiro para a próxima década.[43] No entanto, ele já nasce com o desafio de incorporar "políticas adicionais com efeito rápido", conforme recomendado pela PBL, para fechar a lacuna projetada em relação à meta de 2030.[44] A discussão sobre uma meta climática para 2040 reflete essa nova fase. Enquanto a Comissão Europeia propôs uma redução de 90% para a UE, o governo holandês, embora considere este um "passo lógico", optou por não estabelecer uma meta nacional provisória na lei, preferindo aguardar uma decisão a nível europeu.[43] A análise da PBL sugere que uma meta de 90% ou mais seria justa para os Países Baixos com base em princípios de responsabilidade histórica e capacidade, mas reconhece que seria extremamente desafiadora de alcançar apenas com reduções domésticas. Isso abre a porta para o uso de mecanismos de cooperação internacional, como o Artigo 6 do Acordo de Paris, para financiar reduções de emissões no exterior como forma de cumprir uma meta ambiciosa.[45]
Para alcançar a descarbonização profunda, os Países Baixos estão reconsiderando tecnologias anteriormente descartadas. A decisão de eliminar a energia nuclear foi revertida, e agora há planos para construir quatro novas grandes usinas nucleares, que são vistas como essenciais para garantir um fornecimento de energia livre de carbono, estável e de base até 2035.[2] Além disso, a transição para uma economia circular ganhará mais destaque, com planos para desenvolver um padrão de plástico circular, uma possível taxa sobre plásticos e fortalecer a Responsabilidade Estendida do Produtor.[43]
O maior desafio futuro é a aceleração da implementação. A PBL estima que são necessárias reduções adicionais de 16 a 24 megatoneladas de GEE para que a meta de 2030 seja alcançada, uma tarefa monumental que exige ação imediata.[44] Essa aceleração é dificultada pela instabilidade política, que continua a ser um obstáculo significativo ao investimento de longo prazo.[41] A superação dos gargalos de infraestrutura, especialmente na rede elétrica, continuará a exigir investimentos maciços e um planejamento cuidadoso para não retardar a eletrificação.[2]
Apesar dos desafios, existem oportunidades significativas. Os Países Baixos estão bem posicionados para se tornarem líderes globais em tecnologias-chave da transição, como energia eólica offshore, produção de hidrogênio verde e soluções de economia circular, o que pode impulsionar o crescimento econômico e criar novas oportunidades de exportação.[18] O futuro do financiamento climático no país dependerá cada vez mais de uma abordagem de "financiamento de sistemas", onde os investimentos em energia, indústria, transporte e uso da terra são planejados de forma integrada. O Plano Nacional de Sistema de Energia é um passo nessa direção, reconhecendo que os desafios da transição são interdependentes e não podem ser resolvidos com financiamento isolado e setorial.[46]
Ver também
Referências
- ↑ a b c d Kingdom of the Netherlands-The Netherlands: Financial Sector Assessment Program- Technical Note on Climate Risk Analysis in - IMF eLibrary, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.elibrary.imf.org/view/journals/002/2024/169/article-A001-en.xml
- ↑ a b c d e f g h i j k l m The Netherlands' climate action strategy - European Parliament, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.europarl.europa.eu/RegData/etudes/BRIE/2024/767176/EPRS_BRI(2024)767176_EN.pdf
- ↑ a b c d Delta Programme: flood safety, freshwater and spatial adaptation - Government.nl, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.government.nl/topics/delta-programme/delta-programme-flood-safety-freshwater-and-spatial-adaptation
- ↑ a b c The Netherlands European leader in green bonds | De ..., acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.dnb.nl/en/general-news/statistical-news/2023/the-netherlands-european-leader-in-green-bonds/
- ↑ a b c d Issue Deep Dive: Netherlands/Climate - Donor Tracker, acessado em 10 de agosto de 2025, https://donortracker.org/donor_profiles/netherlands/climate
- ↑ a b c d Urgenda Foundation v. State of the Netherlands - Climate Change Litigation Databases, acessado em 10 de agosto de 2025, https://climatecasechart.com/non-us-case/urgenda-foundation-v-kingdom-of-the-netherlands/
- ↑ Hausfather, Zeke; Peters, Glen (29 de janeiro de 2020). «Emissions – the 'business as usual' story is misleading». Nature. 577 (7792): 618–20. Bibcode:2020Natur.577..618H. PMID 31996825. doi:10.1038/d41586-020-00177-3
- ↑ Schuur, Edward A.G.; Abbott, Benjamin W.; Commane, Roisin; Ernakovich, Jessica; Euskirchen, Eugenie; Hugelius, Gustaf; Grosse, Guido; Jones, Miriam; Koven, Charlie; Leshyk, Victor; Lawrence, David; Loranty, Michael M.; Mauritz, Marguerite; Olefeldt, David; Natali, Susan; Rodenhizer, Heidi; Salmon, Verity; Schädel, Christina; Strauss, Jens; Treat, Claire; Turetsky, Merritt (2022). «Permafrost and Climate Change: Carbon Cycle Feedbacks From the Warming Arctic». Annual Review of Environment and Resources. 47: 343–371. doi:10.1146/annurev-environ-012220-011847
- ↑ Phiddian, Ellen (5 de abril de 2022). «Explainer: IPCC Scenarios». Cosmos. Consultado em 30 de setembro de 2023. Cópia arquivada em 20 de setembro de 2023
- ↑ MNP rapport 771001037 The effects of climate change in the Netherlands - Planbureau voor de Leefomgeving, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.pbl.nl/sites/default/files/downloads/773001037.pdf
- ↑ a b (PDF) The effects of climate change in the Netherlands, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.researchgate.net/publication/259850464_The_effects_of_climate_change_in_the_Netherlands
- ↑ a b c d e f National Climate Agreement (Klimaatakkoord) - Climate Change ..., acessado em 10 de agosto de 2025, https://climate-laws.org/document/national-climate-agreement_aecf
- ↑ PBL - Netherlands Environmental Assessment Agency - Knowledge for policy, acessado em 10 de agosto de 2025, https://knowledge4policy.ec.europa.eu/organisation/pbl-netherlands-environmental-assessment-agency_en
- ↑ National system for policies and measures and projections of Netherlands - Discomap, acessado em 10 de agosto de 2025, https://discomap.eea.europa.eu/map/NationalSystems/Netherlands.pdf
- ↑ Environment, climate and energy | Netherlands Court of Audit, acessado em 10 de agosto de 2025, https://english.rekenkamer.nl/topics/environment-climate-and-energy
- ↑ Delta Fund | Delta Programme, acessado em 10 de agosto de 2025, https://english.deltaprogramma.nl/delta-programme/delta-fund
- ↑ a b c Netherlands' future climate policy unclear after far-right's shock ..., acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.cleanenergywire.org/factsheets/wide-open-dutch-elections-shape-transition-key-agriculture-exporter
- ↑ a b c Netherlands – Climate Performance Ranking 2025, acessado em 10 de agosto de 2025, https://ccpi.org/country/nld/
- ↑ a b Netherlands Renewable Energy Support Schemes - AWS, acessado em 10 de agosto de 2025, https://esc-production-2021.s3.eu-west-2.amazonaws.com/2021/09/Netherlands-RES-Support-Case-Study-FINAL.pdf
- ↑ Subsidy scheme for large-scale hydrogen production using an electrolyser (OWE) | RVO.nl, acessado em 10 de agosto de 2025, https://english.rvo.nl/subsidies-financing/owe
- ↑ a b Sustainable energy investment subsidy (ISDE) | Business.gov.nl, acessado em 10 de agosto de 2025, https://business.gov.nl/subsidy/sustainable-energy-investment-subsidy-isde/
- ↑ APG invests in Dutch sovereign green bond with a blue focus - Asset Management, acessado em 10 de agosto de 2025, https://assetmanagement.apg.nl/publications/apg-invests-in-new-dutch-sovereign-green-bond-with-a-blue-focus/
- ↑ Dutch State publishes the 2024 Green Bond Report | english.dsta.nl, acessado em 10 de agosto de 2025, https://english.dsta.nl/latest/news/2025/05/28/dutch-state-publishes-the-2024-green-bond-report
- ↑ €750,000 grant to clarify Dutch pension sector's role in sustainability transition - Rotterdam School of Management, Erasmus University, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.rsm.nl/nl/news/detail/15825-eur750000-grant-to-clarify-dutch-pension-sectors-role-in-sustainability-transition/
- ↑ Dutch pension fund ABP commits €10bn to climate solutions - Net ..., acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.netzeroinvestor.net/news-and-views/briefs/dutch-pension-fund-abp-commits-10bn-to-climate-solutions
- ↑ About - Klimaatcommitment Financiële Sector, acessado em 10 de agosto de 2025, https://klimaatcommitment.nl/about/
- ↑ Carbon footprint of Dutch insurers and pension funds in sharper focus, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.dnb.nl/en/general-news/statistical-news/2024/carbon-footprint-of-dutch-insurers-and-pension-funds-in-sharper-focus/
- ↑ ESG Developments in the Dutch Banking Sector - Taylor Wessing, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.taylorwessing.com/en/insights-and-events/insights/2024/11/esg-developments-in-the-dutch-banking-sector
- ↑ a b Milieudefensie v. ING Bank - Climate Change Litigation Databases, acessado em 10 de agosto de 2025, https://climatecasechart.com/non-us-case/milieudefensie-v-ing-bank/
- ↑ Annual reports - Invest-NL, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.invest-nl.nl/en/about-us/annual-reports
- ↑ a b c d Results – Evaluation of Dutch climate finance for development ..., acessado em 10 de agosto de 2025, https://english.iob-evaluatie.nl/results/climate-financing
- ↑ Development Co-operation Profiles: Netherlands - OECD, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.oecd.org/en/publications/development-co-operation-profiles_04b376d7-en/netherlands_08ef430f-en.html
- ↑ Dutch Fund For Climate and Development - FMO, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.fmo.nl/climate-fund2
- ↑ The Netherlands: Highlights of the Dutch Climate Agreement - Global Compliance News, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.globalcompliancenews.com/2019/07/31/highlights-dutch-climate-agreement-20190704/
- ↑ a b c d Greenhouse gas emissions in the Netherlands 1990–2023 National Inventory Document 2025 - RIVM, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.rivm.nl/bibliotheek/rapporten/2025-0005.pdf
- ↑ The Netherlands' climate action strategy | Think Tank - European Parliament, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.europarl.europa.eu/thinktank/en/document/EPRS_BRI(2024)767176
- ↑ Renewable energy share in the Netherlands doubles in five years to reach 19.8%, acessado em 10 de agosto de 2025, https://strategicenergy.eu/renewable-energy-share-the-netherlands/
- ↑ a b Climate and Energy Outlook of the Netherlands 2024, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.pbl.nl/en/downloads/pbl-2024-climate-and-energy-outlook-of-the-netherlands-2024-5278pdf
- ↑ DFCD evaluation - FMO, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.fmo.nl/dfcd-evaluation
- ↑ ESG Economist - New Dutch government scales back climate ambitions, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.abnamro.com/research/en/our-research/esg-economist-new-dutch-government-scales-back-climate-ambitions
- ↑ a b Analysis Uncertainty and Climate Policy in the Netherlands - De Nederlandsche Bank, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.dnb.nl/media/gibhbjae/dnb-analysis-uncertainty-and-climate-policy-in-the-netherlands.pdf
- ↑ Assessing Recent Climate Policy Initiatives in the Netherlands ..., acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.elibrary.imf.org/view/journals/018/2023/022/article-A001-en.xml
- ↑ a b c Climate Plan 2025-2035 and recommendations of the Advisory Division | Stibbe, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.stibbe.com/publications-and-insights/climate-plan-2025-2035-and-recommendations-of-the-advisory-division
- ↑ a b Climate and Energy Outlook of the Netherlands 2024, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.pbl.nl/en/publications/climate-and-energy-outlook-of-the-netherlands-2024
- ↑ What are just and feasible climate targets for the Netherlands?, acessado em 10 de agosto de 2025, https://www.pbl.nl/en/publications/what-are-just-and-feasible-climate-targets-for-the-netherlands
- ↑ The Netherlands 2024, acessado em 10 de agosto de 2025, https://iea.blob.core.windows.net/assets/2b729152-456e-43ed-bd9b-ecff5ed86c13/TheNetherlands2024.pdf


