Cerco de Lille (1940)
| Cerco de Lille | |||
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| Parte da Batalha da França na Segunda Guerra Mundial | |||
![]() Mapa da situação de 21 de maio à 4 de junho de 1940 | |||
| Data | 28 à 31 de maio de 1940 | ||
| Local | Lille, França | ||
| Desfecho | Vitória alemã | ||
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O Cerco de Lille, ou Bolsão de Lille (28 à 31 de maio de 1940), ocorreu durante a Batalha da França, na Segunda Guerra Mundial. O cerco ao IV Corpo e ao V Corpo do Primeiro Exército francês (cerca de 40.000 soldados), sob o comando do general René Prioux, foi conduzido por 4 divisões de infantaria alemãs, apoiadas por 3 divisões Panzer.
O III Corpo do Primeiro Exército conseguiu recuar até o rio Lys, com as divisões da Força Expedicionária Britânica (BEF) nas proximidades. Os 2 corpos franceses cercados resistiram aos ataques alemães até serem forçados a se render à meia-noite de 31 de maio para 1 de junho. A defesa do Bolsão de Lille permitiu que mais tropas aliadas recuassem para o perímetro de Dunquerque e participassem da Batalha de Dunquerque.
Prelúdio
Na manhã de 27 de maio, a 1.ª Divisão Panzer atacou Gravelines, no lado oeste do perímetro de Dunquerque, e isolou a guarnição. Seu comandante, o général de corps d'armée Bertrand Fagalde, foi capturado; os franceses restantes continuaram lutando. Ao sul, tanques alemães cruzaram o rio Aa e outras tropas alemãs avançaram sobre Wormhoudt. Duas divisões Panzer cruzaram o Canal de La Bassée e derrotaram a 2.ª Divisão Britânica. A 7.ª Divisão Panzer aproveitou a brecha e alcançou o X Armeekorps, isolando as tropas aliadas em Lille.[3] Na noite de 27/28 de maio, as divisões da Força Expedicionária Britânica (BEF) perto de Lille conseguiram recuar para o outro lado do rio Lys, mas apenas as 3 divisões de infantaria do III Corpo (général de corps d'armée Léon de la Laurencie) do Primeiro Exército francês (general René Prioux) conseguiram escapar. Muitas das unidades francesas que haviam recuado de muito mais ao sul ainda estavam no saliente em torno de Lille quando o 6.º Exército (Generalleutnant Walther von Reichenau) cercou a cidade.[4]
Cerco
As forças em Lille, comandadas pelo général de corps d'armée Jean-Baptiste Molinié, tiveram a sorte de uma patrulha capturar o Generalleutnant (tenente-general) Fritz Kühne, comandante da 253.ª Divisão de Infantaria, e recuperar documentos que mostravam as posições das tropas alemãs que cercavam a cidade. Molinié usou as informações para planejar uma fuga para 28 de maio.[5] Às 19h30, o IV Corpo (général de corps d'armée André Boris) e o V Corpo (general Darius Paul Dassault) tentaram romper o cerco no lado oeste de Lille e recuar em direção ao rio Lys. A 2e Division d'infanterie nord-africaine (2e DINA, major-general Pierre Dame) tentou atravessar o rio Deûle pela ponte para Sequedin (logo ao sul de Lomme). A 5e Division d'infanterie nord-africaine (5e DINA, major-general Augustin Agliany) tentou escapar pela ponte Moulin Rouge na estrada de Santes, a sul de Haubourdin.[6] Outra tentativa foi feita durante a manhã de 29 de maio; os alemães tinham minado a ponte, mas dois tanques franceses e duas companhias de infantaria conseguiram atravessar, mas foram depois forçados a recuar.[6]
Molinié e 8 divisões do Primeiro Exército francês lutaram casa por casa nos subúrbios de Lille, com as tropas alemãs tentando infiltrar-se nas defesas francesas através de brechas e entre os muitos refugiados civis presos na cidade. Em 29 de maio, a 15e DIM rendeu-se; com a comida e a munição a diminuir, Molinié e o coronel Aizier negociaram a rendição e as hostilidades terminaram à meia-noite de sexta-feira, 31 de maio/sábado, 1 de junho. Molinié, outros 349 oficiais e 34.600 soldados franceses renderam-se aos alemães na Grand Place.[7] O comandante alemão, general Alfred Wäger, concedeu aos franceses as honras de guerra; a guarnição desfilou pela Grand Place, enquanto as tropas alemãs permaneciam em posição de sentido, uma homenagem pela qual Wäger foi repreendido.[8]
Consequências

Algumas tropas francesas conseguiram escapar do cerco; o capitão Philippe Leclerc de Hauteclocque, chefe do estado-maior da 4e DI, escapou e alcançou o 7e Armée no Somme. Na época da rendição, a Operação Dínamo, a evacuação de Dunquerque, já durava uma semana.[5] Em A Segunda Guerra Mundial (1949), Winston Churchill descreveu a defesa aliada de Lille como uma "contribuição esplêndida" que atrasou o avanço alemão por 4 dias e permitiu a fuga da Força Expedicionária Britânica (BEF) de Dunquerque.[9] William L. Shirer escreveu em 1969 que a defesa "galante" de Lille "ajudou as forças anglo-francesas sitiadas ao redor do porto a resistir por mais 2 ou 3 dias e, assim, salvar pelo menos mais 100.000 soldados".[2] Os defensores de Lille foram a única guarnição a receber honras de guerra durante a campanha de 1940 e, juntamente com os defensores do Forte Vaux durante a Batalha de Verdun em 1916, uma das duas únicas guarnições francesas a receber esta distinção da Alemanha em ambas as guerras mundiais.[10]
Alistair Horne escreveu em 1982 que a defesa francesa de Lille permitiu que a BEF e o restante do Primeiro Exército francês recuassem para o perímetro de Dunquerque e, em 2013, Douglas Fermer escreveu que a Batalha de Lille desviou cerca de sete divisões alemãs durante a evacuação de Dunquerque.[11] Em uma publicação de 2016, Lloyd Clark escreveu que as tentativas francesas de rompimento estavam fadadas ao fracasso, mas que os sitiantes alemães foram contidos por 4 dias enquanto o perímetro de Dunquerque estava sendo consolidado. O Feldmarschall (marechal-de-campo) Walther von Brauchitsch culpou a ordem de parada das divisões Panzer, emitida por Adolf Hitler, pelo atraso; se as forças Panzer tivessem permissão para continuar, o bolsão teria sido selado ao longo da costa, impedindo a evacuação Aliada.[12]
Baixas
Lloyd Clark escreveu em sua publicação de 2016 que os alemães fizeram prisioneiros "7 generais, 350 oficiais e 34.600 soldados, 300 canhões e 100 veículos blindados...".[12]
Ver também
- Lista de equipamentos militares alemães da Segunda Guerra Mundial
- Lista de equipamentos militares franceses da Segunda Guerra Mundial
Notas de rodapé
- ↑ a b c Lormier 2005, p. 148.
- ↑ a b Shirer 1969, p. 746.
- ↑ Forczyk 2019, p. 221.
- ↑ Ellis 2004, p. 191; Ellis 2004, Map, 214–215; Umbreit 2015, pp. 294–295.
- ↑ a b Forczyk 2019, p. 222.
- ↑ a b Sebag-Montefiore 2006, p. 624.
- ↑ Horne 1982, p. 538; Clark 2016, p. 305.
- ↑ Fermer 2013, p. 208.
- ↑ Churchill 1949, p. 94.
- ↑ Lormier 2005, p. 149.
- ↑ Horne 1982, p. 604; Fermer 2013, p. 208.
- ↑ a b Clark 2016, p. 305.
Referências
- Churchill, W. S. (1949). Their Finest Hour. Col: The Second World War. II. Boston, Mass: Mariner Books. ISBN 0-395-41056-8
- Clark, L. (2016). Blitzkrieg: Myth, reality and Hitler's Lightning War – France, 1940 1st ed. London: Atlantic Books. ISBN 978-0-85789-732-9
- Ellis, Major L. F. (2004) [1st. pub. HMSO 1954]. Butler, J. R. M., ed. The War in France and Flanders 1939–1940. Col: History of the Second World War United Kingdom Military Series. [S.l.]: Naval & Military Press. ISBN 978-1-84574-056-6. Consultado em 1 setembro 2015
- Fermer, Douglas (2013). Three German Invasions of France: The Summer Campaigns of 1870, 1914 and 1940. Barnsley: Pen & Sword Military. ISBN 978-1-78159-354-7
- Forczyk, R. (2019) [2017]. Case Red: The Collapse of France pbk Osprey, Oxford ed. London: Bloomsbury. ISBN 978-1-4728-2446-2
- Horne, A. (1982) [1969]. To Lose a Battle: France 1940 pbk. repr. Penguin ed. London: Macmillan. ISBN 978-0-14-005042-4
- Lormier, Dominique (2005). Comme des lions: Mai–juin 1940, l'héroïque sacrifice de l'armée française. Paris: Calmann-Levy. ISBN 978-2-7021-3445-0
- Maier, K. A.; Rohde, H.; Stegemann, B.; Umbreit, H. (2015) [1991]. Falla, P. S., ed. Germany's Initial Conquests in Europe. Col: Germany and the Second World War. II. Traduzido por McMurry, D.; Osers, E. Eng. trans. pbk. Clarendon Press, Oxford ed. Freiburg im Breisgau: Militärgeschichtliches Forchungsamt (Research Institute for Military History). ISBN 978-0-19-873834-3
- Umbreit, H. "The Battle for Hegemony in Western Europe". In Falla (2015).
- Sebag-Montefiore, H. (2006). Dunkirk: Fight to the Last Man. London: Penguin. ISBN 978-0-14-102437-0
- Shirer, William (1969). The Collapse of the Third Republic: An Inquiry into the Fall of France in 1940. New York: Simon & Schuster. ISBN 978-0-671-20337-5
Leitura adicional
- Bond, Brian (1990). Britain, France and Belgium 1939–1940 2nd ed. London: Brassey's. ISBN 978-0-08-037700-1
- Bond, B.; Taylor, M. D., eds. (2001). The Battle for France & Flanders Sixty Years On. Barnsley: Leo Cooper. ISBN 978-0-85052-811-4
- Chapman, G. (1968). Why France Collapsed. London: Cassell. ISBN 978-0-304-93217-7
- Cooper, M. (1978). The German Army 1933–1945, its Political and Military Failure. Briarcliff Manor, NY: Stein and Day. ISBN 978-0-8128-2468-1
- Corum, James (1997). The Luftwaffe: Creating the Operational Air War, 1918–1940. Lawrence, KS: University Press of Kansas. ISBN 978-0-7006-0836-2
- Cull, B.; Lander, Bruce; Weiss, Heinrich (1999) [1995]. Twelve Days: The Air Battle for Northern France and the Low Countries, 10–21 May 1940, As Seen Through the Eyes of the Fighter Pilots Involved. London: Grub Street. ISBN 978-1-902304-12-0
- Frieser, K-H. (2005). The Blitzkrieg Legend English trans. ed. Annapolis, MD: Naval Institute Press. ISBN 978-1-59114-294-2
- Guderian, Heinz (2001). Panzer Leader. New York: Da Capo Press. ISBN 978-0-306-81101-2
- Harman, Nicholas (1980). Dunkirk: The Necessary Myth. London: Hodder and Stoughton. ISBN 978-0-340-24299-5
- Marix Evans, Martin (2000). The Fall of France: Act with Daring. Oxford: Osprey. ISBN 978-1-85532-969-0
- Taylor, A. J. P.; Mayer, S. L., eds. (1974). A History Of World War Two. London: Octopus Books. ISBN 978-0-7064-0399-2
