Campanha italiana na Rússia
| Campanha italiana na Rússia | |||
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| Frente Oriental, Segunda Guerra Mundial | |||
![]() Soldados italianos durante os combates por Stalino | |||
| Data | agosto de 1941 – 20 de janeiro de 1943[N 1] | ||
| Local | Regiões dos rios Dniester, Bug meridional, Dniepre, Donets e Dom | ||
| Desfecho | Derrota italiana | ||
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A campanha italiana na Rússia representou a participação militar do Reino de Itália na Operação Barbarossa, lançada pela Alemanha Nazista contra a União Soviética em 1941. A decisão de participar da iniciativa alemã foi tomada pelo próprio Benito Mussolini alguns meses antes do início da operação, ao tomar conhecimento das intenções de Adolf Hitler, mas só foi confirmada na manhã de 22 de junho de 1941, assim que o comando italiano foi informado de que os exércitos alemães haviam iniciado a invasão.
Composto por três divisões, o Corpo Expedicionário Italiano na Rússia (CSIR) chegou ao front oriental em meados de julho de 1941. Inicialmente integrado ao 11.º Exército alemão e, posteriormente, ao 1.º Grupo Panzer, o CSIR participou da ofensiva militar até abril de 1942, quando as exigências do front demandaram o envio de mais dois corpos de exército italianos que, junto com o CSIR, foram unificados no 8º Exército ou Exército Italiano na Rússia (ARMIR). Desdobrado no sul, no setor do Rio Dom, o 8º Exército, juntamente com o 2º Exército Húngaro e o 3º Exército Romeno, deveria proteger o flanco esquerdo das forças alemãs que, naquele momento, avançavam em direção a Stalingrado.
A inversão da frente alterou o curso da ofensiva; após o cerco das forças alemãs em Stalingrado, a subsequente ofensiva soviética iniciada em 16 de dezembro de 1942 arrasou o II e o XXXV Corpo de exército italiano ex-CSIR (que faziam parte do destacamento sul do 8º Exército) e outras seis divisões italianas, junto com forças alemãs e romenas que foram forçadas a uma retirada precipitada, antecipando a derrota que envolveria o Corpo de exército alpino no mês seguinte. Em 15 de janeiro de 1943, uma segunda grande ofensiva soviética ao norte do Dom arrasou os Alpini que ainda estavam em posição: mal equipados e com poucos suprimentos, empreenderam uma retirada por um caminho difícil através da estepe, perseguidos pelas divisões soviéticas e sofrendo grandes perdas. A debandada custou às forças italianas milhares de perdas e terminou em 31 de janeiro, quando a 2ª Divisão alpina "Tridentina" alcançou os primeiros postos avançados alemães em Shebekino. As operações de repatriação duraram de 6 a 15 de março e terminaram no dia 24, pondo fim às operações militares italianas na União Soviética.[2]
Contexto estratégico
Em meados de 1941, durante o verão europeu, a Itália estava em guerra há pouco mais de um ano e já havia sofrido uma série de sérias derrotas militares que evidenciaram as grandes deficiências de seu exército e de seus comandantes. O Reino de Itália perdera o controle [it] da África Oriental Italiana para os britânicos e para a resistência etíope [it]; na Líbia, os tanques britânicos representavam uma séria ameaça a Bengasi, Trípoli e às possessões coloniais italianas no Norte da África; no mar, a Marinha Real Italiana sofrera perdas significativas nas mãos da Frota do Mediterrâneo; e a arriscada investida contra a Grécia foi salva do fracasso total graças à intervenção oportuna das divisões alemãs enviadas para auxiliar o exército italiano. No entanto, apesar da evidente crise italiana e das óbvias inadequações do exército, com a aproximação do verão de 1941 o destino do conflito ainda estava nas mãos das potências do Eixo: toda a Europa continental estava sob controle alemão ou dominada por governos aliados (Hungria, Romênia e França) ou não hostis (Espanha, Bulgária, Suécia e Finlândia), enquanto as relações com a União Soviética eram caracterizadas pela colaboração desde a assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop. O Reino Unido estava isolado e sob cerco, seu vasto império estava em turbulência devido à ascensão dos movimentos independentistas e nacionalistas, e seu único aliado, os Estados Unidos da América, não pretendia intervir militarmente, limitando-se a enviar enormes comboios de suprimentos que os submarinos alemães massacraram no Atlântico.[3] Em linhas gerais, era essa a situação quando, no amanhecer de 22 de junho de 1941, Hitler deu início à Operação Barbarossa, o gigantesco e relâmpago ataque à União Soviética com o qual, menos de dois anos antes, assinara um pacto de não agressão.[4]
Já vários meses antes do ataque alemão à União Soviética, dezenas de divisões alemãs estavam se concentrando na fronteira oriental, enquanto os soviéticos faziam de tudo para demonstrar boa vontade em evitar um conflito. O embaixador alemão em Moscou, Schulenburg, foi convocado a Berlim em 28 de abril, onde relatou a Hitler que os russos estavam alarmados com rumores de que um ataque alemão era iminente e declarou que acreditava que "Stalin estava pronto para fazer novas concessões" a fim de evitar a guerra.[5] Quanto ao ataque alemão no leste, a Itália havia sido mantida completamente no escuro sobre os desenvolvimentos diplomáticos entre os dois países,[6] mas os rumores de um conflito iminente circulavam pelo mundo inteiro e Benito Mussolini, que já em maio de 1941 tinha conhecimento geral da Operação Barbarossa, convocou em 30 de maio o chefe do estado-maior, general Ugo Cavallero, e comunicou-lhe que, em caso de guerra entre a Alemanha e a União Soviética, a Itália deveria preparar um corpo de exército composto por uma divisão motorizada, uma divisão blindada e uma divisão de granadeiros, para ser enviado ao front oriental.[7] Mussolini aceitara com grande relutância o acordo entre Ribbentrop e Stalin, de modo que, assim que a guerra com a União Soviética se tornou inevitável,[7] declarou que "a Itália não pode ficar de fora porque se trata de lutar contra o comunismo", mas os motivos pelos quais Mussolini quis obstinadamente participar da campanha não são unívocos e claros. Os planos elaborados pelos alemães não previam a participação inicial da Itália, mas apenas a da Finlândia e da Romênia, países fronteiriços da URSS e com grandes disputas a resolver;[8] por sua vez, Hitler não pretendia envolver os italianos e tentou repetidamente dissuadir Mussolini dessa intenção, destacando os riscos da empreitada e sugerindo-lhe, mais ou menos veladamente, reforçar os efetivos no Norte da África (onde poucos meses antes, para restabelecer a situação, os alemães haviam sido obrigados a enviar o Afrikakorps comandado pelo general Erwin Rommel) e possivelmente voltar o seu olhar de Trípoli para o ocidente, constituindo um contingente que pudesse intervir caso a França violasse os tratados, e intensificando a guerra aérea e submarina no Mediterrâneo.[9]
Preparação do Corpo de Expedição
A decisão de Mussolini de participar imediatamente da ofensiva insere-se, portanto, no quadro de uma guerra subordinada ao aliado alemão,[10] no qual o ditador italiano procurou não se afastar do combate na esperança de que a guerra estivesse destinada a um rápido sucesso. A péssima performance do Exército Vermelho na Guerra de Inverno de 1939-40 constituiu para os alemães uma prova irrefutável das enormes deficiências do exército soviético; por sua vez, o comando da Wehrmacht esperava chegar a Moscou em oito semanas[6] e os sucessos sensacionais obtidos nas primeiras semanas do avanço pareciam confirmar essa possibilidade.[11] Embora impulsionado à intervenção pela atmosfera eufórica criada em torno da Operação Barbarossa, Mussolini revelou-se contudo menos otimista que Hitler quanto ao resultado da campanha e, a esse respeito, confidenciou a Galeazzo Ciano que não duvidava da vitória alemã, mas esperava que a empreitada fosse muito mais exigente que os "passeios militares" nos quais os alemães "se haviam exibido até então", de modo a reduzir o tamanho do seu exército e compensar os fracassos da Itália. No entanto, segundo o historiador Renzo De Felice, o motivo principal que levou Mussolini a participar da campanha na Rússia foi o temor de que, após a vitória alemã, a contribuição desproporcionada para o conflito prejudicasse a posição da Itália em comparação com a dos outros aliados da Alemanha; nesse temor escondia-se a razão principal da aventura militar italiana contra a União Soviética, na qual Mussolini pretendia relançar sua imagem de campeão da luta contra o bolchevismo, o que lhe permitiria fazer valer seu peso no momento de redesenhar o equilíbrio de poder internacional.[12]
Na manhã de 22 de junho, ao saber do início das operações contra a União Soviética enquanto passava férias em Riccione, Mussolini deu imediatamente ordens a Cavallero para prosseguir com os preparativos do Corpo de Expedição e a Ciano para entregar, por vias diplomáticas, a declaração de guerra ao embaixador Nikolaj Vasil'evič Gorelkin.[13] Após uma última troca de mensagens entre os dois líderes do Eixo, na qual o Führer tentou até o último momento recusar a oferta de ajuda, o Duce recebeu sinal verde para destacar tropas no front oriental. A grande unidade destinada a operar junto às forças alemãs assumiu rapidamente sua forma definitiva; em 10 de julho, o Corpo de exército motorizado foi oficialmente denominado "Corpo Expedicionário Italiano na Rússia" (CSIR) e foi confiado ao general Francesco Zingales.[14] Esse corpo de exército dispunha de três divisões: a 3ª Divisão Rápida "Principe Amedeo Duca d'Aosta" ou PADA (brigadeiro-general Mario Mazzarani), a 9ª Divisão de infantaria "Pasubio" (general Vittorio Giovannelli) e a 52ª Divisão de infantaria "Torino" (general Luigi Manzi), estas últimas a pé, apesar da qualificação de "motorizadas" (autotrasportabili); não dispondo elas dos meios necessários para serem completamente motorizadas, recorreu-se a esse eufemismo para indicar que podiam ser transportadas por veículos, mas, na falta destes, teriam de se deslocar a pé.[15][16] O CSIR tinha apenas dois grupos próprios: um atribuído aos serviços do corpo de expedição, o outro ao transporte de uma divisão. O Alto Comando previra que as divisões autotransportáveis poderiam ser transportadas uma de cada vez, com os veículos que retornariam após completar o deslocamento da primeira divisão. Obviamente, tal sistema ilusório nunca funcionou: as necessidades operacionais exigiam que os veículos disponíveis a uma divisão continuassem a operar com ela, e isso caracterizou o destino da "Torino", destinada a marchar por milhares de quilômetros apesar do seu nome pomposo.[15] Entre as tropas terrestres enviadas junto com o CSIR estavam também a 63ª Legião de Assalto CC.NN. "Tagliamento", cerca de 2 000 homens sob comando do cônsul Niccolò Nicchiarelli e o batalhão de esquiadores alpinos "Monte Cervino" (coronel Giulio Pazienza), considerada a unidade melhor equipada, mas que só seria enviada em fevereiro de 1942.[17] No total, o CSIR podia contar com 17 batalhões de fuzileiros (12 de infantaria, 3 de fuzileiros motociclistas, 2 de camisas-negras), 7 batalhões de armas de acompanhamento, um batalhão de sapadores, 14 companhias autônomas, 10 esquadrões de cavalaria (Regimento "Savoia Cavalleria" e Regimento "Lancieri di Novara"), 4 esquadrões de tanques CV-33 de valor limitado, 24 grupos de artilharia, 10 batalhões de engenharia, um batalhão químico e 12 seções de carabineiros;[18] foi também destacado um contingente da Força Aérea Real Italiana (51 caças Macchi M.C.200, 22 aeronaves de reconhecimento Caproni Ca.311, 10 trimotores de transporte Savoia-Marchetti SM.81 Pipistrello). A força total era, portanto, de aproximadamente 58 000 soldados, 2 900 oficiais, 4 600 quadrúpedes, 220 peças de artilharia e 5 500 veículos motorizados, muitos dos quais foram requisitados de empresas de transporte público.[10][19]
A situação do exército italiano

O envio do CSIR para a Rússia teve, sobretudo, um valor político e não influenciou o equilíbrio de poder na campanha, mas representou a vontade de Mussolini de defender o seu papel como principal aliado dos alemães numa campanha que se esperava ser triunfante. Poucos meses depois, porém, o quadro da situação mudara e a ofensiva alemã, apesar de ter alcançado notáveis sucessos, não fora decisiva e começara a registrar fortes perdas. Foi, portanto, a Alemanha que solicitou um aumento das forças italianas na Rússia para 1942 e Mussolini, ansioso por reforçar a presença italiana, não hesitou em adicionar seis divisões com grandes quantidades de artilharia e veículos motorizados, transformando o CSIR em julho no 8º Exército ou ARMIR, que contava cerca de 229 000 homens e um bom fornecimento de artilharia motorizada.[20] A transferência do 8º Exército para a Frente Oriental representou um importante ponto de virada na intervenção italiana na Rússia: forças tão numerosas multiplicaram a presença de soldados italianos no território, com óbvias repercussões no nível político e com um incremento das responsabilidades e competências na administração militar dos territórios ocupados.[21] O CSIR, concebido como uma força de combate, tinha sob seu comando apenas 12 seções de Carabineiros que puderam facilmente vigiar a zona de 40 quilômetros controlada pelo Corpo em torno de Stalino;[22] o setor de competência do ARMIR, estendido em um paralelogramo atrás dos 230-270 quilômetros do front central do Dom, exigiu ao contrário um uso dispendioso de recursos e homens para o controle do território, as operações de repressão aos partisans e os serviços logísticos. O ARMIR utilizou, portanto, uma divisão de segurança, a 156ª Divisão de infantaria "Vicenza", privada do seu regimento de artilharia, mas reforçada por um batalhão de carabineiros, o que elevou o efetivo total utilizado na retaguarda para 350 oficiais e mais de 13 000 homens.[23]
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Ugo Cavallero, chefe do estado-maior
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Giovanni Messe, general
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Embora Mussolini tivesse imposto o aumento das forças italianas na Rússia, os altos comandos (principalmente Cavallero) não se preocuparam em alocar unidades e armamentos à Rússia em detrimento de outros teatros de operações. As divisões italianas, com configuração binária (ou seja, dois regimentos de infantaria contra os três que normalmente constituíam a espinha dorsal das divisões dos outros países beligerantes), eram em geral numericamente mais fracas e dotadas de menor potência de fogo que as divisões alemãs e soviéticas análogas. Os Alpini, o melhor corpo de infantaria disponível, foram inexplicavelmente posicionados em terreno plano e aberto; milhares de veículos, tratores e boa parte da artilharia moderna foram enviados com o ARMIR em vez de para o Norte da África, onde as forças italianas estavam em dificuldade.[24] A boa disponibilidade de veículos e artilharia motorizada não bastou, contudo, para aumentar o valor do exército, que permanecia composto por divisões a pé, carentes de unidades blindadas eficazes para ampliar seu raio de ação. Assim, as ações de avanço, progressão e contra-ofensiva foram sempre realizadas pelas divisões motorizadas alemãs e, no momento da retirada do Dom, os materiais pesados foram completamente perdidos justamente devido à má motorização das unidades de combate e logística (prejudicados por uma organização inflexível). O envio destas enormes quantidades para a Rússia, portanto, só pode ser explicado pelo desejo de causar uma boa impressão aos alemães; mas para as tarefas defensivas às quais o ARMIR estava destinado, a artilharia motorizada moderna foi praticamente desperdiçada: na verdade, teria sido mais apropriado atribuir-lhes as baterias menos móveis da Primeira Guerra Mundial, desviando os equipamentos mais recentes para cenários de maior importância estratégica para o país.[25]
A inadequação do equipamento e dos recursos do Exército Real também foi evidenciada na Rússia. O armamento pessoal dos soldados consistia no fuzil Carcano Mod. 91, já ultrapassado, porém robusto, na metralhadora pesada Breda M37 e no Morteiro de 81 mm Mod. 35; as metralhadoras Breda 30 e Breda Mod. 5C, que emperravam com facilidade, eram medíocres, assim como os morteiros Brixia Mod. 35 com projéteis de 45 mm que disparavam bombas muito leves e granadas de mão com espoletas ineficazes em terrenos nevados e lamacentos. A falta de uma arma automática individual comparável à PPsh-41 ou MP 40 foi confirmada como grave e o fornecimento padrão de armas automáticas de esquadrão, que no batalhão italiano era inferior ao de um batalhão alemão ou russo, não foi corrigido. A infantaria também não possuía canhões antitanque e o 47/32 Mod. 1935, um canhão de acompanhamento improvisado na função antitanque, era inútil contra os T-34 soviéticos.[26] O equipamento de inverno revelou-se insuficiente e, enquanto durante o primeiro inverno da guerra o CSIR foi prontamente abastecido com vestuário de lã adequado, o ARMIR teve de enfrentar o segundo inverno sem os práticos casacos acolchoados usados por aliados e inimigos, sem trajes brancos para camuflagem no ambiente (foram distribuídos apenas ao Batalhão de esquiadores alpinos "Monte Cervino") e sem calçados adequados: as botas com pregos eram, de fato, inadequadas para lama e neve, não podiam ser acolchoadas com meias adicionais e os pregos favoreciam a formação de gelo. Durante o primeiro inverno houve relativamente poucos casos de congelamento porque os soldados de infantaria passavam as noites nas isbás ou nos bunkers, no entanto o general Messe escreveu desde logo que as tropas necessitavam de calçados semelhantes aos valenki, ou seja, botas altas e robustas de feltro de fácil construção. Entretanto, a falta de flexibilidade dos comandos e, provavelmente, os interesses dos fornecedores fizeram com que a produção desse calçado nem sequer fosse considerada, e Roma autorizou apenas a compra local de peças russas.[27]
Desenrolar da campanha
A chegada da Força Expedicionária ao front oriental

Na primeira fase da ofensiva, as divisões alemãs penetraram profundamente em território soviético, dando a impressão a Mussolini de que a campanha poderia concluir-se rapidamente e resultar na captura de milhões de prisioneiros, úteis ao esforço bélico do Eixo. O ritmo avassalador das vitórias alemãs convenceu, portanto, Mussolini e os comandos do exército a preparar rapidamente a força expedicionária: em 26 de junho, as primeiras unidades começaram a se reunir em sua terra natal para uma transferência que no total durou quase um mês e que as levou ao centro da Hungria, de onde se dirigiriam ao front.[28] O CSIR foi mobilizado para a eliminação dos focos de resistência deixados para trás pelas formações mecanizadas alemãs e tal tarefa mostrou-se viável para o corpo de exército, que foi empregado no limite de suas possibilidades e com bons resultados. Confirmou-se, assim, que as divisões italianas eram capazes de executar com eficácia as tarefas secundárias que a guerra na Frente Oriental relegava às tropas a pé.[29]
Os comboios dirigidos aos primeiros pontos de concentração em Borșa e Felsővisó, na Hungria, iniciaram a viagem em 10 de julho de 1941.[30] O primeiro contingente italiano que chegou a Borșa em 13 de julho foi o 79º Regimento de infantaria, seguido por centenas de comboios até o final do mês. Em Borșa fora preparado um centro logístico para que as unidades pudessem prosseguir rapidamente para Botoșani, que ficava 250 quilômetros a leste, além dos Cárpatos, e que não era ligada a uma linha ferroviária, obrigando os homens do CSIR a percorrer a distância a pé.[31] Enquanto isso, o general Francesco Zingales teve de ser internado em uma clínica em Viena devido a um súbito ataque de gripe com complicações pulmonares e, para substituí-lo, foi nomeado o general Giovanni Messe, que se destacara na Albânia e na Grécia e que, em 17 de julho, alcançou as unidades nos pontos de concentração na Hungria.[32]
Assim que seu desdobramento foi concluído, o CSIR foi incorporado ao 11º Exército do general Eugen Ritter von Schobert, mas colocado à disposição do grupo blindado do general Paul Ludwig Ewald von Kleist (posteriormente 1.º Grupo Panzer).[32] Messe percebeu imediatamente que seria muito difícil cumprir o cronograma da Wehrmacht e em 5 de agosto, quando todo o CSIR chegou a Botoșani, o 11º Exército já havia avançado 300 quilômetros para se desdobrar ao longo do Dniester. Ao chegar, Messe foi imediatamente recebido com a ordem de von Kleist: os italianos deveriam prosseguir por mais 200 quilômetros e posicionar-se em Yampil como força de reserva do front do Dniester. O comandante italiano, tendo constatado a impossibilidade de se mover rapidamente com todo o corpo, cumpriu a ordem apenas em parte, ordenando que a única divisão capaz de avançar rapidamente, a "Pasubio", reforçada por uma companhia de fuzileiros em motocicletas, prosseguisse. Apesar do mau tempo que deixou as planícies ucranianas lamacentas e difíceis de transitar, os soldados de infantaria da "Pasubio" chegaram a Jampol a bordo de seus Lancia 3Ro, finalmente entrando na zona de combate. As forças soviéticas estavam posicionadas entre o rio Dniestre e o Bug Meridional, pressionadas pelo 11º Exército, que, enquanto isso, havia cruzado o Dniestre com sua ala direita. A missão da "Pasubio" consistia em alcançar o grupo de von Kleist e cortar diagonalmente um corredor arborizado entre o Dniestre e o Bug para bloquear a retirada do inimigo, percorrendo assim 400 quilômetros até Nikolaev, onde o Bug deságua no Mar Negro.[33]
O batismo de fogo

Chamadas para operar junto às forças alemãs com o objetivo de impedir a retirada soviética, em 10 de agosto as vanguardas da "Pasubio", sob comando do coronel Epifanio Chiaramonti, avançaram sobre Voznesensk e depois em direção a Pokrovka, apesar do mau tempo que bloqueou o resto da divisão. Marchando ao longo da margem direita do Bug em direção sudeste para cortar a retirada dos russos em direção à cidade estratégica de Nikolaev, a "coluna Chiaramonti" em 11 de agosto entrou em contato com o inimigo na altura de Jasnaja Poljana, onde travou um intenso tiroteio com os soviéticos que, no final, se retiraram.[34] A batalha entre os rios Dniester e Bug ainda estava em curso quando, em 14 de agosto, o comando do Heeresgruppe Süd decidiu designar as tropas italianas diretamente para o grupo blindado de von Kleist para substituir a 5.ª Divisão Panzergrenadier SS Wiking em Chyhyryn e em outras guarnições ao longo do Dniepre nos dias seguintes (participando depois da breve luta pela cabeça de ponte de Dnipropetrovsk).[35] Essa decisão teve consequências significativas para o CSIR: o grupo blindado era a ponta de lança do Heeresgruppe Süd e assim a força expedicionária italiana se viu muito próxima do centro dos combates. Isso demonstrou que os alemães não dispunham de suficientes unidades de infantaria rápida e que, portanto, foram obrigados a solicitar apoio italiano: o general Messe orgulhou-se de poder participar dos combates principais, mas por outro lado tornou-se consciente de que a partir daquele momento haveria o risco concreto de participar de missões acima das suas capacidades.[36] Ele, no entanto, iniciou conversas com o General von Kleist, cujo objetivo era unir-se além do Dniepre com o 2.º Grupo Panzer do general Heinz Guderian e assim completar o cerco das linhas russas perto de Kiev.[34][37]
A falta de veículos motorizados não permitiu aos italianos avançar de forma compacta e veloz, por isso no início apenas a "Pasubio" avançou em direção ao Dniepre junto ao III Corpo de exército do 17º Exército alemão, cobrindo seu flanco esquerdo e deixando livres as unidades aliadas para avançar mais para o leste. O comando do corpo expedicionário tentou de todas as maneiras conduzir até o Dniepre a 3ª Divisão Rápida e a Divisão "Torino"[N 2], já que o comando alemão solicitava com urgência essas forças; além disso, o desejo dos oficiais italianos de demonstrar o potencial do Exército Real era importante, mas as duas divisões seguiram a "Pasubio" com grande dificuldade.[35]

Em 6 de setembro, a 3ª Divisão Rápida do general Mario Marazzani alcançou finalmente a "Pasubio", às margens do Dniepre e a "Torino" chegou na semana seguinte, após marchar ininterruptamente por 1 300 quilômetros. Finalmente reunido, o CSIR tomou posição ao longo do front, em um trecho de cerca de 100 quilômetros desde a confluência do Vorskla até a cabeça de ponte de Dnepropetrovsk, que posteriormente foi estendida por mais 50 quilômetros ao sul da cidade.[38] Os temores dos comandantes italianos de terem de participar de ações fora de alcance concretizaram-se em 15 de setembro, quando o CSIR, com todas as três divisões posicionadas no Dniepre, foi designado para comandar a retaguarda do Grupo de Exércitos Sul, a fim de defender um amplo front na margem oeste do rio. No entanto, apenas cinco dias depois, o CSIR retomou o comando do grupo blindado von Kleist e, entre 28 e 30 de setembro, teve a oportunidade de realizar sua primeira operação de guerra autônoma, lembrada pela historiografia italiana como a "manobra de Petrikovka".[39]
Enquanto isso, após se dirigir ao Führer em seu quartel-general em Rastenburg, em 29 de agosto Mussolini chegou de avião a Uman, onde passou em revista as unidades de representação italianas durante sua primeira e única visita ao front oriental. Nessa ocasião, Messe quis falar com o Duce para solicitar o envio de mais veículos motorizados, mas a conversa foi breve e os oficiais ítalo-alemães logo subiram novamente no avião que os levou de volta a Lviv.[40] Na conversa com Mussolini, o general Messe relatara o bom comportamento das tropas, mas também a falta de recursos e materiais para o inverno. O ditador prometera que pressionaria os alemães a respeitar os pactos: os representantes do Eixo haviam de fato estipulado um acordo segundo o qual a Wehrmacht se comprometia a fornecer ao CSIR o suprimento logístico, todo o suprimento de combustível e parte de equipamentos médicos, víveres e material para o reforço bélico. Até a "batalha dos dois rios" tudo transcorreu conforme os acordos, mas durante a transferência para o Dniepre o suprimento de combustível foi reduzido à metade. Lembrando dos milhares de casos de congelamento ocorridos na Albânia e na Grécia, em vista do inverno iminente, Messe contratou "contrabandistas" romenos, mobilizou suboficiais especialistas em suprimentos e comprou no mercado negro da Romênia cavalos, carroças, trenós, casacos de pele e alguns veículos.[41]
De Petrikovka a Donets

No grande cerco de Kiev, o plano alemão previa para os italianos a tarefa de cercar as unidades russas posicionadas entre o rio Orel' e a cabeça de ponte de Dnepropetrovsk; decidiu-se, portanto, um movimento de pinça que convergiria para a cidade de Petrikovka. A operação foi inteiramente confiada ao CSIR, que dispunha agora também da "Pasubio", que havia retornado ao comando italiano. Na manhã de 28 de setembro, a "Torino" atacou os soviéticos com o objetivo de alcançar Obuchivka,[42] rompendo as linhas inimigas defendidas pela 261ª Divisão de Fuzileiros da Guarda, enquanto a "Pasubio" atacava a partir de Caričanka e a "Celere" dedicava-se a operações de varredura. Nos três dias em que se desenrolaram as manobras, o CSIR relatou 87 mortos, 190 feridos e 14 desaparecidos; no entanto, capturou diversas armas e quadrúpedes[43] e fez cerca de 10 000 prisioneiros.[44] Foi um sucesso limitado que recebeu os parabéns do general von Kleist e foi explorado politicamente na Itália: Ciano observou que "o Duce está eufórico pelos sucessos da força expedicionária na Rússia", enquanto Cavallero tentou pressionar Mussolini para que os prisioneiros de guerra fossem transportados à Itália para suprir as necessidades de mão de obra. Mussolini sabia, no entanto, que a política alemã exigia que apenas os prisioneiros destinados ao trabalho forçado fossem transferidos para a Alemanha.[45]
Após atravessar o Dniepre, o corpo blindado alemão teve a tarefa de alcançar a costa do Mar de Azov passando pelo sul, para depois avançar para o leste e conquistar Rostov do Don e a bacia carbonífera do Donets, um centro importante para a indústria bélica soviética. Também nessa ocasião, o CSIR foi encarregado de cobrir o flanco esquerdo da grande unidade, mas ao mesmo tempo esperava-se que as unidades italianas e as unidades do XLIX Corpo de Exército de Montanha Alemão participassem ativamente da ofensiva no Donbass. As unidades foram severamente prejudicadas pelas fortes chuvas e pelo terreno transformado em pântanos lamacentos (um fenômeno conhecido como rasputitsa), que retardavam a marcha da infantaria e as colunas motorizadas de suprimentos. Além disso, o deslocamento progressivo das bases logísticas, unido às dificuldades criadas por uma rede ferroviária precária e com bitola diferente da europeia, limitou severamente as operações dos exércitos alemão e italiano.[46]
Os contratempos fizeram com que o comando italiano, no início de outubro, ameaçasse os alemães de não participar da ofensiva de von Kleist (Operação "Donezlawine"), mas as solicitações não surtiram efeito. Dado que os alemães haviam atribuído aos italianos a ordem de avançar em direção ao importante centro ferroviário de Stalino,[N 3] em 4 de outubro a "Celere" e a "Pasubio" foram as primeiras a se mover, precedidas na vanguarda pelo 3º Regimento de Fuzileiros e pelo Regimento "Lancieri di Novara". A formação era completada pela “Torino”, que seguia em marcha.[47] No dia 9, após eliminar a cabeça de ponte de Ul'janovka, o CSIR alcançou o rio Volč'ja com a primeira queda de neve e, no dia seguinte, os fuzileiros e os homens da 63ª Legião "Tagliamento", juntamente com unidades alemãs, suprimiram a cabeça de ponte de Pavlograd. Em 20 de outubro, os fuzileiros ocuparam então o centro siderúrgico de Stalino e, ao mesmo tempo, descendo do norte, a "Pasubio" abriu caminho em direção à cidade, lutando contra as aguerridas tropas motorizadas soviéticas. A operação concluiu-se em 29 de outubro, mas os italianos, na primeira metade de novembro, voltaram a ocupar Rikovo, Gorlovka e Nikitovka, centros industriais defendidos tenazmente pelos soviéticos.[48] O CSIR começou enquanto isso a consolidar suas posições, apesar da tenaz resistência do Exército Vermelho, para garantir a integridade dos flancos internos do 17º Exército e do 1º Exército Panzer Alemão; por fim, a força expedicionária italiana lançou alguns ataques em condições de inferioridade entre 6 e 14 de dezembro, que levaram no entanto à ocupação de uma linha avançada em forma de foice, bastante vantajosa, entre Debal'cevo e Rassypnoe.[49]
Primeiro inverno na Rússia

Enquanto o CSIR estabelecia sua base operacional em Stalingrado e os engenheiros italianos preparavam sua zona de ocupação com quartéis e fortificações defensivas, antecipando o rigoroso inverno, as forças alemãs já estavam às portas de Moscou. A capital, contudo, não caiu, e em 8 de dezembro o alto comando alemão anunciou que todas as operações no front oriental estavam temporariamente suspensas; a colossal Operação Barbarossa fracassara. O Exército Vermelho aproveitou a ocasião para travar uma série de combates ao longo de todo o front, com o objetivo de manter os alemães e seus aliados ocupados, submetendo-os a um desgaste constante. Mais do que um plano estratégico coerente, a ofensiva soviética refletia o desejo de "testar" os vários setores do front para identificar os pontos de menor resistência, com o objetivo de atacá-los e subjugá-los no momento mais oportuno. Esse conceito de ação não correspondia talvez ao cânone de economia de forças ilustrado em todos os tratados sobre a arte da guerra, mas serviu eficazmente para manter os inimigos num estado de alerta contínuo e perturbador, com o consequente desperdício de armas e munições. O ataque soviético teve no entanto inegáveis sucessos: aliviou a forte pressão das tropas alemãs que desde setembro assediavam Leningrado, conseguindo inclusive reconquistar Kerch e Teodósia em 30 de dezembro, enquanto no front central forçou os alemães a recuar cerca de 200 quilômetros, e no setor sul levou à reconquista de Rostov.[50] No setor sul, tendo reocupado Rostov, os soviéticos decidiram tentar flanquear o posicionamento do Eixo lançando os seus ataques sucessivamente contra o II, o XIV, o XLIX Corpo de Exército Alemão e, finalmente, contra o CSIR.[51]
Os russos cercaram o CSIR ao amanhecer de 25 de dezembro de 1941, travando a chamada Batalha de Natal com três divisões de infantaria, duas divisões de cavalaria e o apoio de artilharia e tanques. Os italianos, auxiliados por dois regimentos alemães, resistiram tenazmente e o general Messe manteve o controle da situação, utilizando da melhor forma os tanques alemães enviados em socorro; a "Batalha de Natal" durou até 31 de dezembro, encerrando assim, após uma semana de intensos combates, um ciclo operacional que envolveu duramente todo o setor da força expedicionária italiana, que terminou vitoriosamente apesar das duras condições climáticas e da nítida inferioridade numérica.[52] O plano russo visava separar o XLIX Corpo de exército alemão do CSIR, rompendo as linhas no ponto defendido pelo "Celere" e avançando em direção a Stalino: embora excelente do ponto de vista tático, a infantaria soviética não conseguiu explorar habilmente as brechas criadas no setor italiano em 25 de dezembro, concentrando-se no ataque aos redutos e permitindo assim às reservas italianas chegar aos pontos críticos. Nesta fase do combate, os russos seguiram uma tática mais semelhante à da Primeira Guerra Mundial do que à utilizada pelos alemães na Polônia e na França: a cavalaria foi usada em apoio à infantaria em vez de ser lançada além das linhas de resistência. Apenas no inverno seguinte os soviéticos modificaram radicalmente suas táticas, com resultados decisivos.[53] Com esse confronto, encerrou-se a primeira fase operacional da Força Expedicionária Italiana na Frente Oriental, e os homens se prepararam para enfrentar o inverno da melhor maneira possível. As unidades superaram isso muito bem, graças sobretudo à amarga experiência adquirida durante a guerra no front greco-albanês, que levou Messe e os comandos inferiores a compensar as carências com a compra de roupas de inverno dos exércitos romeno e húngaro,[54] e reabastecendo-se no mercado negro. Finalmente, o CSIR beneficiou-se da exclusão, devido à falta de veículos motorizados e blindados, das manobras em grande escala que eram de responsabilidade exclusiva dos alemães. Operações de maior envergadura ocorreram na região de Izium, onde o comando italiano atendeu aos pedidos urgentes dos alemães apenas entre janeiro e junho de 1942, quando foram enviados grupos táticos de combate reunidos às pressas, para garantir a segurança das retaguardas e desempenhar missões de combate negligenciáveis com fins defensivos e ofensivos.[55]
As divisões italianas eram inferiores às alemãs em termos de poder de fogo, mobilidade e comunicação; o nível de treinamento dos suboficiais e das tropas deixava bastante a desejar e os oficiais não estavam habituados aos métodos de comando empregados pelos alemães. No entanto, ao observar o primeiro ano de guerra do CSIR na Rússia, o Estado-Maior da Kriegsmarine concluiu: "no teatro russo estão empregadas três divisões [italianas] que estão lutando de maneira louvável". O bom desempenho oferecido pelas forças italianas foi mérito também do general Messe, que soube motivar as tropas e, ao mesmo tempo, conseguiu ser inflexível com os subordinados que não correspondiam às suas expectativas, chegando inclusive a receber reconhecimento do comando alemão.[56]
Constituição do 8º Exército

Durante o inverno, Messe esforçou-se para que a Força Expedicionária fosse capaz de manter a todo custo a posição conquistada no inverno e insistiu várias vezes para que fosse reorganizada de modo a poder participar com sucesso das ofensivas de 1942. O que mais preocupava o general não era tanto o aumento numérico de suas tropas, mas sim a melhoria de sua eficiência em combate: precisavam de artilharia pesada, veículos motorizados, tanques e armas antitanque. Duas novas divisões (possivelmente alpinas) deveriam substituir as mais desgastadas, para depois serem reorganizadas em grandes unidades motorizadas capazes de se deslocar rapidamente quando as operações fossem retomadas.[57] A situação precária no front, contudo, não permitiu nem mesmo a substituição da 3ª Divisão "Celere" (a mais enfrquecida) e, além disso, o que Messe havia solicitado era difícil de obter internamente, sem mencionar os problemas relacionados ao transporte. Na primavera de 1942, a "Celere" foi convertida em uma divisão motorizada, seus regimentos de cavalaria foram unidos em um agrupamento montado, as tropas diretamente dependentes do Comando do Corpo de Exército foram reforçadas por um batalhão de tropas alpinas selecionadas e as perdas sofridas foram repostas pela retirada de homens das duas divisões motorizadas. O comando supremo italiano optou então por um compromisso entre os pedidos urgentes de suprimentos feitos por Messe e as necessidades decorrentes da decisão de Mussolini de aumentar consideravelmente o envolvimento militar na Rússia.[58]

O primeiro comboio do CSIR ainda não tinha partido quando o ditador, em 2 de julho, apresentou ao embaixador Hans Georg von Mackensen a ideia de destacar mais três divisões para o front oriental. Poucos dias depois, começou a pressão sobre Hitler para aprovar o envio de tropas italianas e, em 14 de julho, Mussolini ordenou oficialmente ao General Mario Roatta que preparasse uma nova força expedicionária para a frente russa.[58] Na época, o estado-maior já verificava a oportunidade de enviar um segundo corpo de exército e, nessa ocasião, foi examinada a possibilidade de reunir os dois corpos sob um único comando de exército. Apesar da hesitação alemã, em 15 de novembro Mussolini dispôs o início dos preparativos para organizar mais dois corpos de exército, que seriam reunidos sob o futuro 8º Exército.[59] Fundamentalmente, as motivações por detrás deste novo esforço eram as mesmas que motivaram a intervenção do CSIR, embora o Duce estivesse ciente de que o engajamento ultrapassava o potencial militar do exército.[60] O medo de Mussolini de perder peso político em favor da Romênia (que conquistara Odessa) e da Hungria, e a centralidade já assumida pelas operações no front oriental, convenceram-no da necessidade de reforçar a posição da Itália entre os estados da coalizão fascista com o envio maciço de tropas, na tentativa de recuperar prestígio aos olhos de Hitler.[61] Mussolini considerava a Alemanha nazista o único aliado com o qual poderia realizar seus sonhos imperialistas e estava convencido de que venceria a guerra na Rússia, embora julgasse que os combates seriam mais duros e mais longos que o previsto; esperava além disso que, após a vitória, a Wehrmacht atacasse a partir do Cáucaso as possessões britânicas no Oriente Próximo, formando, com o avanço da Líbia, um movimento de pinça que revitalizaria a sorte italiana no Norte da África e ocuparia os ricos campos de petróleo do Oriente Médio.[62][63] Essa última motivação, totalmente irrealista, era porém considerada vital pelos líderes italianos para continuar a guerra e dar novo fôlego à economia, em particular graças aos vastos recursos agrícolas, minerais e energéticos da URSS. Os alemães, por sua vez, tinham feito um esforço notável na campanha e mostraram-se pouco inclinados a conceder aos aliados os frutos da esperada vitória: desde o primeiro momento, concederam aos aliados italianos apenas os recursos conquistados em campo pelo seu exército.[64] A situação mudaria em meados de 1942, quando o ministro da economia alemão Walther Funk comunicou a Roma que a Alemanha estava mais aberta a compromissos, admitindo que o Reich não era capaz sozinho, e em tempo útil, de explorar todos os recursos soviéticos "num grau adequado às necessidades do Eixo e da Europa".[65]
Assim como ocorrera com a solicitação de enviar ao front o CSIR, Hitler inicialmente não era muito favorável à chegada de mais tropas italianas;[66] no entanto, com o fracasso da Operação Barbarossa e a bem-sucedida contraofensiva soviética de dezembro de 1941, a situação estratégica mudara radicalmente, e as duras derrotas sofridas ofereceram a Mussolini a ocasião para recuperar prestígio aos olhos dos alemães. Já em 14 de dezembro, o general Alfred Jodl, chefe do estado-maior de operações (Wehrmachtführungsstab) junto ao alto comando da Wehrmacht, comunicou ao adido militar italiano em Berlim, a pedido de Hitler, "que além do Corpo Alpino oferecido pelo Duce pouco tempo antes, seria empregado mais um Corpo Italiano". Na semana seguinte, o Führer decidiu pressionar a Itália, a Romênia e a Hungria para que preparassem forças numerosas para as operações de 1942, de modo a tê-las disponíveis em pouco tempo. Por fim, em 29 de dezembro, Hitler comunicou oficialmente a Mussolini sua mudança de estratégia e o Duce aproveitou plenamente a ocasião.[67]

Os primeiros meses de 1942 foram dedicados à seleção e ao preparo da nova unidade e de seus comandantes e, no final de abril, foi ativado o 8.º Exército (ou Exército Italiano na Rússia - ARMIR): uma vez transferido para a frente oriental, absorveria o CSIR, que assumiria a denominação de XXXV Corpo de Exército, ainda sob o comando de Messe. Comandado pelo general Italo Gariboldi,[N 4] o exército foi dividido no II Corpo de Exército do general Giovanni Zanghieri, com a 2.ª Divisão de Infantaria "Sforzesca", a 3.ª Divisão de Infantaria "Ravenna" e a 5.ª Divisão de Infantaria "Cosseria"; e sob o comando do 4.º Corpo de Exército Alpino do general Gabriele Nasci, com a 2.ª Divisão Alpina "Tridentina", a 3.ª Divisão Alpina "Julia" e a 4.ª Divisão Alpina "Cuneense". Foi designada diretamente ao exército a 156.ª Divisão de Infantaria "Vicenza", destinada a funções de proteção e repressão nas retaguardas, e também estavam disponíveis dois grupos de camisas-negras, "23 Marzo" e "3 Gennaio", equipados com 4 batalhões de fuzileiros e dois batalhões com armamento pesado. No total, o 8.º Exército contava com cerca de 229 000 homens, 224 canhões Breda 20/65 Mod. 1935, 28 canhões antigos 65/17 Mod. 1908/1913, 600 peças de artilharia, 52 canhões antiaéreos modernos 75/46 C.A. Mod. 1934, 297 canhões antitanque 47/32 (dos quais 19 na versão autopropulsada L40); a estes somaram-se 36 peças 75/32 Mod. 1937 do 201.º Regimento de Artilharia Motorizada e 54 canhões antitanque 7,5 cm PaK 97/38 fornecidos pelos alemães, assim que se soube da vulnerabilidade das divisões italianas a ataques blindados. Quanto aos veículos motorizados, o ARMIR dispunha de 16 700 veículos, 1 130 tratores de artilharia, 4 470 motocicletas e 25 000 animais de carga, tração e montaria. Um ponto fraco notável era a disponibilidade de tanques: além de alguns carros blindados e dos canhões autopropulsados já mencionados, havia apenas 31 tanques leves L6/40, completamente ineficazes contra os tanques russos T-34. Em suma, o ARMIR estava equipado com o melhor que o Exército Real podia oferecer e as divisões, embora deficientes em mobilidade e poder de fogo, foram para a frente com equipamento completo, quando muitas divisões alemãs ainda estavam exaustas dos combates do ano anterior.[68]
Assim que tomou conhecimento das ótimas notícias que aguardavam as forças italianas na frente oriental, Messe correu para Roma e conseguiu uma audiência com Mussolini, tentando explicar ao ditador os enormes riscos que seriam enfrentados com um exército sem veículos blindados e com poucos veículos motorizados. Entre elogios e bajulação, Mussolini confidenciou a Messe: "Devo estar ao lado do Führer na Rússia, assim como o Führer esteve ao meu lado na guerra contra a Grécia e como ainda está na África. [...] Caro Messe, na mesa de negociações de paz, os 200 000 do ARMIR pesarão mais do que os 60 000 do CSIR".[69]
O componente naval

O Mar Negro assumiu uma importância considerável durante as operações do cerco à cidade de Sebastopol. O Generaloberst Erich von Manstein, após conquistar a Crimeia, em outubro de 1941 teve de parar diante das fortificações que defendiam a cidade. O alto comando alemão avaliou então a possibilidade de enviar por via terrestre pequenos torpedeiros ao Mar Negro, na tentativa de atingir a frota soviética que, do mar, continuava a abastecer os sitiados e a apoiá-los com o tiro de seus canhões. Considerando o sucesso da operação de Alexandria de dezembro de 1941, durante a qual alguns pequenos torpedos de velocidade lenta conseguiram afundar os couraçados HMS Queen Elizabeth e HMS Valiant, em 14 de janeiro de 1942 o comandante da Kriegsmarine, Erich Raeder, reuniu-se com seu homólogo italiano, Arturo Riccardi, e os dois concordaram em enviar ao Mar Negro uma flotilha composta por dez MAS, seis minissubmarinos de classe CB e cerca de dez torpedeiros e barcos explosivos.[70]

A unidade, designada como 4ª Flotilha MAS, foi colocada sob o comando do capitão de fragata Francesco Mimbelli e transferida por terra para a costa do Mar Negro, onde chegou em maio de 1942 com o nome de "Autocolonna M.O. Moccagatta", estabelecendo sua base nos portos de Yalta e Teodósia. Os MAS e os submarinos italianos foram imediatamente envolvidos nas operações contra a fortaleza soviética de Sebastopol, atacando o tráfego de entrada e saída da cidade. Com a queda da cidade em 4 de julho de 1942, a unidade foi transferida para o Mar de Azov para fornecer proteção ao tráfego naval alemão, prosseguindo depois com missões de patrulhamento ao longo das costas controladas pelos soviéticos.[71] Em virtude dos ótimos resultados obtidos, os alemães solicitaram a intervenção dos MAS também nas margens do lago Ladoga, em apoio às tropas alemãs e finlandesas engajadas no Cerco de Leningrado. A pequena 12ª Esquadrilha MAS chegou em 15 de agosto de 1942 e foi colocada sob o comando do capitão de corveta Bianchini; foi envolvida na caça ao tráfego naval soviético (que constituía a única via de abastecimento para a cidade sitiada), durante a qual afundou uma canhoneira e um navio de transporte. Com a chegada do inverno, em 22 de outubro, os MAS foram cedidos aos finlandeses e as tripulações italianas repatriadas. Após a retirada das forças italianas da frente russa e o armistício de 8 de setembro de 1943, as tripulações no Mar Negro foram internadas pelos alemães, enquanto os navios, já em péssimo estado de manutenção, foram adquiridos pelos romenos e acabaram em mãos soviéticas em Constança, em agosto-setembro de 1944.[72]
O exército italiano na frente oriental

Em 3 de junho de 1942, o CSIR deixou de fazer parte do 1º Exército Panzer e foi oficialmente incorporado ao 8.º Exército, assumindo o nome de XXXV Corpo de Exército; em 8 de julho, Gariboldi decidiu transferir a "Torino" do XXXV Corpo para o II, substituindo-a pela "Sforzesca": com isso quis demonstrar sua vontade de romper a unidade do antigo corpo de exército e reafirmar assim sua autoridade sobre Messe.[73] Ao mesmo tempo, Gariboldi foi informado pelo comando do 17.º Exército alemão, ao qual agora estava subordinado o XXXV Corpo, que "em caso de necessidade" daria ordens diretamente a Messe sem passar pelo comando de exército, como aliás fez durante o período de avanço das divisões italianas em direção ao Dom. A contribuição italiana no verão permaneceu, portanto, substancialmente a mesma de 1941: reforço às grandes unidades motorizadas alemãs e reserva para ser usada no combate às contraofensivas soviéticas.[74] O 8.º Exército foi enviado ao Dom como parte da nova estratégia de Hitler para o verão de 1942, que previa um grande ataque na frente sul com o objetivo de Stalingrado (ponto estratégico das comunicações russas) e o Cáucaso (rico em petróleo).[63][75] Dado que a Wehrmacht já não era capaz, como no ano anterior, de atacar simultaneamente em todos os setores da frente, o golpe decisivo devia ser desferido na frente sul com o propósito de "aniquilar definitivamente o potencial militar residual dos soviéticos e eliminar as suas principais fontes de abastecimento para a economia de guerra".[76]
Em 5 de abril de 1942, Hitler emitiu a "diretiva número 41", na qual se delineava uma série de ofensivas coordenadas e oportunamente escalonadas, que tinham como objetivo principal a região do Cáucaso. A diretiva estabelecia que as formações aliadas seriam empregadas em seus próprios setores entre Oriol e o Dom e no istmo de Stalingrado: a parte mais ao norte da área foi designada aos húngaros, à sua direita foram posicionados os italianos e, por fim, ao sudeste da grande cidade, foram posicionados os romenos.[77] Hitler decidiu ainda subdividir o Grupo de Exércitos Sul em Grupo de Exércitos B, com Stalingrado como objetivo, e Grupo de Exércitos A, que deveria avançar para o Cáucaso. Na realidade, as forças alemãs eram demasiado fracas para conduzir a ação simultânea e, a esse respeito, o chefe do estado-maior do exército, Generaloberst Franz Halder, expressou suas reservas ao Führer: aconselhou-o a ater-se ao plano previamente estabelecido, que previa uma ofensiva preliminar contra Stalingrado e só depois em direção ao Cáucaso, evitando, entre outras coisas, submeter os exércitos posicionados ao longo do rio Dom a um esforço excessivo. Hitler, contudo, não levou em conta essas reservas e, em 28 de junho, ordenou o início da grande ofensiva de verão.[78]

Do lado italiano, a intenção era transferir o 8.º Exército em dois escalões, em 1.º de maio e 1.º de junho de 1942, mas atrasos consideráveis fizeram com que o II Corpo de Exército só pudesse partir em 17 de junho rumo a Kharkiv, de onde se dirigiria a Stalino. O Corpo Alpino partiu em 14 de julho e reuniu-se no início de setembro em Izium, Gorlovka e Rykovo; por último chegou a divisão "Vicenza", que entrou em seu setor de operações só em outubro.[79] O 8.º Exército foi designado ao Grupo de Exércitos B, composto pelo 4.º Exército Panzer e pelo 6.º Exército, e conforme os planos foi destinado a tarefas de reforço, limpeza das retaguardas e, sobretudo, de defesa da ala norte.[75] Em 13 de agosto, o general Gariboldi assumiu o comando do exército e recebeu a incumbência de defender o setor da frente no trecho central do Dom, anteriormente ocupado por unidades alemãs, que se estendia por 270 quilômetros entre Pavlovsk e a foz do rio Khoper. Atrás desse trecho estendia-se uma vasta zona de ocupação delimitada a oeste pelo rio Oskol e a leste pela linha ferroviária Millerovo-Rossosh-Voronej, enquanto ao norte a fronteira se encontrava além da linha Rossosh'-Sheljakino-Nikitovka; ao sul, seguia a linha Starobelsk-Millerovo. Essa região administrativa abrangia 21 distritos, 265 cidades e municípios e uma população de 476 000 pessoas.[23] Em 19 de agosto, portanto, os Alpini, inicialmente encarregados de ir ao Cáucaso para apoiar os Gebirgsjäger e as outras divisões alemãs, receberam ordens para inverter a sua marcha e dirigir-se ao setor do 8º Exército, com o objetivo de reforçar o escasso destacamento italiano no rio.[80]
Durante as primeiras semanas, a ofensiva alemã, apesar da forte oposição soviética, obteve sucessos notáveis e a periferia de Stalingrado foi alcançada em 23 de agosto; atrás do Dom, uma formidável barreira natural, e das tropas italianas, havia uma reserva suficiente de forças móveis alemãs, razão pela qual a situação não suscitou particular preocupação nos comandantes: alguns ataques de socorro realizados pelos soviéticos entre agosto e setembro foram rechaçados. No entanto, a prolongação dos combates ferozes casa a casa [it] consumiu progressivamente as forças motorizadas alemãs e, em meados de novembro de 1942, Stalingrado, reduzida a um deserto de ruínas defendido pelo 62.º Exército da União Soviética, ainda não havia sucumbido; as operações no Cáucaso também haviam estagnado diante da dureza do terreno e das inesperadas contraofensivas inimigas.[75] O plano de Hitler só poderia ter tido sucesso se os soviéticos tivessem sofrido o ataque passivamente, mas esta hipótese, como era previsível, não se concretizou, e os exércitos satélites do Eixo viram-se encurralados num setor de risco, sem reservas adequadas e sem verdadeiro apoio mecanizado.[78]

Os oficiais do 8.º Exército italiano perceberam logo que os soviéticos não estavam de modo algum próximos do colapso: eles de fato atacaram fortemente no final de agosto o setor ocupado pela "Sforzesca" (primeira batalha defensiva do Dom) e realizaram durante todo o verão várias ofensivas no setor do II Corpo de Exército, culminando com violentos ataques na curva de Serafimovich, que infligiram graves perdas à 3.ª Divisão "Celere".[81] Por esse motivo, o comando do 8.º Exército solicitou várias vezes o envio de outras reservas alemãs e a redução de seu setor defensivo. Em outubro, quando o 3.º Exército romeno foi posicionado entre o ARMIR e o 6.º Exército alemão, o momento certo parecia ter chegado para atender às demandas italianas, mas os romenos se recusaram a substituir duas divisões italianas e os alemães se limitaram a encurtar a frente do 8º Exército em apenas cerca de 40 quilômetros.[80] No início de novembro, o desdobramento do ARMIR estava, portanto, concluído e as divisões haviam ocupado suas posições de inverno: na ala esquerda do exército estava posicionado o Corpo de Exército Alpino com, em ordem, as divisões "Tridentina", "Julia" e "Cuneense" (que mantinha contato com o 2.º Exército húngaro ao norte de Pavlovsk); o II Corpo com as divisões "Cosseria" e "Ravenna", que ocupou o setor entre Novaya Kalitva e Kuselkin, particularmente vulnerável por estar exposto à curva do rio perto de Verkhny Mamon, que representava uma ótima cabeça de ponte para os soviéticos; seguido pelo XXXV Corpo, com a "Pasubio" e a 298.ª Divisão de Infantaria, e o XXIX. Korps com a divisão "Torino", a 62.ª Divisão de Infantaria e a enfraquecida "Sforzesca", que foi anexada ao 3.º Exército romeno. As reservas eram constituídas pela 294.ª Divisão de Infantaria, pela 22.ª Divisão Panzer e pela dizimada 3.ª Divisão "Celere", muito desgastada pelos combates de verão. Os alemães enviaram então forças significativas em apoio aos italianos, pois Hitler estava convencido de que, diante de uma ofensiva quase certa do Exército Vermelho vinda do norte sob o comando de Serafimovich em direção a Rostov, o 8º Exército não seria capaz de oferecer uma resistência eficaz.[82] Em Stalingrado, decidiu-se portanto o destino não só das divisões alemãs, mas também do 8.º Exército, visto que a porção sul da frente oriental, que se expandira imensamente, era agora demasiado vasta para ser adequadamente guarnecida: para piorar o quadro geral, a duríssima batalha urbana em Stalingrado logo consumiu as modestas reservas alemãs, desgastou o componente blindado e colocou sob pressão o sistema logístico, deixando de fato desprotegida a estepe atrás do enfraquecido contingente do Eixo.[83]
Primeira batalha defensiva do Dom

De 13 a 18 de agosto, os exércitos da Frente de Voronezh, comandada pelo general Nikolai Vatutin, e os da Frente de Stalingrado, sob o comando do general Andrei Yeremenko, desferiram uma série de fortes ataques que colocaram em dificuldade as defesas do Eixo; os soviéticos não conseguiram fazer nenhum avanço significativo, mas com seus dispendiosos ataques conquistaram valiosas cabeças de ponte ao sul do Dom. No setor húngaro, o 40.º Exército soviético conseguiu estabelecer uma posição a oeste do rio em Korotojak e mais ao sul, à direita dos italianos, o 1.º Exército de Guardas atacou o XVII. Korps e atravessou o Dom em Kremenskaja, obtendo uma segunda cabeça de ponte.[84] Por fim, em 20 de agosto, o Exército Vermelho concentrou sua pressão no ponto de junção entre o ARMIR e o 6.º Exército alemão, defendido pela 2.ª Divisão "Sforzesca" e pela 79.ª Divisão de infantaria alemã, com o objetivo de criar uma cabeça de ponte sobre o Dom, ameaçando a principal via de abastecimento do 6.º Exército, que estava fortemente engajado em Stalingrado. A "Sforzesca" havia ocupado os 30 quilômetros de seu setor menos de dez dias antes e, sem experiência no tipo de combate na frente oriental, imediatamente se mostrou vulnerável.[85]

O ataque colocou em grande dificuldade as defesas italianas; em particular, o 54.º Regimento de infantaria, posicionado no flanco direito no setor de Bobrovskij, no distrito de Serafimovich, já em parte ocupado pelos soviéticos, mostrou sinais de fraqueza e teve de recuar. Em 21 e 22 de agosto, a ofensiva soviética estendeu-se ao flanco esquerdo, defendido pelo 53.º Regimento: as tropas da “Sforzesca” foram obrigadas a recuar para uma linha mais atrás para evitar que a frente fosse contornada e para fechar dois vales fluviais que poderiam ser usados para uma ofensiva pela retaguarda, mantendo assim também uma base para eventuais contra-ataques. A retirada, no entanto, foi caótica, pontuada por momentos de total confusão e pânico.[86][87] O Comando do Grupo de Exércitos B, preocupado com a perda do ponto forte de Chebotarevski, que parecia ameaçar diretamente a via de abastecimento para Stalingrado, em 25 de agosto decidiu subordinar o XXXV Corpo italiano ao XVII Korps, ordenando ao mesmo tempo que se bloqueasse a retirada da "Sforzesca" a qualquer custo. Essa decisão, que indiretamente gerou desconfiança no general Messe, foi revogada dois dias depois, após veementes protestos italianos, e abalou consideravelmente as relações entre os dois aliados.[88]
Apesar de tudo, o comando italiano decidiu intervir para impedir o colapso, enviando unidades da experiente 3.ª Divisão "Celere", do batalhão alpino de esquiadores "Monte Cervino" e da Legião Croata; juntou-se também o 179º Regimento Panzergrenadier, destacado do XVII Corpo alemão, para reforçar a 9.ª Divisão "Pasubio", posicionada à esquerda da "Sforzesca" e também sob ataque.

Em 23 de agosto o general Messe organizou um contra-ataque para cobrir a retirada da "Sforzesca" e conter o avanço soviético: no entanto, as tentativas das unidades "Celere" e do regimento alemão não tiveram sucesso, enquanto as corajosas investidas dos regimentos de cavalaria italianos, em particular a ação do "Savoia Cavalleria" em Isbushenski, obtiveram ao menos o resultado de desorganizar alguns batalhões de fuzileiros soviéticos e retardar a concentração inimiga na cabeça de ponte de Serafimovich.[89] Os confrontos continuaram intensos, mas a chegada de reforços italianos evitou o desastre e, em 26 de agosto, os soviéticos suspenderam todas as ações e posicionaram-se nas importantes posições táticas alcançadas ao sul do Dom.[90]
Enquanto a oeste de Serafimovich a "Sforzesca" era duramente pressionada, em 22 e 23 de agosto outras unidades soviéticas atacaram a 3.ª Divisão "Ravenna", posicionada mais ao norte ao longo do meio do rio Dom: a divisão perdeu terreno e o inimigo pôde estabelecer uma nova cabeça de ponte em Osetrovka, na perigosa curva de Verkhny Mamon. Lá, os soviéticos foram contidos graças ao apoio de unidades da 5.ª Divisão "Cosseria", mas a importante posição não foi reconquistada e permaneceu como um segundo e perigoso baluarte na frente italiana.[91] No início de setembro, a situação pareceu voltar à tranquilidade, mas a batalha havia provocado sérios atritos entre italianos e alemães; estes últimos, aliás, já haviam nomeado em 27 de agosto o general Kurt von Tippelskirch como chefe do estado-maior de ligação alemão, na esperança de que um oficial de alta patente pudesse ter mais influência sobre o comando italiano do que um simples major. O objetivo final era transformar o estado-maior de ligação em um órgão de gestão, capaz de agir autonomamente em situações críticas, buscando assim superar as desconfianças e incompreensões mútuas.[92]
As ofensivas de inverno soviéticas
Estamos no Volga, e nenhuma potência no mundo conseguirá nos expulsar de lá
— Adolf Hitler durante um discurso em Munique, 9 de novembro de 1942[93]
Em 19 de novembro de 1942, uma grande contraofensiva soviética teve início no setor de Stalingrado (Operação Urano); em poucos dias foram subjugados o 3.º e o 4.º Exércitos romenos, posicionados ao norte e ao sul do 6.º Exército do general Friedrich Paulus: na cidade arrasada, encontraram-se encurralados cerca de 250 000 soldados alemães, 13 000 romenos e centenas de húngaros, croatas e italianos.[75] Os alemães tentaram reagir rapidamente e, já em 21 de novembro, Hitler convocou da frente de Leningrado o prestigiado marechal de campo Erich von Manstein para atribuir-lhe o comando de um novo Grupo de Exércitos Don, com a incumbência de restabelecer a situação na área.[94] Von Manstein pôs-se imediatamente ao trabalho para organizar uma tentativa de romper o cerco (Operação Tempestade de Inverno) e salvar o 6.º Exército; foram, portanto, convocadas todas as forças blindadas disponíveis, entre as quais as reservas na retaguarda da frente do Dom defendida pelo exército italiano. Na realidade, já uma semana antes da Operação Urano a 22.ª Divisão blindada havia sido transferida às pressas para o XLVIII. Panzerkorps operante no setor romeno, onde aliás não pôde evitar de modo algum o avanço e a derrota das forças do Eixo. Após os primeiros sucessos soviéticos, dirigiram-se também apressadamente para o sul a 62.ª e a 294.ª Divisões, agrupadas no destacamento operacional alemão-romeno "Hollidt", recém-formado para socorrer o 3.º Exército romeno. A "Celere" teve portanto de mudar de posicionamento para ocupar o espaço deixado vazio pela 62.ª Divisão de infantaria: na prática, o comando italiano encontrou-se sem mais nenhuma reserva disponível. Restava apenas a 298.ª Divisão de Infantaria, anexada ao XXXV Corpo de Exército, a qual porém, embora equipada com um bom número de canhões antitanque médios e pesados, não era muito mais eficiente do que uma divisão italiana.[95]

A contraofensiva alemã começou em 12 de dezembro de 1942 e colocou em dificuldade as forças soviéticas, que consequentemente tiveram de rever seus planos futuros relativos a uma segunda ofensiva, prevista exatamente para aqueles dias: ela foi, portanto, antecipada, reduzida (a Operação Saturno original tornou-se "Pequeno Saturno") e direcionada contra o Grupo de Exércitos Don, na tentativa de impedir que as forças de von Manstein socorressem as unidades cercadas em Stalingrado.[96] Desde o final de novembro, os alemães haviam começado a temer um possível ataque contra o 8.º Exército, considerado fraco e com divisões pouco confiáveis, mas inicialmente nem o OKW nem o general von Tippelskirch tinham informações precisas sobre as reais intenções soviéticas. Nos primeiros dias de dezembro, von Tippelskirch havia recebido informações acerca de movimentos inimigos, que contudo foram interpretados como preparativos para ataques modestos para testar as defesas ítalo-alemãs.[97] De qualquer modo, ao setor do ARMIR chegaram algumas unidades de reforço de caça-tanques, embora o seu valor fosse insignificante se comparados, em número e qualidade, às máquinas disponíveis no Exército Vermelho no final de 1942 na frente de Stalingrado; até 10 de dezembro, foram enviadas ao setor também a 385.ª Divisão de infantaria, a fraca 27.ª Divisão Panzer, o 318.º Regimento de granadeiros da 213.ª Divisão alemã (semelhante em função à "Vicenza") e o 14.º Regimento de polícia, enquanto outras unidades estavam a caminho.[98]
Pequeno Saturno


Originalmente a Operação Saturno previa o uso da ala esquerda da Frente Sudoeste do general Nikolai Vatutin que, reforçada em um segundo momento pelo poderoso 2.º Exército de Guardas sob o comando do general Rodion Malinovsky, romperia as defesas italianas ao longo do curso médio do Dom para depois avançar em profundidade até a conquista de Rostov; desse modo, tanto o Grupo de Exércitos Don de von Manstein quanto todo o Grupo de Exércitos A, que havia se aventurado no Cáucaso, seriam isolados.[99] Ao mesmo tempo, porém, o marechal de campo alemão havia começado a concentrar as forças de reserva enviadas às pressas para a frente oriental em duas formações, o XLVIII Corpo blindado na confluência dos rios Chir e Dom e o LVII Corpo blindado nas proximidades de Kotelnikovo; ele pretendia lançar uma contraofensiva dupla o mais rápido possível para recuperar o terreno perdido. A ameaçadora concentração das reservas alemãs obrigou o alto comando soviético (Stavka) a modificar seus planos e optou-se por retirar da frente do general Vatutin o 2.º Exército de Guardas, realocado à frente de Stalingrado para conter uma eventual contraofensiva alemã; foi então revisada a Operação Saturno: essa variante (chamada "Pequeno Saturno") previa ainda uma grande ofensiva no médio Dom, à qual porém seguiria um movimento de contorno e cerco menos profundo do 8.º Exército italiano e do destacamento Hollidt, posicionados na defesa das margens sul do Dom e do Chir, renunciando ao avanço sobre Rostov.[100]
O LVII Corpo blindado realizou a Operação Tempestade de Inverno em 12 de dezembro e inicialmente repeliu o 51.º Exército soviético para o norte, aproximando-se do cerco de Stalingrado onde estava cercado o 6.º Exército, mas o comando supremo soviético conseguiu controlar a situação. O 2.º Exército de Guardas foi enviado para combater o avanço alemão de Kotelnikovo, enquanto o 1.º Exército de Guardas da Frente Sudoeste e o 6.º Exército da Frente de Voronezh lançaram em 16 de dezembro, como previsto, a Operação Pequeno Saturno contra o ARMIR e o destacamento Hollidt do 3.º Exército romeno.[101] Na realidade já a partir de 11 de dezembro os soviéticos haviam iniciado uma série de ataques ao exército italiano, atacando-o repetidamente no centro com unidades da força de um batalhão: os setores mais atingidos foram o entre Novaya Kalitva e Samodurovka coberto pela "Cosseria", o de Derezovka ocupado pelo 318.º Regimento alemão, o de Verkhny Mamon sob controle da "Ravenna" e a curva do Dom em Ogolev, onde se encontrava a "Pasubio". O objetivo dessas ações limitadas era desgastar as forças italianas; toda vez que as tropas soviéticas conseguiam penetrar, os italianos passavam ao contra-ataque e as repeliam, colocando porém em campo todas as forças e reservas alemãs disponíveis. O preço pago foi muito alto em termos de perdas e, apesar da inadequação das posições e da escassa coordenação com a artilharia, que causava perdas de terreno diárias, o julgamento dos oficiais de ligação alemães sobre o comportamento das tropas italianas foi geralmente positivo.[102]

Dado que a situação no setor do II Corpo de Exército estava progressivamente piorando, na tarde de 15 de dezembro o comando do Grupo de Exércitos B ordenou retirar a "Cosseria", já no limite das forças, da ala esquerda, deslocando-a para reforçar a "Ravenna" e posicionar em seu lugar a 385.ª Divisão de infantaria, que deveria ocupar o setor às 06:00 do dia seguinte. Contudo, a ordem não pôde ser cumprida porque, no amanhecer de 16 de dezembro, começou a ofensiva dos dois exércitos soviéticos, com uma força total de 170 000 homens, 754 tanques e mais de 2 000 canhões, sob cuja pressão o II Corpo começou a ceder.[103] O ataque obteve sucessos notáveis desde o início, mas não decisivos: a densa neblina dificultou o uso da artilharia e da aviação, enquanto os tanques foram prejudicados pelos campos minados e pela resistência da infantaria italiana, que já se mostrava desesperada. Não obstante, os pontos fortes italianos, mal conectados entre si, foram cercados e destruídos, a tal ponto que, à tarde, o coronel Bolzani comunicou ao comando do 8.º Exército que a "Ravenna" havia sido derrotada e seus homens haviam recuado às pressas: o comandante da divisão, general Francesco Dupont, informou que não tinha mais o controle sobre as tropas. No dia 17, os ataques prosseguiram e os soviéticos concentraram seus esforços na cabeça de ponte de Verkhny Mamon. Dessa vez, a resistência foi em vão e o II e o XXXV Corpo, que combatiam no lado direito e esquerdo da brecha aberta e corriam o risco de ser cercados, foram forçados a recuar, comprometendo definitivamente os planos alemães que previam uma firme oposição à nova ofensiva soviética até a chegada das reservas, de modo a proteger o LVII Corpo blindado que tentava libertar Stalingrado.[104] Ao fim do dia, a resistência italiana cedeu de repente e o pânico começou a se espalhar; as divisões se desintegraram e as tropas começaram a recuar por iniciativa própria, um movimento que envolveu também algumas unidades alemãs. No caos crescente, não era mais possível manter a comunicação entre os comandos e as tropas; os oficiais na frente permaneceram sem ordens precisas, e no quartel-general nem Gariboldi nem os oficiais do estado-maior compreendiam a dimensão do desastre e a necessidade imediata de diretrizes precisas. Uma massa de soldados italianos começou a recuar em direção a Taly e Kantemirovka, que em alguns trechos assumiu os traços de uma derrota total: tal como havia acontecido com a "Sforzesca" em agosto, a resistência italiana cessou assim que se percebeu que não seria mais possível manter as posições. Os jovens oficiais, mal treinados, não foram capazes de gerir a situação e não puderam contar com os seus superiores, que, por sua vez, se revelaram incompetentes.[105]

Em meio à extrema confusão, destacaram-se atos de bravura e heroísmo entre as tropas, mas as deficiências estruturais do Exército Real (falta de equipamentos, veículos motorizados e familiaridade com o combate em retirada), unidas às condições ambientais extremas, em geral anularam os episódios mais marcantes e, em momentos críticos, a coesão muitas vezes falhou.[106] Como não existia um plano pré-estabelecido para a retirada, a artilharia foi abandonada, a infantaria recuou a pé e não foi dizimada pelas unidades blindadas soviéticas apenas porque o Stavka e os oficiais superiores, tendo compreendido as vantagens das manobras em profundidade, preocuparam-se exclusivamente em lançar nas retaguardas os grupos mecanizados, limitando-se a hostilizar as indefesas colunas italianas.[107] No dia 19, os soviéticos alcançaram Kantemirovka, um dos centros logísticos do 8.º Exército, e Chertkovo: desse modo, o Exército Vermelho conseguiu penetrar profundamente atrás do XXXV Corpo e do XXIX. Korps, interrompendo assim a importante ligação ferroviária entre Millerovo e Rossosh'. Quando, dois dias depois, os soviéticos se reagruparam em Degtevo com as vanguardas blindadas do 3.º Exército de Guardas vindas do setor do grupo Hollidt, quatro divisões italianas e uma alemã já estavam cercadas;[108] na realidade, já no dia 19 havia chegado a ordem para tentar estabelecer uma posição defensiva ou no Tikhaya ou no Chir, mas essas tropas não haviam conseguido mover-se com rapidez suficiente e não restou outra solução senão tentar sair do cerco e alcançar o mais rápido possível as linhas alemãs. O que restava das unidades dos dois corpos de exército dividiu-se em duas colunas: o bloco norte era constituído sobretudo por unidades das divisões "Ravenna", "Pasubio" e "Torino", bem como pela 298. Infanterie-Division e por um punhado de veículos blindados reunidos no "grupo Hoffmann"; o bloco sul contava com homens das divisões "Pasubio", "Sforzesca" e "Celere", além da brigada SS "Schuldt". Durante a marcha, as colunas, desordenadas e exaustas, tiveram de defender-se dos contínuos ataques das unidades soviéticas e partidárias. O Exército Vermelho usou suas formações blindadas para atacar os aeroportos estratégicos de Tatsinskaya e Morozovsk, de onde partiam os aviões de transporte da Luftwaffe que abasteciam precariamente o 6.º Exército cercado em Stalingrado, razão pela qual atribuiu a algumas divisões de fuzileiros a tarefa de atacar e destruir as colunas ítalo-alemãs, que estavam abrindo um caminho incerto na estepe em pleno inverno. O bloco norte foi de fato cercado pela 35.ª Divisão de fuzileiros de Guardas e correu o risco de ser completamente aniquilado de 21 a 25 de dezembro de 1942, durante a batalha de Arbuzovka: conseguiu romper as linhas inimigas, mas ao custo de mais de 20 000 mortos, feridos e prisioneiros.[109]
Os sobreviventes chegaram a Chertkovo e, em meados de janeiro de 1943, encontraram tropas alemãs em Belovodsk, enquanto o segundo grupo no final de dezembro encontrou o primeiro ponto forte aliado em Skosyrskaya, de onde prosseguiu até Forstadt no Donets.[110] As tropas exaustas em retirada foram erroneamente alvejadas por aviões alemães e receberam ordens contraditórias, como a que, em 20 de dezembro, obrigou a "Sforzesca" em retirada a dar meia-volta para reocupar as posições no Chir abandonadas no dia anterior.[111] Ao final, após enormes sacrifícios, uma parte das tropas alcançou as primeiras linhas alemãs, de onde os sobreviventes prosseguiram para as linhas mais internas e seguras.[112] A Divisão "Sforzesca", no entanto, durante a retirada insensata para proteger o flanco esquerdo do grupo Hollidt (que também estava em retirada), foi fortemente atacada em 21 de dezembro por unidades blindadas soviéticas; logo chegou a contraordem de retomar a retirada, mas já era tarde demais e apenas a vanguarda da divisão conseguiu se refugiar em Skosyrskaya: dos 10 990 homens de infantaria apenas 4 222 alcançaram as linhas ítalo-alemãs e entre os 463 oficiais apenas 202 foram os sobreviventes. Posteriormente, os remanescentes da divisão foram transferidos para Rykovo, de onde retornariam à Itália.[113]
Ostrogozhsk-Rossosh e a retirada do Corpo Alpino

A Operação Pequeno Saturno não afetou o Corpo Alpino, mas expôs seu flanco direito, à medida que os dois exércitos soviéticos avançavam para o sul.[114] O sucesso obtido permitiu ao Stavka continuar as operações em janeiro de 1943, estendendo pouco a pouco a ofensiva até incluir os Grupos de Exércitos Centro, Dom e A: essa nova série de manobras iniciou-se com ataques direcionados às unidades húngaras e alemãs posicionadas na defesa do curso médio do Dom e às unidades germano-romenas que tentavam obstinadamente defender Rostov, por onde o Grupo de Exércitos A deveria recuar do Cáucaso.[115] O objetivo soviético era derrotar as unidades inimigas e assumir o controle da linha ferroviária Svoboda-Kantemirovka, avançando depois para oeste até a linha Urazovo-Alekseievka-Repevka.[113] Entre 13 e 27 de janeiro, o 40.º Exército da Frente de Voronezh e o 6.º e 3.º Exércitos Blindados da Frente Sudoeste conduziram a ofensiva Ostrogozhsk-Rossosh, provocando a destruição do 2.º Exército húngaro, posicionado à esquerda do Corpo Alpino.[115] Já no primeiro dia, as forças húngaras cederam de forma esmagadora, no dia 14 as formações soviéticas romperam as posições do XXIV. Panzerkorps, que se encontrava mais ao norte, e no dia 15 alcançaram Rossosh, o quartel-general do Corpo Alpino; inicialmente repelidos, os soldados soviéticos retomaram a cidade no dia seguinte.[114] Nos primeiros dias da ofensiva, o Corpo Alpino manteve suas posições, reforçado pela 156.ª Divisão "Vicenza", e a 3.ª Divisão "Julia" conseguiu junto com algumas unidades heterogêneas do XXIV Corpo blindado manter uma linha defensiva improvisada ao sudoeste do rio Kalitva; no entanto, em meados do mês, as divisões soviéticas também atacaram as tropas alpinas. Os estados-maiores ítalo-alemães não perceberam imediatamente a extensão do avanço e demoraram a intervir, de modo que só na noite do dia 17 as unidades receberam ordens para recuar, quando já as divisões "Tridentina", "Julia", "Cuneense" e "Vicenza", juntamente com a 385.ª e 387.ª Divisões de infantaria (pertencentes ao XXIV. Panzerkorps), o grupo Waffen-SS "Fegelein" e a modesta 27.ª Divisão blindada, já estavam cercadas.[116]

Cerca de 70 000 homens do Corpo Alpino, junto com cerca de 10 000 alemães e 2 000/7 000 húngaros, avançaram para oeste, numa tentativa desesperada de romper o cerco soviético e juntar-se à distante frente amiga.[117] Os exércitos soviéticos superavam em número as forças do Eixo em cerca de 100 quilômetros, e as suas formações blindadas, embora principalmente preocupadas com o avanço, infiltravam-se continuamente com ataques relâmpago entre as colunas em fuga, tornando a fuga através da estepe coberta de neve, em temperaturas que variavam entre -20 e -40 ºC, ainda mais difícil.[118] Pegos de surpresa, na noite do dia 18, os generais Umberto Ricagno, Luigi Reverberi e Emilio Battisti, comandantes respectivamente da "Julia", da "Tridentina" e da "Cuneense", conseguiram reunir-se em Podgornoye, onde o general Nasci havia transferido às pressas seu quartel-general: decidiu-se recuar em duas colunas separadas em direção ao comando do 8.º Exército, reestabelecido em Valuyki. A "Tridentina" e a "Cuneense" estavam com o efetivo completo, enquanto a "Julia", que se sacrificara para defender o lado direito do Corpo, estava reduzida a um terço de suas forças; as unidades alemãs estavam literalmente exaustas, combatendo com apenas um quarto de seu efetivo e tendo à sua disposição as poucas armas pesadas presentes entre as tropas em fuga: uma dúzia de canhões de assalto Sturmgeschütz III, quatro semilagartas, cinco peças FlaK de 88 mm e alguns lança-foguetes Nebelwerfer. A única defesa real contra os tanques soviéticos, eles estavam sempre na linha de frente durante os intensos combates para sair do cerco.[119] O general Nasci tentou portanto coordenar o movimento das três divisões alpinas e da "Vicenza", mas a confusão era enorme e a incerteza e o caos certamente paralisaram o comando do 8º Exército, já que não emitiu ordens ou diretrizes destinadas a salvar as divisões cercadas.[120] A Divisão "Tridentina", ainda coesa e combativa, foi guiada pelo general Reverberi à frente da enorme coluna de soldados dispersos, exaustos e muitas vezes desarmados: apoiada por tanques alemães, partiu no dia 19 e no dia seguinte reuniu-se em Podgornoe, enquanto cerca de dez quilômetros ao sul, perto da vila de Samojlenko, a "Vicenza" se reagrupou. Ainda mais ao sul, em direção a Rossosh, agruparam-se os remanescentes da "Julia" e da "Cuneense", aos quais se haviam juntado dois ou três mil alemães dispersos.[121]

Partindo de Podgornoe, a "Tridentina" convergiu para Postojalyj e ali tentou romper o primeiro "anel" do cerco. Na feroz batalha, os soviéticos infligiram duras perdas ao batalhão "Verona", que contudo conseguiu conquistar o entroncamento e abrir temporariamente caminho para a massa em retirada desordenada; esta, aliás, aumentava a cada hora com a chegada de militares alemães, húngaros e romenos que haviam sido deixados para trás ou sobrevivido à destruição de suas unidades, além de milhares de outros dispersos, pertencentes às divisões “Ravenna”, “Pasubio” e “Cosseria”.[122] Perto da cidade reuniram-se todas as colunas, portanto a "Tridentina" retomou o avanço e liderou o ataque a Sheljakino, rompendo uma nova barreira soviética; contudo, as outras duas divisões alpinas desviaram-se por erro mais para o norte e em 23 de janeiro, em Varvarovka, toparam com forças soviéticas cinco vezes superiores: a batalha foi sangrenta e as perdas altíssimas, e unidades inteiras foram destruídas. Os remanescentes da "Julia",[N 5] da "Cuneense" e da "Vicenza" prosseguiram ainda para o sul afastando-se da "Tridentina" e das unidades alemãs, que nesse meio tempo haviam recebido notificação para mudar de destino e dirigir-se a Nikolayevka, dado que Valuyki já estava nas mãos dos soviéticos. O general Nasci, que havia se juntado a Reverberi no comando da "Tridentina", dispunha de um aparelho de rádio alemão que lhe permitia comunicar-se com o comando de exército, mas não foi capaz de contatar as outras duas divisões que prosseguiram para o objetivo original.[123][124]
Durante a última fase da retirada, houve períodos de desespero, caos e colapso moral. Incidentes graves eclodiram entre as tropas alemãs e italianas, aparentemente devido ao comportamento desdenhoso e pouco amigável dos soldados alemães e a violentas disputas sobre o direito de usar os poucos veículos motorizados disponíveis; na realidade, não faltaram episódios de vingança entre as tropas italianas, inclusive com o uso de armas.[125][126] A coluna exausta liderada pela "Tridentina", contudo, ainda não havia saído do cerco, e no dia 25 teve primeiro de enfrentar um ataque de partidários e forças regulares russas em Nikitovka, que foi repelido pelo 5º Batalhão Alpino e pela artilharia alemã e italiana remanescente, e posteriormente, ao amanhecer do dia 26 de janeiro, teve que repelir ataques pesados perto de Arnautowo com os batalhões "Tirano" e "Val Camonica".[127] Uma vez superado este último cerco, toda a "Tridentina" foi mobilizada para romper a última barreira soviética em Nikolaevka: em 26 de janeiro de 1943, as tropas alpinas e os canhões de assalto alemães restantes lançaram-se com suas últimas energias contra o obstáculo e, ao final da sangrenta batalha de Nikolayevka, finalmente conseguiram romper o cerco e alcançar a estrada em direção a Šebekino . Sua marcha, no entanto, não terminou aqui: o comando da divisão rapidamente reconstituiu as unidades e ordenou a retomada da marcha ao amanhecer do dia 27, que só terminou em 31 de janeiro, quando as tropas alpinas chegaram a Triskoje não sem novas perdas e grandes dificuldades.[128] Um destino pior acometeu as duas divisões "Cuneense", "Vicenza" e os sobreviventes do "Julia", que foram definitivamente encurralados e forçados a se render em 28 de janeiro em Valujki por unidades do 7º Corpo de Cavalaria Soviético, que haviam chegado àquela localidade desde o dia 19, e às quais eles foram incapazes e impossibilitados de oferecer resistência efetiva.[129][130][131][132][N 6]
Balanço e consequências
Dissolução do ARMIR e repercussões sociopolíticas
O quartel-general do ARMIR foi desativado em 31 de janeiro de 1943 e as unidades sobreviventes foram transferidas para a Bielorrússia. O general Gariboldi e o seu estado-maior, juntamente com os Alpini e o XXXV Corpo de Exército, regressaram à pátria em março, encontrando um país à deriva, em profunda crise econômica e social, prestes a presenciar a explosão da crise política que levaria à queda do fascismo em julho do mesmo ano e que corria o risco de se transformar num campo de batalha. O II Corpo de Exército, com as divisões "Ravenna" e "Cosseria", permaneceu no local com a intenção de continuar a representar a Itália fascista na frente oriental, mas as enormes dificuldades em obter equipamentos e a recusa alemã em assumir o reabastecimento dessas divisões fizeram fracassar a ideia logo de início. Entre abril e maio de 1943, o II Corpo também regressou à Itália.[133]
Logo nos primeiros meses após a derrota, as fontes oficiais italianas acusaram os alemães de terem protelado a retirada do Corpo de Exército alpino para salvar as próprias tropas. Embora não haja dúvida de que Hitler e os seus generais, subestimando grosseiramente as capacidades e os recursos militares soviéticos, aceitaram o risco de uma grande batalha de desgaste e da defesa de uma frente excessivamente extensa atribuída a contingentes numerosos dos países satélites, é igualmente claro que tanto os alemães como os seus aliados sofreram perdas graves. As unidades alemãs, no entanto, saíram-se melhor da retirada do Dom pelo simples fato de estarem melhor equipadas e de disporem de poucos, mas essenciais, meios de transporte.[125][134] A experiência fracassada do ARMIR constituiu também um ponto de virada nas relações ítalo-alemãs, especialmente no que diz respeito à atitude da maioria dos combatentes italianos em relação ao aliado: se até a retirada predominara o companheirismo (não sem suspeitas mútuas), após o colapso da frente do Dom a "cruzada contra o bolchevismo" transformou-se, sobretudo nas fileiras inferiores italianas, num sentimento de hostilidade e intolerância, e em muitos casos numa verdadeira indignação em relação ao aliado alemão e à guerra. Sem dúvida, o epílogo da campanha da Rússia representou para muitos dos veteranos italianos o início do "desencanto" em relação ao fascismo e à guerra empreendida pelo Eixo.[135]

A retirada foi uma experiência fundamental para os homens do ARMIR e permaneceu profundamente gravada no imaginário coletivo, dominando quase por completo as memórias e os ensaios sobre a campanha italiana na União Soviética. Muitos soldados reagiram com raiva e rancor em relação ao aliado alemão, dirigindo-lhe acusações de péssima cooperação, egoísmo e malvadez, sendo inegável que muitos episódios de abusos foram fruto do comportamento das tropas alemãs; é também verdade que uma análise cuidadosa das fontes e dos testemunhos de ambos os lados revela numerosos exemplos de atitudes e circunstâncias em que os soldados alemães e italianos tiveram comportamentos semelhantes entre si.[136] Só muitos anos depois, esses episódios de cooperação e abusos foram estudados e confirmados pelo trabalho do renomado historiador Alessandro Massignani. Em seu livro Alpini e tedeschi sul Don, Massignani, baseando-se em documentos de arquivo alemães, demonstrou a inconsistência da tese da traição alemã, que na realidade deu as mesmas ordens de defesa a qualquer custo para todas as unidades ítalo-alemãs na frente de batalha. Demonstrou ainda a colaboração efetiva com os soldados alemães durante os combates para sair dos cercos e a ocorrência de episódios de violência por parte dos italianos contra os alemães.[137] Muitos episódios de suposta crueldade ou falta de companheirismo podem, no entanto, ser atribuídos à dura lógica da sobrevivência em condições desesperadoras e, aliás, foi esclarecido que mesmo por parte das formações italianas, incluindo os Alpini, houve diversos gestos de retaliação e pouca cooperação: parece comprovado que o general Karl Eibl, comandante do XXIV Panzerkorps a partir de 19 de janeiro de 1943, morreu dois dias depois pela explosão de uma granada de mão lançada pelos Alpini contra o seu veículo de comando.[138] Paralelamente a esses episódios desagradáveis, verificaram-se exemplos de companheirismo e fraternidade militar, como durante os combates em Kantemirovka, Čertkovo ou nas fases de cooperação entre os remanescentes do XXIV Corpo com a "Tridentina" para sair do cerco.[139] No entanto, de acordo com os documentos alemães, na maioria dos casos, as relações entre soldados italianos e alemães deterioraram-se repentinamente após a retirada desordenada de Kantemirovka, dois dias depois da incursão soviética nos setores da "Ravenna" e da "Cosseria", um evento que despertou grande indignação nos alemães[140] e aumentou os seus preconceitos em relação aos italianos. Em geral, foram poucos os testemunhos que puderam confirmar a coragem dos soldados de infantaria italianos, enquanto muitos puderam assistir às cenas de pânico em Kantemirovka e noutros locais.[141]
Desse episódio, emerge com força a ausência de uma base ideológica, cultural e talvez moral na aliança entre a Alemanha nazista e a Itália fascista, na qual sempre estiveram ausentes sentimentos de solidariedade e destino comum. Por um lado, havia a desonestidade, marcada por racismo, com que os comandos alemães, em todos os níveis, atribuíam toda a responsabilidade pelo colapso da frente do Dom aos italianos;[125] por outro, uma dolorosa admiração pela eficiência alemã, em muitos casos transformada em ódio por parte de muitos veteranos, que talvez descarregassem em seu aliado suas decepções com o regime e com seus próprios comandos, pelos quais se sentiam traídos.[142][N 7] Não há dúvida do fracasso da propaganda fascista, que procurou de todas as formas apresentar a campanha na Rússia como uma cruzada contra o bolchevismo ateu. Alguns ecos disso podem ser encontrados entre os oficiais, mas não entre as tropas, que, dentro dos limites de uma guerra de ocupação que consistia em prisões, perseguições e execuções de espiões, guerrilheiros ou supostos guerrilheiros, também estabeleceram relações cordiais com a população. Os alemães, por outro lado, demonstraram maior ferocidade e crueldade para com os civis, resultado da propaganda orquestrada por Joseph Goebbels, que enquadrou a guerra no Leste como uma luta pela sobrevivência do povo alemão contra um inimigo bárbaro e perigoso. Assim, parte da grande complexidade dos eventos foi o desenvolvimento, entre a maioria dos veteranos, de um sentimento privado de condenação e desaprovação em relação aos seus camaradas alemães, decorrente dos crimes que cometeram, dos quais muitos soldados italianos foram testemunhas oculares. No entanto, nada do mesmo pode ser encontrado em relação aos soviéticos, apesar da ferocidade dos combates e, com a óbvia exceção, daqueles que sobreviveram ao cativeiro.[143]
A falta de coesão ideológica que permeava as tropas italianas na frente de batalha também é demonstrada pelos estudos conduzidos pelo historiador Mimmo Franzinelli sobre as deserções na frente russa. A prolongada separação da família gerou grande descontentamento entre as tropas, agravado pela crescente inadequação do material bélico disponível para o 8º Exército e alimentado pela perda do espírito de "cruzada antibolchevique" incutido nos soldados pela propaganda, que, nesse ínterim, haviam começado a construir relações cordiais ou de assistência mútua com a população civil.[144] Tudo isso começou a se manifestar no verão de 1942, com as mudanças entre as tropas da retaguarda e da vanguarda, e aumentou exponencialmente entre o outono de 1942 e o inverno de 1943, ou seja, durante o período de estagnação operacional, e novamente na iminência da retirada. Esse foi um evento negligenciado por muitos anos, frequentemente ignorado pelas publicações sobre a campanha russa por razões de imagem; necessidades semelhantes às que, no período pós-guerra, substituiriam a dura realidade da guerra de ocupação ao lado dos alemães, por uma memória ambígua em que os soldados italianos eram assimilados à população russa no papel de vítimas do nazismo.[145] Tratavam-se principalmente de deserções "fora da presença do inimigo", agravadas por crimes adicionais como a alienação de armamentos e bens militares (frequentemente trocados por comida, roupas civis, pernoites em isbás ou serviços sexuais). Contudo, houve casos em que soldados prisioneiros foram declarados desertores ou vice-versa, mas a grande maioria das deserções ocorreu por ausências de poucos dias, ligadas a necessidades pessoais, com a intenção de retornar à unidade em alguns dias: a enorme distância da pátria praticamente impedia fugas sem retorno.[146] Essas ausências injustificadas dizimaram sobretudo a infantaria, que carecia da coesão característica dos Alpini ou da unidade ideológica dos Camisas Negras,[147] mas com o colapso da frente, a segurança tornou-se a prioridade absoluta para todos, e muitos, para não ficarem presos no cerco, violaram as leis militares, pelas quais a justiça militar, em muitos casos, os fez pagar caro, contando uma contra-história menos heroica e mais realista do que aquela transmitida pelas memórias.[148]
As perdas e o destino dos prisioneiros

No início de março de 1943, os remanescentes do 8.º Exército chegaram à zona de Gomel-Nijyn-Jlóbin, foram entregues ao comando alemão para reorganização e procederam ao cálculo das perdas. A derrota tornou-se evidente na sua dimensão: 97% da artilharia, 70% dos veículos motorizados e 80% dos quadrúpedes haviam desaparecido, um prejuízo que a indústria italiana (considerando também as perdas sofridas pelas forças armadas nos teatros do Norte da África, dos Balcãs e do Mediterrâneo) não tinha condições de repor.[149] As perdas humanas foram igualmente pesadas: entre 5 de agosto de 1941 e 30 de julho de 1942, o CSIR teve 1 792 mortos e desaparecidos e 7 858 feridos e congelados[150] de 30 de julho a 10 de dezembro de 1942, o 8.º Exército sofreu 3 216 mortos e desaparecidos e 5 734 feridos e congelados. Os números mais reveladores são os relativos às batalhas de inverno e à derrota final: os números oficiais falam de 84 830 soldados que não retornaram às linhas alemãs e que foram listados como desaparecidos e de 26 690 feridos ou congelados que foram repatriados.[143] Os piores números foram registrados pelo Corpo Alpino, que perdeu 60% dos efetivos (41 000 homens); os outros dois corpos de exército registaram perdas igualmente muito pesadas: a 2.ª Divisão "Sforzesca" 5 130, a 3.ª Divisão "Ravenna" 2 390, a 9.ª Divisão "Pasubio" 4 443, a 52.ª Divisão "Torino" 4 954, a 3.ª Divisão "Celere" 3 595, a 5.ª Divisão "Cosseria" 1 273. Além disso, foram contabilizadas mais de 7 000 vítimas entre as outras unidades.[151] No entanto, dados precisos e unânimes acerca do período de dezembro de 1942 a janeiro de 1943 são impossíveis de se obter: a União Nacional Italiana dos Veteranos da Rússia (UNIRR) afirma que o número de mortos e desaparecidos foi de cerca de 95 000, mas não há números exatos sobre quantos entre esses desaparecidos morreram em combate ou por congelamento e exaustão durante a retirada, ou quantos foram feitos prisioneiros. Estudos recentes indicam que, no inverno europeu de 1942-1943, o Exército Vermelho capturou cerca de 70 000 soldados italianos, dos quais 22 000 nem sequer chegaram aos campos de prisão e morreram nas longas marchas de transferência (as famosas "marchas davai") devido à exaustão, inanição e espancamentos pelos guardas soviéticos; entre os que chegaram aos campos de prisão morreram pelo menos outros 38 000, debilitados pelo enfraquecimento físico que os tornou presa fácil das doenças infecciosas generalizadas. No final, regressaram à Itália exatamente 10 032 soldados do ARMIR.[152]

Os estudos sobre o destino dos homens repatriados não deram uma resposta detalhada. Após o armistício e a ocupação alemã do país, alguns continuaram a combater ao lado dos alemães, outros juntaram-se à Resistência ou tentaram alcançar a Itália meridional, controlada pelos Aliados, para se juntarem ao Exército Cobeligerante Italiano; a maioria foi deportada para a Alemanha como "internados militares" e explorada como mão de obra forçada nas fábricas alemãs.[153] Logo após o fim do conflito, multiplicaram-se na Itália os esforços para descobrir o número de prisioneiros sobreviventes e repatriá-los, e a União Soviética revelou-se o primeiro país disposto a entregar os internados, exceto o pequeno número de criminosos de guerra condenados pelos tribunais soviéticos. Em julho de 1946, o número final de repatriados foi de 21 193 pessoas: esse número ficou muito abaixo das expectativas, considerando que os repatriados pertencentes ao 8.º Exército foram apenas 10 032, enquanto os outros eram soldados e civis italianos capturados pelos alemães e libertados pelo Exército Vermelho nos territórios ocupados. Os últimos doze prisioneiros italianos foram libertados em fevereiro de 1954 por decisão de Moscou: entre eles havia sete combatentes do 8.º Exército, capturados no Dom doze anos antes.[154] Portanto, cerca de 75 000 soldados estavam desaparecidos, e ninguém jamais conseguiu determinar o seu destino.[155]
Certamente, a maioria desses homens morreu no decurso dos últimos combates, das marchas forçadas e dos transportes em comboios, eventos vividos em condições extremas e entre terríveis sofrimentos. Nos campos de detenção, a fome, as doenças e privações de todos os tipos causaram inumeráveis mortes nos primeiros meses de prisão; só após o verão de 1943 as condições de vida se tornaram mais suportáveis e o número de mortes se estabilizou em níveis "fisiológicos". Para entender esse massacre, é necessário lembrar o tratamento bárbaro dado pelos alemães aos prisioneiros soviéticos (especialmente em relação aos comissários políticos), que eram fuzilados no local: consequentemente, a enorme massa de prisioneiros rendidos aos soviéticos entre 1942 e 1943 foi sistematicamente transferida para enormes campos desprovidos de subsistência e deixada para morrer de fome, privações e doenças, sem distinções especiais quanto à nacionalidade. Inclusive durante a retirada do Dom, os soldados alemães que se rendiam eram frequentemente fuzilados imediatamente, enquanto italianos, romenos e húngaros não eram mortos por ordem de Stalin: permaneciam, no entanto, à mercê da desorganização e da precariedade do sistema de detenção soviético. O esforço de guerra do Exército Vermelho estava, de fato, concentrado no combate; a subsistência e os cuidados de saúde eram precários para as próprias tropas soviéticas, enquanto eram completamente inexistentes para os prisioneiros: para estes (ainda mais se fossem tão numerosos) nenhuma assistência era, portanto, prevista. O primitivo sistema ferroviário russo também foi afetado pela destruição da invasão e o abastecimento de alimentos era desastroso até mesmo para os próprios cidadãos, de modo que havia pouco interesse na sobrevivência dos prisioneiros exaustos. Foram necessários meses para que as condições mínimas de vida fossem garantidas.[156]
Na sequência de uma longa campanha promovida pelos veteranos para a restituição dos corpos dos caídos, em 2 de dezembro de 1990, com autorização do governo soviético, ocorreu a entrega simbólica do corpo de um soldado desconhecido da frente russa, transferido para o sacrário militar de Redipuglia na presença do Presidente da República Italiana, Francesco Cossiga: foi posteriormente sepultado no Templo de Cargnacco, na província de Údine. Em 1991, por iniciativa do Ministério da Defesa, foram iniciadas as exumações dos cemitérios de campanha da Rússia e da Ucrânia, que permitiram o regresso à Itália de milhares de corpos de soldados caídos, identificados e não identificados.[157]
Memórias
É inegável que a retirada da frente do Dom teve um impacto psicológico significativo nos veteranos, os quais, recém chegados à pátria, apesar das recomendações dos superiores, contaram as suas histórias, suscitando ecos imediatos em toda a Itália, difundindo sentimentos antigermânicos perigosos para o regime fascista.[158] No imediato pós-guerra, a história dos soldados italianos na Rússia adquiriu um lugar de destaque no debate político entre a esquerda e os círculos militares e conservadores, o que acabou por delinear uma representação amplamente partilhada da retirada do ARMIR na consciência coletiva italiana. O soldado italiano foi descrito como uma vítima inocente das dificuldades, da incompetência do alto comando e, sobretudo, vítima, mais uma vez,[N 8] da traição do aliado alemão.[159]
Inicialmente, predominou a memória dos prisioneiros recém-repatriados, que denunciaram as terríveis condições de vida nos campos da União Soviética: as críticas foram imediatamente usadas como pretexto pelos círculos católicos e de direita para atacar o mito do comunismo e da Rússia como o "sol do futuro", culpando-o pelo extermínio cínico dos soldados italianos.[160]
O ponto de virada ocorreu em 1946 e 1947, quando foram publicados, respectivamente, Con l'armata italiana in Russia, de Giusto Tolloy, e Mai tardi, de Nuto Revelli, dois veteranos que apontaram em seus textos a responsabilidade dos líderes militares, acusando-os de negligência, corrupção, incompetência e covardia, juntamente com a denúncia indignada do comportamento alemão, considerado a causa de grande parte do sofrimento suportado pelo exército italiano na Rússia.[159] Desta vez também, denunciou-se como os alemães sacrificaram as forças italianas para encobrir a sua retirada e como se comportaram de forma prepotente durante a trágica marcha. Na realidade, lendo atentamente as principais reconstruções da retirada, no quadro geral surgem episódios frenquentes de perfeita colaboração nos combates e, ao mesmo tempo, episódios de abusos dos homens do ARMIR para com os alemães.[137] Na realidade, porém, dominou a imagem predominante, fortemente anti-alemã, chegando mesmo a relegar as deficiências do comando italiano a um segundo plano, destacando a imagem de autoabsolvição do soldado italiano, percebido como vítima de uma guerra impopular e não como a figura moralmente repreensível de um invasor que lutou ao lado das forças nazistas.[135]
Este tipo de visão vitimista foi amplamente aceito como memória histórica, em parte, graças à prolífica produção literária dos anos seguintes, que atingiu números que excederam as memórias de todas as outras frentes de guerra: os numerosos testemunhos de veteranos produziram alguns dos livros de guerra italianos de maior sucesso e inegável valor literário, basta lembrar Centomila gavette di ghiaccio, de Giulio Bedeschi, que alcançou um milhão de exemplares em 1979, Il sergente nella neve, de Mario Rigoni Stern, La ricciata di Russia, de Egisto Corradi, La strada del Davai, de Nuto Revelli, I più non ritornano e Il cavallo rosso, de Eugenio Corti. A estes volumes podemos acrescentar centenas de outras publicações, algumas das quais de distribuição puramente local, que se inserem na vasta produção literária e jornalística, muitas vezes celebratória, do mito das tropas alpinas,[N 9] que foi acompanhada por um silêncio institucional culpado sobre as graves deficiências dos comandos e de todo o complexo militar e político, que conduziram à derrota total na Frente Oriental.[161]
Ver também
Notas
- ↑ As datas referem-se, respectivamente, à chegada escalonada do CSIR ao front do Bug-Dnestr nas primeiras fases da campanha e ao dia do desengajamento das últimas unidades da divisão alpina "Julia" do front do Dom, prestes a retirar-se após a última ofensiva invernal soviética. Ver: Petacco 2015, pp. 20-21, 123.
- ↑ Para tentar remediar esse problema, o general Cavallero elevou a tabela de marcha das divisões "autotransportáveis" de infantaria de 18 para 40 quilômetros por dia. Ver: Petacco 2015, pp. 15-22.
- ↑ A situação logística em 17 de outubro foi definida "catastrófica" pelo general Messe. Com base nos acordos, o CSIR teria direito a 25 trens de carga por mês, mas tal tráfego foi reduzido em novembro para 15: as autoridades alemãs justificaram-se destacando as dificuldades gerais. Os protestos dos oficiais italianos responsáveis pela logística não surtiram o efeito esperado e a paralisia dos suprimentos de outubro levou a uma primeira crise de confiança entre alemães e italianos, que acusaram os aliados de pouca camaradagem. Ver: Schlemmer 2009, pp. 23-24
- ↑ Apesar do bom desempenho oferecido pelo general Messe durante o ano anterior, o comando supremo italiano escolheu Gariboldi por sua vasta experiência com os aliados alemães, adquirida no Norte da África, e sobretudo porque tinha patente e antiguidade superiores: no Exército Real, de fato, esses critérios ainda eram determinantes para a nomeação dos comandantes de exército e de corpo de exército. Como relatou o Ministro das Relações Exteriores Galeazzo Ciano, o general Messe não fez nada para esconder a amarga decepção; além disso, na opinião de Ciano, Gariboldi estava muito cansado, envelhecido, ingênuo e "tolo" para conduzir um exército em combate. Essa escolha, na realidade, foi fortemente influenciada por outro fator: "Cavallero quis nomeá-lo para barrar o caminho a Messe, que começava a crescer demais na consideração do Duce e do País". Ver: (Schlemmer 2009, pp. 38-39), (Bocca 1996, p. 443).
- ↑ Os sobreviventes dessa divisão, em marcha para Sheljakino na tentativa extrema de reunir-se à "Tridentina", foram atacados na manhã do dia 22 em Novo-Georgiyevski e sobrepujados em algumas horas. Apenas o general Ricagno, 4 oficiais e cerca de 50 soldados conseguiram salvar-se e, por acaso, toparam com a coluna da "Cuneense". Ver: (Petacco 2015, p. 141).
- ↑ É importante destacar que nas literaturas russa, britânica e alemã (diferentemente da tradição historiográfica italiana) não é dado muito destaque à batalha de Nikolayevka e a atenção se concentra na rendição dos alpinos em Valuyki; aliás, na Alemanha a própria retirada nunca teve grande ressonância. Para muitos soldados alemães, o colapso do ARMIR foi apenas um episódio logo superado por outros acontecimentos, enquanto a insistência italiana no período de dezembro de 1942-janeiro de 1943 pode ser reconduzida à vontade de destacar os erros e os abusos cometidos pelos alemães durante a retirada, passando ao silêncio as deficiências e os erros dos oficiais do 8.º Exército. Ver: (Schlemmer 2009, pp. 150-151) e (Scotoni 2007, p. 546)
- ↑ É importante ressaltar que, mesmo nas memórias mais dolorosas, os veteranos frequentemente expressavam respeito pelo general Nasci e outros oficiais superiores que compartilharam seu destino: em particular, o general Giulio Martinat, que morreu liderando o ataque a Nikolaevka, é lembrado de forma positiva. Ao mesmo tempo, o sacrifício dos Alpini serviu ao Exército Real para encobrir o fracasso dos comandantes no Dom, que prepararam a retirada do Corpo Alpino com muito atraso e sem dar provas de reatividade diante da passividade culpada do general Gariboldi. As tentativas de atribuir toda a culpa aos alemães esmoreceram diante da evidência das deficiências estruturais teóricas do Exército Real, como a pouca flexibilidade e iniciativa dos oficiais. Ver: (Schlemmer 2009, pp. 150-151), (Rochat 2008, pp. 393-394)
- ↑ Nesse contexto, o historiador Filippo Focardi faz referência à derrota ítalo-alemã no Norte de África, já que, também neste caso, as memórias e o debate político no pós-guerra apontaram os alemães como pouco amigáveis e culpados por abandonar o aliado italiano à sua sorte, reforçando assim o clichê do “alemão mau” amplamente utilizado pela imprensa e pelas publicações para isentar os comandantes de responsabilidade e salvaguardar a dignidade do soldado italiano. Ver: (Focardi 2016, pp. 99-102)
- ↑ Essa mitificação está na base do misterioso boletim número 630, emitido pela Stavka em 8 de fevereiro de 1943, no qual se afirmaria: “Somente o corpo alpino italiano deve ser considerado invicto em solo russo”. No pós-guerra, muitos jornalistas e escritores citaram apologeticamente este boletim, mas, a partir da década de 1980, as investigações historiográficas e oficiais do corpo demonstraram que provavelmente nem o boletim n.º 630, nem outros documentos soviéticos contemporâneos relataram uma afirmação semelhante. Ver: (Patricelli 2018, pp. 236-238) e Mario Rizza (1993). «Diciamolo una volta per tutte: il bollettino n. 630 non esiste». Ana - L'Alpino. Consultado em 22 de janeiro de 2016
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Ligações externas
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- Giannini, Filippo. «O longo calvário do "davai"!». Tuttostoria (em italiano). Milão: tuttostoria.net. Consultado em 26 de fevereiro de 2016


