Breda M37
| Mitragliatrice Breda calibro 8 modello 37 | |
|---|---|
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| Tipo | Metralhadora pesada |
| Local de origem | |
| História operacional | |
| Em serviço | 1937 − anos 1960 |
| Guerras | Segunda Guerra Mundial Guerra do Ultramar |
| Histórico de produção | |
| Fabricante | Breda Meccanica Bresciana |
| Período de produção | 1937 − 1943 |
| Especificações | |
| Peso | 19,4 + 18,8 kg (arma + tripé)[1] |
| Comprimento | 1.270 mm[1] |
| Comprimento do cano | 780 mm |
| Cartucho | 8×59mm RB Breda 7,92×57mm Mauser (exportação) |
| Ação | Operada a gás |
| Cadência de tiro | 460 tiros por minuto (teórica), 200 tiros por minuto (prática)[1] |
| Velocidade de saída | 800 m/s[1] |
| Alcance efetivo | 800–1.000 m[1] |
| Alcance máximo | 5.400 m[1] |
| Sistema de suprimento | Tira de 20 munições[1] |
A Breda Modello 37 (M37) foi uma metralhadora pesada adotada em 1937 pelo Exército Real Italiano.[2] Foi a metralhadora pesada padrão do Exército Real Italiano durante a Segunda Guerra Mundial e continuou a ser usada pelo Exército Italiano após o conflito.[3]
A Breda 37 foi concebida para apoio de batalhão, em contraste com a mais problemática Breda 30, destinada ao apoio de esquadrão, e provou ser muito mais eficaz em combate. Embora algumas fontes afirmem que a arma possui algumas das mesmas características problemáticas da Breda 30[2] (principalmente a necessidade de um reservatório de óleo para lubrificar os cartuchos antes de entrarem na câmara), a realidade é que a Breda 37 era uma arma simples — com apenas quatro peças móveis — e confiável, que não necessitava de lubrificação e não tinha nenhuma relação com a série anterior (que foi erroneamente chamada de série Breda 30: na realidade, a metralhadora leve Breda 30 faz parte da série Breda 24).[4][5][6]
Na verdade, a Breda 37 faz parte da série de armas automáticas Breda 31, série que teve início com a Breda 31 (uma cópia fabricada sob licença da Hotchkiss 1929):[7] as armas desta série estiveram entre as mais reutilizadas pelos Aliados e continuaram em serviço após a Segunda Guerra Mundial, sendo substituída no serviço português pela MG 42/59 em 1960. A arma também foi adotada pela Marinha Real Italiana em pequeno número a bordo de navios de guerra menores.
Projeto e operação
A Breda M37 era uma metralhadora pesada refrigerada a ar e operada a gás. A Breda utilizava um cartucho ligeiramente maior que o de suas rivais, o 8x59mm RB Breda.[2] A Breda 37 possui um mecanismo de came para extração inicial do estojo após o disparo, o que significa que cada cartucho não precisa ser lubrificado antes de ser inserido na câmara. Ao contrário da Breda 30 em calibre 6,5 mm Carcano, nenhuma variante da Breda 37 possui um sistema de lubrificação.
Outra desvantagem era que a arma era alimentada por tiras de 20 munições[3] e não por uma fita de munição, o que, para permitir um fogo rápido, obrigava que a sua guarnição tivesse dois membros, além do apontador um municiador para recolocar rapidamente novas tiras.[8] Outra peculiaridade do projeto era que os estojos deflagrados eram reinseridos na tira a cada disparo.[3] A energia mecânica necessária para realizar essa função reduzia substancialmente a cadência de tiro, e a arma tendia a emperrar sempre que um estojo era reinserido, mesmo que ligeiramente fora de alinhamento. Isso também significava que, caso as tiras precisassem ser reutilizadas, o auxiliar do atirador primeiro tinha que remover os estojos vazios das tiras. Embora isso não seja um problema, já que a máquina de carregamento das tiras remove os estojos vazios das tiras à medida que as reabastece com munição nova.[3]
Essa falha de projeto foi, na verdade, intencional. Reciclar estojos de cartuchos para recarga era uma prática comum em alguns exércitos da época (advertências para coletar e limpar cartuchos deflagrados podem ser encontradas nos rótulos das caixas de munição). As tiras deveriam ser devolvidas com os cartuchos deflagrados ainda dentro aos pontos de suprimento de munição. Lá, as tiras seriam esvaziadas e recarregadas, e os cartuchos deflagrados seriam reembalados para recarga. As realidades do combate tornaram essa ideia impraticável.
Uso de serviço

Em serviço, as metralhadoras pesadas Breda 37 e 38 provaram ser bastante confiáveis.[3] Talvez por receberem mais atenção de suas equipes, os relatórios de campo foram geralmente positivos, com exceção dos emperramentos causados pela areia e poeira do deserto, que no Deserto Ocidental afetavam todas as metralhadoras de infantaria em alguma medida. A baixa cadência de tiro da Breda 37 ajudava a evitar o superaquecimento durante disparos prolongados, e seu poderoso cartucho pesado tinha excelente alcance e penetração.[2] Ainda assim, essa metralhadora era quase duas vezes mais pesada que as metralhadoras alemãs e mais pesada que armas como a M1919.[3] De fato, era a metralhadora de calibre de fuzil mais pesada da Segunda Guerra Mundial e desnecessariamente complexa de usar e posicionar. Isso representava outro problema para os italianos, cuja mobilidade era limitada por sua fraca frota de caminhões. O tripé adicionava cerca de 20 kg ao conjunto, elevando seu peso para cerca de 40 kg.
Na Marinha Real Italiana, a M37 foi utilizada a bordo de embarcações desde a classe Aviso Scorta (escolta de contratorpedeiros/lancha torpedeira), como a classe Orsa de 840 toneladas, que carregava duas por navio como armamento terciário, até pequenas embarcações de flotilha. As lanchas MS frequentemente as carregavam como armamento secundário e muitas lanchas MAS do início da guerra carregavam uma M37 como seu único armamento antes que o canhão Breda de 20 mm se tornasse disponível em número suficiente. Da mesma forma, os primeiros exemplares da lancha antissubmarino VAS (Vedetta Antisommergibile) carregavam um par de M37 na proa, no lugar do canhão de 20 mm projetado, devido à escassez de produção da arma mais pesada.
A M37 foi adoptada como metralhadora pesada padrão do Exército Português em 1938. Aqui era oficialmente denominada Metralhadora Breda m/938. A arma foi mais tarde usada pelas forças portuguesas na Guerra do Ultramar, sobretudo montada em viaturas.[2][9]
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A metralhadora Breda Modello 38 foi projetada para uso em veículos e alimentada por um carregador tipo cofre montado na parte superior. A Modello 38 possuía uma empunhadura tipo pistola, em vez das duas alavancas de disparo da Modello 37. Esta foi a principal metralhadora montada em veículos de combate utilizada pelo Exército Real Italiano.[2]
Apesar da produção ter terminado em 1943, a Breda 37 manteve-se como arma padrão depois da Segunda Guerra Mundial até ser substituída por metralhadoras mais modernas.[3]
Operadores
Itália: A Breda Modello 37 é a única versão com câmara para o cartucho 8x59mm RB Breda.
Espanha: A Espanha Franquista adotou a metralhadora Breda M37 com câmara para 7,92 mm Mauser.
Portugal: O Estado Novo adotou a Breda 37 em 7,92 mm Mauser designada m/938 Breda não muito depois da Espanha.
Referências
- ↑ a b c d e f g Pignato, p. 42–43.
- ↑ a b c d e f «Breda Modello 37 (M37)». www.militaryfactory.com
- ↑ a b c d e f g Poggiaroni, Giulio (3 de julho de 2020). «Breda Modello 37». Comando Supremo
- ↑ «George M. Chinn Lieutenant Colonel, USMC, The Machine Gun History, Evolution, and Development of Manual, Automatic, and Airborne Repeating Weapons, 1951 (the error of needing lubricated ammunition is also present here and could be attributed to bad translation from Italian primary fonts and a lack of primary accounts)»
- ↑ «Breda 37 video by AZ guns». YouTube
- ↑ «Capitano Nanni Cipriano, Manuale della mitragliatrice Breda mod. 1937 per la Scuola Allievi Ufficiali di Bassano del Grappa del 1940»
- ↑ «George M. Chinn Lieutenant Colonel, USMC, The Machine Gun History, Evolution, and Development of Manual, Automatic, and Airborne Repeating Weapons, 1951 (the error of needing lubricated ammunition is also present here and could be attributed to bad translation from Italian primary fonts and a lack of primary accounts)»
- ↑ Maxim Popenker. «Breda M1937» (em inglês). Modern Firearms. Consultado em 11 de outubro de 2019
- ↑ Abbott, Peter, and Rodrigues, Manuel, Modern African Wars 2: Angola and Mozambique, 1961-1974, Osprey Publishing (1998), p. 18
Bibliografia
- Pignato, Nicola (1978). Armi della fanteria italiana nella seconda guerra mondiale. [S.l.]: Ermanno Albertelli Editore
