Observador na Água
| Observador na Água | |
|---|---|
| Personagem de A Sociedade do Anel (1954) O Retorno da Sombra (1988) | |
| Informações gerais | |
| Criado(a) por | Tolkien |
| Características físicas | |
| Raça | Desconhecida |
O Observador na Água é uma criatura fictícia no universo da Terra Média de J. R. R. Tolkien. Aparece em A Sociedade do Anel, o primeiro volume de O Senhor dos Anéis.[T 1] Habitava um lago sob as muralhas ocidentais do reino dos anães, Moria, e sua presença foi registrada pela primeira vez pela companhia de anães de Balin [en], cerca de 30 anos antes dos eventos de A Sociedade do Anel. A criatura teria surgido após o represamento do rio Sirannon.[T 1] Críticos compararam o Observador ao lendário kraken e à passagem de Odisseu entre o monstro devorador Cila e o redemoinho Caríbdis. A combinação do lago como barreira e as imponentes Portas de Durin foi associada aos múltiplos obstáculos frequentemente encontrados na mitologia nórdica.
Literatura
Em O Senhor dos Anéis, a Sociedade do Anel está em uma missão para destruir o Um Anel, criado pelo Senhor do Escuro Sauron, em Monte da Perdição. Durante a jornada, enfrentam duas escolhas perigosas para atravessar as Montanhas Sombrias: pelo passo de Caradhras, através do Portão do Chifre Vermelho, ou pelo interior de Moria, um labirinto de túneis e fossos. A tentativa de cruzar o passo montanhoso falha devido ao clima severo, forçando a Sociedade a se dirigir ao Portão Oeste de Moria, onde o Observador habitava um lago. Sua presença foi notada após o represamento do rio Sirannon, e registrada pela expedição de Balin cerca de 30 anos antes.[T 1] Ao se aproximarem do Portão, o Observador agarra Frodo Bolseiro com um tentáculo longo, verde-pálido e luminescente, seguido por mais vinte. A Sociedade resgata Frodo e recua para Moria, mas o Observador sela as Portas do Portão Oeste.[T 1] Gandalf observa: "Algo rastejou ou foi expelido das águas escuras sob as montanhas. Há coisas mais antigas e vis do que orcs nas profundezas do mundo." Ele nota, em particular, que a criatura atacou Frodo, o portador do Anel, primeiro.[T 1]
Mais tarde, a Sociedade encontra o Livro de Mazarbul, um registro da expedição fracassada de Balin para recuperar Moria.[T 1][T 2] Nas últimas páginas, o escriba, revelado como Ori, escreve: "Não podemos sair. Não podemos sair. Eles [os orcs] tomaram a Ponte e o segundo salão. ... o lago está contra a muralha do Portão Oeste. O Observador na Água levou Óin. Não podemos sair. O fim se aproxima ... tambores, tambores nas profundezas ... eles estão chegando."[T 2]
Conceito e criação
O "Observador na Água" é o único nome dado por Tolkien a essa criatura.[1] Uma versão inicial do encontro da Sociedade com o Observador está em O Retorno da Sombra. A descrição de Tolkien sobre a criatura, sua aparição, aparência física, habilidades, ataque à Sociedade e a destruição do Portão de Moria já estão presentes em seus rascunhos iniciais, praticamente idênticos à versão final publicada.[T 3]
Análise

No livro The Complete Tolkien Companion, Tony Tyler [en] sugere que o Observador pode ser um dragão de gelo: "esses dragões dependem apenas de sua força e velocidade (a criatura que atacou o portador do Anel perto do lago de Moria pode ter sido um desses)".[3]
A ensaísta Allison Harl argumenta que o Observador pode ser um kraken criado e desenvolvido por Morgoth em Utumno,[4] e que ele representa um guardião cujo objetivo, no contexto da jornada arquetípica, é impedir os heróis de entrar em novos territórios, seja psicológica ou espiritualmente. Essa "teoria do guardião" foi ecoada por autores como Joseph Campbell.[4][5]
O estudioso de literatura inglesa Charles A. Huttar [en] sugere possíveis origens do Observador no mundo clássico. Ele compara a combinação do monstro com tentáculos e o "portão que se fecha" quando a Sociedade passa pelas Portas de Durin, apenas para o Observador esmagar as rochas atrás deles, às Rochas Errantes da mitologia grega, próximas à entrada do mundo inferior, e à passagem de Odisseu entre a devoradora Cila e o redemoinho Caríbdis.[2]
O acadêmico Jonathan Evans [en] descreve o monstro como "o vago Observador na Água" e "uma criatura com muitos tentáculos".[6] Ele destaca a descrição de Gandalf, comparando-a com a afirmação posterior de que "o mundo é roído por coisas sem nome" nas profundezas de Moria, mais antigas até que Sauron e "desconhecidas até para ele".[6]
Marjorie Burns [en], estudiosa de literatura inglesa, posiciona o Observador na Água como parte de um triplo obstáculo para entrar em Moria: "águas ameaçadoras, o Observador no lago e portas altamente resistentes".[7] Ela observa que esse "acúmulo de oposição" é característico da mitologia nórdica, na qual é comum encontrar obstáculos massivos, portões hostis, cães agressivos e "guardiões persistentes".[7]
Norbert Schürer escreve no periódico Mythlore [en] que Tolkien descreve eficazmente o estado da água, a natureza do Observador e a situação da Companhia do Anel em sua perigosa missão, tudo ao mesmo tempo, com o ambiente aquático "representando simbolicamente" a dificuldade da escolha a ser feita.[8]
| Corpo d'água | Descrição | Interpretação | A decisão a ser tomada |
|---|---|---|---|
| Rio Sirannon | anteriormente "fluía", "forte e cheio"; agora "um filete" | como se tivesse "intenção" | A escolha não é fácil; a Companhia pode esperar uma jornada fluida ou ficar presa em águas escuras e sujas |
| Lago | "sombrio", "ameaçador" | como se tivesse "agência" | |
| Riacho | "verde e estagnado [com um] braço viscoso", "escuro", "impuro" | como se fosse um corpo vivo | |
| Água agitada | "fervilhante", "verde-pálida, luminosa e úmida" | "o despertar da besta" |
Adaptações
O Observador na Água aparece em O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (2001), de Peter Jackson. Na adaptação de Jackson, o Observador é retratado como um monstro colossal semelhante a um polvo. Jackson mencionou nos comentários do DVD que a ideia original era que o Observador arrastasse Bill, o pônei que carregava a bagagem da comitiva, para debaixo d'água. Na seção de galeria de arte conceitual do DVD, os artistas John Howe e Alan Lee explicam que o Observador foi uma das criaturas mais difíceis de desenhar, pois Tolkien forneceu poucas descrições sobre ele.[9]
No jogo The Lord of the Rings Strategy Battle Game [en] da Games Workshop, baseado no filme de Jackson, o Observador na Água é chamado de "Guardião das Portas de Durin".[10]
Ver também
Referências
- ↑ Foster, Robert (2001). The Complete Guide to Middle-earth [O Guia Completo da Terra-média] (em inglês) Revisada ed. [S.l.]: Del Rey. ISBN 0-345-44976-2
- ↑ a b Huttar, Charles A. (1975). «Hell and the City: Tolkien and the Traditions of Western Literature» [O Inferno e a Cidade: Tolkiene as Tradições da Literatura Ocidental]. In: Lobdell, Jared. A Tolkien Compass [Uma Bússola de Tolkien]. [S.l.]: Open Court. pp. 121–122. ISBN 978-0875483030.
Claramente, Caríbdis é mais uma rota para o inferno.
- ↑ Tyler, J. E. A. (2002). The Complete Tolkien Companion [O Companheiro Completo de Tolkien] 3ª ed. [S.l.]: Pan Books. ISBN 978-0-330-41165-3
- ↑ a b Harl, Allison (2007). «The monstrosity of the gaze: critical problems with a film adaptation of The Lord of the Rings» [A monstruosidade do olhar: problemas críticos com uma adaptação cinematográfica de O Senhor dos Anéis]. Mythlore. 25 (3). Consultado em 4 de junho de 2025
- ↑ Campbell, Joseph; Moyers, Bill (2001). The Power of Myth [DVD] [O Poder do Mito [DVD]] (em inglês). [S.l.]: Mystic Fire Video. ASIN B00005MEVQ
- ↑ a b Evans, Jonathan (2006). «Monsters» [Monstros]. In: Drout, Michael D. C. J.R.R. Tolkien Encyclopedia: Scholarship and Critical Assessment (em inglês). Routledge. p. 434. ISBN 978-1-135-88034-7
- ↑ a b Burns, Marjorie (2005). Perilous Realms: Celtic and Norse in Tolkien's Middle-earth [Reinos Perigosos: Celta e Nórdico na Terra-média de Tolkien]. [S.l.]: University of Toronto Press. pp. 59–60. ISBN 978-0-8020-3806-7
- ↑ a b Schürer, Norbert (2021). «The Shape of Water in J.R.R. Tolkien's The Lord of the Rings» [A Forma da Água em O Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien]. Mythlore. 40 (1): Artigo 3. Consultado em 4 de junho de 2025
- ↑ Jackson, Peter (2012). «The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring (Extended Edition)» [O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (Edição Estendida)] (DVD) (em inglês). p. Os Apêndices: Parte Um - Do Livro à Visão
- ↑ «Guardian of the Doors of Durin: Making the Watcher in the Water» [Guardião das Portas de Durin: Criando o Vigia na Água]. Games Workshop. 2008. Consultado em 4 de junho de 2025. Arquivado do original em 12 de abril de 2008
J. R. R. Tolkien
- ↑ a b c d e f Tolkien, J. R. R. (1954). «Book 2, ch. 4 "A Journey in the Dark"». The Fellowship of the Ring [A Sociedade do Anel] (em inglês). [S.l.]: HarperCollins
- ↑ a b Tolkien, J. R. R. (1954). «Book 2, ch. 5 "The Bridge of Khazad-dûm"». The Fellowship of the Ring [A Sociedade do Anel] (em inglês). [S.l.]: HarperCollins
- ↑ Tolkien, J. R. R. (1988). «ch. 25 "The Mines of Moria"». The Return of the Shadow [O Retorno da Sombra] (em inglês). [S.l.]: HarperCollins
Bibliografia
- Tolkien, J. R. R. (1954). The Fellowship of the Ring [A Sociedade do Anel] (em inglês). [S.l.]: HarperCollins
- Tolkien, J. R. R. (1988). The Return of the Shadow [O Retorno da Sombra] (em inglês). [S.l.]: HarperCollins
- Foster, Robert (2001). The Complete Guide to Middle-earth [O Guia Completo da Terra-média] (em inglês) Revisada ed. [S.l.]: Del Rey. ISBN 0-345-44976-2
- Tyler, J. E. A. (2002). The Complete Tolkien Companion [O Companheiro Completo de Tolkien] 3ª ed. [S.l.]: Pan Books. ISBN 978-0-330-41165-3
- Lobdell, Jared, ed. (1975). A Tolkien Compass [Uma Bússola de Tolkien]. [S.l.]: Open Court. ISBN 978-0875483030
- Burns, Marjorie (2005). Perilous Realms: Celtic and Norse in Tolkien's Middle-earth [Reinos Perigosos: Celta e Nórdico na Terra-média de Tolkien]. [S.l.]: University of Toronto Press. ISBN 978-0-8020-3806-7
- Evans, Jonathan (2006). «Monsters» [Monstros]. In: Drout, Michael D. C. J.R.R. Tolkien Encyclopedia: Scholarship and Critical Assessment (em inglês). Routledge. ISBN 978-1-135-88034-7