COEsp

País Brasil
DenominaçãoCurso de Operações Especiais
SiglaCOEsp
Criação1978

Curso de Operações Especiais (COEsp), conhecido por formar os Caveiras, é um curso tático-militar que qualifica o operador da segurança pública para desenvolver suas atividades com o mais alto grau de excelência. Trata-se de um conceito baseado na premissa de um grupo seleto, altamente treinado e disciplinado, formado por policiais voluntários, que são especialmente equipados e preparados para reduzir os riscos associados a situações de emergência. Isso pode incluir ataques coordenados a alvos específicos, com o intuito de salvamento, resgate e cumprimento do dever legal e institucional da corporação pública à qual pertencem. [1]

História

O COEsp surgiu no ano de 1978, inicialmente na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), em razão da crescente demanda por segurança pública na cidade do Rio de Janeiro naquele período. O cenário era marcado pelo surgimento e pela consolidação de práticas criminosas organizadas, com elevado nível de violência em áreas de risco — algo que não existia em décadas anteriores.

Observava-se uma notável mudança no comportamento criminal, na qual as Polícias Militar e Civil passaram a enfrentar dificuldades significativas para exercer suas funções institucionais dentro de comunidades periféricas e em enclaves de habitação urbana irregular, que cresciam aceleradamente e davam origem às favelas.

Nesse contexto, tornou-se rotineiro o aprisionamento de patrulhas policiais no interior dessas comunidades, além do assassinato de policiais em serviço. Paralelamente, os infratores passaram a se organizar em territórios próprios, estabelecendo regras comunitárias, estruturas de lavagem de dinheiro e capacidade bélica compatível com a guerrilha urbana. Nenhuma cidade brasileira enfrentava, à época, cenário semelhante ao do Rio de Janeiro.

Em diversas polícias ao redor do mundo já existia o conceito de grupos táticos especiais. Assim, a criação do COEsp foi pioneira no Brasil, embora essa realidade já estivesse consolidada em países desenvolvidos, como a Alemanha, com o GSG 9, e os Estados Unidos, com a SWAT, especialmente em Los Angeles, que enfrentava gangues latinas envolvidas no tráfico de cocaína, maconha e heroína, oriundas de cartéis mexicanos com elevado poder de fogo.

Naquele período, o Brasil vivia sob um governo militar e dispunha de poucos recursos didáticos para lidar com um cenário inédito. Inicialmente, os conceitos e o Curso de Operações Especiais da PMERJ foram estruturados com foco em demandas envolvendo ações rápidas e assaltos táticos, sendo ministrados por instrutores oriundos de tropas de assalto paraquedista e de ações especiais do Corpo de Exército sediado no Rio de Janeiro. A Polícia Militar do Rio de Janeiro compreendia claramente o desafio que enfrentava e sabia quais resultados operacionais esperava de uma tropa de acionamento diferenciado. Esse processo foi potencializado pela revolução nas comunicações via rádio. O contexto da Guerra Fria, da corrida espacial e da Guerra do Vietnã impulsionou avanços tecnológicos significativos para a época, como os rádios portáteis (HTs) e os sistemas de repetição de ondas de rádio, que passaram a equipar policiais e viaturas nos anos 1970.

O que hoje é trivial na era do smartphone, representava, naquele momento histórico, um avanço formidável em termos de planejamento e ação operacional. A possibilidade de direcionar uma operação policial, em tempo real, para um ponto específico, diante da rápida expansão urbana e populacional, transformou a atuação policial.

Um oficial comandante da Polícia Militar, nos postos de Capitão ou Major, passou a atuar muito além da hierarquia administrativa da caserna. O comandante podia empregar estratégias inéditas, redirecionando efetivos policiais, revisando ordens em tempo real e exercendo um comando com alcance operacional comparável ao de um combate urbano, quando necessário.

Todo esse aumento da demanda operacional das forças de segurança pública evidenciou a necessidade de operadores táticos especializados e de um curso de formação coerente e compatível com a nova realidade da segurança pública. Surge, assim, o COEsp, com foco em missões especiais, intenso adestramento físico, demonstração de operabilidade prática e instruções voltadas ao domínio de conhecimentos especializados indispensáveis ao desempenho de ações táticas.

Diversos estados brasileiros já possuíam escopos e segmentos especiais em suas corporações, como as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), em São Paulo, criadas em resposta à necessidade de patrulhamento ostensivo e apoio em uma capital de enorme extensão territorial, impulsionada pelo crescimento urbano e pelo êxodo rural em direção à Grande São Paulo. A ROTA destacou-se pela capacidade de deslocamento urbano, patrulhamento diferenciado, elevado tirocínio policial, coragem e profissionalismo de seus integrantes.

Estados como Minas Gerais, por sua vez, limitaram-se a reproduzir conceitos e até nomenclaturas de tropas, grupos e batalhões especiais, alegando que seu diferencial reside na preparação e no profissionalismo, apesar de não possuírem o mérito da criação de grupamentos com alto reconhecimento nacional. É fato, contudo, que o contexto criminal mineiro é mais ameno quando comparado ao do Rio de Janeiro e de São Paulo. Minas Gerais, com uma população de cultura mais tradicional e provinciana, possui 853 municípios, dos quais cerca de 90% assemelham-se a vilas, com comércio modesto, interligadas por estradas pavimentadas ou não, próximas a centros urbanos de maior estrutura. Há pouca ou nenhuma atuação organizada de facções criminosas com domínio territorial efetivo. Em muitos locais, o chamado “controle social difuso” ainda se faz presente, com forte influência comunitária e religiosa.

A capital, Belo Horizonte, assemelha-se a um conglomerado de pequenas cidades de hábitos interioranos, com características culturais próprias e um comércio que, por vezes, não acompanha o porte esperado de uma capital, ficando aquém de cidades do interior de São Paulo, Santa Catarina e até da Bahia. Nesse contexto, a segurança pública tende a contar com ampla colaboração da própria população.

Observa-se que, em Minas Gerais, a criminalidade se concentra majoritariamente na capital, ainda assim sem a presença expressiva de fuzis automáticos e armas longas. Crimes cometidos com armas de baixo calibre ainda são comuns, e a morte de um policial gera comoção em todo o estado. Diferentemente do Rio de Janeiro, onde o assassinato rotineiro de policiais acabou por produzir uma lamentável sensação de normalização dessas ocorrências.

Nos estados nordestinos, a demanda imposta pelo terreno árido impulsionou a criação de grupos especiais reconhecidos pela capacidade de sobrevivência, resistência e operabilidade tática, inclusive em áreas onde nem mesmo o GPS funciona adequadamente. Policiais do Nordeste atuam em ambientes extremamente hostis, nos quais operadores de grupos especiais do Sudeste poderiam sucumbir à desidratação e à inanição. A realidade demonstra que a demanda concreta é capaz de forjar estruturas públicas altamente eficientes. Os demais estados brasileiros adaptaram as operações especiais às suas realidades específicas, sejam elas mais ou menos complexas. Goiás, por exemplo, tem se destacado dentro de seu contexto fático próprio.

Atualmente, o termo “Caveira” tornou-se um símbolo de status, sendo utilizado inclusive por Guardas Municipais, Polícias Penais e outras instituições. Observa-se também a criação de grupos especiais no Ministério Público, que atuam em conjunto com forças policiais, utilizando vestuário tático e, em alguns casos, armamento, realizando adestramentos conjuntos para operações em campo.

Todos buscam, dentro de suas atribuições, tornar-se “caveira” em sua respectiva função. Empresas de transporte de valores e de segurança privada também passaram a criar grupos especializados, oferecendo serviços diferenciados mediante maior custo ao contratante.

A Polícia Federal, por sua vez, possui um perfil mais técnico, contando com o Comando de Operações Táticas (COT), cuja missão é prestar apoio operacional especializado às atribuições legais da instituição, em situações que exigem elevado grau de complexidade e risco. O COT mantém treinamento constante e intenso, sendo comum que seus operadores recebam informações sobre a missão apenas durante o deslocamento aéreo, sem possibilidade de comunicação externa, a fim de preservar o sigilo operacional.

Cursos especiais formam grupos especiais para demandas específicas. As disciplinas são variadas, com ênfase em ações urbanas, rurais, aquáticas e aéreas, exigindo elevado preparo físico e psicológico. Ao término do curso, após aprovação e demonstração de resistência, o operador passa a integrar um grupo seleto, altamente treinado, cuja disciplina constitui o alicerce. Os policiais são voluntários, atraídos pela qualificação e pelo preparo diferenciado, sendo capacitados para operar equipamentos específicos com o objetivo de reduzir riscos em situações de emergência. As missões podem incluir ações coordenadas contra alvos específicos, apoio e resgate de policiais em risco, ocupação de áreas dominadas por facções criminosas fortemente armadas, cumprimento de mandados judiciais em locais de difícil acesso, resgates e negociações com reféns, entre outras situações congêneres.

Por essas razões, o Curso de Operações Especiais impõe exigência extrema e formação altamente qualificada. Considerando sua origem genuína na PMERJ, no Estado do Rio de Janeiro, o curso incorpora doutrinas de assalto militar adaptadas às particularidades do terreno e ao cenário complexo das comunidades fluminenses. A atuação constante, impulsionada pela elevada demanda de segurança pública, levou as demais polícias militares do país a importar e adaptar essas doutrinas às suas realidades, consolidando o COEsp como um dos pilares da formação tática no Brasil.

Disciplinas

Entre as disciplinas ministradas destacam-se:[2]

  • Tiro de combate e de alta precisão
  • Mergulho
  • Paraquedismo
  • Contraterrorismo
  • Operações helitransportadas.
  • Invasões táticas em estruturas tubulares (trens, metro, ônibus e aviões)
  • Ambientes confinados para resgate de reféns
  • Intervenção em rebeliões de presídios

Faca na Caveira

A Faca na Caveira é uma simbologia que remonta aos tempos da Segunda Guerra Mundial, onde os COMANDOS INGLESES faziam operações de sabotagem na Alemanha Nazista e França ocupada pelo Exército Alemão. As Tropas Especiais Alemãs e a "SS" usava em coberturas e boinas o símbolo de uma Caveira, onde vários significados são atribuídos, pois eram tropas alemãs encarregadas de extermínio e controle da população dominada nas invasões. A Caveira em uniformes da Alemanha Nazista diziam respeito a tropas que realmente estavam ali para fazer o for necessário, onde também faziam uma sátira e "deboche" significando que retornaram dos mortos, pois antes da Segunda Guerra Mundial o que era difundido em propaganda na Europa e no mundo é é que o Exército Alemão estava totalmente eliminado após a Primeira Guerra Mundial. Então, para satirizar e demonstrar que estavam "de volta dos mortos" os uniforme alemães ostentava símbolos com o crânio de um esqueleto humano. Em outras situações a caveira alemã era semelhante a de um aviso de comunicação visual universal que remete a toxina, ambiente, situação ou objeto perigoso. Demonstrando assim a capacidade letal da tropa ou arma de exército que ostentava um crânio humano com dois ossos de fêmur cruzados atrás. Como essa comunicação visual causava medo significado morte, então as Tropas Especiais de Comandos Ingleses, que praticavam sabotagens em instalações dentro do território inimigo e assassinatos ou sequestro de oficiais nazistas para obtenção de informações, criaram o símbolo, de uma simples faca atravessada no crânio que tanto tinha um simbolismo para os nazistas.

Primeiro, numa tática psicológica de causar terror aos inimigos alemães e italianos os Comandos Ingleses, quando operavam em determinado local deixavam deliberadamente uma "caveira" crânio com um punhal ou faca fincada debaixo do osso no queixo no crânio encontrado em campo de batalha, junto a mensagens de ameaça e implantando informações de contra inteligência para causar confusão nas tropas alemãs. Onde também, quando capturavam oficiais nazistas, que foram torturados para obtenção de informações, os Comandos Ingleses atravessavam uma faca na mesma posição, mas com a língua do alemão para fora, simbolizando que as informações foram obtidas. Tudo fazia parte de uma estratégia de simbolismos e causar terror no inimigo que temia ataques noturnos e repentinos.

Logo, com o simbolismo difundido, veio a representação gráfica de desenhos e imagens da famosa "faca na caveira" onde, para os Ingleses que operavam difíceis missões em território inimigo, sem apoio e somente com os recursos precários da época, de 1939 à 1945, quando retornavam para casa, viam o símbolo como uma vitória da sua vida contra a morte iminente, pois os alemães eram impiedosos com os soldados capturados que pertenciam aos Comandos Ingleses.

Dessa forma, com uma releitura da origem do símbolo, ficou difundido no meio Militar o significado de tropa especial e não convencional para missões especiais. Sendo que a "caveira" tem etimologia nórdica anglo saxônica, onde "crânio" vem do latim grego. Então "Caveira" é sim uma releitura dos significados militares Ingleses, Alemães e com muita simbologia para os povos nórdicos como os vikings.

O que vislumbramos hoje é uma difusão da comunicação visual, atributo simbólico e histórico e releitura adaptativa ao que temos hoje.[3]

A faca

Tem como significado o caráter de quem faz da ousadia sua conduta. Também representa a forma como o militar encara o sigilo das missões. Dos artefatos até hoje criado para o combate é o mais perfeito

A caveira

Tem como significado a capacidade de se adaptar à mudança e é o único meio que possuímos para dominar os nossos instintos e é o que nos diferencia dos animais a inteligência e o conhecimento, assim como a morte.

A faca na Caveira

A faca cravada na caveira simboliza que não importa se o desafio é forte, grande ou difícil demais, porque a determinação em vencer superará qualquer coisa. Não importam as de feridas que a vida traga, o que importam são as cicatrizes curadas. A força está demonstrada no modo como levanta-se depois de cair.

Ver também

Referências

Ligações externas