Eysyslopterus
Eysyslopterus
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| Ocorrência: Ludlow, 422,9–418,7 Ma | |||||||||||||
![]() Restauração da carapaça de Eysyslopterus patteni com base no trabalho de Tetlie e Poschmann, de 2008. | |||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||
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| Espécie-tipo | |||||||||||||
| †Eysyslopterus patteni Størmer, 1934 | |||||||||||||
| Sinónimos | |||||||||||||
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Eysyslopterus é um gênero de euriptérido, um grupo extinto de artrópodes aquáticos. Eysyslopterus é classificado como parte da família Adelophthalmidae, o único clado dentro da superfamília derivada ("avançada") Adelophthalmoidea de euriptéridos. Um fóssil da única espécie e espécie-tipo, Eysyslopterus patteni, foi descoberto em depósitos do período Siluriano Superior (época Ludlow) em Saaremaa, Estônia. O gênero é nomeado em homenagem a Eysysla, o nome viking para Saaremaa, e opterus, um sufixo tradicional para os gêneros de euriptéridos, que significa "asa". O nome da espécie homenageia William Patten [en], um biólogo e zoólogo americano que descobriu o único fóssil conhecido de Eysyslopterus.
Eysyslopterus é um gênero basal pouco conhecido que se distinguia do resto dos adelophthalmídeos pela posição dos olhos perto da margem da cabeça, diferente do resto de seus parentes. Sua carapaça era parabólica (aproximadamente em forma de U) e com sulcos transversais profundos formando a ornamentação [en]. Com um comprimento estimado de 8 cm, Eysyslopterus era um pequeno euriptérido. Vivia em uma comunidade tranquila de lagoa litorânea, junto com outras espécies de euriptéridos.
Descrição

Como os outros euriptéridos adelophthalmídeos, Eysyslopterus era um pequeno euriptérido. O tamanho total do único espécime conhecido é estimado em apenas 8 centímetros,[1] longe dos maiores adelophthalmídeos como Adelophthalmus khakassicus de 32 cm de comprimento.[2]
Eysyslopterus é um euriptérido pouco conhecido, com apenas um espécime coletado que preserva apenas o prossoma ("cabeça") sem apêndices [en] (membros). O prossoma era bastante largo, com um contorno parabólico (aproximadamente em forma de U). Media 19,5 milímetros de comprimento e 22 mm de largura. Embora a parte anterior do prossoma não esteja preservada, o molde fóssil indica uma porção pontiaguda. A borda posterior era ligeiramente convexa. Uma borda estreita circundava as margens laterais da carapaça (escudo dorsal do prossoma). A superfície do prossoma era suavemente arqueada, com a porção central bastante nivelada. Os olhos eram reniformes (em forma de feijão) e com uma testa (escudo externo) fina e de cor clara em sua superfície. Mediam 4,5 mm de comprimento. Os ocelos (olhos simples) estavam localizados na metade posterior do prossoma e consistiam em duas manchas circulares. A parte posterior era lisa, mas a parte anterior tinha uma ornamentação [en] distinta. Esta ornamentação se estendia até o final dos olhos e era composta por linhas transversais desenvolvidas como sulcos profundos.[3]
Eysyslopterus era um gênero basal ("primitivo") em relação ao restante de adelophthalmídeos, com os olhos mais próximos da margem do que dos ocelos, sugerindo que os olhos migraram para uma posição central dos gêneros basais para Adelophthalmus.[4]
História da pesquisa
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Eysyslopterus é conhecido apenas por um único espécime (e é, portanto, o holótipo, AMNH 32720, alojado no Museu Americano de História Natural) que preserva a carapaça.[4] Este fóssil foi coletado pelo biólogo e zoólogo americano William Patten [en] durante suas extensas explorações na formação Rootsikula em Saaremaa, Estônia (então parte da União Soviética). Durante uma reunião entre Patten e o paleontólogo e geólogo norueguês Leif Størmer [en] em 1932, Størmer observou a coleção particular de euriptéridos de Patten, entre os quais reconheceu uma carapaça de uma nova espécie desconhecida. Ele a descreveu em 1934 como pertencente ao gênero Hughmilleria patteni, nomeado em homenagem a Patten, que morreu meses após a reunião. Størmer notou várias diferenças entre sua nova espécie e outras espécies de Hughmilleria, essencialmente a forma do prossoma e a forma ou posição dos olhos. Ele também sugeriu uma relação próxima entre Hughmilleria patteni e outras espécies, especialmente a espécie escocesa Hughmilleria lanceolata.[3]
No entanto, em 1961, o paleontólogo americano Erik Norman Kjellesvig-Waering dividiu Hughmilleria em dois subgêneros, Hughmilleria para espécies com grandes olhos ovóides marginais e Nanahughmilleria para pequenos olhos reniformes intramarginais (dentro da margem). Como Hughmilleria patteni cumpria esta condição, foi referido a Nanahughmilleria.[5] Somente em 2008, durante uma revisão filogenética de toda a família Adelophthalmidae pelos paleontólogos norueguês Odd Erik Tetlie e alemão Markus Poschmann, Nughmilleria patteni foi reconhecido como suficientemente diferente para representar seu próprio gênero devido à posição anterior de seus olhos, muito mais exagerada do que nos outros gêneros de adelophthalmídeos. A primeira parte do nome genérico é composta pela palavra Eysysla, o nome viking para Saaremaa, e a segunda parte por opterus, um sufixo comumente usado em euriptéridos que significa "asa" (e, portanto, traduzido como "asa de Eysysla").[4]
Classificação
Eysyslopterus é classificado como parte da família Adelophthalmidae, o único clado ("grupo") dentro da superfamília Adelophthalmoidea.[6] Eysyslopterus patteni foi originalmente descrito como uma espécie do gênero Hughmilleria,[3] mas foi considerado diferente o suficiente para representar um novo gênero separado em 2008.[4]
Eysyslopterus é considerado o gênero de adelophthalmídeo mais basal devido à posição de seus olhos. Estes estão localizados mais perto da margem do que dos ocelos, em contraste com qualquer outro adelopthalmídeo. De fato, a carapaça de Eysyslopterus e de outros gêneros basais pertencentes a superfamílias, Orcanopterus e Herefordopterus, eram quase idênticas. No waeringopteroide Orcanopterus, os olhos eram separados da margem pela borda marginal, enquanto em Herefordopterus eles eram completamente marginais, uma característica presente em todos os gêneros de pterigotioides.[4] Além disso, a margem anterior triangular da carapaça presente em Eysyslopterus era compartilhada com Hughmilleria, indicando que poderia ser um traço plesiomórfico (um traço presente em um ancestral comum).[7] Essas características levaram alguns autores a questionar se Eysyslopterus realmente representa um adelophthalmídeo ou o grupo irmão de um grupo formado por Pterygotioidea e Adelophthalmoidea, mas até que mais material fóssil seja encontrado, isso não pode ser provado.[4]

O cladograma abaixo apresenta as posições filogenéticas inferidas da maioria dos gêneros incluídos nas três superfamílias mais derivadas da infraordem Diploperculata de euriptéridos (Adelophthalmoidea, Pterygotioidea e os waeringopteroides), conforme inferido por Tetlie e Poschmann em 2008, com base nos resultados de uma análise de 2008 especificamente pertencente à Adelophthalmoidea e uma análise anterior de 2004.[4]
| Diploperculata |
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Paleoecologia
O único espécime conhecido de Eysyslopterus foi recuperado de depósitos do Siluriano da época Ludlow da formação Rootsikula de Saaremaa, Estônia.[4] Esta formação era o habitat de uma fauna de euriptéridos, entre eles Erettopterus laticauda, Erettopterus osiliensis, Eurypterus tetragonophthalmus, Mixopterus simonsi e Strobilopterus laticeps. Restos fósseis de peixes osteostráceos e telodontes indeterminados também foram encontrados. O habitat em que Eysyslopterus vivia é considerado uma comunidade tranquila de lagoa litorânea. A litologia (as características físicas das rochas) da zona era composta por fendas de contração [en] e tocas de dolomito e calcário.[8]
Ver também
Referências
- ↑ Lamsdell, James C.; Braddy, Simon J. (2009). «Cope's rule and Romer's theory: patterns of diversity and gigantism in eurypterids and Palaeozoic vertebrates». Biology Letters. 6 (2): 265–269. ISSN 1744-9561. PMC 2865068
. PMID 19828493. doi:10.1098/rsbl.2009.0700. Supplemental material
- ↑ Shpinev, Evgeniy S.; Filimonov, A. N. (2018). «A New Record of Adelophthalmus (Eurypterida, Chelicerata) from the Devonian of the South Minusinsk Depression». Paleontological Journal. 52 (13): 1553–1560. doi:10.1134/S0031030118130129
- ↑ a b c Størmer, Leif (1934). A new eurypterid from the Saaremaa- (Oesel-) beds in Estonia. 37. [S.l.]: Publications of the Geological Institution of the University of Tartu. pp. 1–8. OCLC 1006783631
- ↑ a b c d e f g h Erik Tetlie, O; Poschmann, Markus (1 de junho de 2008). «Phylogeny and palaeoecology of the Adelophthalmoidea (Arthropoda; Chelicerata; Eurypterida)». Journal of Systematic Palaeontology. 6 (2): 237–249. doi:10.1017/S1477201907002416
- ↑ Kjellesvig-Waering, Erik N. (1961). «The Silurian Eurypterida of the Welsh Borderland». Journal of Paleontology. 35 (4): 789–835. JSTOR 1301214
- ↑ Dunlop, J. A., Penney, D. & Jekel, D. 2018. A summary list of fossil spiders and their relatives. In World Spider Catalog. Natural History Museum Bern.
- ↑ Ciurca, Samuel J.; Tetlie, O. Erik (2007). «Pterygotids (Chelicerata; Eurypterida) from the Silurian Vernon Formation of New York». Journal of Paleontology (em inglês). 81 (4): 725–736. ISSN 0022-3360. doi:10.1666/pleo0022-3360(2007)081[0725:PEFTSV]2.0.CO;2
- ↑ "Eurypterid-Associated Biota of the Rootsikula Horizon, Saaremaa, Estonia: Rootsikula, Estonia". The Paleobiology Database.
