Trigo geneticamente modificado
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Trigo geneticamente modificado é o trigo que passou por alterações em seu material genético por meio de técnicas da engenharia genética, conferindo características desejáveis, como tolerância à seca e resistência a herbicidas, podendo resultar em um trigo transgênico. O trigo geneticamente modificado HB4, desenvolvido para tolerar a seca e resistir ao herbicida glufosinato, recebeu aprovação inicial na Argentina em 2020 e, em 2023, foi autorizado para cultivo no Brasil e no Paraguai.[1][2]
Contexto
O trigo é um híbrido natural derivado do cruzamento entre espécies. Acredita-se que os ancestrais do trigo (Triticum monococcum, Aegilops speltoides e Aegilops tauschii, todas gramíneas diplóides) se hibridizaram naturalmente ao longo de milênios em algum lugar da Ásia Ocidental, criando híbridos poliploides naturais, dos quais os mais conhecidos são o trigo comum e o trigo duro.[3]
O trigo (Triticum spp.) é uma importante gramínea domesticada utilizada mundialmente como alimento. Sua evolução tem sido influenciada pela intervenção humana desde os primórdios da agricultura.[3]
A transferência interespecífica de genes continuou a ocorrer nos campos dos agricultores durante a mudança da dieta paleolítica para a dieta adotada pelos humanos após a Revolução Neolítica, ou primeira revolução verde.[4] Durante a transição de uma estrutura social de caçadores-coletores para sociedades mais agrárias, os humanos começaram a cultivar trigo e a transformá-lo ainda mais para atender às suas necessidades. Assim, as raízes sociais e culturais dos humanos e o desenvolvimento do trigo estão interligados desde antes da história registrada.
Este processo resultou em várias espécies de trigo que são cultivadas para propósitos e climas específicos. Em 1873, Wilson[5] polinizou o centeio e o trigo para criar o triticale. Outras transformações usando técnicas de hibridização citogênica permitiram que Norman Borlaug, pai da segunda Revolução Verde,[4] desenvolvesse variedades de trigo que cresceriam em ambientes hostis.
As técnicas de DNA recombinante foram desenvolvidas na década de 1980, e o trabalho começou na criação do primeiro trigo transgênico, coincidindo com a terceira Revolução Verde.[4] Dos três cereais mais importantes do mundo (milho, arroz e trigo), o trigo foi o último a ser transformado por métodos transgênicos, como biolística em 1992 e por métodos de Agrobacterium em 1997.[6][7] Seu uso generalizado na dieta humana enfrentou resistência cultural.[8][6][9]
Ensaios de campo e aprovações
Em 2013, 34 ensaios de campo de trigo geneticamente modificado ocorreram na Europa e 419 nos EUA.[10] Modificações testadas incluem aquelas para criar resistência a herbicidas, criar resistência a insetos[11][12][13] e a patógenos fúngicos (especialmente fusarium) e vírus,[14][15] tolerância à seca e resistência à salinidade[16] e ao calor,[17] aumento[18][14] e diminuição[19] do conteúdo de glutenina, redução do conteúdo da proteína imunogênica gliadina,[20][21] nutrição melhorada (maior conteúdo de proteína, maior estabilidade ao calor da enzima fitase, maior conteúdo de fibras alimentares hidrossolúveis, maior conteúdo de lisina),[11][22] qualidades melhoradas para uso como matéria-prima de biocombustíveis, produção de medicamentos via pharming e aumento de rendimento.[10][11][14][18][23][24]
A empresa argentina Bioceres desenvolveu uma planta com o gene HaHB4 e ela foi cultivada em uma ampla gama de condições de cultivo que mostraram melhor adaptação a ambientes propensos à seca, a restrição mais importante que afeta a produtividade das culturas em todo o mundo.[25]
HB4 da Bioceres
A empresa argentina Bioceres desenvolveu uma variedade de trigo geneticamente modificada com maior rendimento sob estresse hídrico.[26] A variedade, também conhecida como IND-ØØ412-7,[27][28] recebeu esse nome devido à expressão de um fator de transcrição de girassóis, conhecido como HaHB4, que regula a expressão de vários genes associados à resposta à seca, ajudando a planta a tolerar estresse hídrico.[29] O HB4 também apresenta resistência ao herbicida glufosinato, obtida por meio da inserção do gene bar, originário da bactéria Streptomyces hygroscopicus.[30] O evento recebeu aprovação inicial na Argentina em 2020 e, em 2023, foi autorizado para cultivo no Brasil e no Paraguai.[1][2]
MON 71800 da Monsanto
O trigo transgênico mais desenvolvido foi o MON 71800 da Monsanto, que é resistente ao glifosato (Roundup Ready) por meio do gene cp4-epsps, que expressa uma versão da enzima 5-enolpiruvilshiquimato-3-fosfato sintase (EPSPS),[31] associada a síntese dos aminoácidos essenciais fenilalanina, tirosina e triptofano,[32] da cepa CP4 da bactéria Agrobacterium tumefaciens que não é inibida pelo glifosato.[31][33][34]
A Monsanto recebeu aprovação da Food and Drug Administration (FDA) norte-americana para uso do evento para alimentação, mas retirou seu pedido à Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) em 2004, de modo que o produto nunca foi comercializado. A variedade recebeu aprovação para uso como alimento na Colômbia.[35]
Estudos conduzidos pela Monsanto mostraram que seus componentes nutricionais são equivalentes aos do trigo não transgênico disponível comercialmente,[36] e estudos em animais que utilizaram o MON 71800 para ração confirmaram isso.[37] Avaliações de risco ambiental foram conduzidas pela Monsanto,[38] e agências reguladoras governamentais aprovaram seu uso em alimentos.[39]
No entanto, os agricultores estavam preocupados com a potencial perda de mercados na Europa e na Ásia devido à recusa pública do produto final,[40][41] por isso a Monsanto retirou o seu pedido à EPA para o trigo Roundup Ready.[42]
Em 2010, o parceiro da Monsanto na Índia, a Mahyco, anunciou que planeava obter aprovação para comercializar trigo geneticamente modificado na Índia nos próximos três a cinco anos.[43]
Controvérsia
Existe um consenso científico[44][45][46][47][48] de que os alimentos atualmente disponíveis derivados de culturas geneticamente modificadas não representam um risco maior para a saúde humana do que os alimentos convencionais,[49][50][51][52][53][54][55] mas que cada alimento geneticamente modificado precisa ser testado caso a caso antes da introdução.[56][57][58] No entanto, os membros do público são muito menos propensos do que os cientistas a perceber os alimentos geneticamente modificados como seguros.[59][60][61][62] O status legal e regulatório dos alimentos geneticamente modificados varia de país para país, com algumas nações proibindo-os ou restringindo-os, e outras permitindo-os com graus de regulamentação amplamente diferentes,[63][64][65][66][67] que variam devido a fatores geográficos, religiosos, sociais e outros.[68][69][70][71][72]
Embora tenham sido levantadas dúvidas, a maioria dos estudos constatou que o cultivo de culturas transgênicas tem sido benéfico para os agricultores, tanto pela redução do uso de pesticidas quanto pelo aumento do rendimento das colheitas e do lucro agrícola.[73][74][75][76] Os ganhos de rendimento e lucro são maiores nos países em desenvolvimento do que nos países desenvolvidos.[76]
Os críticos se opõem às culturas geneticamente modificadas por vários motivos, incluindo preocupações ecológicas e preocupações econômicas levantadas pelo fato de que esses organismos estão sujeitos à lei de propriedade intelectual. As culturas geneticamente modificadas também estão envolvidas em controvérsias sobre alimentos geneticamente modificados com relação a se os alimentos produzidos a partir de culturas geneticamente modificadas são seguros e se as culturas geneticamente modificadas são necessárias para atender às necessidades alimentares do mundo. Essas controvérsias levaram a ações, disputas comerciais internacionais e protestos, e a legislação restritiva em vários países.[77]
Escape de sementes de trigo geneticamente modificado
Em 1999, cientistas na Tailândia alegaram ter descoberto trigo resistente ao glifosato em um carregamento de grãos proveniente do noroeste do Pacífico dos Estados Unidos, embora o trigo transgênico nunca tivesse sido aprovado para venda e fosse cultivado apenas em parcelas de teste. Ninguém conseguiu explicar como o trigo transgênico chegou ao suprimento alimentar. [78]
Em maio de 2013, uma cepa de trigo geneticamente modificado e resistente ao glifosato foi encontrada em uma fazenda no Óregon. Testes extensivos confirmaram o trigo como uma variedade – MON71800.[79] O trigo foi desenvolvido pela Monsanto, mas nunca foi aprovado ou comercializado depois que a empresa o testou entre 1998 e 2005. A presença inexplicável desse tipo de trigo representa um problema para os produtores de trigo quando os compradores exigem trigo livre de transgênicos.[80] O Japão posteriormente suspendeu a importação de trigo branco mole dos Estados Unidos.[81] Um fazendeiro do Kansas processou a Monsanto sobre a contaminação, dizendo que isso causou a queda do preço do trigo cultivado nos EUA.[82] A Monsanto sugeriu que a presença desse trigo provavelmente era um ato de sabotagem.[83] Em 14 de junho de 2013, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou:
"Até hoje, o USDA não encontrou nem foi informado de nada que indicasse que este incidente equivale a mais do que um único incidente isolado em um único campo em uma única fazenda. Todas as informações coletadas até agora não mostram nenhuma indicação da presença de trigo geneticamente modificado no comércio."[84]
Em 30 de agosto de 2013, embora a fonte do trigo geneticamente modificado permanecesse desconhecida, o Japão, a Coreia do Sul e Taiwan retomaram as encomendas e a perturbação do mercado de exportação foi mínima.[85]
A investigação foi encerrada em 2014 depois que o Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal do USDA esgotou todas as pistas, mas não encontrou nenhuma evidência de que o trigo tivesse entrado em fornecimento comercial.
Em 2019, o USDA anunciou que plantas de trigo geneticamente modificadas, projetadas para resistir ao glifosato, foram detectadas em um campo cão cultivado no estado de Washington.[86]
Referências
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Revisamos a literatura científica sobre a segurança de cultivos transgênicos dos últimos 10 anos, que reflete o consenso científico amadurecido desde que as plantas transgênicas passaram a ser amplamente cultivadas em todo o mundo, e podemos concluir que a pesquisa científica conduzida até o momento não detectou nenhum risco significativo diretamente relacionado ao uso de cultivos transgênicos. A literatura sobre biodiversidade e o consumo de alimentos/rações transgênicos tem, por vezes, resultado em debates acalorados sobre a adequação dos delineamentos experimentais, a escolha dos métodos estatísticos ou a acessibilidade pública dos dados. Tal debate, mesmo que positivo e parte do processo natural de revisão pela comunidade científica, tem sido frequentemente distorcido pela mídia e frequentemente utilizado de forma política e inadequada em campanhas anti-cultivos transgênicos.
- ↑ «State of Food and Agriculture 2003–2004. Agricultural Biotechnology: Meeting the Needs of the Poor. Health and environmental impacts of transgenic crops». FAO (em inglês). Consultado em 21 de agosto de 2025.
As culturas transgênicas atualmente disponíveis e os alimentos derivados delas foram considerados seguros para consumo, e os métodos utilizados para testar sua segurança foram considerados apropriados. Essas conclusões representam o consenso das evidências científicas levantadas pelo ICSU (2003) e são consistentes com as opiniões da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2002). Esses alimentos foram avaliados quanto ao aumento dos riscos à saúde humana por diversas autoridades regulatórias nacionais (entre outras, Argentina, Brasil, Canadá, China, Reino Unido e Estados Unidos), utilizando seus procedimentos nacionais de segurança alimentar (ICSU). Até o momento, nenhum efeito tóxico ou nutricionalmente deletério verificável, resultante do consumo de alimentos derivados de culturas geneticamente modificadas, foi descoberto em qualquer lugar do mundo (GM Science Review Panel). Milhões de pessoas consumiram alimentos derivados de plantas geneticamente modificadas — principalmente milho, soja e colza — sem quaisquer efeitos adversos observados (ICSU).
- ↑ Ronald, Pamela (1 de maio de 2011). «Plant Genetics, Sustainable Agriculture and Global Food Security». Genetics (em inglês) (1): 11–20. ISSN 1943-2631. PMC 3120150
. PMID 21546547. doi:10.1534/genetics.111.128553. Consultado em 21 de agosto de 2025. Há amplo consenso científico de que as culturas geneticamente modificadas atualmente no mercado são seguras para consumo. Após 14 anos de cultivo e um total acumulado de 2 bilhões de acres plantados, nenhum efeito adverso à saúde ou ao meio ambiente resultou da comercialização de culturas geneticamente modificadas (Board on Agriculture and Natural Resources, Committee on Environmental Impacts Associated with Commercialization of Transgenic Plants, National Research Council and Division on Earth and Life Studies 2002) Tanto o Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA quanto o Centro Conjunto de Pesquisa (laboratório de pesquisa científica e técnica da União Europeia e parte integrante da Comissão Europeia) concluíram que existe um conjunto abrangente de conhecimentos que aborda adequadamente a questão da segurança alimentar das culturas geneticamente modificadas (Committee on Identifying and Assessing Unintended Effects of Genetically Engineered Foods on Human Health and National Research Council 2004; European Commission Joint Research Centre 2008). Esses e outros relatórios recentes concluem que os processos de engenharia genética e melhoramento convencional não são diferentes em termos de consequências não intencionais para a saúde humana e o meio ambiente (European Commission Directorate-General for Research and Innovation 2010).
- ↑ Freedman, David H. (setembro de 2013). «Are engineered foods evil?». Scientific American (em inglês) (3): 80–85. ISSN 0036-8733. PMID 24003560. doi:10.1038/scientificamerican0913-80. Consultado em 21 de agosto de 2025
- ↑ Mas também veja:
Domingo, José L.; Giné Bordonaba, Jordi (1 de maio de 2011). «A literature review on the safety assessment of genetically modified plants». Environment International (4): 734–742. ISSN 0160-4120. doi:10.1016/j.envint.2011.01.003. Consultado em 21 de agosto de 2025 "Apesar disso, o número de estudos especificamente focados na avaliação de segurança de plantas GM ainda é limitado. No entanto, é importante observar que, pela primeira vez, foi observado um certo equilíbrio no número de grupos de pesquisa que sugerem, com base em seus estudos, que diversas variedades de produtos GM (principalmente milho e soja) são tão seguras e nutritivas quanto as respectivas plantas convencionais não-GM, e aqueles que ainda levantam sérias preocupações. Além disso, vale mencionar que a maioria dos estudos que demonstram que os alimentos GM são tão nutritivos e seguros quanto aqueles obtidos por melhoramento convencional foram realizados por empresas de biotecnologia ou associadas, que também são responsáveis pela comercialização dessas plantas GM. De qualquer forma, isso representa um avanço notável em comparação com a falta de estudos publicados nos últimos anos em periódicos científicos por essas empresas."
Krimsky, Sheldon (1 de novembro de 2015). «An Illusory Consensus behind GMO Health Assessment». Science, Technology, & Human Values (em inglês) (6): 883–914. ISSN 0162-2439. doi:10.1177/0162243915598381. Consultado em 22 de agosto de 2025 "Comecei este artigo com depoimentos de cientistas respeitados de que não há literalmente nenhuma controvérsia científica sobre os efeitos dos OGMs na saúde. Minha investigação na literatura científica conta outra história."
Hilbeck, Angelika; Binimelis, Rosa; Defarge, Nicolas; Steinbrecher, Ricarda; Székács, András; Wickson, Fern; Antoniou, Michael; Bereano, Philip L; Clark, Ethel Ann (dezembro de 2015). «No scientific consensus on GMO safety». Environmental Sciences Europe (em inglês) (1). ISSN 2190-4707. doi:10.1186/s12302-014-0034-1. Consultado em 22 de agosto de 2025 "Na declaração conjunta a seguir, o consenso alegado é demonstrado como uma construção artificial que tem sido falsamente perpetuada por diversos fóruns. Independentemente das evidências contraditórias na literatura arbitrada, conforme documentado abaixo, a alegação de que agora existe um consenso sobre a segurança dos OGM continua a ser amplamente e frequentemente divulgada de forma acrítica."
E contraste:
Panchin, Alexander Y.; Tuzhikov, Alexander I. (17 de fevereiro de 2017). «Published GMO studies find no evidence of harm when corrected for multiple comparisons». Critical Reviews in Biotechnology (2): 213–217. ISSN 0738-8551. PMID 26767435. doi:10.3109/07388551.2015.1130684. Consultado em 22 de agosto de 2025 "Aqui, demonstramos que diversos artigos, alguns dos quais influenciaram forte e negativamente a opinião pública sobre os cultivos transgênicos e até mesmo provocaram ações políticas, como o embargo aos transgênicos, compartilham falhas comuns na avaliação estatística dos dados. Considerando essas falhas, concluímos que os dados apresentados nesses artigos não fornecem nenhuma evidência substancial de danos causados pelos transgênicos.Os artigos apresentados, sugerindo possíveis danos causados pelos transgênicos, receberam grande atenção pública. No entanto, apesar de suas alegações, eles, na verdade, enfraquecem as evidências dos danos e a falta de equivalência substancial dos transgênicos estudados. Ressaltamos que, com mais de 1.783 artigos publicados sobre transgênicos nos últimos 10 anos, espera-se que alguns deles tenham relatado diferenças indesejadas entre transgênicos e cultivos convencionais, mesmo que tais diferenças não existam na realidade."
Yang, Y. Tony; Chen, Brian (abril de 2016). «Governing GMOs in the USA: science, law and public health». Journal of the Science of Food and Agriculture (em inglês) (6): 1851–1855. ISSN 0022-5142. doi:10.1002/jsfa.7523. Consultado em 22 de agosto de 2025 "Portanto, não é surpreendente que os esforços para exigir rotulagem e proibir OGMs tenham sido uma questão política crescente nos EUA (citando Domingo e Bordonaba, 2011). De modo geral, um amplo consenso científico sustenta que os alimentos transgênicos atualmente comercializados não apresentam riscos maiores do que os alimentos convencionais... As principais associações científicas e médicas nacionais e internacionais declararam que nenhum efeito adverso à saúde humana relacionado a alimentos transgênicos foi relatado ou comprovado na literatura revisada por pares até o momento.Apesar de várias preocupações, hoje, a Associação Americana para o Avanço da Ciência, a Organização Mundial da Saúde e muitas organizações científicas internacionais independentes concordam que os OGMs são tão seguros quanto outros alimentos. Comparada às técnicas convencionais de melhoramento genético, a engenharia genética é muito mais precisa e, na maioria dos casos, menos propensa a gerar um resultado inesperado." - ↑ «Statement by the AAAS Board of Directors On Labeling of Genetically Modified Foods» (PDF). American Association for the Advancement of Science (em inglês). 20 de outubro de 2012.
A UE, por exemplo, investiu mais de € 300 milhões em pesquisas sobre a biossegurança de OGM. Seu relatório recente afirma: "A principal conclusão a ser tirada dos esforços de mais de 130 projetos de pesquisa, abrangendo um período de mais de 25 anos de pesquisa e envolvendo mais de 500 grupos de pesquisa independentes, é que a biotecnologia, e em particular os OGM, não são, por si só, mais arriscados do que, por exemplo, as tecnologias convencionais de melhoramento genético de plantas." A Organização Mundial da Saúde, a Associação Médica Americana, a Academia Nacional de Ciências dos EUA, a Sociedade Real Britânica e todas as outras organizações respeitadas que examinaram as evidências chegaram à mesma conclusão: consumir alimentos que contêm ingredientes derivados de culturas geneticamente modificadas não é mais arriscado do que consumir os mesmos alimentos que contêm ingredientes de plantas cultivadas modificadas por técnicas convencionais de melhoramento genético.
- ↑ Pinholster, Ginger (25 de outubro de 2012). «AAAS Board of Directors: Legally Mandating GM Food Labels Could "Mislead and Falsely Alarm Consumers» (PDF). American Association for the Advancement of Science (em inglês)
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Um relatório emitido pelo conselho científico da Associação Médica Americana (AMA) diz que nenhum efeito de longo prazo na saúde foi detectado pelo uso de culturas transgênicas e alimentos geneticamente modificados, e que esses alimentos são substancialmente equivalentes aos seus equivalentes convencionais.
- ↑ «Featured CSA Report: Genetically Modified Crops and Foods (I-00) Full Text». American Medical Association (em inglês). Consultado em 22 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 10 de junho de 2001.
Culturas e alimentos produzidos com técnicas de DNA recombinante estão disponíveis há menos de 10 anos e nenhum efeito a longo prazo foi detectado até o momento. Esses alimentos são substancialmente equivalentes aos seus equivalentes convencionais.
- ↑ «Report 2 of the Council on Science and Public Health (A-12): Labeling of Bioengineered Foods» (PDF). American Medical Association. 2012. Consultado em 25 de agosto de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 7 de setembro de 2012.
Alimentos bioengenheirados são consumidos há quase 20 anos e, durante esse tempo, nenhuma consequência evidente à saúde humana foi relatada e/ou comprovada na literatura revisada por pares.
- ↑ Committee on Genetically Engineered Crops: Past Experience and Future Prospects; Board on Agriculture and Natural Resources; Division on Earth and Life Studies; National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine (28 de dezembro de 2016). Genetically Engineered Crops: Experiences and Prospects (em inglês). Washington, D.C.: National Academies Press. p. 149. ISBN 978-0-309-43738-7. PMID 28230933. doi:10.17226/23395. Consultado em 22 de agosto de 2025.
Conclusão geral sobre os supostos efeitos adversos à saúde humana de alimentos derivados de culturas geneticamente modificadas: Com base no exame detalhado de comparações de alimentos geneticamente modificados atualmente comercializados com alimentos não geneticamente modificados em análises composicionais, testes de toxicidade aguda e crônica em animais, dados de longo prazo sobre a saúde de animais alimentados com alimentos geneticamente modificados e dados epidemiológicos humanos, o comitê não encontrou diferenças que impliquem em um risco maior à saúde humana dos alimentos geneticamente modificados do que de seus equivalentes não geneticamente modificados.
- ↑ «Food, genetically modified». World Health Organization (em inglês). Consultado em 22 de agosto de 2025.
Diferentes organismos geneticamente modificados incluem diferentes genes inseridos de diferentes maneiras. Isso significa que cada alimento geneticamente modificado e sua segurança devem ser avaliados caso a caso, e que não é possível fazer afirmações gerais sobre a segurança de todos os alimentos geneticamente modificados. Os alimentos geneticamente modificados atualmente disponíveis no mercado internacional foram aprovados em avaliações de segurança e provavelmente não apresentam riscos para a saúde humana. Além disso, não foram demonstrados efeitos sobre a saúde humana em decorrência do consumo desses alimentos pela população em geral nos países onde foram aprovados. A aplicação contínua de avaliações de segurança baseadas nos princípios do Codex Alimentarius e, quando apropriado, o monitoramento pós-comercialização adequado devem constituir a base para garantir a segurança dos alimentos geneticamente modificados.
- ↑ Haslberger, Alexander G. (julho de 2003). «Codex guidelines for GM foods include the analysis of unintended effects». Nature Biotechnology (em inglês) (7): 739–741. ISSN 1087-0156. PMID 12833088. doi:10.1038/nbt0703-739. Consultado em 22 de agosto de 2025.
Esses princípios determinam uma avaliação pré-comercialização caso a caso, que inclui uma avaliação dos efeitos diretos e não intencionais.
- ↑ Algumas organizações médicas, incluindo a Associação Médica Britânica, defendem maior cautela com base no princípio da precaução:
«Genetically modified foods and health: a second interim statement» (PDF). British Medical Association (em inglês). Março de 2004. Consultado em 20 de novembro de 2025 "Em nossa visão, o potencial de que alimentos transgênicos causem efeitos nocivos à saúde é muito pequeno, e muitas das preocupações expressas se aplicam com igual força aos alimentos obtidos por meios convencionais. No entanto, preocupações com segurança não podem, até o momento, ser completamente descartadas com base nas informações atualmente disponíveis.
Ao buscar otimizar o equilíbrio entre benefícios e riscos, é prudente adotar uma postura cautelosa e, acima de tudo, aprender com o conhecimento e a experiência acumulados. Qualquer nova tecnologia, como a modificação genética, deve ser examinada quanto a possíveis benefícios e riscos para a saúde humana e o meio ambiente. Como ocorre com todos os alimentos novos, as avaliações de segurança relacionadas a alimentos transgênicos devem ser feitas caso a caso.
Os membros do projeto GM jury foram informados sobre vários aspectos da modificação genética por um grupo diverso de especialistas reconhecidos nos respectivos temas. O júri sobre transgênicos concluiu que a venda dos alimentos transgênicos atualmente disponíveis deve ser interrompida e que o moratório sobre o cultivo comercial de plantas transgênicas deve ser mantido. Essas conclusões basearam-se no princípio da precaução e na ausência de evidências de qualquer benefício. O júri expressou preocupação com o impacto das culturas transgênicas na agricultura, no meio ambiente, na segurança alimentar e em outros potenciais efeitos sobre a saúde.
A revisão da Royal Society (2002) concluiu que os riscos à saúde humana associados ao uso de sequências específicas de DNA viral em plantas transgênicas são insignificantes e, embora tenha recomendado cautela na introdução de potenciais alérgenos em culturas alimentares, destacou a ausência de evidências de que alimentos transgênicos comercialmente disponíveis causem manifestações clínicas de alergia. A BMA compartilha a visão de que não há evidências robustas de que alimentos transgênicos sejam inseguros, mas apoia o apelo por mais pesquisas e monitoramento para fornecer evidências convincentes de segurança e benefício." - ↑ Funk, Cary; Rainie, Lee (29 de janeiro de 2015). «Public and Scientists' Views on Science and Society». Pew Research Center (em inglês). Consultado em 23 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 9 de janeiro de 2019.
As maiores diferenças entre o público e os cientistas da AAAS estão nas crenças sobre a segurança do consumo de alimentos geneticamente modificados (GM). Quase nove em cada dez cientistas (88%) afirmam que é geralmente seguro consumir alimentos geneticamente modificados, em comparação com 37% do público em geral, uma diferença de 51 pontos percentuais.
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