Cana-de-açúcar geneticamente modificada
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Uma cana-de-açúcar geneticamente modificada é uma cana que passou por alterações em seu material genético por meio da engenharia genética, conferindo características desejáveis, como resistência a insetos e tolerância à seca e herbicidas, podendo resultar em uma cana-de-açúcar transgênica. O Brasil se tornou o primeiro país a aprovar para comercialização o cultivo de cana-de-açúcar geneticamente modificada em 2017, a cana recebeu genes que conferem a habilidade de resistir a broca-da-cana.[1] Na safra 2022/23, a área cultivada com cana transgênica no Brasil quase dobrou, alcançando 70 mil hectares. Ainda assim, esse número corresponde a uma fração pequena do total de canaviais do país, que ocupam aproximadamente 8,3 milhões de hectares.[2] Essa tecnologia tem beneficiado os agricultores, proporcionando maior lucratividade, rendimento e menor uso de pesticidas.[3]
Exemplos de cana-de-açúcar transgênica
Cana Bt
O Brasil foi o primeiro país a aprovar, em 2017, a comercialização de uma cana-de-açúcar geneticamente modificada, desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), registrada como CTC20Bt (CTB-141175/01).[1][4] Essa variedade recebeu o gene cry1Ab, responsável por produzir a toxina da bactéria Bacillus thuringiensis — já utilizada em outras culturas geneticamente modificadas, como soja e milho —, conferindo resistência a insetos, em especial à broca-da-cana.[5] Outras variedades de cana transgênica foram desenvolvidas, embora todas essas variedades Bt tenham a característica de resistência à broca-da-cana, as diferenças na produtividade, ciclo de colheita e adaptação a tipos de solo específicos permitem que o produtor escolha a melhor variedade para sua fazenda.[6][7]
Cana BtRR
A cana BtRR é uma variedade de cana-de-açúcar que combina duas características geneticamente modificadas: resistência à broca-da-cana e tolerância ao herbicida glifosato.[8] A tecnologia foi desenvolvida em parceria entre a Embrapa e a startup PangeiaBiotech.[8] A cana expressa uma versão da enzima 5-enolpiruvilshiquimato-3-fosfato sintase (EPSPS), associada a síntese dos aminoácidos essenciais fenilalanina, tirosina e triptofano, da cepa CP4 da bactéria Agrobacterium sp. que não é inibida pelo glifosato,[9][10][11] combinado a um gene que que produz duas proteínas inseticidas Cry diferentes da bactéria Bacillus thuringiensis.[12] A variedade ainda não recebeu aprovação para cultivo comercial da CTNBio, embora tenha autorização para testes de campo.[13]
Cana NXI
A Indonésia aprovou uma cana-de-açúcar geneticamente modificada, conhecida como NXI-4T, para alimentação e cultivo, desenvolvida para resistência à seca. Esta cana-de-açúcar foi desenvolvida pela PT Riset Perkebunan Nusantara (Pesquisa de Plantação Nusantara) que coopera com a Universidade Jember. A planta foi modificada usando Agrobacterium tumefaciens e o plasmídeo pMHL2113. Agrobacterium transferiu o gene betA da bactéria Rhizobium meliloti, associado a produção de betaína, uma substância que ajuda as plantas a se protegerem do estresse hídrico.[14][15]
Cana CABB
O Paquistão aprovou, em junho de 2024, duas variedades de cana-de-açúcar geneticamente modificada para plantio comercial, uma resistente a insetos (CABB-IRS) e outra tolerante a herbicidas (CABB-HTS). Essas variedades foram desenvolvidas pelo professor Muhammad Sarwar Khan, reitor da Universidade de Agricultura de Faisalabad, e sua equipe do Centro de Bioquímica Agrícola e Biotecnologia. Trata-se da primeira cultura transgênica utilizada para alimentação autorizada para cultivo em larga escala no país.[16][17]
Produtos derivados
O açúcar, produzido a partir da cana-de-açúcar, é obtido por um processo de refino, resultando quase exclusivamente em sacarose. As poucas impurezas que permanecem após o processamento são mínimas, e tanto o DNA quanto as proteínas não são detectados pelas técnicas disponíveis, ou aparecem em quantidades insignificantes. Por esse motivo, as agências regulatórias ao redor do mundo tratam o açúcar como uma substância pura, sendo o açúcar extraído de cana transgênica considerado absolutamente idêntico ao produzido a partir de variedades convencionais. Vale destacar que, devido ao alto nível de purificação, alterações em apenas alguns genes, como ocorre em variedades geneticamente modificadas, não resultam em um açúcar com qualidade diferente daquele obtido das plantas tradicionais.[18] Na interpretação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio):
"A descrição do produto 'açúcar' contido na consulta encaminhada, permite sua qualificação como 'substância pura quimicamente definida', conforme estabelecido no parágrafo segundo do artigo terceiro da Lei 11.105/2005, pois se comprova a ausência do ADN recombinante e do organismo viável no produto;
Como consequência dessa qualificação, conclui-se que este produto 'açúcar', não se enquadra no escopo da Lei de Biossegurança, estabelecido em seu artigo primeiro, e não é um organismo geneticamente modificado e nem um derivado deste, conforme estabelecido no artigo terceiro.
Na 210ª reunião ordinária, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança concluiu, por unanimidade, que o produto 'açúcar' produzido a partir de cana de açúcar geneticamente modificada é uma 'substância pura, quimicamente definida', como estabelecido no parágrafo segundo do artigo terceiro da Lei de Biossegurança."[19]
Por consequência, o açúcar derivado dessas culturas transgênicas não é considerado um alimento geneticamente modificado nem contendo OGMs, de modo que sua rotulagem não é necessária.[20][21] Em geral, existe um consenso científico[22][23][24][25][26] de que os alimentos atualmente disponíveis derivados de culturas geneticamente modificadas não representam um risco maior para a saúde humana do que os alimentos convencionais,[27][28][29][30][31][32][33] mas que cada alimento geneticamente modificado precisa ser testado caso a caso antes da introdução.[34][35][36] No entanto, os membros do público são muito menos propensos do que os cientistas a perceber os alimentos geneticamente modificados como seguros.[37][38][39][40]
Lista de eventos transgênicos de cana-de-açúcar no Brasil
Com base em dados do GM Approval Database do ISAAA e Liberações Comerciais da CTNBio.
| Característica | Evento | Identificador único[nota 1] | Nome | Ano da aprovação | Importação formalmente aprovada | Empresa | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Resistência a insetos lepidópteros | CTB141175/01-A | CTC-14117-4 | CTC20BT™ | 2017 | 2018[42] | Centro de Tecnologia Canavieira | |
| 2018[43] | |||||||
| 2023[44] | |||||||
| CTC91087-6 | CTC-91Ø87-6 | CTC9001BT | 2018 | 2019[42] | |||
| 2020[43] | |||||||
| 2023[44] | |||||||
| CTC93209-4 | CTC-932Ø9-4 | 2019 | |||||
| CTC75064-3 | CTC-75Ø64-3 | 2020 | 2022[42] | ||||
| CTC79005-2 | *** | 2020 | |||||
| CTC95019-5 | *** | 2021 | |||||
| CTC92015-7 | CTC-92Ø15-7 | 2022 | |||||
Alguns outros países também podem importar açúcar produzido a partir de cana geneticamente modificada, uma vez que, como mencionado, o produto refinado é considerado indistinguível do açúcar convencional, sendo rotulado como não transgênico.[18][21]
Ver também
- Alimento geneticamente modificado
- Milho geneticamente modificado
- Soja geneticamente modificada
- Feijão geneticamente modificado
- Algodão geneticamente modificado
- Trigo geneticamente modificado
Notas
Referências
- ↑ a b «Genetically modified sugarcane developed by CTC in Brazil is approved at CTNBio». CTC - Centro de Tecnologia Canavieira (em inglês). 8 de junho de 2017. Consultado em 14 de setembro de 2025
- ↑ «Brazil's CTC expects more genetically modified sugarcane use after China approval». Reuters (em inglês). 17 de janeiro de 2023. Consultado em 14 de setembro de 2025
- ↑ Croplife (6 de outubro de 2020). «Desmistificando a cana transgênica». CropLife. Consultado em 14 de setembro de 2025
- ↑ «Brazil Approves GM Sugarcane for Commercial Use». ISAAA: Crop Biotech Update (em inglês). Consultado em 14 de setembro de 2025
- ↑ Silveira, Evanildo da. «Canaviais mais resistentes». revistapesquisa.fapesp.br. Consultado em 14 de setembro de 2025
- ↑ «CTNBio aprova nova variedade de cana transgênica». Revista Globo Rural. 24 de agosto de 2022. Consultado em 14 de setembro de 2025
- ↑ «Cana transgênica». SIFAEG. Consultado em 14 de setembro de 2025
- ↑ a b «Nova cana-de-açúcar apresenta resistência à broca e ao herbicida glifosato». www.embrapa.br. Consultado em 14 de setembro de 2025
- ↑ «Aromatic amino acid biosynthesis, The shikimate pathway – synthesis of chorismate». Metabolic Plant Physiology Lecture notes. Purdue University, Department of Horticulture and Landscape Architecture. 1 de outubro de 2009. Consultado em 9 de setembro de 2025. Cópia arquivada em 19 de dezembro de 2007
- ↑ Steinrücken, H.C.; Amrhein, N. (junho de 1980). «The herbicide glyphosate is a potent inhibitor of 5-enolpyruvylshikimic acid-3-phosphate synthase». Biochemical and Biophysical Research Communications (em inglês) (4): 1207–1212. doi:10.1016/0006-291X(80)90547-1. Consultado em 9 de setembro de 2025
- ↑ Funke, Todd; Han, Huijong; Healy-Fried, Martha L.; Fischer, Markus; Schönbrunn, Ernst (29 de agosto de 2006). «Molecular basis for the herbicide resistance of Roundup Ready crops». Proceedings of the National Academy of Sciences (em inglês) (35): 13010–13015. ISSN 0027-8424. PMC 1559744
. PMID 16916934. doi:10.1073/pnas.0603638103. Consultado em 9 de setembro de 2025
- ↑ Tunes, Suzel. «Nova cana transgênica». revistapesquisa.fapesp.br. Consultado em 14 de setembro de 2025
- ↑ «Nova cana-de-açúcar apresenta resistência à broca e ao herbicida glifosato». www.embrapa.br. Consultado em 14 de setembro de 2025
- ↑ «Mengenal Varietas Tebu NXI-4T Sebagai Produk Rekayasa Genetika Di PTPN XI | PT Perkebunan Nusantara XI». www.ptpn-11.com (em indonésio). Consultado em 14 de setembro de 2025. Cópia arquivada em 1 de janeiro de 2015
- ↑ Gottems, Leonardo (2018). «Indonésia plantará primeira cana transgênica». Portal Agrolink. Consultado em 14 de setembro de 2025
- ↑ «University of Agriculture Faisalabad has developed two high-yielding varieties of the sugarcane.». University of Agriculture Faisalabad (UAF). Consultado em 14 de setembro de 2025
- ↑ «Pakistan Grants Approval for Cultivation of GM Sugarcane». ISAAA: Crop Biotech Update (em inglês). Consultado em 14 de setembro de 2025
- ↑ a b Lajolo, Franco Maria; Yokoyama, Silvia Mine; Cheavegatti Gianotto, Adriana (março de 2021). «Sugar derived from genetically modified sugarcane». Food Science and Technology (em inglês). 41 (1): 1–7. ISSN 1678-457X. doi:10.1590/fst.30619. Consultado em 14 de setembro de 2025
- ↑ Brasil, Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (28 de março de 2018). «Extrato de parecer técnico nº 5.837/2018». Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil.
- ↑ «Certificado não geneticamente modificado». AEXA - Associação dos Exportadores de Açúcar e Álcool. 8 de abril de 2020. Consultado em 23 de novembro de 2025
- ↑ a b Haslam, Jack (7 de maio de 2020). «NEW! Genetically Modified Cane: Brazil Leads the Way». CZ app (em inglês). Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ Nicolia, Alessandro; Manzo, Alberto; Veronesi, Fabio; Rosellini, Daniele (1 de março de 2014). «An overview of the last 10 years of genetically engineered crop safety research». Critical Reviews in Biotechnology (em inglês) (1): 77–88. ISSN 0738-8551. PMID 24041244. doi:10.3109/07388551.2013.823595. Consultado em 21 de agosto de 2025.
Revisamos a literatura científica sobre a segurança de cultivos transgênicos dos últimos 10 anos, que reflete o consenso científico amadurecido desde que as plantas transgênicas passaram a ser amplamente cultivadas em todo o mundo, e podemos concluir que a pesquisa científica conduzida até o momento não detectou nenhum risco significativo diretamente relacionado ao uso de cultivos transgênicos. A literatura sobre biodiversidade e o consumo de alimentos/rações transgênicos tem, por vezes, resultado em debates acalorados sobre a adequação dos delineamentos experimentais, a escolha dos métodos estatísticos ou a acessibilidade pública dos dados. Tal debate, mesmo que positivo e parte do processo natural de revisão pela comunidade científica, tem sido frequentemente distorcido pela mídia e frequentemente utilizado de forma política e inadequada em campanhas anti-cultivos transgênicos.
- ↑ «State of Food and Agriculture 2003–2004. Agricultural Biotechnology: Meeting the Needs of the Poor. Health and environmental impacts of transgenic crops». FAO (em inglês). Consultado em 21 de agosto de 2025.
As culturas transgênicas atualmente disponíveis e os alimentos derivados delas foram considerados seguros para consumo, e os métodos utilizados para testar sua segurança foram considerados apropriados. Essas conclusões representam o consenso das evidências científicas levantadas pelo ICSU (2003) e são consistentes com as opiniões da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2002). Esses alimentos foram avaliados quanto ao aumento dos riscos à saúde humana por diversas autoridades regulatórias nacionais (entre outras, Argentina, Brasil, Canadá, China, Reino Unido e Estados Unidos), utilizando seus procedimentos nacionais de segurança alimentar (ICSU). Até o momento, nenhum efeito tóxico ou nutricionalmente deletério verificável, resultante do consumo de alimentos derivados de culturas geneticamente modificadas, foi descoberto em qualquer lugar do mundo (GM Science Review Panel). Milhões de pessoas consumiram alimentos derivados de plantas geneticamente modificadas — principalmente milho, soja e colza — sem quaisquer efeitos adversos observados (ICSU).
- ↑ Ronald, Pamela (1 de maio de 2011). «Plant Genetics, Sustainable Agriculture and Global Food Security». Genetics (em inglês) (1): 11–20. ISSN 1943-2631. PMC 3120150
. PMID 21546547. doi:10.1534/genetics.111.128553. Consultado em 21 de agosto de 2025. Há amplo consenso científico de que as culturas geneticamente modificadas atualmente no mercado são seguras para consumo. Após 14 anos de cultivo e um total acumulado de 2 bilhões de acres plantados, nenhum efeito adverso à saúde ou ao meio ambiente resultou da comercialização de culturas geneticamente modificadas (Board on Agriculture and Natural Resources, Committee on Environmental Impacts Associated with Commercialization of Transgenic Plants, National Research Council and Division on Earth and Life Studies 2002) Tanto o Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA quanto o Centro Conjunto de Pesquisa (laboratório de pesquisa científica e técnica da União Europeia e parte integrante da Comissão Europeia) concluíram que existe um conjunto abrangente de conhecimentos que aborda adequadamente a questão da segurança alimentar das culturas geneticamente modificadas (Committee on Identifying and Assessing Unintended Effects of Genetically Engineered Foods on Human Health and National Research Council 2004; European Commission Joint Research Centre 2008). Esses e outros relatórios recentes concluem que os processos de engenharia genética e melhoramento convencional não são diferentes em termos de consequências não intencionais para a saúde humana e o meio ambiente (European Commission Directorate-General for Research and Innovation 2010).
- ↑ Freedman, David H. (setembro de 2013). «Are engineered foods evil?». Scientific American (em inglês) (3): 80–85. ISSN 0036-8733. PMID 24003560. doi:10.1038/scientificamerican0913-80. Consultado em 21 de agosto de 2025
- ↑ Mas também veja:
Domingo, José L.; Giné Bordonaba, Jordi (1 de maio de 2011). «A literature review on the safety assessment of genetically modified plants». Environment International (4): 734–742. ISSN 0160-4120. doi:10.1016/j.envint.2011.01.003. Consultado em 21 de agosto de 2025 "Apesar disso, o número de estudos especificamente focados na avaliação de segurança de plantas GM ainda é limitado. No entanto, é importante observar que, pela primeira vez, foi observado um certo equilíbrio no número de grupos de pesquisa que sugerem, com base em seus estudos, que diversas variedades de produtos GM (principalmente milho e soja) são tão seguras e nutritivas quanto as respectivas plantas convencionais não-GM, e aqueles que ainda levantam sérias preocupações. Além disso, vale mencionar que a maioria dos estudos que demonstram que os alimentos GM são tão nutritivos e seguros quanto aqueles obtidos por melhoramento convencional foram realizados por empresas de biotecnologia ou associadas, que também são responsáveis pela comercialização dessas plantas GM. De qualquer forma, isso representa um avanço notável em comparação com a falta de estudos publicados nos últimos anos em periódicos científicos por essas empresas."
Krimsky, Sheldon (1 de novembro de 2015). «An Illusory Consensus behind GMO Health Assessment». Science, Technology, & Human Values (em inglês) (6): 883–914. ISSN 0162-2439. doi:10.1177/0162243915598381. Consultado em 22 de agosto de 2025 "Comecei este artigo com depoimentos de cientistas respeitados de que não há literalmente nenhuma controvérsia científica sobre os efeitos dos OGMs na saúde. Minha investigação na literatura científica conta outra história."
Hilbeck, Angelika; Binimelis, Rosa; Defarge, Nicolas; Steinbrecher, Ricarda; Székács, András; Wickson, Fern; Antoniou, Michael; Bereano, Philip L; Clark, Ethel Ann (dezembro de 2015). «No scientific consensus on GMO safety». Environmental Sciences Europe (em inglês) (1). ISSN 2190-4707. doi:10.1186/s12302-014-0034-1. Consultado em 22 de agosto de 2025 "Na declaração conjunta a seguir, o consenso alegado é demonstrado como uma construção artificial que tem sido falsamente perpetuada por diversos fóruns. Independentemente das evidências contraditórias na literatura arbitrada, conforme documentado abaixo, a alegação de que agora existe um consenso sobre a segurança dos OGM continua a ser amplamente e frequentemente divulgada de forma acrítica."
E contraste:
Panchin, Alexander Y.; Tuzhikov, Alexander I. (17 de fevereiro de 2017). «Published GMO studies find no evidence of harm when corrected for multiple comparisons». Critical Reviews in Biotechnology (2): 213–217. ISSN 0738-8551. PMID 26767435. doi:10.3109/07388551.2015.1130684. Consultado em 22 de agosto de 2025 "Aqui, demonstramos que diversos artigos, alguns dos quais influenciaram forte e negativamente a opinião pública sobre os cultivos transgênicos e até mesmo provocaram ações políticas, como o embargo aos transgênicos, compartilham falhas comuns na avaliação estatística dos dados. Considerando essas falhas, concluímos que os dados apresentados nesses artigos não fornecem nenhuma evidência substancial de danos causados pelos transgênicos.Os artigos apresentados, sugerindo possíveis danos causados pelos transgênicos, receberam grande atenção pública. No entanto, apesar de suas alegações, eles, na verdade, enfraquecem as evidências dos danos e a falta de equivalência substancial dos transgênicos estudados. Ressaltamos que, com mais de 1.783 artigos publicados sobre transgênicos nos últimos 10 anos, espera-se que alguns deles tenham relatado diferenças indesejadas entre transgênicos e cultivos convencionais, mesmo que tais diferenças não existam na realidade."
Yang, Y. Tony; Chen, Brian (abril de 2016). «Governing GMOs in the USA: science, law and public health». Journal of the Science of Food and Agriculture (em inglês) (6): 1851–1855. ISSN 0022-5142. doi:10.1002/jsfa.7523. Consultado em 22 de agosto de 2025 "Portanto, não é surpreendente que os esforços para exigir rotulagem e proibir OGMs tenham sido uma questão política crescente nos EUA (citando Domingo e Bordonaba, 2011). De modo geral, um amplo consenso científico sustenta que os alimentos transgênicos atualmente comercializados não apresentam riscos maiores do que os alimentos convencionais... As principais associações científicas e médicas nacionais e internacionais declararam que nenhum efeito adverso à saúde humana relacionado a alimentos transgênicos foi relatado ou comprovado na literatura revisada por pares até o momento.Apesar de várias preocupações, hoje, a Associação Americana para o Avanço da Ciência, a Organização Mundial da Saúde e muitas organizações científicas internacionais independentes concordam que os OGMs são tão seguros quanto outros alimentos. Comparada às técnicas convencionais de melhoramento genético, a engenharia genética é muito mais precisa e, na maioria dos casos, menos propensa a gerar um resultado inesperado." - ↑ «Statement by the AAAS Board of Directors On Labeling of Genetically Modified Foods» (PDF). American Association for the Advancement of Science (em inglês). 20 de outubro de 2012.
A UE, por exemplo, investiu mais de € 300 milhões em pesquisas sobre a biossegurança de OGM. Seu relatório recente afirma: "A principal conclusão a ser tirada dos esforços de mais de 130 projetos de pesquisa, abrangendo um período de mais de 25 anos de pesquisa e envolvendo mais de 500 grupos de pesquisa independentes, é que a biotecnologia, e em particular os OGM, não são, por si só, mais arriscados do que, por exemplo, as tecnologias convencionais de melhoramento genético de plantas." A Organização Mundial da Saúde, a Associação Médica Americana, a Academia Nacional de Ciências dos EUA, a Sociedade Real Britânica e todas as outras organizações respeitadas que examinaram as evidências chegaram à mesma conclusão: consumir alimentos que contêm ingredientes derivados de culturas geneticamente modificadas não é mais arriscado do que consumir os mesmos alimentos que contêm ingredientes de plantas cultivadas modificadas por técnicas convencionais de melhoramento genético.
- ↑ Pinholster, Ginger (25 de outubro de 2012). «AAAS Board of Directors: Legally Mandating GM Food Labels Could "Mislead and Falsely Alarm Consumers» (PDF). American Association for the Advancement of Science (em inglês)
- ↑ European Commission. Directorate-General for Research (2010). A decade of EU-funded GMO research (2001-2010) (em inglês). LU: Publications Office. Consultado em 22 de agosto de 2025
- ↑ «ISAAA Summary of AMA Report on Genetically Modified Crops and Foods». The International Service for the Acquisition of Agri-biotech Applications (ISAAA) (em inglês). 2001. Consultado em 22 de agosto de 2025.
Um relatório emitido pelo conselho científico da Associação Médica Americana (AMA) diz que nenhum efeito de longo prazo na saúde foi detectado pelo uso de culturas transgênicas e alimentos geneticamente modificados, e que esses alimentos são substancialmente equivalentes aos seus equivalentes convencionais.
- ↑ «Featured CSA Report: Genetically Modified Crops and Foods (I-00) Full Text». American Medical Association (em inglês). Consultado em 22 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 10 de junho de 2001.
Culturas e alimentos produzidos com técnicas de DNA recombinante estão disponíveis há menos de 10 anos e nenhum efeito a longo prazo foi detectado até o momento. Esses alimentos são substancialmente equivalentes aos seus equivalentes convencionais.
- ↑ «Report 2 of the Council on Science and Public Health (A-12): Labeling of Bioengineered Foods» (PDF). American Medical Association. 2012. Consultado em 25 de agosto de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 7 de setembro de 2012.
Alimentos bioengenheirados são consumidos há quase 20 anos e, durante esse tempo, nenhuma consequência evidente à saúde humana foi relatada e/ou comprovada na literatura revisada por pares.
- ↑ Committee on Genetically Engineered Crops: Past Experience and Future Prospects; Board on Agriculture and Natural Resources; Division on Earth and Life Studies; National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine (28 de dezembro de 2016). Genetically Engineered Crops: Experiences and Prospects (em inglês). Washington, D.C.: National Academies Press. p. 149. ISBN 978-0-309-43738-7. PMID 28230933. doi:10.17226/23395. Consultado em 22 de agosto de 2025.
Conclusão geral sobre os supostos efeitos adversos à saúde humana de alimentos derivados de culturas geneticamente modificadas: Com base no exame detalhado de comparações de alimentos geneticamente modificados atualmente comercializados com alimentos não geneticamente modificados em análises composicionais, testes de toxicidade aguda e crônica em animais, dados de longo prazo sobre a saúde de animais alimentados com alimentos geneticamente modificados e dados epidemiológicos humanos, o comitê não encontrou diferenças que impliquem em um risco maior à saúde humana dos alimentos geneticamente modificados do que de seus equivalentes não geneticamente modificados.
- ↑ «Food, genetically modified». World Health Organization (em inglês). Consultado em 22 de agosto de 2025.
Diferentes organismos geneticamente modificados incluem diferentes genes inseridos de diferentes maneiras. Isso significa que cada alimento geneticamente modificado e sua segurança devem ser avaliados caso a caso, e que não é possível fazer afirmações gerais sobre a segurança de todos os alimentos geneticamente modificados. Os alimentos geneticamente modificados atualmente disponíveis no mercado internacional foram aprovados em avaliações de segurança e provavelmente não apresentam riscos para a saúde humana. Além disso, não foram demonstrados efeitos sobre a saúde humana em decorrência do consumo desses alimentos pela população em geral nos países onde foram aprovados. A aplicação contínua de avaliações de segurança baseadas nos princípios do Codex Alimentarius e, quando apropriado, o monitoramento pós-comercialização adequado devem constituir a base para garantir a segurança dos alimentos geneticamente modificados.
- ↑ Haslberger, Alexander G. (julho de 2003). «Codex guidelines for GM foods include the analysis of unintended effects». Nature Biotechnology (em inglês) (7): 739–741. ISSN 1087-0156. PMID 12833088. doi:10.1038/nbt0703-739. Consultado em 22 de agosto de 2025.
Esses princípios determinam uma avaliação pré-comercialização caso a caso, que inclui uma avaliação dos efeitos diretos e não intencionais.
- ↑ Algumas organizações médicas, incluindo a Associação Médica Britânica, defendem maior cautela com base no princípio da precaução:
«Genetically modified foods and health: a second interim statement» (PDF). British Medical Association (em inglês). Março de 2004. Consultado em 20 de novembro de 2025 "Em nossa visão, o potencial de que alimentos transgênicos causem efeitos nocivos à saúde é muito pequeno, e muitas das preocupações expressas se aplicam com igual força aos alimentos obtidos por meios convencionais. No entanto, preocupações com segurança não podem, até o momento, ser completamente descartadas com base nas informações atualmente disponíveis.
Ao buscar otimizar o equilíbrio entre benefícios e riscos, é prudente adotar uma postura cautelosa e, acima de tudo, aprender com o conhecimento e a experiência acumulados. Qualquer nova tecnologia, como a modificação genética, deve ser examinada quanto a possíveis benefícios e riscos para a saúde humana e o meio ambiente. Como ocorre com todos os alimentos novos, as avaliações de segurança relacionadas a alimentos transgênicos devem ser feitas caso a caso.
Os membros do projeto GM jury foram informados sobre vários aspectos da modificação genética por um grupo diverso de especialistas reconhecidos nos respectivos temas. O júri sobre transgênicos concluiu que a venda dos alimentos transgênicos atualmente disponíveis deve ser interrompida e que o moratório sobre o cultivo comercial de plantas transgênicas deve ser mantido. Essas conclusões basearam-se no princípio da precaução e na ausência de evidências de qualquer benefício. O júri expressou preocupação com o impacto das culturas transgênicas na agricultura, no meio ambiente, na segurança alimentar e em outros potenciais efeitos sobre a saúde.
A revisão da Royal Society (2002) concluiu que os riscos à saúde humana associados ao uso de sequências específicas de DNA viral em plantas transgênicas são insignificantes e, embora tenha recomendado cautela na introdução de potenciais alérgenos em culturas alimentares, destacou a ausência de evidências de que alimentos transgênicos comercialmente disponíveis causem manifestações clínicas de alergia. A BMA compartilha a visão de que não há evidências robustas de que alimentos transgênicos sejam inseguros, mas apoia o apelo por mais pesquisas e monitoramento para fornecer evidências convincentes de segurança e benefício." - ↑ Funk, Cary; Rainie, Lee (29 de janeiro de 2015). «Public and Scientists' Views on Science and Society». Pew Research Center (em inglês). Consultado em 23 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 9 de janeiro de 2019.
As maiores diferenças entre o público e os cientistas da AAAS estão nas crenças sobre a segurança do consumo de alimentos geneticamente modificados (GM). Quase nove em cada dez cientistas (88%) afirmam que é geralmente seguro consumir alimentos geneticamente modificados, em comparação com 37% do público em geral, uma diferença de 51 pontos percentuais.
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