Feijão geneticamente modificado
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Um feijão geneticamente modificado é um feijão que passou por alterações em seu material genético por meio de técnicas da engenharia genética, conferindo características desejáveis, como resistência a pragas e doenças ou melhoria da qualidade nutricional e digestiva,[1][2] podendo resultar em um feijão transgênico.
O primeiro feijão geneticamente modificado comercializado do mundo, registrado como BRS FC401 RMD, desenvolvido 100% por instituições públicas de pesquisa brasileiras, a Embrapa, foi aprovado para cultivo em 2011, iniciando comercialização em 2015 com uma variedade de feijão-carioca resistente ao vírus do mosaico dourado do feijoeiro (BGMV).[1][3] Variedades de feijão-caupi geneticamente modificado foram desenvolvidas para expressar a proteína cry de Bacillus thuringiensis, que é tóxica para espécies de lepidópteros, particularmente para a broca da vagem (Maruca vitrata),[4] uma praga que pode causar perdas de até 80% na produção.[5] Essas tecnologias tem beneficiado os agricultores, proporcionando maior lucratividade, rendimento e menor uso de pesticidas.[6][7][8]
Exemplos de feijão transgênico
Feijão RMD

O feijão-comum (Phaseolus vulgaris) é um dos alimentos mais importantes no Brasil, sendo fonte de proteínas, carboidratos e micronutrientes, além de ter longa durabilidade e fácil preparo. A produção ocorre em três safras anuais, com destaque para os estados do Paraná, Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Goiás. Contudo, pragas, doenças, seca e baixa fertilidade do solo afetam a produtividade, sendo o vírus do mosaico dourado do feijoeiro (BGMV), transmitido pela mosca-branca (Bemisia tabaci), a principal ameaça à cultura, podendo causar perdas de até 100% em áreas afetadas. O controle químico mostrou-se pouco eficaz, e programas de melhoramento convencional não obtiveram cultivares resistentes. Em 2004, a equipe de Aragão e Faria desenvolveu a primeira planta de feijão imune ao BGMV usando a estratégia de siRNA, selecionando a linhagem 5.1, que passou por testes em estufa, campo e análises de biossegurança. Os estudos confirmaram a segurança alimentar, a equivalência nutricional e a ausência de impactos ambientais, e em 2011 a CTNBio aprovou sua liberação comercial, o primeiro feijão transgênico comercializado do mundo, criado por uma instituição pública. As exigências regulatórias prolongaram a chegada ao mercado, mas em 2015 já havia cultivares comerciais da variedade carioca com produtividade média 20% maior e lucro até 78% superior em áreas afetadas, além de imunidade total ao vírus e redução no uso de inseticidas. O lançamento só ocorreu em 2020, após estratégias de multiplicação e planejamento comercial, e a aceitação inicial dos agricultores foi positiva; já para consumidores, a expectativa é de adesão semelhante à de outros produtos com OGMs no mercado. Como o feijão-carioca é destinado ao consumo interno, o processo foi facilitado, enquanto variedades exportadas, como o feijão-preto, permanecem fora do mercado.[3][9][10]
Métodos
Desde a década de 1960, a Embrapa buscava variedades de feijão resistentes ao vírus do mosaico dourado (BGMV), mas encontrou apenas cultivares com resistência parcial e pouco adaptadas ao Brasil, o que levou à aposta em biotecnologia nos anos 1990. Após tentativas sem sucesso com estratégias como RNA antissenso e transdominância letal, a solução veio no início dos anos 2000 com a interferência por RNA (RNAi), mecanismo natural de defesa das plantas que silencia genes. Inserindo no genoma do feijão um fragmento de DNA do vírus, os cientistas conseguiram fazer a planta produzir pequenas moléculas de RNA (siRNA) capazes de bloquear o gene essencial para a replicação viral, funcionando como uma “vacina” contra o BGMV. Esse processo potencializa um sistema já existente na planta, permitindo que a defesa seja acionada logo na infecção; além disso, observou-se que insetos transmissores reduzem sua carga viral ao se alimentar de feijões transgênicos, e que até lavouras convencionais vizinhas podem ser beneficiadas indiretamente.[1][9]

Feijão-caupi Bt
Variedades de feijão-caupi (Vigna unguiculata) geneticamente modificado foram desenvolvidas e aprovadas para cultivo em países africanos, como a Nigéria, em 2019,[13] e Gana, em 2024.[5] Essas variedades vem sendo investigadas em outros países, como a Burkina Faso.[14] Elas expressam a proteína cry de Bacillus thuringiensis, que é tóxica para espécies de lepidópteros, particularmente para a broca da vagem (Maruca vitrata), uma praga que pode causar perdas de até 80% na produção.[13][5]
Controvérsia
Existe um consenso científico[15][16][17][18][19] de que os alimentos atualmente disponíveis derivados de culturas geneticamente modificadas não representam um risco maior para a saúde humana do que os alimentos convencionais,[20][21][22][23][24][25][26] o feijão transgênico desenvolvido pela Embrapa demonstrou ser seguro para consumo humano e ao meio-ambiente, sendo substancialmente equivalente ao feijão convencional.[3][27] No entanto, os membros do público são muito menos propensos do que os cientistas a perceber os alimentos geneticamente modificados como seguros,[28][29][30][31] o status legal e regulatório dos alimentos geneticamente modificados varia de país para país, com algumas nações proibindo-os ou restringindo-os, e outras permitindo-os com graus de regulamentação amplamente diferentes.[32][33][34][35][36]
Segundo a Embrapa e parte da comunidade científica, o feijão RMD representa um avanço tecnológico nacional e uma alternativa sustentável ao uso de inseticidas. Estima-se que o uso de pesticidas para combater a mosca-branca exija de 15 a 20 aplicações por safra, com alto custo e grave impacto ambiental.[37] Os testes exigidos pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) demonstram que o feijão é seguro para o consumo humano e para o meio ambiente, já que o transgene apenas produz pequenas moléculas de siRNA, rapidamente degradadas no processamento do alimento, não introduzindo genes “estranhos” na planta.[37][38][3][27] Os produtores demonstram disposição e interesse em cultivar o feijão transgênico, porém carecem de conhecimento tanto sobre o evento de feijão RMD quanto sobre a própria tecnologia de transgênese.[39][40][41]
Apesar das vantagens técnicas, o feijão RMD enfrentou forte resistência social, institucional e comercial. O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) criticou o que considerou uma “violação do princípio da precaução”, afirmando que os testes da Embrapa foram “escassos” e que faltaram estudos em biomas importantes como o Nordeste, região tradicional produtora de feijão crioulo.[38][42] O Consea acusou a CTNBio de agir como uma “entidade facilitadora” das liberações de OGMs, enquanto o então presidente da CTNBio, Edilson Paiva, rebateu as críticas chamando-as de “obscurantistas” e enfatizando o rigor técnico das avaliações, realizadas conforme padrões internacionais da FAO e do Codex Alimentarius.[38]
Além disso, o Consea e o Instituto de Defesa de Consumidores alegam possíveis falhas processuais na CTNBio, como a ausência de transparência, conflito de interesses e informações mantidas sob sigilo, o que violaria o direito do consumidor à informação. Críticos também apontam para riscos de contaminação genética entre variedades convencionais e transgênicas, ameaçando a diversidade do feijão e a soberania alimentar de pequenos agricultores.[42] O Consea expressou preocupação de que o avanço dos transgênicos “leve à gradativa eliminação das variedades de feijão e à perda da soberania dos agricultores e consumidores locais”.[42]
Natalia Pasternak sustenta que as razões apresentadas pelos críticos “sugerem um profundo desconhecimento da tecnologia empregada e um medo exagerado da reação do público”. Segundo ela, entre esses motivos estão a alegada falta de evidências sobre a segurança alimentar das culturas transgênicas e o lobby negativo promovido por ONGs e associações contrárias aos transgênicos. A bióloga e divulgadora científica também enfatiza que o feijão foi desenvolvido sem fins comerciais privados, não se enquadrando, portanto, nas críticas direcionadas ao agronegócio monopolista e desmentindo a ideia de que o transgênico atenda a interesses corporativos.[37]
Ver também
- Alimento geneticamente modificado
- Milho geneticamente modificado
- Soja geneticamente modificada
- Algodão geneticamente modificado
- Trigo geneticamente modificado
- Cana-de-açúcar geneticamente modificada
Referências
- ↑ a b c «CTNBio aprova feijão transgênico desenvolvido pela Embrapa - Portal Embrapa». www.embrapa.br. Consultado em 14 de setembro de 2025
- ↑ Valbão, Mariana (19 de novembro de 2024). «Feijão geneticamente modificado é criado para inibir gases; entenda». CNN Brasil. Consultado em 14 de setembro de 2025
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- ↑ Nicolia, Alessandro; Manzo, Alberto; Veronesi, Fabio; Rosellini, Daniele (1 de março de 2014). «An overview of the last 10 years of genetically engineered crop safety research». Critical Reviews in Biotechnology (em inglês) (1): 77–88. ISSN 0738-8551. PMID 24041244. doi:10.3109/07388551.2013.823595. Consultado em 21 de agosto de 2025.
Revisamos a literatura científica sobre a segurança de cultivos transgênicos dos últimos 10 anos, que reflete o consenso científico amadurecido desde que as plantas transgênicas passaram a ser amplamente cultivadas em todo o mundo, e podemos concluir que a pesquisa científica conduzida até o momento não detectou nenhum risco significativo diretamente relacionado ao uso de cultivos transgênicos. A literatura sobre biodiversidade e o consumo de alimentos/rações transgênicos tem, por vezes, resultado em debates acalorados sobre a adequação dos delineamentos experimentais, a escolha dos métodos estatísticos ou a acessibilidade pública dos dados. Tal debate, mesmo que positivo e parte do processo natural de revisão pela comunidade científica, tem sido frequentemente distorcido pela mídia e frequentemente utilizado de forma política e inadequada em campanhas anti-cultivos transgênicos.
- ↑ «State of Food and Agriculture 2003–2004. Agricultural Biotechnology: Meeting the Needs of the Poor. Health and environmental impacts of transgenic crops». FAO (em inglês). Consultado em 21 de agosto de 2025.
As culturas transgênicas atualmente disponíveis e os alimentos derivados delas foram considerados seguros para consumo, e os métodos utilizados para testar sua segurança foram considerados apropriados. Essas conclusões representam o consenso das evidências científicas levantadas pelo ICSU (2003) e são consistentes com as opiniões da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2002). Esses alimentos foram avaliados quanto ao aumento dos riscos à saúde humana por diversas autoridades regulatórias nacionais (entre outras, Argentina, Brasil, Canadá, China, Reino Unido e Estados Unidos), utilizando seus procedimentos nacionais de segurança alimentar (ICSU). Até o momento, nenhum efeito tóxico ou nutricionalmente deletério verificável, resultante do consumo de alimentos derivados de culturas geneticamente modificadas, foi descoberto em qualquer lugar do mundo (GM Science Review Panel). Milhões de pessoas consumiram alimentos derivados de plantas geneticamente modificadas — principalmente milho, soja e colza — sem quaisquer efeitos adversos observados (ICSU).
- ↑ Ronald, Pamela (1 de maio de 2011). «Plant Genetics, Sustainable Agriculture and Global Food Security». Genetics (em inglês) (1): 11–20. ISSN 1943-2631. PMC 3120150
. PMID 21546547. doi:10.1534/genetics.111.128553. Consultado em 21 de agosto de 2025. Há amplo consenso científico de que as culturas geneticamente modificadas atualmente no mercado são seguras para consumo. Após 14 anos de cultivo e um total acumulado de 2 bilhões de acres plantados, nenhum efeito adverso à saúde ou ao meio ambiente resultou da comercialização de culturas geneticamente modificadas (Board on Agriculture and Natural Resources, Committee on Environmental Impacts Associated with Commercialization of Transgenic Plants, National Research Council and Division on Earth and Life Studies 2002) Tanto o Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA quanto o Centro Conjunto de Pesquisa (laboratório de pesquisa científica e técnica da União Europeia e parte integrante da Comissão Europeia) concluíram que existe um conjunto abrangente de conhecimentos que aborda adequadamente a questão da segurança alimentar das culturas geneticamente modificadas (Committee on Identifying and Assessing Unintended Effects of Genetically Engineered Foods on Human Health and National Research Council 2004; European Commission Joint Research Centre 2008). Esses e outros relatórios recentes concluem que os processos de engenharia genética e melhoramento convencional não são diferentes em termos de consequências não intencionais para a saúde humana e o meio ambiente (European Commission Directorate-General for Research and Innovation 2010).
- ↑ Freedman, David H. (setembro de 2013). «Are engineered foods evil?». Scientific American (em inglês) (3): 80–85. ISSN 0036-8733. PMID 24003560. doi:10.1038/scientificamerican0913-80. Consultado em 21 de agosto de 2025
- ↑ Mas também veja:
Domingo, José L.; Giné Bordonaba, Jordi (1 de maio de 2011). «A literature review on the safety assessment of genetically modified plants». Environment International (4): 734–742. ISSN 0160-4120. doi:10.1016/j.envint.2011.01.003. Consultado em 21 de agosto de 2025 "Apesar disso, o número de estudos especificamente focados na avaliação de segurança de plantas GM ainda é limitado. No entanto, é importante observar que, pela primeira vez, foi observado um certo equilíbrio no número de grupos de pesquisa que sugerem, com base em seus estudos, que diversas variedades de produtos GM (principalmente milho e soja) são tão seguras e nutritivas quanto as respectivas plantas convencionais não-GM, e aqueles que ainda levantam sérias preocupações. Além disso, vale mencionar que a maioria dos estudos que demonstram que os alimentos GM são tão nutritivos e seguros quanto aqueles obtidos por melhoramento convencional foram realizados por empresas de biotecnologia ou associadas, que também são responsáveis pela comercialização dessas plantas GM. De qualquer forma, isso representa um avanço notável em comparação com a falta de estudos publicados nos últimos anos em periódicos científicos por essas empresas."
Krimsky, Sheldon (1 de novembro de 2015). «An Illusory Consensus behind GMO Health Assessment». Science, Technology, & Human Values (em inglês) (6): 883–914. ISSN 0162-2439. doi:10.1177/0162243915598381. Consultado em 22 de agosto de 2025 "Comecei este artigo com depoimentos de cientistas respeitados de que não há literalmente nenhuma controvérsia científica sobre os efeitos dos OGMs na saúde. Minha investigação na literatura científica conta outra história."
Hilbeck, Angelika; Binimelis, Rosa; Defarge, Nicolas; Steinbrecher, Ricarda; Székács, András; Wickson, Fern; Antoniou, Michael; Bereano, Philip L; Clark, Ethel Ann (dezembro de 2015). «No scientific consensus on GMO safety». Environmental Sciences Europe (em inglês) (1). ISSN 2190-4707. doi:10.1186/s12302-014-0034-1. Consultado em 22 de agosto de 2025 "Na declaração conjunta a seguir, o consenso alegado é demonstrado como uma construção artificial que tem sido falsamente perpetuada por diversos fóruns. Independentemente das evidências contraditórias na literatura arbitrada, conforme documentado abaixo, a alegação de que agora existe um consenso sobre a segurança dos OGM continua a ser amplamente e frequentemente divulgada de forma acrítica."
E contraste:
Panchin, Alexander Y.; Tuzhikov, Alexander I. (17 de fevereiro de 2017). «Published GMO studies find no evidence of harm when corrected for multiple comparisons». Critical Reviews in Biotechnology (2): 213–217. ISSN 0738-8551. PMID 26767435. doi:10.3109/07388551.2015.1130684. Consultado em 22 de agosto de 2025 "Aqui, demonstramos que diversos artigos, alguns dos quais influenciaram forte e negativamente a opinião pública sobre os cultivos transgênicos e até mesmo provocaram ações políticas, como o embargo aos transgênicos, compartilham falhas comuns na avaliação estatística dos dados. Considerando essas falhas, concluímos que os dados apresentados nesses artigos não fornecem nenhuma evidência substancial de danos causados pelos transgênicos.Os artigos apresentados, sugerindo possíveis danos causados pelos transgênicos, receberam grande atenção pública. No entanto, apesar de suas alegações, eles, na verdade, enfraquecem as evidências dos danos e a falta de equivalência substancial dos transgênicos estudados. Ressaltamos que, com mais de 1.783 artigos publicados sobre transgênicos nos últimos 10 anos, espera-se que alguns deles tenham relatado diferenças indesejadas entre transgênicos e cultivos convencionais, mesmo que tais diferenças não existam na realidade."
Yang, Y. Tony; Chen, Brian (abril de 2016). «Governing GMOs in the USA: science, law and public health». Journal of the Science of Food and Agriculture (em inglês) (6): 1851–1855. ISSN 0022-5142. doi:10.1002/jsfa.7523. Consultado em 22 de agosto de 2025 "Portanto, não é surpreendente que os esforços para exigir rotulagem e proibir OGMs tenham sido uma questão política crescente nos EUA (citando Domingo e Bordonaba, 2011). De modo geral, um amplo consenso científico sustenta que os alimentos transgênicos atualmente comercializados não apresentam riscos maiores do que os alimentos convencionais... As principais associações científicas e médicas nacionais e internacionais declararam que nenhum efeito adverso à saúde humana relacionado a alimentos transgênicos foi relatado ou comprovado na literatura revisada por pares até o momento.Apesar de várias preocupações, hoje, a Associação Americana para o Avanço da Ciência, a Organização Mundial da Saúde e muitas organizações científicas internacionais independentes concordam que os OGMs são tão seguros quanto outros alimentos. Comparada às técnicas convencionais de melhoramento genético, a engenharia genética é muito mais precisa e, na maioria dos casos, menos propensa a gerar um resultado inesperado." - ↑ «Statement by the AAAS Board of Directors On Labeling of Genetically Modified Foods» (PDF). American Association for the Advancement of Science (em inglês). 20 de outubro de 2012.
A UE, por exemplo, investiu mais de € 300 milhões em pesquisas sobre a biossegurança de OGM. Seu relatório recente afirma: "A principal conclusão a ser tirada dos esforços de mais de 130 projetos de pesquisa, abrangendo um período de mais de 25 anos de pesquisa e envolvendo mais de 500 grupos de pesquisa independentes, é que a biotecnologia, e em particular os OGM, não são, por si só, mais arriscados do que, por exemplo, as tecnologias convencionais de melhoramento genético de plantas." A Organização Mundial da Saúde, a Associação Médica Americana, a Academia Nacional de Ciências dos EUA, a Sociedade Real Britânica e todas as outras organizações respeitadas que examinaram as evidências chegaram à mesma conclusão: consumir alimentos que contêm ingredientes derivados de culturas geneticamente modificadas não é mais arriscado do que consumir os mesmos alimentos que contêm ingredientes de plantas cultivadas modificadas por técnicas convencionais de melhoramento genético.
- ↑ Pinholster, Ginger (25 de outubro de 2012). «AAAS Board of Directors: Legally Mandating GM Food Labels Could "Mislead and Falsely Alarm Consumers» (PDF). American Association for the Advancement of Science (em inglês)
- ↑ European Commission. Directorate-General for Research (2010). A decade of EU-funded GMO research (2001-2010) (em inglês). LU: Publications Office. Consultado em 22 de agosto de 2025
- ↑ «ISAAA Summary of AMA Report on Genetically Modified Crops and Foods». The International Service for the Acquisition of Agri-biotech Applications (ISAAA) (em inglês). 2001. Consultado em 22 de agosto de 2025.
Um relatório emitido pelo conselho científico da Associação Médica Americana (AMA) diz que nenhum efeito de longo prazo na saúde foi detectado pelo uso de culturas transgênicas e alimentos geneticamente modificados, e que esses alimentos são substancialmente equivalentes aos seus equivalentes convencionais.
- ↑ «Featured CSA Report: Genetically Modified Crops and Foods (I-00) Full Text». American Medical Association (em inglês). Consultado em 22 de agosto de 2025. Cópia arquivada em 10 de junho de 2001.
Culturas e alimentos produzidos com técnicas de DNA recombinante estão disponíveis há menos de 10 anos e nenhum efeito a longo prazo foi detectado até o momento. Esses alimentos são substancialmente equivalentes aos seus equivalentes convencionais.
- ↑ «Report 2 of the Council on Science and Public Health (A-12): Labeling of Bioengineered Foods» (PDF). American Medical Association. 2012. Consultado em 25 de agosto de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 7 de setembro de 2012.
Alimentos bioengenheirados são consumidos há quase 20 anos e, durante esse tempo, nenhuma consequência evidente à saúde humana foi relatada e/ou comprovada na literatura revisada por pares.
- ↑ Committee on Genetically Engineered Crops: Past Experience and Future Prospects; Board on Agriculture and Natural Resources; Division on Earth and Life Studies; National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine (28 de dezembro de 2016). Genetically Engineered Crops: Experiences and Prospects (em inglês). Washington, D.C.: National Academies Press. p. 149. ISBN 978-0-309-43738-7. PMID 28230933. doi:10.17226/23395. Consultado em 22 de agosto de 2025.
Conclusão geral sobre os supostos efeitos adversos à saúde humana de alimentos derivados de culturas geneticamente modificadas: Com base no exame detalhado de comparações de alimentos geneticamente modificados atualmente comercializados com alimentos não geneticamente modificados em análises composicionais, testes de toxicidade aguda e crônica em animais, dados de longo prazo sobre a saúde de animais alimentados com alimentos geneticamente modificados e dados epidemiológicos humanos, o comitê não encontrou diferenças que impliquem em um risco maior à saúde humana dos alimentos geneticamente modificados do que de seus equivalentes não geneticamente modificados.
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As maiores diferenças entre o público e os cientistas da AAAS estão nas crenças sobre a segurança do consumo de alimentos geneticamente modificados (GM). Quase nove em cada dez cientistas (88%) afirmam que é geralmente seguro consumir alimentos geneticamente modificados, em comparação com 37% do público em geral, uma diferença de 51 pontos percentuais.
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Bibliografia
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