Trigo HB4

O trigo HB4 é um tipo de trigo que foi geneticamente modificado (transgênico) pela introdução de um gene do girassol para conferir tolerância à seca e um gene da bactéria Streptomyces hygroscopicus para torná-lo tolerante ao herbicida glufosinato.[1]

História

Em 2004, uma equipe liderada pela Dra. Raquel Chan [es], diretora do Instituto de Agrobiotecnología del Litoral da Universidad Nacional del Litoral, e membros do CONICET, patentearam em conjunto com o grupo agrotecnológico Bioceres uma construção genética que, anos depois, daria origem ao trigo IND-ØØ412-7 (conhecido como trigo HB4 ou como "trigo geneticamente modificado"). Essa variedade de trigo é produzida por meio de engenharia genética e se caracteriza por sua resposta a condições de seca. A semente foi projetada com a intenção de suportar períodos mais longos de estresse hídrico sem interromper o acúmulo de biomassa, melhorando a estabilidade da cultura e aumentando a produtividade.[1]

Características

O gene HB4 introduzido no trigo provém do girassol e codifica a proteína HAHB4 (Helianthus Annuus Homeobox-4), que, sendo um fator de transcrição (FT), liga-se a sequências específicas do DNA do trigo e regula a expressão de certos genes. A proteína HAHB4 pertence a uma família de fatores de transcrição cujos níveis são naturalmente aumentados por diversos tipos de estresse ambiental, particularmente o estresse hídrico.[1][2][3]

No evento IND-ØØ412-7, essa regulação causa um atraso na entrada da planta no processo de deterioração conhecido como senescência, dando-lhe algum tempo para aguardar o retorno da disponibilidade normal de água. Isso significa que ela regula a sensibilidade dos mecanismos de proteção que são acionados na ausência desse recurso essencial para a planta.[1][2][3]

HB4 ao redor do mundo

O trigo HB4 foi desenvolvido para ser tolerante a seca. Essas características resultam em maior produtividade em comparação com variedades não modificadas.[3] Essa tecnologia foi aprovada para cultivo nos seguintes países:[4]

O evento também foi aprovado para uso alimentar nos respectivos países:[4]

Referências

  1. a b c d Gupta, Pushpendra K. (julho de 2024). «Drought-tolerant transgenic wheat HB4®: a hope for the future»Subscrição paga é requerida. Trends in Biotechnology (em inglês) (7): 807–809. doi:10.1016/j.tibtech.2023.12.007. Consultado em 17 de novembro de 2025 
  2. a b Carey-Fung, Oscar; Johnson, Alexander A T (1 de setembro de 2025). Doherty, Colleen; Salter, William T, eds. «From convention to innovation: the role of genetic modification and genome editing in Australian wheat breeding». AoB PLANTS (em inglês) (5). ISSN 2041-2851. PMC 12406798Acessível livremente. doi:10.1093/aobpla/plaf040. Consultado em 17 de novembro de 2025 
  3. a b c González, Fernanda Gabriela; Capella, Matías; Ribichich, Karina Fabiana; Curín, Facundo; Giacomelli, Jorge Ignacio; Ayala, Francisco; Watson, Gerónimo; Otegui, María Elena; Chan, Raquel Lía (11 de março de 2019). «Field-grown transgenic wheat expressing the sunflower gene HaHB4 significantly outyields the wild type». Journal of Experimental Botany (em inglês) (5): 1669–1681. ISSN 0022-0957. PMC 6411379Acessível livremente. PMID 30726944. doi:10.1093/jxb/erz037. Consultado em 17 de novembro de 2025 
  4. a b «HB4 Wheat». GM Approval Database (em inglês). ISAAA. Consultado em 17 de novembro de 2025