Técnicas Inovadoras de Melhoramento de Precisão

Técnicas Inovadoras de Melhoramento de Precisão (TIMPs), também chamadas de New Breeding Technologies (NBTs), são um conjunto de métodos que podem aumentar e acelerar o desenvolvimento de novas características no melhoramento de plantas.[1][2] Essas novas técnicas geralmente envolvem 'edição do genoma', cuja intenção é modificar o DNA em locais específicos dentro dos genes das plantas para que novas características e propriedades sejam produzidas nas plantas cultivadas.

Uma discussão em curso em muitos países é se as TIMPs devem ser incluídas nas mesmas regulamentações governamentais pré-existentes para controlar organismos geneticamente modificados (OGMs).[3][4][5][6][7][8][9][10]

Métodos envolvidos

As Técnicas Inovadoras de Melhoramento de Precisão (TIMPs) fazem alterações específicas no DNA da planta para alterar suas características, e essas modificações podem variar em escala, desde a alteração de uma única base até a inserção ou remoção de um ou mais genes.[4] Os vários métodos para alcançar essas mudanças nas características incluem:[4]

  • Cortar e modificar o genoma durante o processo de reparo (três ferramentas são usadas para conseguir isso: nuclease de dedo de zinco; TALENs e ferramentas CRISPR/Cas)
  • Edição do genoma para introduzir alterações em apenas alguns pares de bases (usando uma técnica chamada 'mutagênese dirigida por oligonucleotídeos' (ODM)).
  • Transferência de um gene de uma espécie idêntica ou intimamente relacionada (cisgênese)
  • Adicionar um conjunto reorganizado de instruções regulatórias da mesma espécie (intragênese)
  • Implementação de processos que alteram a atividade genética sem alterar o próprio DNA (métodos epigenéticos)
  • Enxertia de planta inalterada em porta-enxerto geneticamente modificado[11]

Benefícios e desvantagens potenciais

Muitas organizações ambientais europeias se uniram em 2016 para expressar em conjunto sérias preocupações sobre novas técnicas de criação.[carece de fontes?]

Regulamentação

OCDE

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) possui seu próprio "Grupo de Trabalho sobre Harmonização da Supervisão Regulatória em Biotecnologia", mas, até 2015, praticamente não houve progresso na abordagem de questões relacionadas às TIMPs, incluindo muitos dos principais países produtores de alimentos, como Rússia, África do Sul, Brasil, Peru, México, China, Japão e Índia. Apesar de sua enorme importância potencial para o comércio e a agricultura, bem como dos riscos potenciais, a maioria dos países produtores de alimentos no mundo, naquela época, ainda não possuía políticas ou protocolos para regulamentar ou analisar produtos alimentícios derivados especificamente de novas técnicas de melhoramento.[5]

América do Sul

Argentina

A Argentina introduziu regulamentações e protocolos que afetam os TIMPs. Estes estavam em vigor em 2015 e proporcionaram clareza aos desenvolvedores de plantas em um estágio inicial, para que pudessem prever se seus produtos seriam ou não considerados OGM. Os protocolos estão em conformidade com o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança de 2003.[5]

Brasil

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) estabeleceu em 2018 normas para a avaliação das TIMPs, incluindo, por exemplo, CRISPR e TALEN. Segundo a resolução, produtos resultantes de TIMPs podem não ser considerados organismos geneticamente modificados (OGMs) caso atendam a critérios como: ausência comprovada de DNA/RNA recombinante, uso de moléculas que não se multiplicam em células vivas ou mutagênese sítio-dirigida sem inserção de transgenes. Nesses casos, cabe às instituições interessadas solicitar consulta à CTNBio, em uma análise caso a caso, apresentando dados técnicos sobre o organismo parental, a técnica empregada e o produto final.[12]

América do Norte

Estados Unidos

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos é responsável por determinar se os produtos alimentares derivados de TIMPs devem ser regulamentados, e isso é feito caso a caso, de acordo com a Lei de Proteção Vegetal dos EUA. Em 2015, não havia uma política específica para TIMPs, embora no verão daquele ano a Casa Branca tenha anunciado planos para atualizar o Quadro Regulatório dos EUA para Biotecnologia.[5][13]

Canadá

O sistema regulatório de alimentos do Canadá difere do da maioria dos outros países, e seus procedimentos já abrangem produtos de qualquer técnica de melhoramento, incluindo TIMPs. Isso ocorre porque seu "Quadro Regulatório de Biotecnologia" de 1993 se baseia em um conceito de acionamento regulatório baseado em "Plantas com Novas Características". Em outras palavras, se uma nova característica não existir nas populações normais de plantas cultivadas no Canadá, independentemente de como tenha sido desenvolvida, ela acionará os processos regulatórios e testes normais.[5]

Ver também

Referências

  1. Lusser, Maria; Parisi, Claudia; Plan, Damien; Rodriguez-Cerezo, Emilio; European Commission, eds. (2011). New plant breeding techniques: state-of-the-art and prospects for commercial development. Luxembourg: Publications Office. ISBN 978-92-79-19715-4 
  2. «Você sabe o que são as Técnicas Inovadoras de Melhoramento de Precisão?». Profissão Biotec. 28 de janeiro de 2020. Consultado em 17 de outubro de 2025 
  3. Steinbrecher, RA. «Genetic Engineering in Plants and the "New Breeding Techniques (NBTs)" Inherent risks and the need to regulate» (PDF). www.econexus.info. Consultado em 17 de outubro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 17 de julho de 2025 
  4. a b c «POST Note 548: New Plant Breeding Techniques» (PDF). UK Houses of Parliament. Fevereiro de 2017. Consultado em 17 de outubro de 2025 
  5. a b c d e Whelan, Agustina I; Lema, Martin A (2 de outubro de 2015). «Regulatory framework for gene editing and other new breeding techniques (NBTs) in Argentina». GM Crops & Food (em inglês) (4): 253–265. ISSN 2164-5698. PMC 5033209Acessível livremente. PMID 26552666. doi:10.1080/21645698.2015.1114698. Consultado em 17 de outubro de 2025 
  6. «Food derived using new breeding techniques - review». www.foodstandards.gov.au (em inglês). Consultado em 17 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 22 de setembro de 2023 
  7. Tanaka, Yutaka (2 de outubro de 2017). «Major Psychological Factors Affecting Acceptance of New Breeding Techniques for Crops». Journal of International Food & Agribusiness Marketing (em inglês) (4): 366–382. ISSN 0897-4438. doi:10.1080/08974438.2017.1382417. Consultado em 17 de outubro de 2025 
  8. «'New Breeding Techniques' and synthetic biology - genetic engineering by another name». theecologist.org (em inglês). 4 de abril de 2017. Consultado em 17 de outubro de 2025 
  9. Callaway, Ewen (25 de julho de 2018). «CRISPR plants now subject to tough GM laws in European Union». Nature (em inglês) (7716): 16–16. doi:10.1038/d41586-018-05814-6. Consultado em 17 de outubro de 2025 
  10. Pasquali, Giancarlo (29 de dezembro de 2024). «A legislação brasileira de biossegurança em face das Tecnologias Inovadoras de Melhoramento de Precisão (TIMPs)». Bio Diverso (1): 1–15. ISSN 2965-5765. Consultado em 17 de outubro de 2025 
  11. «Genetically modified organisms: new plant growing methods». www.gov.uk (em inglês). Advisory Committee on Releases to the Environment. Consultado em 17 de outubro de 2025 
  12. Resolução Normativa CTNBio nº 16, de 15.01.2018 Estabelece os requisitos técnicos para apresentação de consulta à CTNBio sobre as Técnicas Inovadoras de Melhoramento de Precisão.
  13. «The White House Announces Plans to Update the U.S. Regulatory Framework for Biotechnology - OFW Law» (em inglês). 9 de julho de 2015. Consultado em 17 de outubro de 2025 

Bibliografia