Porta giratória (política)
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Porta giratória no contexto da política é uma metáfora para pessoas que ocupavam cargos públicos passem a ocupar posições de lobistas ou consultores na iniciativa privada ao final de seus mandatos, obtendo benefícios próprios de sua anterior ocupação pública e produzindo conflitos de interesse entre a esfera pública e privada.[1][2]
Alguns autores consideram ainda como porta giratória a passagem de membros do poder público de uma esfera para outra, por exemplo, ministros do executivo passando a ministros do judiciário,[3] pessoas com cargos no judiciário se candidatarem a funções políticas sem se desencompatibilizarem do cargo anterior[4] ou ainda militares da ativa se candidatarem a cargos públicos, e após cumprimento do mandato ou após derrota eleitoral, voltarem a seus cargos.[5]
Um outro conceito metafórico que utiliza a mesma expressão, porém em um contexto diferente e não relacionado, é o da "porta giratória para criminosos", expressão utilizada por políticos da direita brasileira como Flávio Bolsonaro[6] e Sergio Moro[7]. Neste caso, faz referência a eventuais criminosos que seriam capturados pela polícia e em seguida liberados em audiências de custódia.[8]
Brasil
O Brasil dispõe de legislação para diminuir a porta giratória, nomeadamente a Lei nº 12.813, de 2013, que prevê que pessoas que ocuparam cargo federal cumpram uma "quarentena" de seis meses após a demissão.
Poder Executivo
- Rafael Vitale, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), passou a ser diretor-geral da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).[9]
- Caio Megale, secretário de indústria e comércio na Secretaria Especial da Fazenda, ligada ao Ministério da Economia, passou a ser economista-chefe na XP Investimentos;[10]
- Jacson Barros, diretor do SUS no Ministério da Saúde, migrou dados para a nuvem da Amazon Web Services, passando em sequência a trabalhar na Amazon como gerente de negócios;[11]
- Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro do então ministro da economia Paulo Guedes, deixou o governo para ir trabalhar no BTG Pactual, banco que tem Guedes como um de seus fundadores;[10]
- Paulo Uebel, secretário de Paulo Guedes, criou firma para atuar no ramo de água e esgoto e disputar leilões de saneamento em municípios;[12]
- Roberto Castello Branco, indicado por Paulo Guedes para ser presidente da Petrobras entre 2019 e 2021, assumiu o controle da administração da empresa 3R Petroleum, petroleira que mais se beneficiou com a venda de campos de petróleo;[10]
- Sergio Moro, que após deixar de ser ministro da Justiça passou a trabalhar na Alvarez & Marsal, escritório de advocacia com empresas clientes com ações julgadas por ele enquanto juiz.[10]
- Diversos quadros da Vale integrando o Ministério de Minas e Energia;[13]
- Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central, era anteriormente economista-chefe do Itaú;[14]
- Nelson Silva, consultor sênior da Petrobras, trabalhava anteriormente na Shell;[15]
- Ricardo Barros, ligado a empresas de planos de saúde, foi ministro da Saúde.[16]
- Joaquim Levy, então ministro da Fazenda, passou a diretor financeiro do Banco Mundial (BIRD).[17] Posteriormente voltaria ao poder executivo federal, já no governo Jair Bolsonaro, como diretor do BNDES.[18]
Portugal
- Durão Barroso, foi Primeiro-Ministro de Portugal, Presidente da Comissão Europeia e atualmente preside o banco Goldman Sachs International.[19]
Referências
- ↑ «Porta Giratória». Fiocruz - Observatório sobre as Estratégias da Indústria do Tabaco. Consultado em 20 de março de 2025
- ↑ «"Portas giratórias". Um em cada quatro governantes portugueses saiu da política para grandes empresas». RTP. 22 de janeiro de 2022. Consultado em 20 de março de 2025
- ↑ Magalhães, Vera (12 de janeiro de 2024). «Porta giratória STF-governo». O Globo. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ Fael, Baltazar (20 de março de 2025). «Devem ser proíbidas "portas giratórias" entre o judiciário e a política: Os casos de Mateus Saize e Beatriz Buchili» (PDF). Centro de Integridade Pública. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ «Governo prepara PEC para barrar "porta giratória" de militares em cargos políticos». Infomoney. 9 de março de 2023. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ Cunha, Marcella (5 de fevereiro de 2025). «Segurança pública deve movimentar Senado em 2025». Rádio Senado. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ «Moro critica a "porta giratória para criminosos profissionais ou perigosos" e toma invertidas de internautas (vídeo)». Brasil 247. 7 de março de 2024. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ Humberto, Cláudio (15 de abril de 2024). «Audiências de custódia criam 'porta rotatória' para bandidos em delegacias». Diário do Poder. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ Lorran, Tácio (20 de março de 2023). «Diretor da ANTT migra para a CSN, a quem garantiu alívio de R$ 3,4 bi». Metrópoles. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ a b c d Motoryn, Paulo (9 de maio de 2022). «Governo Bolsonaro acumula casos de "porta giratória"; relembre episódios e entenda fenômeno». Brasil de Fato. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ Motoryn, Paulo (24 de março de 2022). «Diretor que levou dados do SUS para Amazon deixou gestão Bolsonaro para trabalhar na empresa». Brasil de Fato. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ Motoryn, Paulo (17 de março de 2022). «Ex-secretário de Guedes abre empresa para disputar leilões de saneamento em municípios». Brasil de Fato. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ Mello Franco, Bernardo (30 de janeiro de 2019). «Porta giratória liga mineradoras ao governo». O Globo. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ Sicsú, João (3 de abril de 2017). «Adeus ao BNDES». CartaCapital. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ «12 retrocessos em 12 meses de Temer». CartaCapital. 15 de maio de 2017. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ Truffi, Renan (5 de setembro de 2016). «Ricardo Barros, o ministro dos planos de saúde». Consultado em 21 de março de 2025. Arquivado do original em 10 de fevereiro de 2017
- ↑ Pereira, Merval (4 de setembro de 2015). «A porta giratória». Academia Brasileira de Letras. Consultado em 21 de março de 2025
- ↑ «Joaquim Levy aceita convite para presidir BNDES, informa assessoria de Paulo Guedes». G1 Economia. 12 de novembro de 2018. Consultado em 15 de novembro de 2018. Cópia arquivada em 13 de novembro de 2018
- ↑ Jornal Público. «Durão Barroso vai presidir à Goldman Sachs e ser consultor para o "Brexit"»