Berdagraque (distrito)
Berdagrak
Berdagraque | ||||
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| Gavar do(a) Reino da Armênia Império Otomano | ||||
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![]() Limites do distrito de Arseasfora no Reino da Armênia | ||||
| Capital | Chevreli (Berdagraque) | |||
Berdagraque (em armênio: Բերդագրակ, Berdagrak) ou Pertecreque (em turco: Pertekrek) era um subdistrito (pequeno gavar) do distrito de Arseasfora, na província de Taique, do Reino da Armênia. Desde o século XVI, tornar-se-ia um sanjaco do Império Otomano, pertencente a variadas províncias (eialetes/vilaietes) a depender das reorganizações regionais das fronteiras imperiais. Sua extinção ocorreu no século XIX.
História
Berdagraque estendia-se entre as regiões de Coterjur (atual Seraconaque, em Ispir) e Parcal (atual Alteparmaque, em Iussufeli). Tentativamente foi associado ao distrito de Berdasfora, também em Taique. Do século IV ao VIII, foi domínio da família Mamicônio, e na segunda metade do século X, passou aos bagrátidas georgianos. Entre as aldeias de Berdagraque estavam Sersis, Setcunse, Cudraxém, Huncamegue, Alta e Baixa Mocurcute, Salorjur, Carecamurje e Osnal — todas situadas nas margens dos afluentes do rio Choruque e habitadas por armênios.[1]
Durante as guerras entre os Impérios Otomano e Safávida, o rei de Imerícia Pancrácio III (r. 1510–1565), em 1535, capturou o atabegue Quevarquevare III (r. 1518–1535) na Batalha de Murjaqueti e submeteu grande parte do Principado da Mesquécia. Um dos vassalos do falecido Quevarquevare, Otar Xalicasvili, viajou a Istambul acompanhado do filho do príncipe, Caicosroes, para pedir ajuda ao sultão Solimão, o Magnífico (r. 1520–1566). Em resposta, os otomanos lançaram campanha contra Mesquécia sob comando do beilerbei de Erzurum, Maomé Cã. A campanha iniciou em 4 de julho de 1536 e seria conduzida pelos próximos dois anos. Maomé Cã marchou rumo a Tortum, Narmane, Oltu e Berdagraque e infligiu pesadas baixas aos exércitos georgianos. Em 1538, ele submeteu Mesquécia, as regiões de Mejencerta, Zivim, Caesmane, Carse, o sul de Narmane e Oltu, as porções superiores do vale do Quisca em Tortum e as margens do Choruque, conhecidas como vale de Livane.[2]
Em 1538, foi criado o sanjaco de Livane no vale recém-conquistado, e Murade Bei, chefe dos guardas do palácio (colagasse), foi nomeado seu governador em 7 de abril, com uma renda de 200 mil akçes. O sanjaco de Livane, estabelecido em Berdagraque, abrangia as áreas a oeste e noroeste do castelo homônimo. Pouco tempo depois, em 1543, o rei de Imerícia, Pancrácio, reconquistou o vale de Livane. Quando o sultão Solimão lançou sua campanha contra os safávidas em 1548, encarregou o terceiro grão-vizir, Cara Amade Paxá, de eliminar a ameaça representada pelos nobres georgianos. Após conquistar Tortum em 18 de setembro de 1549, Amade Paxá designou os beilerbeis de Erzurum e Sivas para retomarem o vale de Livane. Em 7 de outubro, as fortalezas da região — Berdagraque (atual Chevreli), Quisquim (atual Alambaxe) e Nicaque (atual Iocuslu) — foram conquistadas pela segunda e última vez. Durante essa campanha, os castelos se renderam pedindo clemência (amã). Desta vez, foi criado no vale de Livane o sanjaco de Pertecreque, subordinado ao beilerbei de Erzurum.[2]
Em 16 de agosto de 1552, o sanjaco de Pertecreque foi concedido como feudo hereditário (ojacleque) ao nobre georgiano Beca Bei. Posteriormente, Beca converteu-se ao islamismo e adotou o nome Sefer. Ele administrava seus domínios em conjunto com o irmão, que ainda não era muçulmano, o que gerou desentendimentos entre ambos. O irmão de Sefer, Zuzende, era o governador do sanjaco de Livane (Artvim); este também se converteu mais tarde ao islamismo, adotando o nome Maomé. Sefer ainda exercia o cargo de governador de Pertecreque em 1565. Posteriormente, Pertecreque foi rebaixado à categoria de subdistrito (anaia/caza) e anexado ao sanjaco de Tortum, do eialete de Erzurum, sendo mencionado como tal em registros de 1574. O eialete de Chelder foi criado em 1579. O sanjaco de Pertecreque foi então transferido da jurisdição de Erzurum para a de Chelder. Nesse período, Pertecreque, mantido como sanjaco ojacleque, foi concedido a Caicosroes, filho de Maomé Bei. Em 1632, foi temporariamente anexado ao eialete de Carse como um sanjaco regular, mas logo voltou à jurisdição de Chelder.[2]
Embora Pertecreque tenha permanecido como centro administrativo do eialete de Chelder até o século XIX, os registros administrativos otomanos de 1682–1702 indicam que foi criado um segundo centro de sanjaco na região de Quisquim (atual distrito de Iussufeli). Os sanjacos de Pertecreque e Quisquim atuaram como administrações separadas até o século XIX, quando o sanjaco de Pertecreque foi dissolvido. Os descendentes dos beis de Pertecreque ainda vivem registrados como habitantes da vila de Chevreli.[2] A comunidade eclesiástica armênia dessa região persistiu até o século XVIII, quando a população armênia foi forçadamente convertida ao islamismo. As principais atividades econômicas eram a pecuária e a viticultura.[1]
Referências
- ↑ a b Hakobyan, Melik-Baxšyan & Barsełyan 1988–2001, p. 662.
- ↑ a b c d Derimel 2019.
Bibliografia
- Derimel, Muammer (2019). República da Turquia, Governo do Distrito de Iussufeli (T.C. Yusufeli Kaymakamlıǧı), ed. «İlçemiz Tarihçesi». Consultado em 9 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 26 de abril de 2023
- Hakobyan, Tadevos X.; Melik-Baxšyan, Stepan T.; Barsełyan, Hovhannes X. (1988–2001). «Բերդագրակ». Hayastani ev harakitsʻ šrjanneri tełanunneri baṛaran [Հայաստանի և հարակից շրջանների տեղանունների բառարան] [Dicionário de Toponímia da Armênia e Territórios Adjacentes]. 3. Erevã: Yerevan State University Publishing House
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