Iunjuler (Iussufeli)

Iunjuler
Yüncüler
Localidade
Localização
Iunjuler está localizado em: Turquia
Iunjuler
Localização de Iunjuler na Turquia
Coordenadas 🌍
País Turquia
Região Mar Negro
Província Artvim
Distrito Iussufeli
Características geográficas
População total (2021) [1] 308 hab.

Iunjuler (em turco: Yüncüler) ou Huncamegue (em armênio: Հունկամեգ; romaniz.: Hunkameg) é uma vila (köy) do distrito de Iussufeli, na província de Artvim, na Turquia. Fazia parte do subdistrito Berdagraque, do distrito de Arseasfora, na província de Taique, do Reino da Armênia. Entre os séculos IV e VIII, integrou os domínios da família Mamicônio e, na segunda metade do século X, passou aos bagrátidas georgianos. Em 1536, sob ordens do sultão Solimão, o Magnífico (r. 1520–1566), o beilerbei de Erzurum, Maomé Cã, realizou campanha contra os territórios georgianos, conquistando amplas regiões, incluindo Mesquécia, Carse e o vale de Livane, onde estava Iunjuler. Em 1543, o rei de Imerícia, Pancrácio III, reconquistou o vale. Anos depois, Cara Amade Paxá retomou definitivamente as fortalezas locais.

Por volta desse período foi criado o sanjaco de Pertecreque. Em 16 de agosto de 1552, ele foi concedido como feudo hereditário (ojacleque) ao nobre georgiano Beca Bei. Posteriormente, Pertecreque foi rebaixado à categoria de subdistrito (anaia) e anexado ao sanjaco de Tortum, do eialete de Erzurum, sendo mencionado como tal em registros de 1574. O eialete de Chelder foi criado em 1579 e o sanjaco de Pertecreque foi transferido da jurisdição de Erzurum para a de Chelder. Em 1632, o sanjaco foi temporariamente anexado ao eialete de Carse como um sanjaco regular, mas logo voltou à jurisdição de Chelder, onde permaneceu até sua extinção no século XIX. Historicamente, era habitada por armênios; em épocas mais recentes, foi habitava por turcos, embora restos de antiguidades armênias ainda fossem preservados. Apesar disso, restos de antiguidades armênias se preservaram, bem como seus costumes e traços de sua língua.

Nome

Iunjuler chamava-se Huncamegue (Հունկամեգ, Hunkameg) ou Hungameque (Hungamek). Para distingui-la de Documajelar, que tinha o mesmo nome, foi referida nos registros otomanos como Alta Hungameque (Yukarı Hungamek; حونكامك علیا, Hungâmek-i Ulyâ).[2] Esse nome originou-se do riacho homônimo que corre pela vila. Aparenta ser um hidrônimo derivado do persa hangāmān, "barulho, alvoroço, tumulto". Esse termo entrou na região como um patronímico armênio (Հունգամենք, Hungamenk’), "os Hungamani", e dele surgiu o topônimo.[3]

História

Huncamegue fez parte do subdistrito de Berdagraque, do distrito de Arseasfora, da província de Taique, do Reino da Armênia. Do século IV ao VIII, o subdistrito foi domínio da família Mamicônio, e na segunda metade do século X, passou aos bagrátidas georgianos.[4] Durante as guerras entre os Impérios Otomano e Safávida, o rei de Imerícia Pancrácio III (r. 1510–1565), em 1535, capturou o atabegue Quevarquevare III (r. 1518–1535) na Batalha de Murjaqueti e submeteu grande parte do Principado da Mesquécia. Um dos vassalos do falecido Quevarquevare, Otar Xalicasvili, viajou a Istambul acompanhado do filho do príncipe, Caicosroes, para pedir ajuda ao sultão Solimão, o Magnífico (r. 1520–1566). Em resposta, os otomanos lançaram campanha contra Mesquécia sob comando do beilerbei de Erzurum, Maomé Cã. A campanha iniciou em 4 de julho de 1536 e seria conduzida pelos próximos dois anos. Maomé Cã marchou rumo a Tortum, Narmane, Oltu e Berdagraque e infligiu pesadas baixas aos exércitos georgianos. Em 1538, ele submeteu Mesquécia, as regiões de Mejencerta, Zivim, Caesmane, Carse, o sul de Narmane e Oltu, as porções superiores do vale do Quisca em Tortum e as margens do Choruque, conhecidas como vale de Livane.[5]

Quando o sultão Solimão lançou sua campanha contra os safávidas em 1548, encarregou o terceiro grão-vizir, Cara Amade Paxá, de eliminar a ameaça representada pelos nobres georgianos. Após conquistar Tortum em 18 de setembro de 1549, Amade Paxá designou os beilerbeis de Erzurum e Sivas para retomarem o vale de Livane. Em 7 de outubro, as fortalezas da região — Berdagraque (atual Chevreli), Quisquim (atual Alambaxe) e Nicaque (atual Iocuslu) — foram conquistadas pela segunda e última vez. Durante essa campanha, os castelos se renderam pedindo clemência (amã). Desta vez, foi criado no vale de Livane o sanjaco de Pertecreque, subordinado ao beilerbei de Erzurum.[5] Em 16 de agosto de 1552, o sanjaco de Pertecreque foi concedido como feudo hereditário (ojacleque) ao nobre georgiano Beca Bei. Posteriormente, Pertecreque foi rebaixado à categoria de subdistrito (anaia) e anexado ao sanjaco de Tortum, do eialete de Erzurum, sendo mencionado como tal em registros de 1574.[5] Segundo o censo otomano de 1574, a vila era povoada por 148 pessoas, divididas em 28 famílias.[6] O eialete de Chelder foi criado em 1579 e o sanjaco de Pertecreque foi transferido da jurisdição de Erzurum para a de Chelder.[5]

Em 1632, o sanjaco foi temporariamente anexado ao eialete de Carse como sanjaco regular, mas logo voltou à jurisdição de Chelder. Embora Pertecreque tenha permanecido como centro administrativo do eialete de Chelder até o século XIX, os registros administrativos otomanos de 1682–1702 indicam que foi criado um segundo centro de sanjaco na região de Quisquim. Os sanjacos de Pertecreque e Quisquim atuaram como administrações separadas até o século XIX, quando o sanjaco de Pertecreque foi dissolvido.[5] Em Quisquim, Huncamegue fez parte da comunidade autônoma de Cotorjur. Sua população era originalmente formada por armênios, mas com o tempo passou a ser povoada por turcos. Apesar disso, restos de antiguidades armênias se preservaram, bem como seus costumes e traços de sua língua.[7] Em 1652, a vila converteu-se ao islamismo. No levantamento populacional da administração otomana de 1835, foi registrada como a única vila com esse nome no sanjaco de Quisquim e contava com 385 homens em 168 famílias. Se um número igual de mulheres fosse adicionado para calcular a população total da vila, a população atingiria 770, com uma média de 4,5 pessoas por domicílio. Com base nesses dados, pode-se concluir que a estrutura familiar local não era grande. No registro de 1848, reapareceu sob o nome Alta Huncamegue e tinha 450 pessoas vivendo em 90 domicílios.[6]

De acordo com o censo geral de 1935, a vila pertencia ao vilaiete de Erzurum e havia 430 habitantes.[8] No censo de 1940, pertencia ao subdistrito central do distrito de Iussufeli do vilaiete de Choruque e contava com 422 habitantes (182 homens e 240 mulheres).[9] No censo de 1950, pertencia ao subdistrito de Ersis e foram contabilizados 517 residentes.[10] Por conta de sua origem estrangeira, seu nome foi alterado para Iunjuler com base na lei N.º 7267 de 1959.[11] No censo de 1960, foram registrados 604 habitantes (297 homens e 307 mulheres); à época, o distrito de Iussufeli já havia sido transferido à província de Artvim.[12] Em 1965, foram contabilizados 657 habitantes (323 homens e 334 mulheres), dos quais 145 eram alfabetizados.[13] Em 1980, foram registrados 841 habitantes,[14] e em 1990, 894.[15]

Referências

Bibliografia

  • Artvinli, Taner (2013). Yusufeli Külliyâtı. 1. Istambul: Yusufeli Belediyesi Yayınları. ISBN 978-605-86248-1-8 
  • Hakobyan, Tadevos X.; Melik-Baxšyan, Stepan T.; Barsełyan, Hovhannes X. (1988–2001a). «Բերդագրակ». Hayastani ev harakitsʻ šrjanneri tełanunneri baṛaran [Հայաստանի և հարակից շրջանների տեղանունների բառարան] [Dicionário de Toponímia da Armênia e Territórios Adjacentes]. 3. Erevã: Yerevan State University Publishing House 
  • Hakobyan, Tadevos X.; Melik-Baxšyan, Stepan T.; Barsełyan, Hovhannes X. (1988–2001b). «Հունկամեգ». Hayastani ev harakitsʻ šrjanneri tełanunneri baṛaran [Հայաստանի և հարակից շրջանների տեղանունների բառարան] [Dicionário de Toponímia da Armênia e Territórios Adjacentes]. 3. Erevã: Yerevan State University Publishing House