Cotorjur (região)

Cotorjur (em armênio: Խոտորջուր; romaniz.: Xotorǰur; de χotor, "tortuoso", e ǰur, "água") foi uma comunidade autônoma situada no subdistrito de Quisquim, no sanjaco de Erzurum do vilaiete de Erzurum. Localizava-se na margem esquerda do rio Choruque, no vale do seu afluente Cotorjur, nas encostas meridionais dos montes Cachecar.

Geografia

Cotorjur localiza-se na margem esquerda do rio Choruque, no vale do seu afluente Cotorjur, nas encostas meridionais dos montes Cachecar. O relevo é montanhoso e profundamente cortado por inúmeros desfiladeiros e vales. O pico mais alto é o monte Cachecar. Possui paisagem alpina, com verões frescos e invernos suaves, florestas densas, pomares abundantes, pastagens e fontes e cascatas de águas puras. Nas encostas ocidentais do Cachecar há águas termais curativas. Em diferentes épocas, autores diversos incluíram de 7 a 13 aldeias neste conjunto. As 7 principais eram: Candazor, Suninse, Calmecute, Guelute, Chichapal, Quissaque e Quermã. Outros ainda mencionam Vana, Mijintal e Quelute-Susula. O geógrafo Łevond Ališan menciona também Toloxense. Esse grupo de aldeias possuía 33 residências de verão de pedra e 10 de inverno; os currais ficavam aos pés do Monte Cachecar.[1]

No final do século XIX havia 480 casas e cerca de 3 500 armênios; em 1909, 850 casas; e em 1915, 8 080 habitantes armênios. O solo era fértil, irrigado por cerca de 100 canais. Os moradores dedicavam-se à agricultura (sobretudo viticultura e cultivo de pêssego, figo e romã), à pecuária e aos ofícios manuais; eram famosos padeiros. As aldeias tinham casas de pedra de dois ou três andares com adegas. Por sua fertilidade, a região era chamada Osquejur (“Água de Ouro”), e por sua população católica homogênea, também Peztique Rom ("Pequena Roma"). Cada aldeia possuía sua escola paroquial, igreja e capela de peregrinação. Com exceção de Quermã, que tinha dialeto próprio, todas falavam o mesmo dialeto. A comunidade de Cotorjur mantinha uma autonomia organizada, e os trabalhos agrícolas eram realizados coletivamente.[1]

História

Cotorjur é mencionada pela primeira vez em 1586. Segundo a tradição, seus antepassados vieram de Ani, trazendo consigo evangelhos manuscritos. Converteram-se ao catolicismo no século XVII. Cerca de dois terços dos homens trabalhavam fora da aldeia — a maioria dos padeiros de Tiblíssi era originária daqui. Sabe-se que dois deles, Artašes Gevorgyan, de Cotorjur, e Petros Ter-Poƚosyan, de Mocurcute, com apoio de conterrâneos padeiros, colaboraram com o assassinato do dirigente do genocídio armênio Jemal Paxá. Perto da aldeia Quissaque havia uma fortaleza em ruínas, chamada Quissaque ou Lipaitingue. Em Alta Mocurcute, subsistia a fortaleza da Mãe de Deus (Astvacamor). Próximo dali, na margem direita do Choruque, estavam as ruínas da fortaleza subterrânea de Serarajer e da fortaleza mamicônida de Osnal.[2]

Junto ao Monte Cachecar, sobre uma colina, erguiam-se as capelas da Mãe de Deus (Astvacacin), São Tiago, Vera Cruz e São Jorge. Em junho de 1915, começou a deportação forçada dos armênios de Cotorjur e aldeias vizinhas. Dos 8 080 residentes armênios, cerca de sete mil foram exterminados. Em 1916, quando o exército russo tomou Erzurum, parte dos sobreviventes regressou à região. Desde o fim de 1917 até maio de 1918, prosseguiu a autodefesa de Cotorjur, sob a liderança de Agostinos Schanyan. Depois, pequenos grupos refugiaram-se em Trebizonda, Artvim e, de lá, no Cáucaso. De Cotorjur são naturais o erudito do final da Idade Média Elias de Carim (1669), o mequitarista Hakob Tašyan (1866–1933), o armenólogo Hovsep Voskanian (1883–1939), o pintor marinho Arsen Šapanyan (1864–1949) e o Herói da União Soviética Sergey Burnazyan (1914/8–1943).[3]

Referências

Bibliografia

  • Hakobyan, Tadevos X.; Melik-Baxšyan, Stepan T.; Barsełyan, Hovhannes X. (1988–2001). «Խոտրջուր». Hayastani ev harakitsʻ šrjanneri tełanunneri baṛaran [Հայաստանի և հարակից շրջանների տեղանունների բառարան] [Dicionário de Toponímia da Armênia e Territórios Adjacentes]. 3. Erevã: Yerevan State University Publishing House