Maomé Cã
| Maomé Cã | |
|---|---|
| Nacionalidade | Império Otomano |
| Ocupação | General e governador |
| Religião | Islamismo |
Maomé Cã (em turco: Mehmed Han; 1569) foi um oficial otomano do século XVI, o primeiro a ser nomeado beilerbei do eialete de Erzurum, na Anatólia. Teve papel central na expansão do Império Otomano em direção ao Cáucaso, em especial nos territórios georgianos.
Vida
Maomé Cã era nativo de Dulcadir (razão pela qual por vezes é referido como Dulkadırlı, ou seja, "de Dulcadir") e neto do bei Ala Adaulá Boscurte (r. 1480–1515), o que o fez primo do sultão Selim I (r. 1512–1520).[1] Iniciou sua carreira servindo ao Império Safávida. No final de 1534, o sultão Solimão, o Magnífico (r. 1520–1566) lançou uma expedição contra os safávidas, durante a qual Maomé Cã desertou com mil homens. Como recompensa, ele recebeu os sanjacos de Quemaque e Baiburte. Maomé Cã envolveu-se na campanha de Solimão, que durou um ano.[2] Em seu retorno, fundou o eialete de Erzurum entre 28 de agosto/26 de setembro e 3 de outubro de 1535 e tornar-se-ia seu primeiro beilerbei.[3] Apesar da capital provincial ser Erzurum, sabe-se que Maomé Cã preferiu residir em Baiburte. Sob sua administração, ordenou que o castelo de Erzurum fosse restaurado e o guarneceu com soldados e voluntários. Ele também adquiriu diversas propriedades em Erzurum, entre as quais um balneário em ruínas, um caravançarai, um palácio, uma bozacane (fábrica de boza), uma casa de tecidos, duzentas e setenta e sete lojas, os terrenos de vinte moinhos e uma fazenda. Ele restaurou o funcionamento de dez moinhos e cento e cinquenta lojas e propõe-se que seja o responsável por reativar a muncane (fábrica de velas) e a tinturaria local.[2]
Em 1535, o rei de Imerícia Pancrácio III (r. 1510–1565) capturou o atabegue Quevarquevare III (r. 1518–1535) na Batalha de Murjaqueti e submeteu grande parte do Principado da Mesquécia. Um dos vassalos do falecido Quevarquevare, Otar Xalicasvili, viajou a Istambul acompanhado do filho do príncipe, Caicosroes, para pedir ajuda a Solimão. Em resposta, os otomanos lançaram campanha contra Mesquécia sob comando de Maomé Cã. Após realizar os preparativos necessários, a campanha iniciou em 4 de julho de 1536 e seria conduzida pelos próximos dois anos. Maomé Cã marchou rumo a Tortum, Narmane, Oltu e Berdagraque e infligiu pesadas baixas aos exércitos georgianos. Em 1538, submeteu Mesquécia, as regiões de Mejencerta, Zivim, Caesmane, Carse, o sul de Narmane e Oltu, as porções superiores do vale do Quisca em Tortum e as margens do Choruque, conhecidas como vale de Livane. Em 1538, foi criado o sanjaco de Livane no vale recém-conquistado, mas este seria perdido em 1543, quando foi reconquistado por Pancrácio.[4][5] Maomé Cã manteve sua posição no eialete até 1539, quando foi substituído por Farade Bei.[6] Depois disso, tornou-se sanjaco-bei da Bósnia em 1543 e aposentou-se em 16 de fevereiro de 1549, permanecendo algum tempo sem cargo. Após sua aposentadoria na Bósnia, suas propriedades em Erzurum foram convertidas em propriedades à classe militar, como cules (servos/escravos) e fortalezas, por decreto datado de 7 de junho de 1550, enviado ao beilerbei de Erzurum.[7]
Em 10 de dezembro de 1549, Maomé Cã tornou-se sanjaco-bei do sanjaco de Pojega e Osseque, no território da atual Croácia, mas seu mandado durou apenas até 11 de janeiro de 1550. Reassumiria essa posição em 10 de outubro de 1551, e a reteria até por volta de 4 de março de 1552. Os registros apontam que, nesta função, recebeu uma renda anual de 700 mil akçes.[1] Posteriormente, em diferentes períodos, foi sanjaco-bei ora do sanjaco da Moreia, ora do de Quiustendil; às vezes, os dois sanjacos eram reunidos e conferidos a ele com o título de vilâyet-i eyalet ihtivası (abrangência provincial). Em certa ocasião, também lhe foi concedido o sanjaco de Semêndria. Nos decretos enviados a Maomé Cã, era-lhe dirigido o tratamento de Cenab-ı imâret-meâb ("Sua Excelência, de natureza nobre e digna"). Muito tempo depois, aposentou-se desse posto e faleceu em 977 (1569), em Accha Quezanleque (atual Kazanluk, na Bulgária). De acordo com o historiador otomano Guelibolulu Mustafá Ali, era um homem bastante respeitado e honrado, presente nas reuniões de convívio e de taça (isto é, de prestígio social). Na edição impressa de seu Künhü’l-ahbâr (A Essência da História), Ali menciona que lhe restou um filho chamado Cara Cã, o qual administrou alguns sanjacos da Rumélia. Os registros sugerem que Maomé Cã tevem ainda outros dois filhos, a saber: Ala Adaulá Bei (Alâü’d-Devle Bey), que foi mencionado como muteferrica (oficial destacado) em 1536 e como detentor de um has em 26 de janeiro de 1556; e Xaruque (Şahruh), nomeado em 20 de abril de 1560 como agá dos azebes de Baguedade.[7]
Referências
- ↑ a b Dávid 2022, p. 38.
- ↑ a b Kılıç 2024, p. 142.
- ↑ Aydın 1998, p. 60.
- ↑ Derimel 2019.
- ↑ Derimel 2025, p. 57.
- ↑ Aydın 1998, p. 91.
- ↑ a b Aydın 1998, p. 90.
Bibliografia
- Aydın, Dündar (1998). Erzurum beylerbeyiliği ve teşkilatı: kuruluş ve genişleme devri (1535-1566). Ancara: Türk Tarih Kurumu Basımevi
- Dávid, Géza (2022). «ocaklık tîmâr in the sanjak of Smederevo». In: Kursar, Vjeran. Life on the Ottoman Border: Essays in Honour of Nenad Moačanin. Zagrebe: Universidade de Zagrebe
- Derimel, Muammer (2019). República da Turquia, Governo do Distrito de Iussufeli (T.C. Yusufeli Kaymakamlıǧı), ed. «İlçemiz Tarihçesi». Consultado em 9 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 26 de abril de 2023
- Derimel, Muammer (2025). «Osmanlı'dan Cumhuriyet'e Artvin Bölgesinde İdari Yapı» [Administrative Structure of the Artvin Region from the Ottoman Empire to the Republic]. Turcology Research. 82. Consultado em 9 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 9 de novembro de 2025
- Kılıç, Ümit (dezembro de 2024). «Osmanlı İdaresinin Erken Dönemlerinde Erzurum Şehrinin Yerleşiminde Zaviye Vakıflarının Rolü» [The Role of Zawiya Foundations in the Settlement of Erzurum City in the Early Periods of Ottoman Administration] (PDF). JORMIS: Journal of Migration and Settlement Studies. 2 (2). ISSN 2980-2628. Consultado em 10 de novembro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 25 de abril de 2025