Farade Bei

Farade Bei
NacionalidadeImpério Otomano
OcupaçãoGeneral e governador
ReligiãoIslamismo

Farade Bei (em turco otomano: فرهاد بیگ; romaniz.: Ferhād Bey; em turco: Ferhat Bey), também chamado Farade Paxá (فرهاد پاشا, Ferhād Pāşā; Ferhat Paşa), foi um alto oficial do Império Otomano do século XVI, que serviu como beilerbei de vários eialetes (províncias), dentre os quais Caramânia e Erzurum, ao longo de sua carreira.

Vida

As origens de Farade Bei são incertas, bem como os primeiros anos de sua carreira. O historiador Maomé Sureia Bei menciona um homônimo com o título de Solaque (canhoto), mas é indeterminado se é a mesma pessoa.[1] Em 30 de maio de 1538, antes do sultão Solimão, o Magnífico (r. 1520–1566) realizar sua Campanha da Moldávia, foi nomeado guarda de Istambul como governador do distrito e em novembro de 1539, tornar-se-ia beilerbei da Caramânia. Em novembro de 1539, compareceu à cerimônia de circuncisão dos príncipes. Em fevereiro de 1540, é registrado como beilerbei de Erzurum, em sucessão a Maomé Cã. Sua nomeação pode ter ocorrido durante a cerimônia de circuncisão, que pode ter sido realizada em Istambul ou Cônia, de onde dirigiu-se a Erzurum, ou um pouco depois.[2] Como seu antecessor, não residiu em Erzurum, haja vista o aspecto dilapidado da cidade à época. Voluntários e soldados que haviam sido recrutados para reconstruir e guarnecer o castelo de Erzurum assentaram-se na cidade durante seu mandato,[3] com a permissão expressa de construírem residências no interior das muralhas.[4]

Durante o governo de Farade, iniciou-se o registro dos sanjacos de Quezuchane e Chemisquezeque, juntamente com Erzurum, Passine e Quie, que havia começado sob Maomé Cã. De acordo com esses registros, trinta e dois feudos foram distribuídos entre os detentores de timares. Assim, procurou-se impor uma nova ordem à região por meio da concessão de timares, sob a condição de que fossem mais vantajosos. Além disso, ao assumir o governo, adquiriu numerosas propriedades em Erzurum, como o arruinado caravançarai de Mequecholu (Mekeçoğlu); o terreno do caravançarai de Gurmane no bairro chamado Portão de Erzinjane (Erzincan Kapısı); um moinho de óleo de linhaça próximo ao Palácio Antigo (Köhne Saray); três moinhos de óleo de linhaça, dois deles situados perto do caravançarai de Iacutie (Yakutiye); seis balneários em ruínas, um no Portão de Sangue (Kan Kapı), um nas proximidades da Igreja de Alaja (Alaca Kilise), um ao lado da Madraça do Sultão (Medrese Sultaniye), dois junto ao Portão Grego (Rumkapısı) e um no bairro da Mesquita Mirza Maomé; uma casa de tijolos arruinada perto da torre junto à Mesquita Mirza Maomé; uma antiga igreja chamada Igreja Negra (Kara Kilisse); um celeiro de tijolos no Portão de Erzinjane; e dois moinhos pertencentes ao conjunto de moinhos chamado "Quarenta Moinhos" (Kırk-Değirmenler).[4][5]

Os últimos tempos de seu mandato foram marcados tanto por eventos pessoais quanto por problemas nas fronteiras orientais, que ele era responsável por proteger. No início de 1541, o xá safávida Tamaspe I (r. 1524–1576), que havia firmado acordo com a Áustria, manifestou sua intenção de realizar movimentos no leste, paralelamente às ações austríacas no oeste, provocando os comandantes de fronteira otomanos com diversas promessas. Como resultado disso, o governador de Lorestão, Gazi Cã, e posteriormente Dumbulu Caje Bei, que anteriormente havia sido o sanjaco-bei de Erzurum, rebelaram-se contra os otomanos e passaram para o lado iraniano.[2] Queixas sobre a administração de Farade aumentaram e um inspetor foi enviado a Erzurum para investigar sua conduta, o que confirmou as alegações dos queixosos. Como consequência, enquanto o sultão Solimão estava em Calcale, onde permaneceu por cinco dias a caminho da Campanha de Buda (20-25 de junho de 1541), Farade foi destituído do cargo de beilerbei. Sua carreira depois disso é indeterminada. Não são conhecidas informações sobre sua vida após sua destituição de Erzurum. Certo homônimo é registrado no eialete de Vã em janeiro de 1552, mas não é possível determinar que seja a mesma pessoa. Como seu sucessor foi designado Cadim Ali Paxá.[6]

Referências

  1. Aydın 1998, p. 92.
  2. a b Aydın 1998, p. 91.
  3. Kılıç 2024, p. 142.
  4. a b Aydın 1998, p. 90.
  5. Kılıç 2024, p. 142-143.
  6. Aydın 1998, p. 91-92.

Bibliografia

  • Aydın, Dündar (1998). Erzurum beylerbeyiliği ve teşkilatı: kuruluş ve genişleme devri (1535-1566). Ancara: Türk Tarih Kurumu Basımevi