Ojacleque
Ojacleque (em turco: Ocaklık), no Império Otomano, foi um tipo de propriedade arrendada a particulares e/ou a instituições com a finalidade de prover sua manutenção.
História
O sistema ojacleque proliferou sobremaneira nas zonas de fronteira do Império Otomano. Nele, o governo central, por um longo período, cedia uma fonte de renda à sua disposição a uma instituição estatal ou palaciana, a uma unidade militar ou a uma pessoa ou grupo em alguma outra função pública, com o objetivo de prover seu pagamento ou as matérias-primas e suprimentos alimentares necessários para sua operação. O procedimento usual era atribuir as tarefas de coleta, distribuição e contabilização das receitas em questão ao corpo dos beneficiários, cujas atividades nessa área eram então supervisionadas centralmente. O Estado criava um contato direto entre usuário e recurso, retirando-se o máximo possível da mediação entre os dois e da coleta e realocação das receitas. Dessa forma, o ônus da arrecadação era transferido para os beneficiários. Em termos da administração financeira central otomana, este procedimento era uma atribuição mucata válida até ser revogada ou como uma prorrogação havale. Durante o século XVII, uma proporção crescente de avarez, jizia e vários serviços em espécie foram alocados como ojacleques, e que esses recursos não foram necessariamente administrados dentro do sistema mucata inicialmente.[1]
Na porção oriental do Império Otomano, em especial nas zonas de fronteira com a Pérsia, instituíram-se muitos ojacleques e iurtluques a beis curdos encarregados de proteger os interesses otomanos na região. Essas propriedades concorriam com os hucumetes, que eram propriedades hereditárias de sanjacos inteiros em favor da dinastia local.[2] Alguns sanjacos, como o caso de sanjaco de Pertecreque do eialete de Chelder, também eram por vezes cedidos sob a forma de ojacleques.[3] No eialete da Bósnia, após a derrota otomana na Batalha de Sisaque de 1593, timares (espécie de feudo, dado aos que se juntassem à causa otomana durante alguma guerra) foram ocasionalmente concedidos sob a forma de ojacleques (ocaklık tîmâr) aos filhos e irmãos dos mortos em combate.[4] Um século e meio depois, desde 1741, o sistema do ojacleque timar foi expandido ao sanjaco de Semêndria, que foi estabelecido no rescaldo da Guerra Russo-Turca de 1735–1739.[5]
Referências
- ↑ Fodor 2018, p. 303.
- ↑ Moačanin 2017, p. 90.
- ↑ Derimel 2019.
- ↑ Oruç 2022, p. 104-105.
- ↑ Oruç 2022, p. 105.
Bibliografia
- Derimel, Muammer (2019). República da Turquia, Governo do Distrito de Iussufeli (T.C. Yusufeli Kaymakamlıǧı), ed. «İlçemiz Tarihçesi». Consultado em 9 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 26 de abril de 2023
- Fodor, Pál (2018). «XI. Settling the matter of the fortress garrison troops and the provincial kuls transition to the ocaklık system» (PDF). The Business of State: Ottoman Finance Administration and Ruling Elites in Transition (1580s-1615). Berlim: Klaus Schwarz
- Moačanin, Nenad (2017). Nastanak muslimanskog plemstva u Bosni i Hercegovini: zanemareni aspekti. Rad Hrvatske akademije znanosti i umjetnosti. Razred za društvene znanosti. 52. [S.l.: s.n.] pp. 73–94. doi:10.21857/y54jof6w3m
- Oruç, Hatice (2022). «ocaklık tîmâr in the sanjak of Smederevo». In: Kursar, Vjeran. Life on the Ottoman Border: Essays in Honour of Nenad Moačanin. Zagrebe: Universidade de Zagrebe